• No results found

Regler- og lovverk og andre aktuelle forskrifter

In document Testing av radioutstyr i praksis (sider 12-17)

A questão das diferenças geracionais e o trabalho docente será um dos objetos do capítulo sobre o Contexto do trabalho docente. Mas é possível iniciar sua reflexão a partir de alguns relatos presentes nos fóruns. Percebe-se nos relatos uma preocupação dos professores com o perfil dos estudantes que procuram a Universidade. Um professor do curso de Direito inicia sua intervenção no fórum sinalizando a questão:

Gosto muito de ser professor universitário. Participo da gestão do Curso de Direito e a sala de aula para mim representa um momento de prazer, no qual esqueço as confusões do dia-a-dia. Mas, ao mesmo tempo me sinto sempre responsável pelos meus estudantes e me preocupa muito o despreparo e descomprometimento de alguns deles. Além disso, também me preocupa o fato de o estudante do curso de direito tratar o conhecimento (muito freqüentemente) como algo destinado para um fim específico: aprovação em um concurso público que lhe garanta bons salários. Isso gera uma situação um pouco desconfortável: de um lado trabalhamos a ciência, do outro, nosso estudante quer o que vai proporcionar a ele uma vantagem específica.

Em outro fórum, encontramos um debate interessante em que as questões da diferença geracional e do perfil dos estudantes ingressantes aparecem com clareza. O debate pode ser reproduzido a partir dos trechos abaixo:

Primeira intervenção

Quantas vezes me deparo com situações do dia-a-dia com meus estudantes, as quais tenho a lembrança de tê-las vividas durante minha graduação, porém o desenrolar das mesmas caminham de forma diferente das minhas lembranças. Será que a forma como meus professores solucionavam os problemas ou conduziam situações eram erradas ou, talvez, certas ou, a minha forma que é errada ou, quem sabe, correta?!?! Consigo analisar que algumas condutas dariam certo hoje, outras, talvez não. Nossos estudantes, hoje, são diferentes de ontem e, portanto, talvez, necessitem de um professor

“diferente” [...] Um professsor relatou, em sua participação no fórum, que nossos estudantes estão "a passeio" pelo campus. Muitos acadêmicos chegam hoje à Universidade, muitas vezes, sem saber por que estão aqui. Não vêem sentido no que estão aprendendo. Diante disso, não podemos nos acomodar.

Segunda intervenção

Essa questão do tipo de estudante que estamos recebendo na instituição é algo que poderia ser bem discutido, pois influencia diretamente na prática docente. Observo que os estudantes sabem muito bem como "cobrar", mas pouco aceitam "serem cobrados". Percebemos que não há respeito e nem admiração dos estudantes pelos seus professores (genericamente). Isso é motivado pela postura dos professores, pelo tipo de estudantes ou pelos dois? Ou são simplesmente os frutos dos "novos tempos" e temos que tentar encontrar uma forma de trabalhar essas questões? Além disso, a impressão que fica é que nos é delegado pelos pais a função de educá-los também. Vivenciei recentemente uma mãe que não sabia mais o que fazer com o filho e falou "agora meu filho é problema de vocês!". Resumindo: o "tipo de estudante" e os "tipos de pais" também influenciam diretamente na nossa prática docente.

Intervenção de um dos moderadores dos fóruns

As questões que levantas são fundamentais, importantes para pensar a prática docente. Partilho um pouco do que tenho pensado a respeito: quando fomos estudantes vivenciamos um tipo de escola, de professor, de didática, de relacionamento... Um modelo consolidado, hegemônico e cristalizado. Ao vivenciarmos isso como estudantes entendemos – esse “entendemos” é no sentido de termos naturalizado um modelo de educação e de escola – que este era o único modelo para ensinar e aprender. Quando somos questionados por outras formas de educar ficamos inseguros. De certa forma, nossa relação é de desconfiança. Isso é normal neste processo. Só aos poucos vamos percebendo que é possível fazer diferente.

Outro aspecto é esse que mencionas: o perfil dos estudantes universitários mudou muito nos últimos anos. Primeiro que aumentou o número de pessoas que acessam a educação superior, segundo: mudou muito a exigência de ingresso; terceiro: a faixa etária dos estudantes é cada vez menor, temos adolescentes ingressando e adolescentes formando-se em todos os cursos. Com certeza estas coisas fazem – e se não fazem deveriam fazer – com que repensemos nossas práticas docentes.

Outro desafio que apontas é nossa relação com a família. Parece que cada vez mais somos educadores da sociedade e não da sala de aula. Vamos usar um exemplo muito próximo de vocês da Odontologia: quantas vezes, nos consultórios, o dentista não precisa ensinar os pais, ou mesmo outros adultos, a escovarem corretamente os dentes? Uma tarefa que, em tese deveria estar presente nos ensinamentos dos pais para com seus filhos. Assim também parece que nós professores precisamos desafiar as famílias para assumirem seu papel nos processos educativos.

Bem, estes comentários não tem a intenção de concluir estes temas, ao contrário, abrir ainda mais a conversa.

Os elementos presentes no debate acima sinalizam a importância da compreensão sobre a tensão geracional que vivemos neste momento. E como essa

questão afeta de certa forma os sentidos do trabalho docente. A questão apresentada no debate aponta, pelo menos, dois desafios: lidar com a velocidade das mudanças, que acontecem hoje de forma intergeracionais (ENGUITA, 1998)9 e lidar com a abertura da Universidade para camadas menos favorecidas, que, por sua vez, possuem um capital de escolaridade diferenciado daquele com que a Universidade estava acostumada a lidar.

Uma novidade para os professores é gerada claramente a partir do momento em que o vestibular deixa de cumprir uma função seletiva nos processos de ingresso na educação superior privada. Com o crescimento dos cursos e vagas, o vestibular deixa de ser o momento de eliminação de estudantes com uma educação básica avaliada como frágil (ao menos na perspectiva conteudista dos concursos de vestibular).

Esse elemento altera de forma substancial o perfil do estudante da Universidade Privada, o que não quer dizer que são estudantes com menos capacidade de aprendizagem. Um levantamento feito na Universidade com os estudantes que possuem bolsa do Prouni10 ou bolsas sociais de 50% a 100% sinaliza que 87% deles tiraram notas iguais ou superiores do que a média das turmas durante o primeiro semestre de 2008.

Porém se o fator de aprendizagem não é um determinante nos novos estudantes da universidade, suas condições materiais, suas experiências prévias (dentro e fora da ambiente escolar) são diferentes e, de certa forma, afetam o professor na organização de suas aulas e suas disciplinas. Ao menos em um primeiro momento, o debate sobre a educação superior privada fica circunscrito a dois pólos extremos: modelo de templo do saber (com acesso restrito) ou fábrica de diplomas (com ampliação do acesso). Esse parece ser um resistente, profundo e falso dilema.

9

A questão das mudanças geracionais e a relação com a educação será tratada no capítulo sobre o Contexto do trabalho docente, a partir dos estudos de Mariano Enguita.

10

In document Testing av radioutstyr i praksis (sider 12-17)