4 Resultater
4.2 Relasjoner mellom utdanningsnivå og mulige prediktorer
A demanda por homens especializados no trato das lavras foi, de fato, uma constante na história da mineração colonial, sendo observada desde o século XVI, com os primeiros estímulos da atividade, até o XIX, num contexto de decadência da produção aurífera.
De acordo com Sérgio Buarque de Holanda, os primeiros portugueses que se instalaram no Brasil não tinham nenhum dos conhecimentos técnicos necessários para a prática da mineração, pois careciam de metais nas suas próprias terras, e detinham apenas “algum conhecimento das veias de Adiça, perto de Lisboa, exploradas vez ou outra, sem que os ganhos, entretanto, dessem para cobrir os gastos da operação”123. No mesmo sentido, na década de 1630, uma autoridade espanhola fazia o seguinte comentário sobre os portugueses:
Los Portugueses por naturaleza nunqua fueron investigadores de minas; y que esto es tanto assi, que no se hallaran quatro hombres em toda la nacion que habitando entre ella las sepan labrar; por lo que fueron siempre mas inclinados a cultivar la tierra del Brasil, procurando sacar della el provecho, que tenian mas al ojo que andar buscar minas124.
Já para Charles Boxer, embora tal afirmação seja provavelmente um exagero, é significativo que: “nearly all the professional miners of whom we hear in Brazil during the seventeeth century [other than those who worked placer mines and gold-diggings] were foreigners – Spaniards or Germans”.125
Como já mencionado neste capítulo, a presença de técnicos estrangeiros nas lavras da América portuguesa esteve diretamente relacionada às várias tentativas de incrementar a atividade minerária. A presença predominante de mineiros espanhóis se justifica não apenas pelos investimentos feitos no contexto da União Ibérica, mas também pelo fato de que muitos desses técnicos já tinham uma experiência prévia no continente americano, adquirida nas minas das Índias de Castela.
Além disso, é preciso considerar que desde as primeiras investidas no interior do território o que se buscou foram as “serras resplandecentes”, com veios de ouro e de prata entranhados, cuja
122
RELATÓRIO do Gov. Antônio Pais de Sande [...]. ABN, v. XXXIX, p. 197-200.
123
HOLANDA. História Geral da Civilização Brasileira, 1977. p. 240.
124
BARRIGA, Luis Álvares. Advertencias. In: ABN. Rio de Janeiro, 1950. v. XIX, p. 241. apud BOXER. Salvador de
Sá […], p. 13-14.
125
exploração exigia trabalhos permanentes, com instalações subterrâneas dispendiosas e complicadas, tal como se observava no serro de Potosi ou nas minas da Europa Central.
Assim, se aos portugueses faltou, de início, o preparo necessário para explorar um território desconhecido, no qual as expectativas de grandes riquezas eram continuamente alimentadas por lendas e relatos de indígenas e sertanistas, a alternativa encontrada foi importar uma mão-de-obra especializada que lhes disponibilizasse os conhecimentos adequados.
Todavia, essa questão precisa ser relativizada, visto que os portugueses não eram absolutamente despreparados no trato com os metais. De fato, vários testemunhos atestam suas habilidades na metalurgia empregada nos ofícios de ensaiador, fundidor, afinador e ourives126. E não é raro encontrar esses oficiais especializados participando das expedições que se internavam pelos sertões à procura de riquezas minerais.
Cabe acrescentar aqui que os conhecimentos que detinham poderiam ter sido inclusive aplicados diretamente na atividade extrativa. Pelo menos é o que fica sub-entendido na representação da Câmara de Vila do Carmo contra a ordem régia que mandava expulsar das Minas tantos os ourives quanto aqueles que já tivessem usado deste oficio em algum momento. Assim, comunicavam ao Rei que haviam executado a ordem no tocante aos ourives que se encontravam exercendo o ofício. Mas, quanto aos “ex-ourives”, não viam boa razão para o procedimento, alegando que
[...] como de várias partes assim deste Brasil como das partes desse Reino concorreram para elas [as Minas] quantidade de pessoas que fora daqui tinham usado os ditos ofícios e que não trataram dele depois que a elas vieram, e se estabeleceram em ganhar as suas
vidas por minerar;e fazendo nos a calculação do seu número, e achando que em todos os
distritos delas há perto de quatrocentos homens deste gênero [...] e considerando nos que expulsados tão de repente recebiam os vassalos de Vossa Majestade gravíssimo prejuízo nas dívidas em que são seus a credores e que da mesma sorte a Fazenda Real de Vossa Majestade era prejudicadíssima porque cessava o trabalho deles para a extração do ouro
da terra; E como nenhum destes tais homens lhe // lhe passa pela imaginação fazer
exercício dos tais ofícios e que Vossa Majestade não receberá nenhum dano da sua assistência nestas Minas antes sim utilidade [...]127.
Nos tempos das primeiras investidas descobridoras na América portuguesa, indício da existência de uma atividade mineral razoável em Portugal é a lei expedida em 17 de dezembro de
126
É certo que, desde as primeiras notícias de “supostos” descobrimentos de minas preciosas, amostras dos achados foram enviadas para o Reino e submetidas ao exame de ensaiadores, cujos pareceres ora confirmavam as expectativas de descobridores e governantes, ora os desiludia. Erros de identificação foram freqüentes, principalmente com relação às pedras preciosas, até pelo menos a segunda metade do século XVIII, quando então a natureza, estrutura e variedade dos metais e pedras passaram a ser mais sistematicamente estudados na Europa. Cf. HOLANDA. História Geral da
Civilização Brasileira, 1977. p. 240. Ver: CASA DO INFANTE, Exposição. Ourivesaria do Norte de Portugal.
Lisboa: ARPPA/AIORN, 1984; COSTA, Laurindo. A ourivesaria e os nossos artistas. Porto: Costa e Cia. Editores, 1917; COUTO, João e GONÇALVES, Antônio M. A ourivesaria em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1960.
127
1557. Por essa lei, permitia-se a qualquer pessoa buscar por veios de ouro, prata e outros metais; a cada pessoa que descobrisse ouro ou prata seriam pagos 20 cruzados de mercê e 10 cruzados sendo mina de outro metal;
As quais mercês haverão dos Rendimentos dos Direitos das ditas veias, que acharem, ainda que sejam em terras de pessoas particulares, ou em que pessoas eclesiásticas, ou seculares tenham jurisdição, como sempre se usou nestes Reinos. Porém na Comarca de Trás-os- Montes ninguém buscará as ditas veias nem trabalhará nas descobertas, sem nosso especial mandado [...]128.
Na realidade, Portugal, bem como a Espanha, apresentava uma certa tradição na atividade minerária. Suas minas auríferas, tanto de veio quanto de aluvião, foram exploradas desde os tempos da ocupação romana na Península, nas províncias hispânicas da Lusitânia, Asturia e Galicia, com destaque para a região de Estremadura (noroeste da Espanha).
No território de Portugal propriamente dito, a região de Trás-os-Montes (norte) foi sistematicamente explorada, sobressaindo-se as minas de Poço das Freitas, Três Minas e Jales. Também encontram-se vestígios da atividade minerária romana nas regiões de Valongo/Gondomar, Castromil, Penedono, Caramulo, Escádia Grande e, mais ao sul, destacam-se as regiões de Caveira, Aljustrel e São Domingos129. Além disso, há informações e vestígios de lavagens de aluviões nas margens e leitos dos rios das bacias hidrográficas do Minho, do Lima, do Douro e outros130. Nessas explorações, os estudos arqueológicos identificaram vários métodos cujas descrições e vestígios se assemelham muito àqueles difundidos nas Minas durante o século XVIII. É o caso, por exemplo, dos desvios de cursos d’água para a exploração dos aluviões auríferos, e da técnica conhecida como arrugia, que consistia em desmontar, com o auxílio da força das águas conduzidas por canais, as massas rochosas onde o ouro se encontrava disseminado131. Por fim, é preciso considerar ainda a presença árabe na Península que, na
128
PONTES, Manoel José Pires da Silva. Revisão dos Regimentos das Minas do Império do Brasil, com Notas e Observações do Guarda-Mor Geral das Minas na Província de Minas Geraes. In: RAPM, 1902. ano VII, fasc. 3º e 4º.
129
“The mining of mineral resources in Portugal was initially carried out by the Phoenicians, but was intensely and mainly developed by the Romans. [...] Then followed a lengthy break in the mining of mineral resources in Portugal which was only occasionally interrupted, the exploitation of alluvial gold in Adiça near Lisbon during the XII century is one example of this”. In: Instituto Geológico e Mineiro (1998). Mineral Potential of Portugal. Disponível em
http://e-Geo.ineti.pt/geociencias/edicoes_online/diversos/potencial/indice.htm. De acordo com Castro e Fonseca, os vestígios da exploração romana mais importantes na região norte de Portugal, localizam-se na Serra de Santa Justa (concelhos de Valongo e Gondomar), na Serra das Banjas (concelhos de Gondomar e Paredes), Outeiro Machado e Poço das Freitas (concelho de Chaves), Trêsminas e Minas de Jales (ambos no concelho de Vila Pouca de Aguiar). CASTRO, Luís de Albuquerque e FONSECA, Fernando Nascimento da. A Mineração no Norte de Portugal. In:
Ourivesaria do Norte de Portugal, 1984.
130
CASTRO; FONSECA. Ourivesaria do Norte de Portugal, 1984. p. 64.
131
MATIAS, Roberto. Ingeniería Minera Romana. In: Elementos de Ingeniería Romana [Anais do Congresso Las
Obras Publicas Romanas]. Tarragona, 2004 (mimeo). De acordo com o pesquisador, o estudo dos aspectos científico-
tecnólogicos da mineração aurífera romana se dá não apenas por meio dos vestígios arqueológicos encontrados na Península, mas também pelas descrições encontradas em textos clássicos. Ainda segundo Roberto Matias, “en el caso
mineração, contribuiu com a introdução das rodas hidráulicas para o esgotamento de infiltrações nas escavações132.
Pelo exposto, é possível considerar que, se os portugueses se encontraram despreparados num primeiro momento, a interação de uma série de fatores teria levado à formação e ao aprimoramento dos próprios lusitanos, capacitando-os para a extração e beneficiamento dos metais tanto no Reino quanto nas minas brasileiras. Dentre esses fatores, é fundamental destacar o relativo domínio de técnicas minerais, o convívio com especialistas estrangeiros, a importância dos metais preciosos no contexto das políticas mercantilistas, as grandes descobertas auríferas em fins do século XVII e a preocupação em resguardá-las dos descaminhos.
Quando, por volta de 1699, o governador do Rio de Janeiro, Arthur de Sá e Meneses, visitou a região das Minas recém-descobertas, se impressionou com os meios “rudimentares” de que dispunham os paulistas que lá se instalaram para a exploração do ouro. Diante disso, enviou uma carta a D. Pedro II pedindo-lhe que mandasse mineradores práticos “capazes de restabelecer o equilíbrio rôto pela ignorância dos paulistas entre as jazidas a explorar e os methodos de aproveitamento”133. A carta régia de 26 de janeiro de 1700 anunciou a vinda de quatro portugueses “mestres na arte de minerar”: João Nunes, Antônio Borges de Faria, Antônio da Silva e Antônio Martins. Para Pandiá Calógeras, não seria despropósito atribuir aos ensinamentos desses quatro portugueses
a aprendizagem, phenomenalmente rápida, dos mineiros da terra, e a estes praticos se deve a multiplicação dos methodos, admiravelmente adaptados às condições locaes e ao estado dos conhecimentos dos operários, em breve ostentada pelas lavras de Minas Geraes e outros pontos, desenvolvimento intelligente dos primeiros princípios propagados pelos portuguezes134.
Em que pese o fato de que estes oficiais tenham contribuído de alguma forma para o incremento da exploração aurífera nas Minas – o mestre Antônio Borges inclusive acompanhou
de yacimientos de bajas leyes, el gran aporte de Roma a la minería a cielo abierto fue la utilización extensiva de la fuerza hidraulica para la minería aurífera. El agua se utilizó como elemento de trabajo principal, tanto em el proceso de extracción y lavado como em la evacuación de estériles, reduciendo con ello las necesidades de mano de obra y elevando también la capacidad técnica de movimiento de tierras a um nivel que no llegó a ser superado hasta el siglo XIX”. p. 9.
132
Los árabes, en especial en su última época, contribuirían al perfeccionamiento de la minería y metalurgia: hacia el siglo XIV se extendió el uso de las ruedas hidráulicas como fuerza motriz para los barquines y martillos de las forjas catalanas, que eran instaladas en las riberas de los ríos. Y, seguramente, los hornos xabecas o jabecas de Almadén fueron introducidos por los árabes. BARGALLÓ, Modesto. La Mineria y la Metalurgia en la América Española
durante la Epoca Colonial. Mexico/Buenos Aires: Fondo de Cultura Economica, 1955. p. 22.
133
CALÓGERAS, João Pandiá. As Minas do Brasil e sua Legislação. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1905. v. 1, p. 112.
134
Borba Gato em uma expedição ao sertão para descobrir prata135 – é exagero considerar que tenham sido os únicos responsáveis pela introdução dos métodos então adotados pelos mineradores. Este exagero fica evidenciado na carta que D. Álvaro da Silveira enviou ao Rei, em setembro de 1702, comunicando-lhe o mau desempenho de Antônio Borges na sua função de mineiro, uma vez que “toda a diligência que neste particular faz mais é para tratar de seus particulares e conveniências (do que) do serviço que faz a Vossa Majestade [...]”.136
Além dos especialistas estrangeiros – e também portugueses – trazidos em diferentes momentos por iniciativa da Coroa, é preciso acrescentar que, certamente, outros aqui chegaram por iniciativa própria, a partir da circulação de notícias sobre a existência de minas proveitosas na América portuguesa. Todavia, infelizmente pouco se sabe sobre a atuação desses técnicos europeus na exploração e beneficiamento dos metais. A documentação a respeito muitas vezes não está localizada, já não mais existe, está dispersa ou é pouco precisa. Outras vezes, não está acessível para o pesquisador brasileiro, ou o que é pior, torna-se confusa devido à tendência generalizada nos documentos de naturalização dos nomes estrangeiros. É o caso, dentre muitos outros, do sertanejo Antônio Rodrigues Arzão, um dos primeiros descobridores de ouro nos ribeiros das Minas Gerais em 1693, que seria descendente do flamengo Cornélio Arzing (ou Arzam), especialista na construção de engenhos de ferro137. Particularmente com relação aos espanhóis, a identificação torna-se ainda mais complicada quando se considera que há vários sobrenomes comuns às duas nações ibéricas.
De forma geral, pode-se dizer que os mineiros práticos, trazidos para a América portuguesa desde o século XVI, estavam imbuídos dos métodos então praticados na Europa e que alguns ainda acumulavam a experiência mineradora obtida em várias partes do mundo, como no caso do castelhano Agostinho de Soutomaior. Mas o destaque cabe aos alemães que, devido às condições
135
PROVISÃO de guarda-mor da repartição do Rio das Velhas, durante a ausência do tenente-general Manuel de Borba Gato, ao capitão Garcia Rodrigues, o moço, dada por Arthur de Sá e Menezes, 03/01/1702. In: Documentos
Interessantes para a história e costume de São Paulo. São Paulo: Irmãos Ferraz, 1930. v. LI, p. 60.
136
CARTA de d. Álvaro da Silveira de Albuquerque ao rei sobre o mau empenho que Antônio Borges de Faria estava dando á sua funcção de mineiro, 16/09/1702. Diz o governador: “Foi Vossa Majestade servido mandar Antônio Borges de Faria por mineiro das Minas dos Cataguases [...] trazendo em sua companhia três homens [...] indo as ditas minas não resultou cousa alguma a diligencia a que foi do descobrimento da prata morrendo-lhe um dos ditos homens [...]”. Alguns anos depois, ElRei demitira de suas funções o tal prático na arte de minerar, que aqui se fez negociante, abandonando a profissão em que se desmoralizara. In: Documentos Interessantes, 1930. v. LI, p. 137, 434.
137
HOLANDA. A mineração: antecedentes lusos-brasileiros, t. 1, v.2, p. 251. Cornélio de Arzing foi para São Paulo com D. Francisco de Souza em fins do séc. XVI e faleceu em 1638. Dentre outros filhos, teve Manoel Rodrigues Arzão que morreu em 1700. Este teve um filho homônimo, que morreu no sertão em 1699, um ano antes de seu pai. “Do capitão Manuel Rodrigues de Arzão, o Velho, é que proveio Antônio Rodrigues de Arzão”, o célebre sertanista do sertão da Casa da Casca. Este então era neto de Cornélio de Arzing. A família Arzão se destacou no descobrimento de riquezas minerais e na conquista de terras aos indígenas. Logo em começo do século XVIII, isto é, quando mais intenso era o descobrimento do ouro no hinterland brasileiro, resolveu ElRei a fazer, entre os Arzões, um seu representante para assistir à repartição das datas minerais, escolhendo a que pertenceria à Coroa. Ver: Documentos
locais favoráveis, chegaram a desenvolver os melhores métodos e instrumentos para a mineração dos metais preciosos (prata e ouro). Destacam-se, sobretudo, os das regiões da Boêmia e Saxônia que, “devido às exigências de uma exploração contínua, tornaram-se verdadeiras escolas de formação e aperfeiçoamento de mineradores, ensaiadores, engenheiros e metalurgistas de toda a Europa”138.
A fama dos mineradores germânicos se estendeu até o século XVIII, como bem atesta o governador de São Paulo e Minas do Ouro, D. Pedro de Almeida. Em carta enviada ao Rei em dezembro de 1717, o Conde de Assumar explicitava a necessidade de se enviar para Minas mineiros experientes que incrementassem as explorações das betas. Com isso o advertia que “os mais afamados Mineiros do mundo são os Saxônios, e não os Húngaros, e dos primeiros se servem em França, Inglaterra, e Alemanha, e nas mesmas Minas de Hungria os que nelas trabalham são Saxônios, por que entre todos são reputados por mais inteligentes [...]”139.
Muito do conhecimento de mineralogia e metalurgia difundido na Europa durante o século XVI foi sistematizado pelo germânico Georgius Agricola (1494-1555) em um tratado intitulado De
re metallica, considerado por muitos estudiosos como a principal obra relacionada à metalurgia e à
mineração que surgiu no período renascentista.
Georgius Agricola, nome latino de George Bauer, nasceu na cidade de Glauchau, na Saxônia, e tornou-se referência para a história da ciência e da técnica com os estudos que realizou nos campos da mineralogia, da geologia e da mineração. Como era característico entre os humanistas de seu tempo, teve uma formação ampla, segundo afirmam seus estudiosos: “Agricola’s education was the most thorough that his times afforded in the classics, philosophy, medicine, and sciences generally”140. Formado em filosofia e ciências naturais na Universidade de
Leipzig, concluiu seus estudos de medicina em Bolonha, Veneza e possivelmente também em Pádua. Findos seus estudos, permaneceu em terras italianas, onde trabalhou na oficina de Aldo Manuccio, dedicando-se à tradução de vários textos clássicos e à revisão dos trabalhos de Hipócrates e Galeno141.
138
HOLANDA. A mineração: antecedentes lusos-brasileiros, t. 1, v.2, p. 249. Nos séculos XV e XVI houve uma expansão da produção argentífera na Europa, sob os auspícios dos germânicos, quando em 1451o duque da Saxônia autorizou o emprego de amálgama com chumbo nos processos de beneficiamento, o que permitia separar mais facilmente a prata do cobre nos minerais. Os principais locais de produção eram: Tirol, Hungria, Boêmia, Silésia, Alsácia e Saxônia. Entre 1510 e 1520 aparecem os famosos taleros, antiga moeda de prata alemã. VILAR. Ouro e
Moeda na História, p. 90.
139
CARTA sobre se mandarem vir Mineiros de Saxônia. Vila Rica, 12/12/1717. APM-SC. Códice 04; fls 500-503.
140
A tradução de De re metallica para o inglês foi feita por Herbert Clark Hoover e sua esposa Lou Henry Hoover, tendo sido publicada pela primeira vez em 1912. A edição consultada neste trabalho é de 1950. AGRICOLA, Georgius. De re metallica. Trad. HOOVER, Herbert Clark.. New York: Dover Publications, 1950. p.xiii.
141
SILVA, Gilson. A metalurgia do ouro na Europa do século XVI: um estudo sobre a copelação no tratado De re
Quando retornou às terras germânicas, Agricola estabeleceu-se na cidade de Joachimsthal, na Boêmia, localizada próximo a um dos distritos mineradores mais importantes da Europa Central: Freiberg. Nessa cidade, passou a exercer as funções de médico e, nas horas vagas, dedicou-se a visitar as minas e fundições da região, em ler os autores gregos e latinos que tratam das questões minerais e em obter informações com os mineiros práticos142. Por volta de 1533, tornou-se médico de Chemnitz, na Saxônia, e aí ficou até sua morte em 1555.
Toda esta atividade contribuiu para que o humanista ampliasse seus conhecimentos mineiros e metalúrgicos e adquirisse outros relacionados com o cotidiano dos mineradores, como suas doenças, seus costumes e crenças no espaço das lavras. Fruto desta experiência, a partir de 1544 começou a publicar uma série de livros que lhe daria notoriedade nos assuntos minerais e geológicos. Dentre elas, merece destaque a obra De re metallica, organizada em 12 livros e publicada em 1556. Sua importância pode ser atestada nas palavras de Hoover:
As to Agricola’s contribution to the sciences of mining and metallurgy, De Re Metallica