Para o estudo, foram mensuradas 18 variáveis quantitativas, sendo 15 delas variáveis independentes teorizadas como possíveis antecedentes da intenção em seguir as políticas de
segurança. O modelo do estudo (Figura 9, apresentada na página 57) incorpora a relação entre os constructos hipotéticos gerados pelo suporte teórico apresentado na pesquisa.
Na avaliação das variáveis de forma descritiva, a Tabela 2 apresenta a média, a mediana e o desvio padrão de cada uma das 18 variáveis. Senda a média e a mediana caracterizadas como medidas de tendência central, estas possibilitam compreender a opinião dos indivíduos sobre cada item. A média posiciona a opinião da maioria na escala de 1 a 5 do tipo Likert e a mediana aponta em que nível da escala as opiniões são divididas em 50%. Já o desvio padrão indica quanto as opiniões variam em torno da média, indicando se há uma convergência de opiniões que sustentam a afirmação de que a maioria tem de fato, a opinião apontada.
Tabela 2: Médias e desvios das variáveis quantitativas
Item avaliado Média Mediana Desvio
padrão 17. É possível que eu venha a cumprir com as políticas de
segurança para proteger as informações dos sistemas de informação da UFRN
4,18 4 0,783
02. Se eu seguir a Política de Segurança da UFRN, poderia
contribuir na proteção os sistemas de informação da universidade. 4,12 4 0,753 16. Estou predisposto a seguir as políticas de segurança que fossem
propostas pela UFRN. 4,07 4 0,852
18. Estou certo de que vou seguir as políticas de segurança da
UFRN. 4,06 4 0,840
14. Ao observar meus colegas cumprirem as políticas de segurança
da UFRN, eu me sentiria estimulado a cumpri-las também. 4,01 4 0,877 03. Eu acredito que seguir a Política de Segurança da Informação
da UFRN poderia ser algo útil para mim. 4,00 4 0,783
01. Cada estudante poderia fazer sua parte quando se trata de
proteger os sistemas de informação da UFRN. 3,89 4 1,037 13. Eu acredito que outros alunos estariam dispostos a cumprir com
as políticas de segurança da UFRN. 3,58 4 0,899
09. Eu acredito que a UFRN conduz inspeções periódicas para detectar o uso de programas não autorizados em seus computadores.
3,31 3,5 1,057 08. Se eu fosse pego violando as políticas de segurança da UFRN,
certamente eu seria punido. 3,28 3 1,063
04. A UFRN deveria punir os alunos que não seguem as
orientações de Segurança da Informação. 3,22 3 1,182
15. Eu acho que sofreria pressão dos outros colegas para estar de
acordo as políticas de segurança. 3,11 3 1,088
06. Se eu fosse pego violando as regras de Segurança da
Informação da UFRN, deveria ser severamente punido. 3,03 3 1,230 07. Eu acho que a UFRN tem o dever de monitorar regularmente o
uso do computador e rede Wi-Fi. 3,00 3 1,338
05. A UFRN deveria expulsar os alunos que descumprissem as
regras de segurança repetidamente. 2,42 2 1,174
12. Se a UFRN não tiver como comprar a licença de um software para instalar nos laboratórios de informática, não vejo problema em baixar uma cópia pirata caso precisasse usá-lo.
2,24 2 1,206
10. Se eu receber um e-mail com piadas e gostar, não vejo problema em encaminhá-lo pela caixa postal do SIGAA para meus colegas de classe.
11. Se eu tivesse a oportunidade de acessar um sistema de informação restrito, não vejo problema em utilizar alguma informação desse sistema para obter algum benefício pessoal.
1,64 1 0,902
Fonte: dados da pesquisa, 2014.
Os resultados apontam que as variáveis 17, 02, 16, 18 e 14 –relacionadas aos itens de predisposição e eficácia percebida em seguir uma política de segurança—possuem as maiores médias, com valores iguais ou maiores que 4, indicando um nível de concordância alto das afirmações avaliadas. Nota-se também que essas variáveis que possuem maior média também são aquelas que possuem menor desvio. Esse resultado indica baixo coeficiente de variação, o que aponta para uma convergência de opiniões dos entrevistados em relação a esses itens.
Ao analisar tais médias e medianas, pode-se inferir que os respondentes acreditam que, ao seguir a Política de Segurança da Informação proposta pela UFRN, eles tanto estariam exercendo um papel social de cooperação como percebem a utilidade da mesma pelo fato de que, ao seguir ao que viria a ser proposto, poderia proteger melhor suas informações no uso dos recursos de TI da UFRN. Portanto, é possível afirmar que há um sentimento positivo no que concerne aos alunos entenderem seus papéis em seguir a Políticas de Segurança e em de fato, cumpri-las.
As questões 6, 7, 8, 9 e 15 apresentaram médias e medianas em torno de 3. Elas se referem às dimensões de “severidade da punição” e “certeza de detecção” propostas pela teoria. Esse tom próximo a escala que mediria uma certa neutralidade do respondente é um indício de que tais fatores não estão claros para o respondente, visto que ainda não existe uma política de segurança para explanar quais seriam as formas de monitoramento e punições dadas ao usuário em caso de abuso no uso dos recursos de TI.
As variáveis referentes à dimensão do “comprometimento moral” representado pelas questões 10, 11 e 12 obtiveram as menores médias (1,92; 1,64 e 2,24, respectivamente) e medianas (2; 1; 2) se comparadas às demais. Esse fato ocorreu de forma esperada porque há uma relação inversa proposital nesses itens (quem tem maior comprometimento, apresenta níveis de concordância mais baixos) e se justifica-se pelos motivos já expostos na seção 4.2, que sequencia os passos referentes ao pré-teste e operacionalização das variáveis do instrumento de pesquisa. No estudo de D’Arcy, Hovav e Galleta (2009), a variável de comprometimento moral serviu para moderar o impacto dos fatores “eficácia percebida” e “certeza de detecção” na intenção de seguir uma política de segurança na organização.
Quanto aos dados que se encontram na tabela 1, pode-se afirmar que, no geral, as medianas foram altas, o que reforça ainda mais essa intenção positiva dos respondentes em relação ao cumprimento do que uma Política de Segurança propõe. Além do ranqueamento das
médias e medianas das variáveis do instrumento, também foi executado um diagnóstico da Política de Segurança da UFRN, que será discutido na seção seguinte.