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Relasjonen  pasient  –  fastlege  -­‐  samfunn

4   Empiri

4.2   M IN  STUDIE

4.2.1   Relasjonen  pasient  –  fastlege  -­‐  samfunn

A primeira Media and Information Literacy na concepção de Grizzle e Wilson (2011, p.30-35) trata do entendimento do papel dos Meios de Comunicação e Informação na Democracia, ou seja, está relacionada à “familiarização com as funções dos meios de comunicação e outros provedores de informação e compreensão de sua importância para cidadania e tomada de decisão”.

Numa primeira análise para esta MIL, procurou-se verificar a concepção de Democracia dos entrevistados. Na análise, cinco deles não expressaram nenhuma compreensão para o termo Democracia. Algumas falas que comprovam isso podem ser conferidas em expressões como “zero”, “entendo nada de Democracia”, “não consigo explicar agora”, “agora deu um branco na minha mente. Não vem nada”, “nada”, “não entendo nada”, “deixa eu pensar. Não consigo agora” e “Democracia é foda, hein, cara”.

Os demais entrevistados expressam concepções de Democracia que envolvem a compreensão do termo a partir da participação popular, da liberdade de expressão e do acesso ou democratização da informação. Em alguns casos, porém, as mensagens emitidas para este tema vêm carregadas de críticas à Democracia, à política e aos governos brasileiros e em outros, tratam-se de generalidades.

Participação popular

Democracia é a gente, é o povo, né.

Democracia é a forma de governo na qual as pessoas participam. As pessoas participam de uma forma que seja igual ou justa.

Democracia é quando a vontade da... Prevalece a vontade da maioria. Seria o governo do povo para o povo.

É a capacidade de escolha. De você poder optar por algo.

Liberdade de expressão

Democracia. Eu sou livre, eu posso fazer o que eu quero. Democracia é o que podemos fazer.

Democracia é você usar algo e não precisar ficar pensando, pô, será que o monitor ali, ele está rastreando o que eu estou vendo.

Democracia é a liberdade de ir e vir. É estudar o que você quer, você falar o que você pode. Democracia é liberdade de expressão.

É um mundo que todo mundo pode fazer tudo. Ele tem poderes para isso. Você pode, inclusive, externar a sua opinião.

É a gente ter liberdade de expressar o que a gente quer, mas assim, acho que a gente tem que saber impor as coisas, né.

Críticas à democracia, à política e aos governos

É o pior modo, é a pior forma de governo. Só que é a única que existe. Vixi. Esse negócio de política eu não gosto.

Esse negócio de política só tem ladrão.

Nós estamos num caminho aí que é muito longo pra chegar na Democracia. Só que isso no meu conceito é pura ilusão.

Nós temos uma política meramente assistencialista. Democracia. Isso é uma balela.

Nós temos partidos não por convicção.

Nós não temos partidos de ideologia. Eu voto por votar.

Eu acho que falar em Democracia no Brasil é chover no molhado. Ah o Brasil tá foda, viu, cara. Só corrupção.

O governo é foda, cara. O governo é foda. Principalmente o Brasil aqui, né cara. Tem tudo pra ser um país desenvolvido mas não é nem subdesenvolvido quase, cara. As pessoas se revoltam.

Acesso à Informação

Hoje é a forma como você faz as ideias e informações circularem. É o seu direito de ver algo.

Um meio que eles, políticos, se comunica mais.

Se você democratiza a informação, você democratiza o poder. E se democratiza o poder você tá favorecendo a Democracia.

É a disseminação de ideias. A ideia de um acaba se espalhando por todos.

Generalidades

Democracia é tudo de bom.

Mas a impressão da democracia política eu acho que nós crescemos muito, evoluímos bastante, independente de outras coisas negativas que a política faz.

Perguntados se a Internet e os meios de comunicação em geral podem colaborar para a Democracia, a maioria se apoiou na web para responder que sim, porque a mesma amplia ou democratiza o acesso à informação ou, então, que é algo imprescindível e essencial para que a Democracia exista. Em 17 entrevistas isso ficou claro a partir de comentários. Em outros dois casos houve apenas uma responsta categórica afirmativa para a pergunta. As expressões abaixo podem ser visualizadas como exemplos do que foi respondido neste caso.

Internet como essencial para Democracia Ela pode ser uma excelente máquina.

Eu acho que já colabora para a Democracia. Eu acho que tudo aquilo que é bom, limpo, claro. Democracia tem que ser assim.

A Internet é um veículo bom, é excelente. Mas tem que saber usar. Internet ou televisão, rádio, pra gente ter mais conhecimento.

São instrumentos imprescindíveis.

A Internet é um exemplo talvez mais vivo, mais contemporâneo do que é democracia. Eu acho que a Internet representa o que é democracia mais do que talvez um próprio governo diga. Eu acho que a Internet não tem como você desmenti-la, ignorá-la ou até você

sobrepujá-la. Eu acho que a Internet ela é democrática, sempre vai ser e ela se sobrepõe a qualquer democracia e qualquer governo.

Internet como forma de ampliar o acesso à informação É um carro chefe pra ter o conhecimento, buscar a informação.

Democracia não pode ter censura, não pode esconder as informações. Tem que ter os dois lados da verdade.

Pode e muito. Não tá vendo esse grupo aí de mascarados? Eles se comunicam por onde? Sem dúvida é muito importante porque, porque esses meios de comunicação, você pode divulgar aquilo que você pensa, já que a gente vive numa democracia, a gente pode reivindicar, a gente pode criar uma, uma, como é que se diz? Uma, é, jogar na rede aquilo que você pensa, que você não concorda em termos políticos ou não.

Mas ela pode colaborar pra Demoracia porque todas as pessoas têm acesso e é rápida.

A Internet é o meio mais rápido que tem de divulgar as ideias e de espalhar muito mais que o rádio, TV, telefone. A Internet ela é mais rápida que todos estes outros meios.

É importante pra manter a gente informado.

A Internet acho que pode colaborar assim pra tudo, né. A gente tem bastante informação. Tem bastante coisas assim que pode ajudar.

Bom, elas podem te apresentar, te mostrar lados que você queira escolher.

Informação é poder. E a Internet ajuda a democratizar a informação que a pessoa tem sobre ela mesma.

Para aproveitar uma oportunidade vislumbrada em 2013 por conta das grandes manifestações que movimentaram o país de junho a julho75, foi inserida na entrevista uma pergunta buscando estimular os entrevistados a refletir se a Internet teria alguma responsabilidade em relação aos protestos. O resultado foi que quize dos 21 entrevistados responderam afirmativamente, que sim, a Internet teve um papel importante nas manifestações. Apenas dois entrevistados afirmaram que não e dois que talvez.

A explicação para essa relação presente na mensagem dos entrevistados está ora relacionada ao poder de mobilização da Internet, ora ao seu poder de comunicação, ora a velocidade deste meio de comunicação, ora ao que seria um fenômeno contemporâneo, comparando o Movimento Passe Livre76 a movimentos de torcidas e até à Primavera Árabe77, algo que pode ser conferido em falas como “tanto para o bem como para o mal. Não só a questão dessas rebeliões, como a gente vê de time de futebol e tudo mais”, “até essas brigas nos estádios aí é de pessoas que se reúnem através das redes sociais”, “Facebook começou a primavera árabe, porra. Facebook teve uma participação brutal nos protestos que a gente teve aqui no nosso país, agora no meio do ano”. Abaixo podem ser conferidas algumas falas em que ficam explícitos algumas das justificativas dos entrevistados.

Relações da Internet com os protestos

Através da Internet que você vai mobilizar todo mundo, pra poder se juntar e vamos pra rua. Agora quando é a multidão mesmo, você vai ter que ter a Internet.

Então quando acontece esse tipo de coisa, a Internet, é bom porque ele, o rapaz tá ali tirando uma foto, gravando e já manda por satélite, por um e-mail, um Facebook, já sai na hora. E ao vivo.

A Internet é um meio de estar convidando as pessoas a fazerem tais coisas. As pessoas vão se unindo através das redes sociais

75 Neste caso tratam-se das manifestações que tiveram início com o Movimento Passe Livre, que contestava desde 2012 o aumento na tarifa do transporte público em São Paulo e que, posteriormente proliferaram pelo país, com forte apoio popular, após a forte repressão policial contra as passeatas, e agregando vários outros temas, como os gastos públicos com os grandes eventos esportivos, a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos, dentre outros. O movimento, que foi noticiado inclusive no exterior, chegou a ser considerado uma das maiores mobilizações no Brasil desde o movimento pelo impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Pelo seu poder de mobilização e propagação, o movimento também pode ser comparado a protestos similares em outros países, como a Primavera Árabe e Occuppy Wall Street.

76 Fundado no Fórum Social Mundial em 2005, em Porto Alegre, o Movimento Passe Livre defende a adoção da tarifa zero para transporte coletivo.

77 Primavera Árabe é o título para a onda revolucionária de manifestações e protestos que vem ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África desde 18 de dezembro de 2010. Com várias bandeiras contra a repressão e as condições de vida das pessoas nestes países, o movimento é tido como responsável na derrubada de chefes de estado. Na organização dos protestos há um forte uso das redes sociais como estratégia de organização, comunicação e sensibilização da população e da comunidade internacional.

Se não fosse a Internet eles não tinham como se reunir, uma maioria de gente assim estar numa rebelião daquela. Não tinha como.

Não tá vendo esse grupo aí de mascarado? Eles se comunicam aonde? E é rápido. É rápido. Porque através da Internet, como eu disse, você atinge um público muito maior e em muito menos tempo do que numa televisão, do que num rádio. Aqui você jogou e em questões de segundos tem milhões sabendo.

Ajudou a se reunir, falou o que deveria fazer pra melhorar.

Foi manter todo mundo informado e todo mundo tava ciente mais pelo acesso à Internet. Que entravam lá, liam tudo que tava acontecendo, pra marcar horário, local, tudo pela Internet. São as redes sociais que comunicam as pessoas rapidamente. Então as pessoas se comunicam de forma rápida. Não precisa usar o telefone.

As pessoas que se identificam com aquela causa em redes sociais vão se juntar e vão se aglomerar e vão se combinar num determinado local e horário pra poder pleitear aí os seus direitos, não é? Eu acho que é fundamental. A agilidade disso tudo foi via Internet. Sem Internet nada disso seria possível.

Divulgou bastante.

Como pode ser visto em várias falas do quadro acima, as redes sociais aparecem como responsáveis pela divulgação de informações sobre o protesto, por facilitar a comunicação e por reunir as pessoas em torno de uma proposta.

Por fim, cabe verificar que os entrevistados que responderam que não houve tal relação entre a Internet e os protestos, no entanto, não justificaram sua opinião. Já aqueles que disseram talvez afirmaram que a Internet pode ter sido uma ferramenta de comunicação para os movimentos, “mas não necessariamente uma das ferramentas que possibilitaram isso” ou que “serviu para ajudar um pouco, mas nem tanto (…) ajudou a se reunir”. Um dos entrevistados diz que estes movimentos não são organizados na rede, que possuem “cabeças pensantes” fora dela, mas que a Internet pode ser um termômetro “do que estava acontecendo”.

6.4.5 Compreensão do contédo dos Meios de Comunicação e