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1. Introduksjon

5.1 Rekrutteringsprosessen i et digitalt intervju

A pesquisa constou de duas fases principais, a saber: a primeira, uma pesquisa bibliográfica e na Internet; e a segunda, uma pesquisa de campo.

Inicialmente, realizei a pesquisa bibliográfica com o objetivo de construir uma revisão de literatura sobre as temáticas pertinentes à pesquisa, especialmente, narrativas potiguaras, oralidade, dialogismo, memória, identidade potiguara e fontes de informação potiguara. Concomitantemente, fiz pesquisas na Internet, através dos buscadores Google (http://www.google.com.br), Altavista (http://br.altavista.com), entre outros, além de bibliotecas eletrônicas, como o Scielo (http://www.scielo.br). Também pesquisei em bibliotecas tradicionais, como a Biblioteca Central da UFPB, bibliotecas departamentais e privadas, de professores e pesquisadores que, literalmente, abriram as portas de suas casas e, com generosidade, permitiram-me desfrutar dos conhecimentos registrados em suas coleções particulares.

As pesquisas bibliográficas e na Internet me encaminharam a recursos informacionais de várias naturezas, como: livros, artigos de periódicos, anais de eventos (congressos, seminários, simpósios, etc.), teses, dissertações e muitos outros em formatos impresso e eletrônico. As disciplinas e a realização dessas pesquisas me conduziram para as terminologias específicas que caracterizam os diversos campos do saber.

Antes de proceder à pesquisa de campo, encaminhei o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (doravante CEP) e abri um processo na FUNAI, solicitando autorização para adentrar as terras indígenas. Como mencionei, em razão de os Potiguara serem tutelados, a FUNAI não permite que não índios entrem nas terras indígenas (TI) sem sua autorização. O encaminhamento do projeto ao CEP é uma das exigências para quem realiza pesquisa com seres humanos. A jornada para a aprovação do projeto no CEP é sobremaneira morosa.

Para a realização da pesquisa de campo, contei com o apoio de pessoas da comunidade potiguara, que foram essenciais para chegar aos contadores de histórias. Durante a pesquisa de campo, tive a oportunidade de conhecer pessoas que, generosamente, compartilharam comigo suas histórias. O ato de contar histórias é um momento muito dinâmico, pois cada narrador

imprime suas marcas à narrativa. As lembranças do narrador vêm à tona, a partir das histórias de vida. Em muitas ocasiões, quando gravava as narrativas, revivi momentos de minha

infância, quando escutava “histórias de Trancoso”. Ouvi muitas histórias referentes a acontecimentos individuais e outras de “ouvir dizer”, que se sustentam em mitos coletivos,

originários de um tempo distante. A maior parte dos colaboradores da pesquisa não sabe ler nem escrever, mas detém um grande cabedal de conhecimentos registrados na memória (conhecimentos tácitos).

A coleta de dados da pesquisa foi feita por meio de gravação das narrativas orais, que foram obtidas nas aldeias dos Potiguara, localizadas nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição, no estado da Paraíba. Para o registro das narrativas, utilizei uma filmadora Sony Handycam DCR-SX40. As gravações aconteceram no período de março a dezembro de 2010, quando fiz 19 viagens a 22 aldeias dos Potiguara: Aldeia Ibykuara, Aldeia Acajutibiró, Aldeia Tramataia, Aldeia Jacaré de César, Aldeia Lagoa Grande, Aldeia Forte, Aldeia Laranjeiras, Aldeia São Francisco, Aldeia Santa Rita, Aldeia Estiva Velha, Aldeia Jacaré de São Domingos, Aldeia Silva do Belém, Aldeia Grupiúna, Aldeia Silva, Aldeia Galego, Aldeia Cumaru, Aldeia Lagoa do Mato, Aldeia Brejinho, Aldeia Três Rios, Aldeia Camurupim, Aldeia Monte-Mór e Aldeia Jaraguá.

As visitas às aldeias aconteciam uma vez por semana e, sempre, acompanhadas de alguém da comunidade. A colaboração de algumas pessoas foi inestimável para a concretização da coleta de dados, especialmente a de Pedro Eduardo Pereira, professor indígena, agente de saúde e líder comunitário residente na Aldeia Ibykuara (município de Marcação). Conheci Pedro através de Célia Maria da Silva, da FUNAI-CTL/JP23, ao acompanhá-la em uma visita às Terras Indígenas dos Potiguara em 2008. Foi ele quem me conduziu à maior parte dos colaboradores da pesquisa. Também contei com a prestimosa colaboração de Rosita Ferreira da Silva, indígena residente na cidade de Baía da Traição, com quem consegui colaboradores das aldeias Laranjeiras e Estiva Velha. Conheci Rosita por meio

de um familiar, Ivanildo de Paiva Alves, “Dó”, que, quando veraneou na Baía da Traição,

conheceu alguns indígenas da região, o que contribuiu para ampliar a rede de contatos que me conduziu aos contadores de histórias. Outra colaboração importante veio da parte de Zefita, indígena residente na Aldeia Ibykuara, que me conduziu aos colaboradores da Aldeia Lagoa Grande. Também contei com o apoio de Joás, indígena residente na Aldeia Três Rios e colega

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Em 2008, a FUNAI – JP era Administração Regional; a partir de 2010, tornou-se Coordenação Técnica Local – CTL.

de Pedro Eduardo. Foi ele que me acompanhou na visita à Aldeia Jacaré de César. À medida que conhecia os colaboradores, abriam-se novas redes sociais que me encaminhavam para mais outros.

Além das gravações efetuadas nas aldeias, entrevistei alguns indígenas que habitam na cidade de Baía da Traição - Rosita Ferreira da Silva, as irmãs caranguejeiras (Maria Edileusa da Silva, conhecida por Edileusa, Maria Zuleide da Silva, chamada Zuleide, e Maria Leda da

Silva, conhecida como Ieda) e Manuel Miguel dos Santos, apelidado de “Paulista”. Cheguei

às irmãs caranguejeiras por indicação de minha orientadora, a Profª Ignez Ayala, que as conhecia como cantadoras de coco. Além de contar histórias, cantar e dançar coco de roda, elas dançam o Toré e fazem artesanato, confeccionando inúmeros produtos - brincos, colares, pulseiras, bolsas e as vestes usadas em celebrações como o Toré. Na cidade de Ingá, entrevistei Padre Edvaldo Ferreira de Lima, 41 anos, primo de Pedro Eduardo e, em visita à cidade de São Paulo, em maio de 2011, entrevistei Eduardo de Almeida Navarro, professor da USP, que me forneceu informações sobre a capacitação de professores potiguaras em língua tupi.

As visitas eram feitas em transporte próprio, com a atuação de Dó, como companheiro de viagem, facilitador dos contatos com os colaboradores da pesquisa e motorista, em virtude da precariedade das estradas que conduzem às aldeias dos Potiguara. Durante o período das chuvas, há muita lama, que forma atoleiros e ladeiras que impossibilitam a subida de veículos automotivos; no verão, formam-se bancos de areia nas estradas, que complicam a passagem dos carros. Além disso, as aldeias são rodeadas de canaviais e há risco de assaltos. Infelizmente, a violência já chegou às áreas indígenas da Paraíba.

A maior parte dos colaboradores da pesquisa é constituída de pessoas com baixo poder aquisitivo - são idosos, iletrados, possuidores de prole numerosa, agricultores, trabalhadores dos canaviais, que rodeiam as aldeias, e pescadores que trabalham nos mangues pegando caranguejo. Algumas das mulheres que entrevistei são professoras nas aldeias; também entrevistei parteiras, rezadeiras, uma ex-prefeita e duas caciques. Muitos dos colaboradores são reconhecidos na comunidade como contadores de histórias.

Os colaboradores da pesquisa, que constam desta tese, estão relacionados no Quadro 1, apresentado a seguir:

COLABORADOR Estado civil Idade Nº de Filhos

Residência Ocupação Antonia Lourenço da Silva

(Dona Tonha)

Casada 74 anos 6 Aldeia

Ibykuara

Agricultora Maria Margarida Silva de

Almeida (Dona Guida)

Viúva 65 anos 11 Aldeia

Ibykuara

Agricultora Antonio Ferreira da Silva

(Seu Marcelino)

Casado 57 anos 3 Aldeia

Acajutibiró

Agricultor Maria Gomes da Silva

(Conceição)

Casada 49 anos 4 Aldeia

Tramataia

Professora Maria do Carmo Soares de

Lima (Dona Carminha)

Viúva 65 anos 9 Aldeia

Jacaré de César

Professora aposentada Rosimiro Máximo de Lima

(Seu Rosimiro)

Casado 69 anos 14 Aldeia

Lagoa Grande Agricultor e artesão Domingos Clementino de Oliveira (Seu Domingos)

Separado 70 anos 9 Aldeia Lagoa Grande

Agricultor

Luzia Emília da Silva (Dona Luzia)

Casada 77 anos 10 Aldeia

Lagoa Grande

Aposentada

Maria Porfíria de Santana Cassiano (Mãe Grossa)

Viúva 88 anos 20 Aldeia

Forte

Parteira Iracy Cassiano Soares

(Nancy)

Divorciada 67 anos 5 Aldeia Forte

Parteira; Ex- prefeita Antonio Francisco Pereira

(Seu Antonio)

Casado 80 anos 3 Aldeia

Laranjeiras

Agricultor Maria Barbosa da Silva

(Dona Mariinha)

Viúva 68 anos 11 Aldeia

Laranjeiras

Agricultora Severina Faustino Ciríaco

(Dona Severina)

Casada 50 anos 3 Aldeia São Francisco

Funcionária pública Rosita Ferreira da Silva

(Rosita)

Viúva 60 anos 3 Baía da

Traição

Aposentada Maria Edileusa da Silva

(Edileusa)

Solteira 54 anos 1 Baía da Traição

Agricultora, artesã Maria Zuleide da Silva

(Zuleide)

Casada 53 anos 2 Baía da

Traição

Agricultora, artesã, pescadora Maria Leda da Silva

(Ieda)

Solteira 52 anos - Baía da Traição

Agricultora, artesã Maria Isidoro

(Dona Maria Isidoro)

Casada 80 anos 12 Aldeia

Tramataia

Parteira, aposentada Edvaldo Ferreira de Lima

(Pe. Edvaldo)

Solteiro 44 anos - Ingá Padre

Pedro Eduardo Pereira (Pedro Eduardo)

Casado 41 anos 1 Aldeia

Ibykuara

Professor, Agente de

saúde Quadro 1: Perfil dos colaboradores da pesquisa

Para a coleta dos dados, utilizei as técnicas da entrevista e a observação participante. A entrevista é uma técnica importante porque permite o desenvolvimento de uma estreita

relação entre o pesquisador e o colaborador. É “uma das técnicas mais utilizadas no âmbito

das ciências sociais” (GIL, 1999, p. 117).

Para colher as narrativas dos Potiguara, as entrevistas aconteciam, em geral, na residência do colaborador. A situação das entrevistas e a sua duração variavam. Algumas vezes, eu conseguia entrevistar três ou até quatro pessoas numa viagem; outras vezes, passava

uma manhã inteira gravando com um único colaborador, como “Seu” Domingos, que contava

uma história atrás da outra, já que uma história puxa outra, ou como outros colaboradores, que passavam horas contando a própria vida (autobiografia oral), como Dona Maria Isidoro.

Em razão de ter optado pela metodologia da História Oral, a entrevista não se orientou por procedimentos pré-fixados e rígidos, mas como um “espaço de interação entre pessoas em posições sociais diferenciadas, em que se negociam saberes, práticas e interesses” (MENEZES, 2005, p.28). Utilizei a História Oral na pesquisa, não como um mero instrumento para a obtenção de dados, mas por considerar importantes as interações sociais, presentes no processo de entrevista. O acompanhante da comunidade se encarregava de fazer as apresentações e, em seguida, eu explicava o objetivo da visita.

Ao longo das entrevistas, tive a preocupação de me dirigir aos colaboradores usando uma linguagem simples e clara, para que eles entendessem os objetivos da pesquisa. É interessante também que o pesquisador proponha uma troca: o colaborador faz o relato, e o pesquisador dá um retorno da pesquisa à comunidade. Minha proposta aos Potiguara consistiu em, ao término da pesquisa, encaminhar à comunidade as narrativas em forma de livro ou CD-ROM, visando a sua utilização nas escolas indígenas. Após a defesa desta tese, serão encaminhados aos Potiguara um exemplar desta nossa pesquisa e um vídeo (Apêndice), construído a partir de narrativas orais gravadas. O restante do material coletado durante a pesquisa, que não foi possível incluir no vídeo, será objeto de estudos posteriores e pretendo devolver à comunidade potiguara os resultados de tais estudos, à medida que forem sendo concluídos.

Depois de receber a autorização dos colaboradores, procedia às gravações. Posteriormente, transcrevia as narrativas. Para isso, pautei-me nas transcrições expressas em Rodrigues (2006) e Ayala e Ayala (2009) e adotei alguns sinais, indicados nas normas para transcrição, expostos em Dionísio (2009), que apresento no Quadro 2, a seguir:

OCORRÊNCIAS SINAIS EXEMPLIFICAÇÃO

1. Pausas ... Foi... morreu disso

2. Ênfase MAIÚSCULAS OS OVOS tavam colocados

dentro do bornal. 3. Segmentos incompreensíveis ou ininteligíveis ( ) (ininteligível)

tinha muito mato por aí (ininteligível).

4. Comentário do

transcritor

(( )) Era naquela casa ali ((aponta))

5. Citações “ “ Eu disse: “Seu Alfredo, ali”.

6. Superposição de vozes

[ P: [E mau olhado?

DM: [E olhado? Quadro 2: Sinais utilizados para transcrição

Fonte: Adaptado de Dionísio (2009, p. 76)

Para transcrever as falas, optei por mencionar os nomes dos colaboradores, ao invés de mantê-los no anonimato utilizando códigos. Essa é uma forma de valorizá-los e difundir as histórias contadas, pois, como já referi, a maioria dos colaboradores da pesquisa é gente simples, que se sente prestigiada ao ser entrevistada. Esse procedimento é próprio da história oral (MEIHY; HOLANDA, 2010) e visa dar voz aos colaboradores da pesquisa.

Por considerar que as vozes dos colaboradores da pesquisa, e não, a minha, são as mais importantes deste trabalho, optei por apresentar suas falas24 em letra diferente da escrita da tese.