3.8 Forskningsetikk
3.8.1 REK og NSD
Com as escolas integradas na perspetiva estrutural registámos uma preocupação na estrutura organizacional e na forma de executar as tarefas. De acordo com as escolas enquadradas na perspetiva humana a ênfase é colocada no lado humano das organizações.
De acordo com (Teixeira, 2010), nas últimas décadas, o desenvolvimento da gestão têm apresentado estudos que integram as duas perspetivas – a estrutural e a humana.
Escola sociotécnica
A escola sociotécnica de gestão tem como principais protagonistas Frederic Emery e Eric Trist (1960), pelo contributo para a formulação de hipóteses teóricas da abordagem sociotécnica (J. M. C. Ferreira et al., 2001). Defendem os primeiros autores que as organizações são compostas por dois subsistemas:
Subsistema social - no qual se inclui as atitudes e motivações dos colaboradores, a organização informal, as normas e os valores inscritos na cultura organizacional;
Subsistema técnico – composto pelos métodos e processos de trabalho, bem como equipamentos e tecnologia utilizados para a execução das atividades.
De acordo com J. M. C. Ferreira et al. (2001), muito embora possam ser entendidos como dois sistemas distintos, “a sua dinâmica enquanto subsistemas do funcionamento interno das organizações é fundamentalmente interactiva e interdependente” (p.65).
A abordagem sociotécnica defende que o subsistema técnico, exerce especial influência sobre o subsistema social, dependendo das formas de organização implementadas, assim se pode verificar a produtividade, absentismo, rotatividade ou mesmo acidentes dos colaboradores (J. M. C. Ferreira et al., 2001). Acrescenta o autor que será por esse facto que, na perspetiva da abordagem sociotécnica, existem diversas formas de ajustamento do subsistema social perante as contingências do subsistema técnico.
Teoria dos sistemas
Ludwing von Bertalanfy, com o seu trabalho sobre a Teoria Geral dos Sistemas, veio abrir novas perspetivas que permitiram uma nova teoria na compreensão das organizações (Camara et al., 2007).
Segundo esta abordagem as organizações podem ser vistas como sistemas que, como qualquer outro organismo, estão abertos ao seu meio ambiente, com o qual devem desenvolver uma relação adequada para a sua manutenção e sobrevivência.
Contrariamente ao que vimos, particularmente nas correntes integradas na perspetiva estrutural, na conceção sistémica das organizações muito dificilmente se poderá induzir uma organização a um modelo ideal, pois é tão
mutável que não poderá ficar sujeito a um esquema rígido de axiomas gerais e universais (Camara et al., 2007).
A literatura observa de modo particular o trabalho de Daniel Katz Robert Kahn (1966) pelos seus contributos para análise das organizações numa perspetiva sistémica (J. M. C. Ferreira et al., 2001; Teixeira, 2010).
Katz e Kahn defendem a necessidade de ver e compreender as organizações enquanto sistemas sociais, com fronteiras específicas, posicionando a ação dos indivíduos e grupos no seu funcionamento interno. Por outro lado, há que considerar que os objetivos e estratégias organizacionais nem sempre estão alinhados com as perspetivas dos diversos atores organizacionais. O modelo teórico dos autores, confere especial atenção aos problemas inter-relacionais, das estruturas e, ainda, da interdependência no funcionamento das organizações (J. M. C. Ferreira et al., 2001).
As organizações, na perspetiva de Katz e Kahn, devem ser entendidas como uma classe de sistemas sociais10 com uma estrutura, uma cultura, valores, normas e
regras e, ainda, com um sistema de papéis com caraterísticas específicas. Segundo os autores, os elementos principais do sistema social são os papéis, normas e valores. Quanto ao primeiro – os papéis – estes descrevem formas específicas do comportamento humano associadas às tarefas, um comportamento padronizado, portanto. As normas representam as expetativas gerais do sistema em relação ao cumprimento dos papéis pelos seus atores. Finalmente, os valores exprimem o sentimento dos indivíduos e grupos que interagem no sistema social. Nas palavras de J. M. C. Ferreira et al. (2001), “os papéis justificam o desempenho de uma determinada tarefa, as normas legitimam os requisitos comportamentais para o sistema e os valores orientam os indivíduos e os grupos a cumprirem as suas exigências morais mais elevadas” (p.60).
10 Os sistemas sociais são compostos por pessoas, recursos materiais e tecnológicos e só existem
Tomando como referência a tese preconizada pelos defensores da aplicação do conceito de sistema aberto às organizações, para sobreviverem têm aquelas que se adaptar às situações com que se defrontam, responder às mudanças do ambiente (Teixeira, 2010) e, acrescentaríamos nós, dedicar especial atenção concretização efetiva de alterações necessárias para ajustar o seu sistema social.
Teoria da contingência
A teoria contingencial está profundamente associada às grandes alterações sociais, políticas, económicas e culturais que emergiram desde o final da 2ª Guerra Mundial (J. M. C. Ferreira et al., 2001).
Para (Camara et al., 2007), a abordagem contingencial emerge da influência da teoria sistémica e do neobehaviorismo11. Assim, perante um determinado
estímulo, o indivíduo apresenta uma determinada resposta, “a eficácia dessa resposta pode modificar o estímulo, suprimi-lo ou reforçá-lo ... respostas adequadas tendem a reforçar positivamente o comportamento e a reforçar o estímulo; respostas inadequadas tendem a reforçar negativamente o comportamento e a inibir o estímulo” (p.96).
Esta abordagem abarca duas lógicas (Camara et al., 2007, p. 96):
lógica sistémica – a organização é um sistema que depende do seu sistema
envolvente, do meio onde está inserida e dos subsistemas que a compõem;
lógica contingencial – as respostas ideais são aquelas que demonstram ser
eficazes na interacção com o meio.
Nesta teoria destacaram-se os trabalhos de Lawrence e Lorsch ao enfatizarem a tese que preconiza que perante determinados ambientes algumas organizações conseguem a sua manutenção mais facilmente que outras, tornando-se imperiosa a existência de modelos organizacionais em função das caraterísticas do meio envolvente.
11 No behaviorismo clássico entendia-se que a resposta a um estímulo dependia da “qualidade”
Perante um cenário de mudança e incerteza, J. M. C. Ferreira et al. (2001) afirma que não há um modelo de organização melhor que outro com vista à plena eficiência organizacional. O melhor modelo, perante ambientes externos diversificados e facilmente mutáveis, será “aquele que consegue uma melhor adaptação e ajustamento face às contingências das pressões e oportunidades desses mesmos ambientes” (p.101).
Papéis desempenhados pelos gestores
Uma das mais recentes teorias de gestão teve o contributo de Henry Mintzberg. Depois de ter estudado a atuação de vários gestores de várias organizações conclui que, normalmente, a atividade daqueles não se desenvolve de acordo com as funções clássicas da gestão, i.e., planeamento, organização, direção e controlo. Antes, assumem, na sua atuação, de modo natural dez papéis que o autor agrupou em três classes que passamos a representar no Quadro 1.2. Muito embora a tese dos dez papéis do gestor não esteja isenta de crítica por parte de outros autores, pois revêem naquele articulado as funções clássicas da gestão, a perspetiva de Mintzberg alerta para a importância do comportamento do gestor e pode afirmar-se que complementa as outras teorias. Com efeito, evidência o “indivíduo e a motivação (papéis interpessoais), a comunicação (papéis informacionais) e a liderança e tomada de decisões (papéis decisionais)” (Teixeira, 2010, p. 19).
Quadro 1.2: Os dez Papéis do Gestor, segundo Mintzberg
PAPÉIS DO GESTOR BREVE DESCRIÇÃO
Interpessoal
Figurativo Desempenho de funções cerimoniais e sociais enquanto representante da organização
Líder Interage com os subordinados, motivando-os e dirigindo-os
Relação Estabelece uma rede de contactos, nomeadamente com o exterior da organização
Informacional
Recetor Recebe informações quer do interior quer do exterior da organização
Disseminador Transmite aos outros membros da organização as informações adquiridas
Transmissor Informa, para o exterior da organização, sobre os planos, políticas, ações e resultados
Decisional
Empreendedor Desenvolve iniciativas de mudança com base na análise das oportunidades proporcionadas pelo ambiente
Solucionador de distúrbios
Responsável pelas ações corretivas quando a organização enfrenta distúrbios significativos e inesperados
Distribuidores de recursos
Controla a afetação de pessoas, recursos financeiros, materiais, equipamento e tempo, programando e aprovando as decisões respetivas
Negociador Participa nas atividades de contratação e negociação
Fonte: Elaborado a partir de Teixeira (2010)