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Rejecting ‘Ought’ Implies ‘Can’ Outright

A coleção “Expedições Geográficas”, elaborada por Melhem Adas e Sérgio Adas pela Editora Moderna, é composta por quatro obras que compreendem cada ano do último ciclo do ensino fundamental (sexto, sétimo, oitavo e nono anos) destinadas aos alunos e de quatro manuais para os professores, do mesmo modo distribuídos de acordo com cada ano dessa etapa de ensino.

O nome da coleção sugere a ideia de uma viagem programada. Cada obra está estruturada em oito unidades, sendo cada uma com temática diferente. Cada unidade apresenta quatro subtítulos, denominados de “Percursos” (totalizando 32 em cada livro). O nome “percurso” propõe que o aluno percorra um caminho, uma “viagem” em cada livro, durante seus estudos. Todos os títulos das seções das obras caracterizam uma metáfora que fazem alusão à ideia de viagem e expedição (“Percursos”, “Navegar é preciso”, “Desembarque em outras linguagens”, “Mochila de Ferramentas”, “Outras rotas”, dentre outras). Apesar de seguir um layout e denominações diferentes há, nessa proposta, uma nítida veiculação com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ministério da Educação (PCNs), para a disciplina Geografia, publicados em 1998.

As titulações das seções das obras estão acompanhadas de ícones, símbolos em formato de placas de trânsito, projetadas para comunicar arquétipos de viagem. A coleção apresenta diversos elementos visuais e escritos que transmitem essa identidade metafórica e estética de exploração, excursão, jornada, como podemos ver no esquema representado (Figura 1).

Figura 1: Esquema representando os títulos acompanhados de ícones que representam o sentido de viagem e expedição.

Após as primeiras páginas com algumas apresentações editoriais há, na terceira página de todos os livros, um texto dirigido aos estudantes, convidando-os para um passeio em busca de novos conhecimentos. Neste texto inicial, verifica-se também uma síntese do que será estudado em cada ano. Em todos os livros, esse convite menciona a construção de um mundo melhor, respeito às pessoas e ao meio ambiente, compreensão sobre o planeta e os espaços de vivência, entendimento sobre as contradições e os problemas sociais, além da relação e conexão entre os conteúdos, evidenciando o caráter interdisciplinar das obras, em conformidade com a legislação.

Os referidos livros fazem parte de um novo Projeto Gráfico que, de acordo com a editora, está organizado para que os alunos possam interagir com a Geografia de maneira mais lúdica (MODERNA, 2017).

Existem dois perfis diferentes da coleção EG: uma destinada ao PNLD, distribuída pelo poder público aos professores e alunos da rede pública de ensino e uma direcionada para as escolas particulares (“Versão Mercado”).

Durante nossa conversa com os autores desses livros, Sérgio Adas nos relata que as obras foram escritas a partir de alguns questionamentos. Os autores identificaram uma mudança no perfil de professores e alunos, pois os mesmos estavam resistentes a leitura de textos extensos, o que é fruto de certa uniformização das informações e textos veiculados pelos meios de comunicação e pelas redes sociais e mídias. Em suas palavras:

(...) como despertar este aluno contemporâneo, que está ali no vídeo game, está nas redes sociais, que tem uma avalanche de informações por todos os meios midiáticos? Como tornar um livro atrativo para ele, em que ele tem que se debruçar, e que de certo modo não está em uma materialidade de hipertexto, com a qual ele está acostumado? Como trazer, guardadas as devidas proporções, essa noção de movimento do hipertexto, na materialidade que é uma página de um livro e não uma tela de computador? (...) foi assim que começou a ser exercitada a ideia de movimento no livro. Mas como imprimir movimento? Isso pode ser feito a partir de uma ideia chave, que é a ideia de viagem. Quando eu comecei a conectar esses pensamentos eu estava a bordo de um avião, foi ali que veio essa ideia de “Expedições Geográficas” (...) A ideia de viagem foi ao encontro da ideia de movimento. Tal fato é uma preocupação com as questões educacionais, e ao mesmo tempo era uma ideia muito pertinente na Geografia. Retomando a Geografia moderna na Alemanha, na França, no século XIX, e que depois adentra no Brasil, com a primeira geração de geógrafos brasileiros. A ideia de viagem era muito compatível com a ideia da disciplina, uma ideia lúdica. Além disso, meu filho que na época tinha cinco anos, me dizia, toda semana, que queria viajar. (...) então eu pensei: crianças e adolescentes gostam de viagem, adultos gostam de viagem, todo mundo está querendo viajar. A viagem contém uma ideia de curiosidade, de aventura, de expansão, de movimento (...). Foi desse modo que começou a ser gestada a obra, as seções e subseções didático pedagógicas (SÉRGIO ADAS, 2018).

Como mencionamos, diversos aspectos foram pensados em relação à criação da metáfora da viagem no livro didático. Para o autor, o professor é o “guia” o qual assume a orientação da viagem e direciona o aluno para conhecer a Geografia.

As obras apresentam uma sequência idealizada pelos autores, um caminho de sentidos para o aluno percorrer. O autor Sérgio, no momento da entrevista, reitera:

(...) a cada início de unidade, o livro propõe uma expedição com o professor. Primeiro faz uma sondagem de conhecimentos prévios por meio da seção “verifique sua bagagem”, e vai em direção aos “percursos”. Quando se chega ao final do percurso, a leitura vai “desembarcar em outras linguagens”, em que se apresenta a relação da Geografia com outras linguagens: com a música, escultura, etc. A ideia é que nesse momento o aluno tenha um espaço de oxigenação, um tempo, para em seguida ir para uma outra viagem com o professor (SÉRGIO ADAS, 2018).

Um dos pilares da coleção “Expedições” é a contextualização dos conteúdos geográficos e a interdisciplinaridade. Em resposta aos pressupostos das políticas educacionais nacionais, os livros buscam contextualizar os conhecimentos em seus processos de aplicação, atuação, reflexão e intervenção aos aspectos de vivência dos alunos. Também é possível encontrar nas obras temas como pluralidade cultural, meio ambiente, consumo, saúde, competência leitora, alfabetização cartográfica e outros.

Temos uma grande preocupação com a contextualização na obra. Por meio de seções didático pedagógicas, estimulamos o estudante a contextualizar a abordagem dos conteúdos, a relacionar os conteúdos da obra com a sua realidade, a pensar a questão da multiescalaridade, a procurar relacionar os assuntos aos espaços de vivência, ou mesmo a sua localidade, a sua região, etc. (...) Como a seção “No seu contexto”, ou nas páginas duplas de atividades a cada dois percursos em que apresentamos a seção “investigue o seu lugar” e outras seções (...). (SÉRGIO ADAS, 2018)

Esses materiais apresentam uma série de elementos que ultrapassam a abordagem dos conteúdos geográficos. As dimensões envolvendo o ensinar e o aprender não estão somente a cargo das palavras e textos verbais, como predominou no passado. Os layouts dos livros didáticos analisados evidenciam uma diversidade de formas de apresentação dos conhecimentos corroborando com a ideia de que quanto mais dinâmico, mais imagético e mais colorido, mais impactos os mesmos podem gerar sobre alunos e professores.