obrir camins per a la llibertat
7. Reivindicació de la llibertat pensada i vívida
A primeira pergunta do questionário (anexo B) buscou saber o que, na opinião da professora, deveria ser ensinado na disciplina de Língua Portuguesa. Para ela, “o aluno deve ser estimulado a desenvolver sua capacidade de leitura, compreensão e produção de textos dos mais variados gêneros e o estudo da gramática deve ser feito no texto”. Essa concepção de ensino se coaduna com as reflexões sobre a prática da aula de português, apresentadas no capítulo1 deste trabalho e também dialoga diretamente com a formação curricular da professora.
Buscou-se saber ainda como a professora interpretava a sua própria atuação na disciplina, pois se entende neste trabalho que uma prática de fomento a autonomia requer do professor a reflexão antes, durante e depois da ação. Em resposta, a professora afirmou que seu objetivo maior em sala de aula era levar os alunos à condição de cidadãos mais críticos e participativos socialmente. Em termos curriculares, a professora comprova ter muitas leituras teóricas que, se de fato forem postas em prática, haverá uma grande possibilidade de seus objetivos serem alcançados.
Depois de conhecer a representação que a professora tem da própria prática, buscou- se saber se ela entendia que suas aulas da EJA atendiam ou não às exigências e expectativas dos seus alunos. Ela respondeu que sim, argumentando que “no diálogo com os alunos, estes sempre diziam que melhoraram ou que estavam aprendendo coisas das quais não tinham conhecimento.” Acrescentou ainda que vê a aprendizagem como um grande processo, algo a ser construído durante toda a vida. Acredita estar no caminho certo quando ouve a opinião dos alunos ou compara a sua prática a muitas outras em que o professor não ultrapassa os limites do quadro e pincel.
Perguntou-se também se durante as aulas, ela costumava apoiar os alunos, ajudando- os a estabelecerem objetivos para os estudos foi solicitado que a professora exemplificasse com uma situação. Ela afirmou que, desde o primeiro dia de aula, fala “da importância de os alunos criarem o hábito de estudar todos os dias, estabelecendo um compromisso com os estudos e com seu próprio aprendizado”. Quanto ao exemplo, a professora respondeu utilizar- se de roda de conversas. Esse procedimento foi observado na aplicação das aulas durante todo o período de duração da pesquisa. A professora informou, ainda, que tem o hábito de perguntar aos alunos se eles estão estudando e também, em sala de aula costuma promover a troca de conhecimento entre os alunos fazendo com que estes troquem as atividades, corrijam
os textos dos outros colegas e ao final do ano letivo costuma expor as atividades desenvolvidas pela turma, que sempre opta pela atividade que deve ser levada ao público escolar.
Outra questão abordada procurou saber se a professora fazia a transferência da responsabilidade da aprendizagem para seus alunos. Perguntou-se se durante suas aulas, ela costumava deixar os alunos escolherem o que fazer (tipo e conteúdo de atividades), o colega com quem ele queria trabalhar e também escolher a maneira como ele gostaria de fazer os trabalhos, mesmo as atividades extraclasses. A professora respondeu que, devido às dificuldades que os alunos têm para se manifestar, ela costumava sugerir as atividades, socializar as idéias com os alunos, solicitar sugestões e acatá-las quando estas surgiam. Segundo ela, quando se abre um processo de negociação em sala de aula, principalmente no início das atividades escolares, como era o caso desse período em que a pesquisa estava sendo realizada, era natural que os alunos não se manifestassem, pois esse momento inicial é o da empatia que pode ou não se estabelecer ao longo do processo. Segundo ela, a maioria das vezes, os alunos se omitem na hora de dar opinião, talvez, por medo, vergonha ou falta de costume em relação a esse tipo de dinâmica. Esse fato também foi observado em sala de aula, principalmente, nos primeiros contatos da professora com a turma, como veremos adiante no Acordo Didático.
No nível do gerenciamento dos conteúdos, buscou-se saber se a professora usava diferentes tipos de atividades, fornecendo meios para que o aluno acompanhasse o que já foi produzido durante as aulas. Usando instrumentos como diários, anotações, portfólios, para que o aluno tivesse a possibilidade de gerenciar a aprendizagem avaliando o que já conseguiu aprender e exercer o controle sobre os conteúdos. A professora informou que costuma trabalhar com diferentes atividades, mas isso depende das possibilidades do contexto e do
ritmo da turma. Uma das estratégias, que a docente informou usar é a solicitação de anotações dos resumos dos conteúdos estudados em sala de aula.
Essa prática da tomada de notas, segundo ela, tem auxiliado no controle da aprendizagem dos alunos, já que demonstram os progressos destes no desenvolvimento das tarefas. Inclusive a professora em um dos encontros apresentou uma grade de descritores com os quais ela trabalhava ao longo do ano letivo para saber de que forma poderia intervir e ajudar os seus alunos. É um quadro em que ela observa se o aluno participa ou não das aulas, realiza ou não as tarefas, tem dificuldades de escrita, compreensão leitora etc. Esse quadro de descritores, segundo a professora, é usado para orientar as atividades pensadas para a turma e também para a avaliação final do aluno.
A professora respondeu ainda que, no processo avaliativo, além das atividades em classe e extraclasse, ela utiliza essas anotações desse diário geral da turma para avaliar o desempenho de cada aluno e em que ela mesma deveria melhorar. Essa seria uma forma encontrada pela professora de considerar, em sua sala de aula, as experiências, reflexões e a avaliação que os alunos fazem sobre a aprendizagem.