Fiskerinæringens Landsforening
REGULERING AV FISKET ETTER LODDE VED GRØNLAND- ISLAND- JAN MAYEN SESONGEN 2000/01
A despeito de usarmos o verbo “fazer” para se referir a esse processo, Mol (2002) nos adverte que ele pode gerar certa confusão. Pode fazer crer que psicólogos(as) de fato constroem a Psicologia Social, que eles(as) juntam materiais e que essa junção sai para o mundo como se tivesse vida própria. A fim de evitar essa conotação, a autora prefere usar uma metáfora teatral e falar em “performar”40 ao invés de “fazer” ou de “construir”41. Uma
das vantagens dessa metáfora é que ela dá a ideia de que pode existir (mas não necessariamente) um “roteiro” para fazer Psicologia Social – mas o modo em que o roteiro é encenado depende do local e do momento da encenação; em alguns casos, pode até mesmo acontecer de os atores decidirem deixá-lo de lado e “improvisar”. Além disso, nessa metáfora,
40 A despeito Mol falar em performance (sobretudo em textos anteriores, como MOL, 1999; MOL, 1998; MOL, BERG, 1998, entre outros), sua obra não constitui uma versão atualizada da sociologia dramatúrgica de Goffman (1975). Afinal, de acordo com Law (2008), “Goffman distingue entre representações do eu de um lado, e de outro, o eu [self] como uma realidade escondida e que produz essas representações. Mas isso é precisamente o que Mol está tentando evitar. Seu argumento está muito mais próximo a escritos recentes da filosofia, sociologia e história da performance que enfatizam a performatividade do enactment do que da proposta de Goffman.” (p. 56, tradução nossa, grifos do autor).
41 A palavra construção sugere que objetos não são previamente determinados e que suas identidades são gradualmente construídas no decorrer da história. No entanto, segundo Mol (2002), este termo apresenta um problema: pode sugerir que “durante suas infâncias instáveis, suas identidades tendem a ser altamente contestadas, voláteis, abertas à transformação. Mas uma vez que crescem, os objetos são considerados estáveis.” (p. 42, tradução nossa). Dito de outro modo: histórias que falam da construção de algo sugerem que as coisas poderiam não ser como são, ou seja, sugerem que, no passado, várias realidades eram possíveis, mas uma acabou prevalecendo. Desse modo, para a autora, assim como o perspectivismo, esta postura é pluralista – com a diferença que desta vez a pluralidade é projetada no passado. Podem ter existido possibilidades diferentes, mas essas possibilidades acabaram. “Os perdedores perderam.” (MOL 1999, p. 77, tradução nossa). A vantagem da noção de enactment é que ela não possui essa conotação de estabilidade. Ao contrário, sugere que “como sujeitos (humanos), objetos (naturais) são enquadrados como parte de eventos que ocorrem e peças que são encenadas. Se um objeto é real é porque ele é parte de uma prática. É uma realidade enacted.” (MOL, 2002, p. 44, tradução nossa). Temos de destacar que muitos autores que adotam uma postura construcionista (como, por exemplo, GERGEN, 1985, IÑIGUEZ, 2003, SPINK, M. J., 1999, 2004) não partem da concepção de construção descrita por Mol (1999, 2002), afinal consideram que o mundo está constantemente sendo construído e transformado – e o presente é apenas uma etapa desse processo. Para esses autores “[...] uma construção social não participa da metáfora arquitetônica de um edifício que, uma vez construído, se mantém por si só. O socialmente construído não só foi construído por determinadas práticas sociais, mas essas práticas o mantém de forma dinâmica, incessantemente.” (IBÁÑEZ, 1996, p. 67, tradução nossa).
os objetos de cena são tão importantes quanto as pessoas, afinal, são eles que montam o “cenário” da história.
No entanto, a palavra “performar” também apresenta desvantagens: pode sugerir que existem “bastidores” nos quais a verdadeira realidade se esconde, ou que uma tarefa precisa ser cumprida para dar conta de uma situação difícil. Pode, também, sugerir que o que está sendo feito aqui e agora tem efeitos que vão além desse momento – efeitos performativos42.
Para evitar essas conotações, a autora prefere utilizar uma palavra que não sugere tanto e que não tem tanta história acadêmica: o verbo enact43. “É possível dizer que objetos são enacted nas práticas. Isso sugere que atividades acontecem – mas não especifica quem são os atores.” (MOL, 2002, p. 32, 33, tradução nossa, grifo da autora). Além disso, sugere que, durante a ação, e somente neste lugar e neste momento, algo é – é enacted44.
Sendo assim, uma etnógrafa/praxiografista que sai para investigar doenças nunca as isola das práticas nas quais elas são [...] enacted. Ela obstinadamente anota as técnicas que tornam as coisas visíveis, audíveis,
42 Para Mol (2002), uma ação enact um objeto somente no momento e no local em que ela acontece. Desse modo, para que um objeto continue a existir, é preciso que haja práticas que o re-enact. Assim, se Austin (1962) observa que a frase “sim, aceito esta mulher como minha legítima esposa” vai além de uma simples descrição, pois formaliza uma relação conjugal, Mol diria que, para que essa relação continue existindo, é preciso, por exemplo, que, após o casamento, o marido se refira à mulher como “minha esposa”, que, ao fornecer dados sobre seu estado civil, ambos escolham a opção “casados”, que eles não se divorciem etc.
43 Optamos por manter o termo em inglês pois tivemos dificuldade de encontrar uma tradução adequada. Em alguns dos textos que trabalham com a obra de Mol (2002), o verbo enact aparece traduzido como “fazer existir” (MORAES; MONTEIRO, 2010); em outros, ele é sinônimo de “realizar” (MORAES; ARENDT, 2010). No entanto, optamos por não adotar tais expressões a fim de evitar as conotações de intencionalidade e construção que ambas podem sugerir – afinal, de acordo com o Dicionário Houaiss (HOUAISS; VILLAR, 2001), o verbo “realizar” significa, entre outras coisas, “criar, produzir a partir de um plano, um projeto [...] cumprir seu ideal ou meta de vida [...]” (p. 2392); enquanto que o verbo “fazer” pode se referir ao ato de construir, de “[...] aprontar antecipadamente para determinada finalidade, uso ou atividade; preparar [...]” (p. 1316). Leitores brasileiros de Maturana e Varela (ARENDT, 2000; BOUYER, SZNELWAR, 2007; KASTRUP, TSALLIS, 2009, entre outros), por sua vez, costumam traduzir o substantivo enactment como “enação”, no entanto, atribuem um significado distinto ao termo. Para eles, enação refere-se à ação perceptivamente orientada – tanto que Maria Teresa Guerreiro (apud VARELA, 1994), uma de suas tradutoras, justifica o uso desse termo afirmando que tal neologismo busca preservar a proximidade entre “ação” e “ator”. Para não causar um mau- entendimento de nossa proposta, optamos por não utilizar essa expressão – afinal, para Mol (2002), uma das principais vantagens do termo “enact” é justamente o fato de que ele nos permite focar a ação, deixando vaga a definição dos atores nela envolvidos. Também não encontramos em dicionários uma tradução que nos parecesse adequada. No Webster´s Dicionário Inglês-Português (HOUAISS et al., 2007, p. 251), por exemplo, encontramos as seguintes traduções: “decretar, sancionar, promulgar, ordenar, dar força de lei a, converter em lei (um projeto); desempenhar o papel de (no teatro e na vida)”, mas nenhuma parecia se referir ao verbo tal como é utilizado por Mol (2002).
44 De acordo com Mol (2002), participaram do desenvolvimento da noção de enactment conceitos e ideias discutidos anteriormente por outros autores, tais como a dissolução de dicotomias. (LATOUR, 1994b; BARKER, 1982; STRATHERN, 1992; HARAWAY, 1991); a metáfora teatral de Goffman (1975), a crítica à oposição entre superfície aparente e realidade profunda (BUTLER, 1990), a noção de performance (HIRSCHAUER,1993; HACKING, 1983), o rechaço à ideia de realidade estável (LATOUR; WOOLGAR, 1997), entre outros. Esses autores, “[...] de uma maneira ou de outra, começaram a explorar a possibilidade de que haja um tráfego em duas mãos entre os enactments de um lado e realidades de outro.” (LAW, 2008, p. 56, tradução nossa).
tangíveis, passíveis de serem conhecidas. Ela pode falar de corpos – mas sem nunca esquecer-se dos microscópios. (MOL, 2002, p. 33, tradução nossa).
Dizer que objetos são enacted nas práticas não significa dizer que eles sejam passivos – afinal, como dissemos no capítulo anterior, eles agem e, ao mesmo tempo, são alvos da ação dos outros. No entanto, pensar que objetos são enacted em diferentes versões implica admitir que eles também agem de diferentes maneiras45. E, uma vez mais, eles agem, mas não agem sozinhos: objetos só agem se há outras entidades (instituições, pessoas, instrumentos, dispositivos de inscrição etc.) colaborando com eles (LAW; MOL, 2008).
De acordo com Law (2008), enactments e práticas nunca param de acontecer e as realidades dependem disso para que continuem existindo. Os objetos nunca chegam a estar “rotinizados” em uma solidez rígida – podem até acontecer fechamentos práticos, como concluir, em um determinado momento e circunstância, que um paciente sofre de severa arteriosclerose, mas não há fechamentos gerais. “E se as coisas parecem solidas, anteriores, independentes, definidas e singulares é, talvez, porque elas estão sendo enacted e re-enacted, e re-enacted nas práticas. Práticas que continuam. E práticas que são também múltiplas.” (p. 56, tradução nossa).
Nessa maneira de pensar, os objetos não são simplesmente construções históricas, mas possuem, também, um presente complexo – um presente no qual suas identidades são frágeis e podem variar de um lugar ao outro. As práticas que enact a arteriosclerose no consultório clínico e no laboratório de patologia, por exemplo, são diferentes. E mais, elas se excluem mutuamente. No primeiro, o médico sente pulsações, ouve relatos dos pacientes, mede temperatura dos pés... No laboratório, não há pulsação, não há reclamações de dor, nem temperatura para ser medida. O que há é um pé com alguns centímetros de perna, cuja artéria deve ser cortada e colocada sob um microscópio. Se o lúmen estiver demasiadamente grosso, se dirá que o paciente de fato tinha arteriosclerose. Da mesma forma que o patologista não pode utilizar procedimentos clínicos para fazer o diagnóstico, o clínico não pode simplesmente cortar um pedaço da perna do paciente para ver o que ele tem.
Entretanto, essa incompatibilidade não é resultado de uma dificuldade de traduzir palavras de um departamento para o outro – cirurgiões e patologistas tendem a se entender
45 De acordo com M. J. Spink (2009), Mol utiliza o termo “versão” em uma de suas acepções na língua inglesa, a de “account”. “Ou seja, trata-se da forma singular de relato feito por uma pessoa ou grupo, que incorpora um ponto de vista. As versões, portanto, não são neutras, e podem existir múltiplas versões sobre um mesmo objeto – humano ou não-humano. São artefatos lingüísticos incorporados a narrativas que são elos em cadeias dialógicas que colocam sentidos polissêmicos em ação e, nesse movimento, performam os objetos a que se referem.” (p. 113).
muito bem. Tampouco é uma questão de olhar a partir de diferentes perspectivas. Cirurgiões sabem olhar através de microscópios e patologistas aprenderam como conversar com pacientes vivos. A incompatibilidade é uma questão prática: refere-se a pacientes que falam ou a partes do corpo seccionadas, a reclamações de dor ou a estimativas sobre o tamanho das células. Na clínica e no departamento de patologia a arteriosclerose é enacted de modo diferente – assim como são diferentes as Psicologias Sociais que são enacted em uma empresa, em um hospital, em uma ONG ou em uma mesa de bar. Tal como veremos no capítulo 3, as diferenças não estão somente nos olhares, preocupações e pontos de vista dos(as) diferentes psicólogos(as) sociais, mas na própria Psicologia Social: ora ela é algo que pode acontecer em qualquer lugar e em qualquer momento, ora existe somente dentro de um enquadre pré-definido e controlado. Ora preocupa-se com práticas discursivas, ora seu foco são processos inconscientes. Ora seu objetivo é transformar a realidade social, ora é produzir conhecimento cientifico...
De acordo com Mol (2002), há certa economia em isolar os objetos das práticas nas quais eles são enacted. Afinal, ao fazermos isso, podemos tratar os objetos como se fossem realidades singulares, anteriores e independentes de nossas ações. Vários documentos oficiais, manuais e textos introdutórios (como LANE, 1981; SILVA, 2005; ABRAPSO, 2002, entre outros) fazem isso ao apresentar a Psicologia Social, como se, atualmente, existisse apenas uma maneira de ela existir. Do mesmo modo, se conversarmos com um médico, ele provavelmente dirá que a arteriosclerose é uma doença – que pode ser identificada por meio de diferentes exames (duplex, angioplastia, exame patológico etc.) e ter diferentes formas de tratamento (cirurgia, amputação, caminhadas etc.). Falará de uma doença da qual o paciente padece antes de vir procurá-lo e que, com técnicas e tecnologias adequadas, pode ser corretamente diagnosticada e tratada. Esse médico, provavelmente, tratará a arteriosclerose como se ela tivesse uma realidade em si mesma, como se fosse uma única doença, que está localizada dentro do corpo, mais precisamente, nas artérias. Ao fazer isso, ele tornaria possível relacionar um relato de dor com uma artéria entupida, como se ambos se referissem a um objeto comum – o primeiro seria o sintoma que aflora à superfície e o segundo seria a causa oculta.
No entanto, de acordo com Mol (2002), se não desconsideramos as praticidades e especificidades da realidade enacted, o quadro muda drasticamente. Se não ficamos “[...] dentro dos confinamentos do corpo, mas [seguimos] por todo o hospital as várias práticas nas quais a arteriosclerose é enacted, a topografia da relação entre patologia e clínica parece ser
completamente diferente.” (p. 37, tradução nossa). A patologia deixa de ser vista como aquilo que está por trás das doenças e passa a ser vista como algo ulterior – afinal, só se sabe que o lúmen da artéria está espesso depois de o médico ter feito o diagnóstico, de a cirurgia ter sido realizada, de um pedaço do corpo do paciente ter sido seccionado e enviado ao departamento de patologia para ser analisado sob um microscópio46. Na realidade enacted no hospital, a clínica vem antes, é o começo e o que permite todo o resto.
Algumas vezes, os objetos da patologia e da clínica podem coincidir, como nos casos em que um paciente que reclama de fortes dores ao caminhar é diagnosticado como tendo arteriosclerose, tem a perna amputada e as análises patológicas mostram que o lúmen estava mais espesso do que o “normal”. Mas, outras vezes, os objetos não coincidem. Pode acontecer, por exemplo, de um paciente não sentir dor alguma e morrer e, após exames post mortem, patologistas descobrirem que todas as suas artérias estavam calcificadas. Neste caso, os objetos enacted na clínica e no laboratório não se sobrepõem e entram em conflito: uma arteriosclerose é severa e poderia ter sido razão para tratamento, enquanto a outra não é grave e ninguém nunca se preocupou com ela. “Nesses casos, os objetos da patologia e da clínica não podem ser aspectos de uma mesma entidade: eles simplesmente não são a mesma coisa. Eles são objetos diferentes.” (MOL, 2002, p. 46, tradução nossa).
Quando objetos que levam o mesmo nome não coincidem, tendemos a buscar explicações para essa incoerência. Dizemos, por exemplo, que o paciente não sentia dor pois sua doença se desenvolveu tão lentamente que seu metabolismo foi, aos poucos “acostumando-se” com a falta de oxigenação nos membros inferiores. Mas, de acordo com Mol (2002), ainda que encontremos explicações para as diferenças entre os objetos da patologia e da clínica, não podemos apagá-las completamente, pois elas, inevitavelmente, possuem uma consequência prática: “se dois objetos que possuem o mesmo nome entram em conflito, na prática, um será privilegiado em relação ao outro.” (p. 47, tradução nossa). No hospital, a clínica é sempre privilegiada, afinal, só se faz o diagnóstico, se o paciente for consultado por um cirurgião vascular e queixar-se de dor ao andar.
Assim como não há apenas uma arteriosclerose, também não há apenas uma Psicologia Social: há, por exemplo, uma que se diz comunitária, outra que se preocupa com questões relacionadas à saúde, uma terceira que afirma atuar nas relações de trabalho, uma quarta que tem fins clínicos... E se olharmos mais de perto cada uma dessas Psicologias
46 Na maioria dos casos atendidos no hospital no qual Mol (2002) fez sua pesquisa, este tipo de cirurgia não é necessária, sendo assim, as artérias que recebem o diagnóstico de arteriosclerose nem sequer são analisadas patologicamente. Nesses casos, a arteriosclerose é um pé frio, uma baixa oxigenação dos membros inferiores, uma pressão arterial inferior à esperada etc.
Sociais, veremos que são cheias de contradições, que não são objeto singulares, que são, também, múltiplas.
No entanto, dizer que a Psicologia Social é múltipla não significa dizer que suas diferentes versões não estejam relacionadas; mas que ela é um objeto fractal, ou seja, que é mais do que uma e menos do que muitas. Em outras palavras, significa dizer que ela não está totalmente fragmentada e que suas várias versões mantêm alguma relação – afinal, há programas de pós-graduação, uma associação de classe, disciplinas de graduação, manuais introdutórios e até mesmo um título de especialista voltados à Psicologia Social. E mais, significa dizer que essa singularidade não é dada a priori, mas é o resultado de todo um trabalho de coordenação.
No capítulo 4, discutiremos como isso acontece, ou seja, apresentaremos algumas práticas e estratégias que permitem com que diferentes Psicologias Sociais se somem, se fundam, se conectem ou mantenham certa unidade. Como essas análises tiveram como referência principal a pesquisa de Mol (2002) sobre os modos47 de coordenação de diferentes arterioscleroses em um hospital holandês, consideramos relevante apresentá-la neste capítulo “teórico”-metodológico. No entanto, é importante ressaltarmos que não buscamos generalizar ou aplicar esses mecanismos ao caso da Psicologia Social brasileira, já que, ao fazer isso, estaríamos separando nosso objeto de estudo das práticas que o enact. Buscamos apenas apresentar os métodos e reflexões que serviram como ponto de partida para nossas análises.
47É importante destacarmos que usamos a palavra “modos” sempre no plural. Afinal, de acordo com Moraes (2011, p. 54), o sentido que a expressão “modos de ordenação” (ou de “coordenação”) abarca “[...] é o de um verbo, uma ação a ser executada, a fim de fazer existirem certas realidades [...] num processo local, que exige esforço e trabalho”. Sendo assim, não existe ordem, existem apenas ordenamentos, ordenações, ou melhor, (co)ordenações. Muitas vezes atribuímos um sentido positivo à ordem. Dizemos, por exemplo, que nossas vidas estão “em ordem” quando estamos felizes e satisfeitos. O termo “desordem”, por outro lado, frequentemente é usado para se referir a um descuido ou a uma incompetência. No entanto, para Law (1994, p. 5), onde há complexidade não pode haver ordem: ordens são ilusórias, “[...] mas até mesmo essas ilusões são exceções. Elas não duram muito tempo. Seus efeitos são bastante limitados. E elas são o produto, o resultado, ou o efeito de muito trabalho – trabalho que pode ocasionalmente estar – de forma mais ou menos bem sucedida – escondido atrás de uma aparência de simplicidade ordenada.”