Todas as informantes concordaram haver forte influência japonesa na BSGI. As que acreditam que a influência é negativa, apesar de enaltecerem características atribuídas aos japoneses, colocaram:
Informante A, sem ascendência japonesa:
— Sim. Há alguns valores que são saudáveis, como a persistência, porém há outros que interferem de forma negativa nas características do povo brasileiro.
Informante B, com ascendência japonesa:
— Sim. Algumas posturas do comportamento feminino japonês ser enaltecidas, como a subserviência, (negativo), e a delicadeza (positivo). Sim como parâmetro para reflexão.
— Sim. No vocabulário, nos costumes, ambientação dos locais de atividade budista. Acredito que não ajude no crescimento.
A informante C disse haver influência uma vez que os líderes são descendentes de japoneses, considerando “natural que inconscientemente também adotem a conduta japonesa” vendo de forma negativa apenas a influência machista.
Informante C, com ascendência japonesa:
— É fato o poder da influência da cultura japonesa na BSGI, uma vez que a maior parte dos líderes atuais ainda é descendente de japoneses e é natural que inconscientemente também adote os padrões de conduta japoneses. Não vejo de modo positivo apenas a influência machista japonesa no crescimento da BSGI. No mais, vejo positivamente os ícones de disciplina, tenacidade e honradez que principia a cultura nipônica e acredito que isso influenciou positivamente a BSGI.
A informante F., além de afirmar a influência japonesa, destaca sua experiência pessoal do pré-julgamento “ser colocado como orientação” e que esse comportamento continua nos descendentes de japoneses na entidade. Para ela, isso não ajuda na organização e está em descordo com as diretrizes de Daisaku Ikeda.
Informante F, sem ascendência japonesa:
— Sim, há influência. Há alguns valores que são saudáveis, como a persistência, porém há outros que interferem de forma negativa nas características do povo brasileiro. Principalmente quando coloca em risco a autoestima de uma pessoa que já está fragilizada por algum sofrimento. E também o pré-julgamento contido no que eles chamam “orientações”. Isto é uma experiência pessoal vivida por mim. E a tonalidade da conversa não mudou. Observo este comportamento diariamente dos descendentes de japoneses: a via de mão única continua a perdurar. Isto não ajuda no crescimento das pessoas de uma organização e vai na contramão das palavras do presidente Ikeda para prezar uma única pessoa, valorizá-la, fazê-la sentir que ela é única e que tem um potencial infinito de transformação de vida contida nela. Observo que atualmente as visitas são feitas de forma mecânica, sem a intenção de ouvir os membros, considerando-os como instrumentos do desejo das lideranças em fazer discurso, e pior, julgando-os.
As que acreditam que a influência japonesa é positiva para organização disseram:
Informante I, sem ascendência japonesa:
— Sim. Um pouco da cultura, da disciplina dos japoneses. Ajuda e muito.
Informante D, sem ascendência japonesa.
— Sim, acredito a disciplina, no comprometimento, o que colabora de forma positiva para o crescimento individual.
Informante G, sem ascendência japonesa.
— Sim. Expressões gerais, tipo afirmação (hai!). De certa forma, sim.
Existiu também outra forma de ver a influência japonesa na BSGI sem avaliar a questão de ser positiva ou negativa, mas demonstrando não ser benéfica, conforme a seguir:
Informante E, com ascendência japonesa:
— Sim. O mais óbvio são os vários nomes e denominações que muitos tendem a manter na forma japonesa, como “hai”, “zadankai”, “Kossen-rufu”, e muitas vezes as pessoas usam de modo tão natural que se esquecem de explicar para os/as convidados/as de reuniões, e estes/as acabam saindo confusos. Em meu crescimento isso não parece influenciar, mas às vezes é estranho, pois já ouvi dizerem: “essa religião japonesa”, quando deveria ser, por exemplo, “essa religião humanista”, porque é assim que vejo seus princípios, que são universais.
Com base nas respostas anteriores, sentimos necessidade de submetê-las a um novo questionário com questões mais específicas sobre as mulheres e a BSGI. Aplicamos esse questionário a 12 mulheres das que responderam ao questionário anterior. Primeiro caracterizaram a BSGI como uma organização democrática e patriarcal, conforme tabela a seguir.
Tabela 6 A BSGI é uma organização Democrática 6
Patriarcal 6 Matriarcal 1 Autoritária 2
Apesar de a maioria que escolheu “democrática”, não explicar, as demais justificaram suas escolhas da seguinte forma:
Patriarcal
Informante A: A própria estrutura organizacional da BSGI ainda é patriarcal,
sendo os responsáveis das divisões sempre do sexo masculino.
Informante B: A cultura japonesa é altamente machista, parece que se somou ao
machismo do brasileiro.
Informante C: Muito embora haja todo um discurso do valor do papel da mulher,
esta ainda não tem poder de decisão.
Democrática
Informante C: Por ser uma organização que respeita e aceita a individualidade
dos seus associados.
Informante D: Ela possui uma mistura de democrática com patriarcal, pelo fato de
utilizar a democracia dentro dos direitos de cada um, porém seu comando é liderado e centralizado nos homens, isso fica bem claro no seu formato.
Quando questionadas sobre a discriminação da mulher na BSGI, pode-se perceber a visão da organização entre democrática e patriarcal.
Entre as informantes, cinco já se sentiram discriminadas, sete já presenciaram discriminação da mulher na BSGI e sete responderam negativo nas duas opções. Com relação às respostas sobre quando ocorreu a discriminação, percebemos que muitas vezes ela não é explicita (Tabela 7).
Tabela 7 Discriminação da mulher
Sentiu-se discriminada Presenciou discriminação
Sim Não Sim Não
5 4 7 3
Quando Quando
É difícil responder, pois o que sinto é um pouco de distância, mas isso par mim não significa discriminação e sim regras da organização e/ou empresa.
Algumas mulheres foram passadas para a DF contrariadas [...] Penso que isso deveria ser decidido pela própria pessoa e não por outros.
A Divisão Sênior chamar-se "Sênior" e não apenas "Divisão Masculina". O cargo da DS é responsável pelas quatro divisões.
Quando pertencia à Divisão Feminina de Jovens, o trabalho burocrático ficava sempre conosco.
Diretamente, não, ou talvez isso não me
afete tanto para comentar. No dia a dia, de acordo com a resposta da questão anterior. Em algumas situações, em que homens têm
precedência sobre as mulheres. Veladamente. Em algumas ocasiões, senti que não era
ouvida por ser mulher. Já vi situações em que homens trataram mulheres de maneira “velada” como inferiores ou incapazes.
Sobre o mesmo assunto, o preconceito contra as mulheres separadas e as mães solteiras foi constatado em duas respostas.
Informante A:
— Sim. Por ser mãe solteira.
Informante B:
— Sim. O fato de ser separada sempre foi o motivo alegado para não atribuírem uma responsabilidade na organização local.