• No results found

Tilreisende og næringsdrivende

In document Lofotfisket 1938 (sider 55-94)

Divisão Feminina (1974−−−−1984)

A chegada de novos imigrantes e o empenho na conversão ocasionaram, entre 1960 e 1980, mais de 40 mil conversões, com uma entrada maciça de brasileiras sem ascendência oriental na BSGI (ver Gráfico na p. 47). A mola propulsora para a ampla propagação foi um momento considerado o mais infeliz de sua história: a não permissão da entrada de Ikeda no Brasil em 1974.

Assim que a sede da Soka Gakkai no Japão confirmou a visita de Ikeda ao Brasil no final de 1973, a organização brasileira programou um festival cultural a ser realizado nos dias 16 e 17 de março do ano seguinte, no Palácio das Convenções do Anhembi, e os preparativos começaram no final desse ano. No entanto, o festival foi realizado sem a presença de Ikeda, que, no dia 12, teve de cancelar a viagem por não conseguir o visto de entrada em território brasileiro.

Sobre essa época, Rosemary Gomes, 58 anos, sem ascendência japonesa, que entrou para a BSGI em 1974, relata:

A partir desse acontecimento, todos decidiram mudar a situação. [...] A primeira grande oportunidade logo surgiu. Fomos convidados a realizar o Festival Cultural Esportivo em comemoração dos 15 anos da cidade de Brasília; [...] seria a grande chance de apresentar a Soka Gakkai para todo o Brasil. [...] uma caravana de 137 ônibus, [...] cinco mil figurantes, [...] realizado em 20 de abril de 1975. (TC, 2005, pp. 15-16.)

Podemos enumerar alguns fatos que contribuíram para a negação de visto de entrada no Brasil a Daisaku Ikeda:

1) Prisão de Tsunessaburo Makiguti e Jossei Toda pelo governo militar em 1943 (Japão).

2) Entrada da Soka Gakkai na política em 1956 (Japão). 3) Prisão de Daisaku Ikeda em 1957.

4) Criação da Aliança Política Komei em 1964 (Japão).

5) Enquadramento da Soka Gakkai como uma organização perigosa no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) (1966).

6) Visitas de Ikeda à China e Rússia em 1974.

7) Informações distorcidas trazidas por imigrantes japoneses contrários à Soka Gakkai.9

Nesse ano, Etsuko Saito obteve a cidadania brasileira e adotou o nome de Sílvia. Sobre essa época, ela contou:

Os companheiros suportaram a amarga tristeza com toda a força e se levantaram para vencer a todo custo com fé e união. É agora que devemos cultivar a força de bom cidadão, de pessoa exemplar, capaz de prestar a sua contribuição pelo bem- estar da sociedade. (Saito, E.,1989, p. 7.)

9 Essas informações eram desde conversão forçada, tendo como premissa o movimento de conversão

Na mensagem enviada para a ocasião, Ikeda enfatiza: “Realizem com alegria e coragem o Kossen-rufu da querida terra brasileira, que possui um

ilimitado potencial para um futuro promissor”, e consola: “Eu irei infalivelmente ao Brasil. Estarei com vocês em breve” Simbolicamente, o dia 16, “Dia da relação de mestre e discípulo”,10 foi para os jovens brasileiros, descendentes em sua maioria, presentes no festival, “uma grande cerimônia de herdar realmente o movimento pelo Kossen-rufu do Brasil, levantando-se firmemente para a realização deste

ideal” (Ikeda, 2006b, p. 61).

Roberto Saito, presidente da BSGI na época e esposo de Sílvia, em artigo publicado na revista Terceira Civilização, de outubro de 2000, disse que o

cancelamento da visita foi “o grande momento de transformação da BSGI”, e a Divisão Feminina “lançou uma grande campanha de Daimoku para criar condições

de receber o presidente Ikeda no Brasil. [...] Sílvia empenhou-se ainda mais no desafio do Daimoku. Então, assim como ela própria determinou, após uma longa

espera de dezoito anos, o presidente Ikeda pisou novamente em terras brasileiras, agora como um convidado do governo brasileiro."

Nos anos seguintes, embalada pela canção “Juntos com Sensei”, que em

parte diz:

Chamemos, vamos chamar Sensei perto de nós, Construamos o amanhã Juntos com Sensei,

(Texto na íntegra no Apêndice 3.)

a BSGI buscou penetrar na sociedade brasileira e mudar a visão que se tinha da organização, participando de eventos como os quinze anos da cidade de Brasília e de desfiles cívicos com suas bandas Ongakutai (masculina) e Kotekitai (feminina).

Veremos agora o depoimento de D., 47 anos, sem ascendência japonesa, que se converteu ao Budismo Nitiren em 1973, demonstrando certo saudosismo:

10

No dia 16 de março de 1958, 16 mil jovens se reuniram sob a liderança de Jossei Toda, que faleceu no mês seguinte, em 2 de abril. Por isso, esse é considerado o “dia do juramento do discípulo” e o “dia da relação de mestre e discípulo”, em que Jossei Toda passou o “bastão do Kossen-rufu” aos jovens, em particular a Ikeda.

Minha família se converteu ao budismo no ano de 1973. Nessa época, as reuniões não eram separadas por localidade e muitas pessoas que participavam eram de bairros distantes, e mesmo assim existia uma assiduidade no comparecimento. Havia um companheirismo maior e muita benevolência entre dirigentes e membros, inclusive um grande respeito para com os dirigentes, desde comunidade, distrito e assim por diante. (Enviado por e-mail em 7 de janeiro de 2008.)

Em agosto de 1976 foram criados os primeiros grupos horizontais da Divisão Feminina: o Grupo Young Mrs., em 16 de fevereiro, formado por senhoras com idade entre 18 e 35 anos e com filhos ainda pequenos, visando à criação de jovens com valores humanísticos; e o Grupo Working Mrs., que posteriormente foi chamado de Working Women, formado por profissionais, subdividido em cinco setores: (1) Setor Educacional e Advocacia; (2) Setor do Funcionalismo Público; (3) Setor de Proprietárias; (4) Setor de Escriturarias e Comercial; (5) Setor Hospitalar. Conforme esses setores, podemos ter ideia das profissões exercidas pelas integrantes da Divisão Feminina na época: professoras, advogadas, funcionárias públicas, comerciantes, enfermeiras e, segundo depoimentos, um grande número de empregadas domésticas.

No final da década de 1979 houve a segunda cisão da Nitiren Shoshu e a Soka Gakkai – ocasião em que Daisaku Ikeda foi obrigado a deixar a presidência da Soka Gakkai devido a problemas envolvendo clero e adeptos (ver Seção 2.4, Capítulo I). Em meio a isso, no Brasil surgiu um grupo de pessoas, liderado pelo reverendo prior do templo brasileiro, que se posicionou contra o sumo prelado recém-empossado Nikken Abe, por não aceitar sua indicação. Apesar da situação no Japão, a BSGI defendeu o sumo prelado. Isso ocasionou o rompimento desse prior com a Nitiren Shoshu e a Soka Gakkai, levando alguns membros a abandonar a organização, com o que nasceu o grupo Shoshin-kai. A Divisão Feminina teve de administrar esse conflito, pois algumas mulheres abandonaram a organização e outras tiveram parentes (pais, filhos, marido) que se afastaram, gerando assim conflitos familiares.

In document Lofotfisket 1938 (sider 55-94)