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de Intelectuais Orgânicos da Classe Trabalhadora

Nos processos de ir e vir a Alternância tem papel fundamental e que não dissocia os tempos educativos, pelo contrário, articula-os em uma lógica de promover a práxis. Ferreira vem reforçar sobre a Alternância;

“Na ótica da alternância dos tempos educativos, pretende-se fazer com que as orientações das atividades não tendam a dicotomizar os elementos teóricos e práticos do processo de ensino-aprendizagem, mas, ao contrário, que busquem sua indissociabilidade. (FERREIRA, 2015, p.111).

Um dos desafios à nossa prática no ProJovem Campo foi a alternância. Algo completamente novo no ensino, pouco conhecido e pouco difundido na educação. Na EJA, os educandos na maioria adultos e que trabalham, vêem na EJA a possibilidade de concluir os estudos em horário compatível ao trabalho. Até aí tudo bem, e o que a alternância tem a ver com tudo isso? Bem, como princípio educativo da Educação do Campo, a Alternância justifica-se na educação, porque desempenha a função de formar sujeitos com consciência crítica, que conseguem intervir na realidade. E na educação só é possível nos

processos de ir e vir, com o desafio maior que é atuar sobre as questões da vida. Trazer a vida para dentro da escola.

A formação em alternância consiste em uma perspectiva de totalidades dos distintos espaços e tempos educativos que estão relacionados aos processos formativos de uma escola, curso ou grupo de estudantes. É uma perspectiva de totalidade que se ancora na indissociabilidade teoria-prática – práxis –, visto que as atividades correspondentes ao processo formativo do alternante estão comprometidas com a dinâmica de estudos e exercícios práticos, a qual tem como finalidades, a médio e longo prazo, intervenções críticas e de transformação da realidade estudada. (FERREIRA, 2015, p.110).

Mas é assim, com o tempo, a práticaprática da Educação do Campo nesta questão da emancipação do sujeito é assim. Eu acho isso fundamental emancipar o olhar, o tirar as vendas para ver a si mesma, o contexto no qual está inserido. Então você acha que é uma das, para mim é o que eu trago, é o que permeia a educação, então, eu não vejo ela, sem, não vejo a educação se não for para libertar e emancipar os sujeitos. Orquídea (entrevista em outubro de 2016)

Fomos questionados sobre este tempo de folga entre os Tempos Escola. Eram uma semana ou duas semanas e não fazia sentido para alguns e era cômodo para outros. A compreensão foi gradativa, para alguns educandos, ela ainda não faz sentido, ainda está sendo entendida. Para os demais, a alternância proporcionou um espaço de estudo dirigido, de trabalho coletivo com outros educandos e o principal: pesquisar a própria realidade e trazer elementos da vida para a sala de aula, levar os conceitos apreendidos para a sua realidade e, por fim, refletir sobre o que construíram e socializar com os demais no Seminário de TC e nas aulas.

No início do Programa elaboramos roteiros de pesquisa baseados nos cadernos do ProJovem Campo. Atualizamos alguns dados e adaptamos a realidade dos nossos educandos dos quais já conhecíamos a realidade. Sempre que encontramos desafios nos tempos educativos, nós voltávamos ao coletivo para discutir. Na alternância foi assim. Os educadores também estavam neste processo de alternância. Enquanto os educandos faziam as atividades de TC,

nos educadores ficávamos em formação, nos revesando no acompanhamento dentro das comunidades. Este acompanhamento, vale ressaltar, era para ser feito por monitores contratados pelo Programa, mas na impossibilidade de sua presença, que não foi viabilizada pela Secretaria de Educação do GDF, fomos nós mesmos que cumprimos também este papel. Trazíamos destes tempos muitos aprendizados,

O trabalho formativo por alternância requer da Escola do Campo e do trabalho docente uma articulação com temas e problemas próprios da vida no campo, que estabeleçam o trabalho coletivo entre discentes e docentes, o diálogo entre as ciências e a comunidade local. Requer, ainda, que os princípios basilares do trabalho do professor se efetivem pelo protagonismo dos sujeitos e pela ampliação da cultura geral produzida historicamente pela humanidade, objetivando, sobretudo, a construção de uma sociedade socialmente justa e digna de se viver e conviver com o outro. (FERREIRA, 2015, p.110).

A própria alternância, a gente do ProJovem Campo, por ele também ser em alternância, a nossa experiência enquanto Educador do Campo, da Alternância, Tempo Escola e Tempo Comunidade contribuiu bastante. A gente trouxe isto bem firme de planejar o TC dentro daquilo que que a gente vivenciou e do que a gente já viu, já conheceu do território deles enquanto educandos que foi todo um processo muito rico e a gente conseguiu fazer coletivamente. Caliandra (entrevista em outubro de 2016).

Com roteiros de pesquisa baseados nos cadernos, mas com esta visão do que a gente já conhecia dos educandos e a princípio todo um planejamento dentro da proposta do Programa e com toda a prática que a gente vivenciou na Educação do Campo: a auto organização dos estudantes, o trabalho como princípio educativo, a pesquisa como princípio educativo, a interdisciplinaridade, as aulas interdisciplinares, o planejamento coletivo, o planejamento por área. Caliandra (entrevista em outubro de 2016)

Nesta perspectiva de mútua aprendizagem, fomos modificando e adaptando ao longo do percurso as nossas ações nos Tempos Comunidade. Tínhamos a perspectiva de que os educandos se tornassem também pesquisadores de sua realidade, como foi com a gente na LedoC, como afirma Orquídea: Então eu vejo assim, a minha experiência como educadora me leva a

pesquisa permanente. Eu estudo mais agora, depois da LedoC, do que quando estava na LEdoC, porque se você tem que ir mais fundo você tem que pesquisar. Orquídea.

O educando pesquisador amplia as suas possibilidades de aprendizagem e novos conhecimentos, que sabemos não se findaria no Programa. Assim, conhecendo a sua realidade, intervindo sobre ela e se tornando pesquisador critico, o educando seria capaz de se tornar um intelectual orgânico. Sabóia vai afirmar que; A verdadeira concepção de mundo não é aquela logicamente afirmada como fato intelectual, porém a que resulta da atividade real de cada um, que está implícita na sua ação. Ora, a ação é sempre uma ação política, (SABÓIA, 1990, p. 53).

A Educação do Campo nos projeta nesta perspectiva de formar sujeitos críticos da sua realidade. Passa pela escola a construção do novo homem e da nova mulher. A emancipação humana deve ser o principal objetivo da educação para a vida. A alternância nos permite aproximar deste objetivo, porque na escola em que há educadores comprometidos com esta formação de relação da práxis, de ir e vir, ela vai tomando forma. A articulação entre os conhecimentos científicos dominados pelos educandos e a relação destes com a vida é o que nos faz acreditar na educação do campo. Então vimos isto acontecer, estamos vendo estas experiências acontecerem.