2.4 Prop.90. L (2015-2016): Entry into Norway
2.4.2 Rejection of entry in crisis situations
A detecção remota por satélite é a única forma verdadeiramente exequível para a detecção e monitorização de ocorrência de fogo à escala do país proposta neste trabalho. É também o mecanismo mais fiável de construção de um cenário base, com reporte acreditado, que assegure a qualificação da Guiné-Bissau a participar nos MDL.
A utilização de várias imagens numa única época tem enormes vantagens e demonstrou ser fundamental na cartografia de áreas ardidas num país com as características da Guiné-Bissau. Nestas regiões da África Ocidental, que apresentam tipicamente grandes extensões de savana ardida, mas com rápida recuperação do sinal pré-fogo, a cartografia dessas áreas terá sempre de recorrer a várias imagens, com curtos intervalos de tempo entre elas. Uma outra vantagem inerente a uma análise multitemporal prende-se com a selecção das áreas de treino que são usadas pelo classificador. A detecção de alterações no ND na sequência de imagens observadas, nomeadamente por ocorrência de fogo, permitiu uma mais segura e correcta selecção das áreas em cada uma das imagens individualmente. Com este método, é possível evitar erros de classificação de objectos estáticos, como massas de água permanentes e vegetação espectralmente semelhante, que não sofrem alterações entre as duas imagens, o que à partida, considerando a análise de uma única imagem, seria de discriminação bem mais exigente
A utilização de produtos de fogos activos, mais grosseiros espacialmente mas de melhor resolução temporal foi uma mais-valia nesta análise. Foi possível comprovar o padrão registado na bibliografia para os países da África Ocidental, com dois picos de ocorrência evidentes, um no início da época seca e outro no final da época seca, mas também identificar variações regionais e ao nível do sector do país. É evidente que nem todos os sectores apresentam este padrão, porque a sua existência está sobretudo associada às práticas de uso do fogo das diferentes etnias. Uma outra vantagem foi a possibilidade de aferir que a cartografia produzida não contempla todo o horizonte temporal de ocorrência do fogo na época seca. Através dos cálculos efectuados com a percentagem cumulativa de fogos, embora seja um cálculo relativamente empírico, permitiram aferir que com as imagens seleccionadas para a produção destes mapas de área ardida apenas foi cartografada, na melhor das hipóteses, 91% da área ardida anual. Seria, portanto, pertinente adquirir ainda uma outra imagem Landsat, que permitisse completar a cartografia das áreas ardidas em toda a época seca.
O classificador de Máxima Verosimilhança utilizado demonstrou ser muito fiável na classificação das áreas ardidas. As divergências observadas entre as duas classificações, pré e pós edição manual foram poucas: tanto os valores de exactidão global como os do
69 índice de concordância kappa são muito elevados, e tanto erros de comissão como de omissão observados são, por sua vez, residuais.
Este estudo vem confirmar a teoria generalizada sobre a importância que os factores antropogénicos têm na ocorrência do fogo em regiões de savana de África Ocidental, e compreender a interacção entre os vários factores que determinam a ocorrência do fogo - climáticos, físicos e antropogénicos – e a sua importância na Guiné-Bissau. Para além desta análise qualitativa, este estudo permitiu também identificar a enorme dependência de factores externos - e.g., preços de mercado do caju e do arroz, condições climáticas - a que o sistema agrícola do país está sujeito. Esta tamanha dependência provoca uma grande variabilidade dos sistemas agrícolas adoptados pelas populações, derivada da instabilidade na segurança alimentar e que, neste caso em estudo concreto, se reflectiu no retorno à prática de agricultura em sistemas de sequeiro, com recurso à queimada.
Uma vez que a análise e interpretação do padrão espacial e temporal de ocorrência do fogo na GB foi feita essencialmente de forma qualitativa, dever-se-ia considerar, no futuro, uma abordagem mais quantitativa, e.g., através da construção e validação de modelos que permitam identificar o sinal e a magnitude da contribuição de variáveis explicativas para a ocorrência do fogo neste país.
A produção da cartografia de áreas ardidas com base em imagens de alta resolução espacial (i.e., Landsat) para os anos de 1986, 2002, e 2007, e a sua consequente disponibilização para a comunidade científica, permitirá ainda a realização de estudos subsequentes, só possíveis com a existência deste tipo de informação. Entres estes, encontram-se os estudos de calibração e validação de produtos de áreas ardidas obtidos com dados de detecção remota de menor resolução espacial, e.g., MODIS, SPOT VEGETATION (Silva et al., 2005).
No contexto actual em que vivemos, com a consciencialização da dimensão que a desflorestação tem na emissão de gases com efeito de estufa, o fogo, enquanto ferramenta de desflorestação e de degradação dos recursos naturais, merece uma maior atenção. Este trabalho pretendeu ser apenas uma primeira abordagem à temática do fogo na GB, país para o qual existe muito pouca informação disponível. No entanto, considera-se essencial estender esta análise mais detalhada, efectuada com as imagens Landsat, ao resto do território, assim como calcular a incidência de área ardida por tipo de coberto do solo recorrendo a produtos mais detalhados que o disponibilizado pelo sensor MODIS e com uma maior fiabilidade, que as cartas 1:50000 de 1953 já não conseguem assegurar.
Muito embora este estudo tenha um óbvio interesse académico, é fundamental explorar esta sua dimensão prática.
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