• No results found

4. Teoretiske rammer og forskning

4.1 Symbolsk interaksjonisme

4.1.1 Relasjon

dos estudiosos do pensamento desse autor, como Souza (1995) e Brait (2005), a concepção de linguagem que Bakhtin desenvolveu parte de uma crítica às correntes teóricas da linguística contemporânea, tais como: o objetivismo abstrato, representado pelas ideias Saussure, e o subjetivismo idealista, representado, em especial, pelo pensamento de Humboldt. Quando submete essas correntes a uma rigorosa crítica epistemológica, Bakhtin vai demonstrar que o objeto de cada uma delas, ao reduzir a linguagem a um sistema abstrato de formas (objetivismo abstrato) ou à enunciação monológica isolada (subjetivismo idealista), constitui, por si só, um obstáculo à apreensão da natureza real da linguagem como código ideológico. (SOUZA, 1995).

Em contraposição a essas correntes, Bakhtin (2002) define a linguagem como um fenômeno social, histórico e, consequentemente, ideológico. Dessa forma, diferentemente de conceber a linguagem como um universo de signos que serve apenas como instrumento de comunicação, agindo de forma neutra, inocente, natural, propõe a noção de linguagem como produção social, lugar de conflito e de confronto ideológico, compreendendo os processos que a constituem como históricos e sociais.

A categoria básica da sua concepção de linguagem é a interação verbal, cuja realidade fundamental é seu caráter dialógico. O autor considera o dialogismo o princípio constitutivo da linguagem e a condição do sentido do discurso. Entende a enunciação como produto da interação verbal e propõe que “o centro organizador de

toda a enunciação, de toda a expressão não é interior, mas exterior: está situado no meio social que envolve os indivíduos”. (BAKHTIN, 2002, p. 121). Desse modo, os sentidos das palavras são determinados pelo contexto. Eles não existem em si mesmos, como algo já dado. São elaborados nas enunciações concretas e fortemente influenciados pelas organizações hierarquizadas. Os lugares sociais daqueles que tomam a palavra e os modos como o fazem, da mesma maneira que os lugares sociais, a partir dos quais os sujeitos apreendem e elaboram a ideia do outro, são constitutivos do sentido e de sua aceitabilidade ou não.

Para o referido autor, a prática viva da língua não permite que os indivíduos interajam com a linguagem como se esta fosse um sistema abstrato de normas, pois, como ele próprio diz, “na prática viva da língua, a consciência linguística do locutor e do receptor nada tem a ver com um sistema abstrato de formas normativas, mas apenas com a linguagem no sentido de conjunto dos contextos possíveis de uso de cada forma em particular”. (BAKHTIN, 2002, p. 95). Com essas ideias, esse autor demonstra que quando falamos não pronunciamos apenas palavras isoladas, mas construímos enunciações precisas que implicam sempre um contexto ideológico preciso, como explica o próprio Bakhtin (2002, p. 95, grifo do autor):

Na realidade, não são palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis, etc. A palavra está sempre

carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial.

Nesse sentido, para Bakhtin (2003), o emprego da língua efetua-se sob a forma de enunciados, sejam orais, sejam escritos, os quais refletem as condições específicas e as finalidades de cada campo, não somente com os seus recursos linguísticos e lexicais, mas igualmente com todas as possibilidades inesgotáveis e multiformes da atividade humana.

Embora admitindo o caráter individual e particular de cada enunciado, Bakhtin (2003) reconhece que cada campo de utilização da língua elabora tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais ele denomina de gêneros do discurso. Assim, ele identifica alguns gêneros, tais como: gêneros retóricos (jurídicos e o político) e os gêneros discursivos do cotidiano (em que predominam as réplicas no diálogo). O autor faz outras distinções mais complexas e classifica ainda os

gêneros em primários e secundários para demonstrar a importância de considerarmos a natureza e a forma dos enunciados para que possamos reconhecer como os aspectos históricos e ideológicos marcam as relações da língua com a vida. Assim, para Bakhtin, os enunciados e seus tipos (os gêneros do discurso) são correias de transmissão entre a história da sociedade e a história da linguagem.

Nesse contexto, o enunciado torna-se a unidade real de análise das interações verbais, sejam elas expressas nas formas de discursos orais ou escritos, porque para Bakhtin (2003, p. 274) “o discurso só pode existir de fato na forma de enunciações concretas de determinados falantes, sujeitos do discurso”. Assim, por mais diferentes que sejam as enunciações pelo seu volume ou conteúdo, estas possuem alguma unidade e peculiaridades comuns. Os limites de cada enunciado são definidos, em um primeiro momento, pela alternância dos sujeitos no discurso; em um segundo, e de forma mais precisa, Bakhtin estabelece que o mais importante critério de conclusibilidade do enunciado vem a ser a possibilidade de responder a ele. As relações dialógicas que se realizam por meio dos enunciados e a construção ideológica das enunciações podem ser compreendidas quando o autor caracteriza o que vem a ser o tema e a significação.

O tema, para Bakhtin (2002, p. 132, grifo do autor), possui um sentido único e pertence a cada enunciação como um todo: “a significação é o efeito da

interação do locutor e do receptor produzido através do material de um determinado complexo sonoro”. Assim, a cada palavra, a cada pergunta e a cada resposta que

enunciamos, estamos a produzir processos de significação e de compreensão. Para esse autor, a compreensão é uma forma de diálogo. Conforme Bahktin (2002), além do tema e da significação, toda palavra usada em uma situação real possui não apenas tema e significação, mas também um acento de valor ou apreciativo, cujo exemplo é a entoação expressiva, que é determinada pela situação social em que se desenvolve o diálogo.

Na obra bakhtiniana, sentido é uma categoria central que é interpretada pelo autor em uma perspectiva filosófica e dialética. Considera o significado como algo estático, pertencente ao âmbito da linguística. Por significação, ele entende que na enunciação são os elementos que são reiteráveis e idênticos cada vez que são repetidos. Para Bakhtin (2003), o sentido se refere às respostas e às perguntas. Nessa perspectiva, aquilo que nada responde se afigura sem sentido, afastado do diálogo. O significado está excluído do diálogo, mas abstraído dele de modo

deliberado e convencional. Nele, existe uma potência de sentido, pois, para Bakhtin (2003, p. 382),

o sentido é potencialmente infinito, mas pode atualizar-se somente em contato com outro sentido (do outro), ainda que seja como uma pergunta do discurso interior do sujeito da compreensão. Ele deve sempre contatar com outro sentido para revelar os novos elementos da sua perenidade (como a palavra revela os seus significados somente no contexto). [...] Não pode haver um sentido único (um). Por isso não pode haver o primeiro nem o último sentido, ele está sempre situado entre os sentidos, é um elo na cadeia dos sentidos, a única que pode existir realmente na sua totalidade. Na vida histórica essa cadeia cresce infinitamente e por isso cada elo seu isolado se renova mais e mais, como que torna a nascer.

Segundo essa distinção, a significação é um estágio inferior da capacidade de significar, e o tema, um estágio superior da mesma capacidade. A significação existe como capacidade potencial de construir sentido, própria dos signos linguísticos e das formas gramaticais da língua. Entretanto, é o sentido, potencialmente infinito, que esses elementos historicamente assumem, em virtude de seus usos reiterados. (CEREJA, 2008).

Ao compreendermos a pesquisa nas ciências humanas como relação entre sujeitos possibilitada pela linguagem, as diversas situações dialógicas criadas nesta pesquisa através da reflexão e da colaboração possibilitaram a circulação e a troca de vários discursos, que necessitam ser analisados em uma perspectiva dinâmica, processual e histórica. Desse modo, entendemos que os pressupostos bakhtinianos sobre dialogia, tema, sentido e significação nos possibilitam esse olhar.

Ao darmos continuidade às leituras sobre os pressupostos teóricos que fundamentam esta investigação, consideramos, ainda, as contribuições de Freire (1976, 1985) e da dialética materialista sobre as categorias da relação e do diálogo. Assim, no item a seguir, explicitaremos esses pressupostos, bem como sua necessidade no contexto desta investigação.

2.6.2 A categoria da relação e do diálogo: contribuições de Paulo Freire e da