3 Finnmarksloven
3.2 Reglene for kartlegging av eksisterende rettigheter på
A juventude é estranha porque é a velhice do mundo passada indefinidamente a limpo. Uma geração lega a outra um magma de erros e sabedoria, de vícios e virtudes, de esperanças e desilusões. O jovem é o mais velho exemplar da humanidade. Pesa-lhe a herança dos conhecimentos acumulados; pesa-lhe o desafio que não foi conquistado; a inadequação entre o idealismo e o egoísmo prático; pesa-lhe o inconsciente da raça, essa sessão espírita permanente, através da qual cada homem se comunica com os mortos.
Paulo Mendes Campos
Iniciar as considerações finais deste trabalho obriga a uma remissão à minha entrada no Laboratório de Psicopatologia Fundamental. Desde o início de minhas inquietações sobre a clínica da adolescência, percebia que havia vários discursos que rondavam esta clínica. Do lado do imaginário social, deparamo-nos com uma atenção especial ao adolescente, na medida em que este carrega tanto as esperanças dos adultos como a descrença da capacidade deles em manter a continuidade das gerações de modo eficaz. O discurso dos pais, do social, da instituição onde atuo atendendo crianças e adolescentes em situações de vida bastante precárias incidiam sobre a atividade clínica, tornando-a prenhe de muitos ruídos. Inicialmente, cogitei pesquisar o lugar do psicanalista numa instituição médica, o Centro de Referência da Infância e Adolescência – CRIA, instituição onde atuo desde a sua fundação e local disparador de inúmeras questões, muitas das quais continuam a causar inquietações.
Consultei publicações atuais sobre o lugar do psicanalista nas instituições, bem como consultei a produção bibliográfica sobre saúde mental vigente na contemporaneidade. A clínica comparecia, muitas vezes, obturada pelos por um sem número de discursos que circulam na instituição e conduzem a discussão para o binômio da potência/impotência; ou seja, ora parecia que a clínica ficava impedida de ser realizada, ora era necessário adentrar a experiência clínica navegando por mares agitados, mostrando os diversos impasses nela contidos.
Ao mesmo tempo, minha participação no espaço do Laboratório de Psicopatologia Fundamental fez com que ficasse enfatizada a idéia da clínica como indutora de
pensamento, isto é, consubstanciava-se ali um resgate do legado freudiano no que diz respeito à conjugação da atividade de pesquisa com a pratica clínica. Assim, dirigi minha atenção para aquilo que parecia enigmático na clínica com adolescentes, e pude observar que a este tempo do sujeito são endereçados inúmeros discursos, que variam desde a naturalização deste tempo de vida – quando são recorrentes as explicações de cunho fisiológico acerca dos processos pubertários para justificar os destemperos do adolescente – até a associação deste tempo da vida a uma crise inevitável. A prática clínica me conduziu à concepção de que esta crise não é vivida apenas pelo adolescente, mas, também, por aqueles que estão à sua volta, o que, em sendo assim, demanda um intenso trabalho psíquico para todas as partes envolvidas.
Ao longo das páginas deste trabalho, pudemos observar que a adolescência convoca, por assim dizer, o termo crise, crise esta que abarca o adolescente e todo o mundo adulto com o qual ele/ela interage. A sociedade espera algo do adolescente, espera que ele saiba dizer quem é, qual o seu lugar, e também que seja protagonista de sua vida, a partir de uma posição sexuada.
Tomamos como guia a perspectiva de que a crise da adolescência refere-se a um trabalho psíquico, e não a algo que deva ser eliminado; ao contrário, o algo que há lá deve ser favorecido pelo espaço analítico, uma vez que tal espaço constitui uma oportunidade para o adolescente se apropriar de sua herança e produzir um andamento, o seu andamento, a partir dela e com ela.
Sabemos da clássica afirmação de Freud, segundo a qual seria necessário aos seres humanos possuírem a capacidade de amar e trabalhar. No que se refere à clínica da adolescência, estes mores são freqüentemente encontrados pelo viés do negativo: os adolescentes não conseguem amar e não conseguem estabelecer as vias por onde seus desejos circulam. No que concerne à adolescência, a demanda do social é imperativa: é neste período da vida que se torna possível escolher um objeto de amor e se apoderar de um projeto futuro. Não saber o caminho do futuro é intolerável em uma sociedade que demanda rendimento a todo custo.
Lébrun (2004) aponta o quanto os discursos sociais são marcados, hoje em dia, pelo discurso da ciência, tendo sua expressão mais comum na supervalorização da eficácia,
que deve ser alcançada através da gestão de melhores estratégias para alcançar os objetivos. O autor busca especificar as incidências do discurso da ciência em suas inúmeras manifestações. Destaco três delas, por julgar serem merecedoras de especial atenção: a tendência ao universalismo, a premência da comunicação de informações, e certo esvaecimento da fronteira do tempo. Os dois primeiros pontos se complementam e são facilmente observados mesmo em uma busca rápida no Google a respeito de qualquer assunto. No que se refere ao tempo, Lébrun94 (2004) oferece um exemplo interessante:
“Assim, os doentes atualmente não agüentam mais o tempo da cicatrização de uma ferida, ou a dor que acompanha a angina; é preciso suprimir isso sem demora, é preciso curá-los disso imediatamente! A ponto de determinado médico ter que lembrar a seu paciente que talvez lhe fosse possível colocar-lhe rapidamente um novo rim, ou mesmo enxertar-lhe um novo coração, mas nada podia fazer contra o tempo necessário ao desenrolar de uma gripe”. (LEBRUN, 2004 p.113)
Rapidez em conhecer, fluxo acelerado de informação e intolerância com aquilo que escapa. Lebrun aponta que o meio social é atualmente, marcado por uma “desinscrição do impossível” (LÉBRUN, 2004, p.177), e chega a postular um tipo de funcionamento do social que está próximo da perversão, na medida em que pode ser mantido o engodo imaginário de que tudo é possível. “A gente faz o que quer” é o slogan de um dos canais mais assistidos pelas crianças, o Cartoon Network95. Contudo, não foi objetivo desta dissertação verificar as incidências destes discursos na clínica da adolescência. Apercebemo-nos dos efeitos destes discursos na clínica, seja ela conduzida em consultório particular ou em instituição pública, quando nos confrontamos com a intolerância e a impaciência em relação ao não-saber, quando aquilo que comparece como enigma precisa ser logo resolvido, de preferência com a ajuda de Ritalina, Prozac, e etc.
94 LEBRUN, J. P. Um mundo sem limite. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2004.
95 Cartoon Network é um dos canais pagos mais assistidos pelas crianças. É disponibilizado pela NET e
A clínica psicanalítica da adolescência é soberana em evidenciar as dificuldades em amar e encontrar um lugar de pertencimento no social. Freud96 demonstrou o inexorável mal-estar a que estamos submetidos por viver em sociedade, e o permanente conflito surgido entre a proteção oferecida pela vida em grupo e a concomitante renúncia pulsional necessária para se acomodar a ela. E é na busca pelo pertencimento a um espaço no laço social que o adolescente se encontra com os discursos de rendimento e eficácia. Assim verificamos que duas enunciações constantes da clínica da adolescência são a do déficit e a do excesso. Com o respaldo da Psicopatologia Fundamental aproximamo-nos do interesse pelo excessivo, pela desmedida que acomete um sujeito. Tal excesso, quando endereçado, pode ser transformado em experiência, em discurso.
“Tanto o espectador como o médico de cidadãos se inclinam, como na Psicopatologia Fundamental, diante de alguém que porta uma voz única a respeito de seu pathos, de sua tragicomédia, mas também de seu sofrimento, de suas paixões, de sua passividade. É clínica, portanto, porque respeita o princípio da voz única que suscita experiência e terapia”(BERLINCK, 2000, p.22)
Com base nesta consideração, o intento foi abrir escuta para o surgimento do sujeito da exceção, único capaz de dizer sobre aquilo que o faz sofrer. O método clínico, alargando-se para além da pesquisa acadêmica fala de uma posição assumida pelo clínico em relação ao pathos. Posição esta que se situa distante de um orthós irrepreensível e que toma o pathos como possibilidade, transformação. Vemos ainda que, na clínica da adolescência, o pathos, isto é, o sofrimento se localiza numa fronteira cujas bordas não são claras ou definidas, o que convoca o clínico a um trabalho de separação das demandas e de pedidos.
Porém, na clinica da adolescência, a questão da separação não se refere apenas a uma questão de técnica ou de manejo. Em 1919, em “Linhas de progresso na terapia psicanalítica”, Freud comparou o trabalho de análise ao trabalho de um químico que separa e isola os elementos das substâncias que encontra na natureza. Em Freud (1919, p. 173), lemos: “Por que “análise”-que significa dividir ou separar?”. Penso que na
clínica da adolescência a questão da separação está em jogo quando há uma tentativa de fazer uma separação de uma resposta que o sujeito encontrou na infância para satisfazer a demanda do Outro. De uma trama familiar complexa, o sintoma do adolescente fala de um trânsito congestionado entre a alienação e a separação. Lacan referiu-se à separação também abordando os diversos sentidos desta palavra.
“Separere, separar, irei logo ao equívoco do se parere, se parer, em todos os sentidos flutuantes que tem em francês, tanto vestir-se, quanto defender-se, munir-se do necessário para pôr em guarda, e irei mais longe ainda, no que autorizam os latinistas, ao se parere ao engendrar-se de que se trata no caso. Como, desde este nível, o sujeito terá que se procurar?- aí está a origem da palavra que designa em latim o engendrar. Ela é jurídica, como aliás, coisa curiosa, em indo-europeu, todas as palavras que designam pôr no mundo.” (LACAN, 1964, p. 202-203)
Vestir-se com a herança, munir-se dela para, assim, se pôr no mundo – tal parece ser a tarefa do adolescente. Nesta dissertação, foi assumida a postura de que a crise do adolescente se refere a um intenso trabalho psíquico operado pelo adolescente para fazer a passagem da família para âmbito do laço social. Este trabalho psíquico é muitas vezes impedido por uma solução de compromisso formada entre pais e filhos, que mereceu a nossa atenção. Conforme algumas vezes já salientado, Freud alertou para o fato de que a maior tarefa psíquica da adolescência é o desligamento da autoridade dos pais. Tal desligamento pode ser compreendido como uma operação simbólica na qual se faz um novo reordenamento do romance familiar criado na infância.
Entretanto, sabemos que tal desligamento não ocorre por completo. “A família não abandona o indivíduo.”, conforme afirmou Freud (1929, p.108). Contudo, o trabalho de revivescência das marcas que fundaram o sujeito é próprio deste tempo da vida, é próprio da adolescência. Cumpre, então, conhecer a herança e se servir dela, tomando um lugar no laço social.
Assim, com Sofia, vimos que seu sintoma inicial referia-se a uma posição ocupada durante a sua infância, isto é, correspondia a se posicionar de maneira similar à sua irmã morta. Foi necessário realizar um trabalho de escuta de Sofia e de sua mãe para que algo se deslocasse. A partir de então, Sofia pôde avançar rumo ao laço social, e passou a
trazer para as sessões suas questões referentes ao encontro com seus pares. O trabalho ainda permitiu que Flávia procurasse um espaço para elaborar o luto da perda de sua filha, luto este que Sofia encenava em seu corpo. O trabalho se encerrou quando Sofia encontrou apoios simbólicos que a permitiram se aventurar no laço social a partir de seus recursos. Foi ainda necessário estabelecer uma transferência dupla, com Sofia e sua mãe, trabalho este que nem sempre transcorre com facilidade, conforme pôde ser observado com Márcia e Berenice.
Rassial ponderou que na transferência relativa à clínica da adolescência, o lugar analítico “... é primeiramente o lugar onde é possível se calar, de tal modo que o silêncio não seja reduzido a signo de uma impotência em falar (...) é preciso deixar o adolescente dizer seu sintoma, além ou aquém de um dito sobre o mesmo, sobre um sintoma que não ocupa para o sujeito a posição principal que pode ter para o meio que o cerca.” (RASSIAL,1999, p.162).
Com Sofia, foi necessário criar um lugar onde seu silêncio não configurasse um déficit. A aposta de que seu silêncio dizia permitiu que ela elaborasse uma questão e até construísse um outro sintoma: os sumiços na escola. Ainda assim, Sofia pôde prosseguir um percurso de tradução das marcas que a fundaram; se dela era dito que era calada, muda, ela pôde fazer uso destes dizeres que a antecediam e fundar um lugar no campo social.
Já com Márcia, a partir de um encontro inusitado que cunhou o segredo, foi possível criar alguns contornos para o excesso que apresentava. Márcia carregava em seu corpo pesado as marcas de uma história que ela se empenhou em revisitar. Em muitos momentos de seu percurso clínico, foi necessário oferecer atendimentos “extras”, dado o estado de angústia em que se encontrava. O espaço oferecido a ela consistia menos em oferecer interpretações ou efetivar pontuações; tratava-se mais de oferecer uma tela branca para que ela pudesse escrever, rasurar, rabiscar as linhas de sua origem, as frases que a antecediam e que provocavam ecos em suas diversas demandas. Consistia ainda em não tomar seus roubos ou furtos em matéria a ser eliminada, ao contrário, parecia- me necessário que ela pudesse produzir um discurso acerca de seus atos para que eles ganhassem outras significações.
Jeamett e Corcos (2005) enfatizaram a confusão de gerações presente na clínica da adolescência, e afirmaram ser frequente o adolescente se sentir atravessado por forças que ele mesmo desconhece, dada a confusão entre as gerações disparada pelo momento do adolescente e pela crise que os próprios pais enfrentam. Assim, Márcia falava de um conflito que atravessava várias gerações de mulheres de sua família. Tal conflito era marcado por tragicidade quando a suspeita de laços incestuosos tocava o chão da realidade. Trágico também foi o fato de o empenho de Márcia em buscar novos dizeres sobre seus sintomas ter sido concomitante ao adoecimento de sua avó.
Conforme pudemos observar, em “Duas notas sobre a criança” 97, Lacan apresentou o sintoma da criança como representante da verdade do par familiar. Questionamos se o mesmo se aplicaria com os adolescentes. Sofia inicialmente apresentou um sintoma que falava da impossibilidade do luto materno. Nesse sentido, seu sintoma pode ser compreendido como um sintoma infantil. Em seu processo, foi possível observar que houve uma mudança no estatuto de seu sintoma quando, na escola, passou a produzir outro sintoma.
Para Rassial (1999), na adolescência haveria uma mutação na ordem do sintoma: do que era sintoma no laço parental surge a necessidade de se apropriar de um sintoma sexual. Assim, com Sofia podemos pensar que houve uma mudança quando, a partir de uma nova interpelação da sexualidade em seu corpo e a partir do olhar dirigido a ela, houve uma transformação em seu sintoma.
Inúmeras questões ainda permanecem da prática clínica com adolescentes. A produção freudiana acerca deste tema é farta e abriu terreno para as construções posteriores sobre a adolescência. Vimos que Freud destacou a revivescência do Complexo de Édipo como algo próprio da puberdade. Apontamos as distinções efetuadas pelo autor acerca do Complexo de Édipo na menina e no menino. Freud destacou ainda a necessidade do púbere de se desligar da autoridade dos pais e avançar na direção da sociedade mais ampla, escolhendo um objeto de amor. Apesar de não ter se detido no atendimento dos pais na clínica da adolescência, Freud já aventava a possibilidade dos pais constituírem
um veículo de resistência á analise sendo necessária uma “dose de influência analítica junto aos pais”98.
Autores como Rassial, Lesourd, Jammet e Corcos, e Alberti conferem especial ênfase ao processo de revivescência das marcas que constituíram o sujeito. Cada autor enfatiza um aspecto da revisão à qual o adolescente está submetido. Rassial conferiu especial atenção ao après- coup do estádio do espelho e à reordenação dos lugares na cadeia geracional. Já Lesourd (2004) abordou a problemática da adolescência associada à castração e ao encontro com o feminino, aquilo que não tem representação.Para este autor, a adolescência é um tempo de transição de discursos, na medida em que há um direcionamento para os discursos do laço social. Jammet e Corcos (2005) centraram a problemática da adolescência no binômio dependência e independência. Alberti (2004) tomou as concepções de Lacan sobre alienação e separação – acepções que Lacan utilizou para se referir à constituição do sujeito – e aproximou o trabalho psíquico do adolescente do trânsito entre alienação e separação. Cada qual a seu modo, e utilizando de recortes particulares da teoria defendem que a adolescência é um tempo posterior de revisão das marcas que fundaram o sujeito.
A prática clínica com adolescentes e crianças coloca o analista na premência de estabelecer uma transferência dupla, a saber, com o próprio paciente e com seus pais. Em relação aos casos aqui apresentados, pudemos observar com Sofia que havia justamente uma solução de compromisso entre ela e sua mãe, o que impedia que ela realizasse a sua “crise”. Com Márcia, pudemos observar o quanto era ameaçador para Berenice que ocorresse um desarranjo dos lugares pré-estabelecidos entre ela e sua neta: um verdadeiro jogo de corpo. Cabe sublinhar que, se o interesse desta pesquisa centrou- se em problematizar o sintoma do adolescente e sua ligação com a trama familiar, o objetivo fundamental destes atendimentos foi o de oferecer uma escuta ao sujeito, visando a criar um espaço onde as soluções encontradas por Márcia e Sofia pudessem ser trabalhadas.
98 Cf. FREUD (1932, p. 146). E, à página 146: “ ... As resistências internas contra as quais lidamos, no
caso dos adultos, são na sua maioria parte substituídas, nas crianças, pelas dificuldades externas. Se os pais são aqueles que propriamente se constituem em veículo de resistência, o objetivo da análise – e a análise como tal – muitas vezes corre perigo. Aí se deduz que muitas vezes é necessária determinada dose de influência analítica junto aos pais.”
Vimos com Porge (1988) que, na clínica da infância, o analista reenvia a transferência da criança para os pais, que, em algum momento, tornaram-se inaptos a sustentá-la. E na adolescência? Como pensar na direção de tratamento nesta clínica?
Lacan (1958) usou a expressão ‘direção de tratamento’ com a finalidade de diferenciar a psicanálise de uma clínica intuitiva e desgovernada. Para Lacan, dirigir o tratamento não se refere a dirigir o paciente. Refere-se às táticas e estratégias necessárias para implementar as condições para que o sujeito do inconsciente se instale sob a transferência. A posição do analista, na política do tratamento é a de se situar em sua falta-a ser99. Esta posição impõe a abdicação dos valores morais e sociais, já que é pelo que o “sujeito imputa ao analista ao ser (ser que está alhures) que é possível uma interpretação voltar ao lugar de onde pode ter peso na distribuição de respostas” (LACAN,1958, p.597). E mais: esta posição também se refere ao fato de o analista se constituir de maneira distinta em cada análise que conduz.
Se pensarmos que a adolescência é um tempo de passagem da família para o laço social, seria pertinente reenviar a transferência para o laço social? O tratamento com Sofia se encerrou quando ela encontrou recursos simbólicos para se aventurar no laço social. Márcia, em seus telefonemas, reporta que faz uso do significante segredo em seus laços sociais.
Coutinho100 (2006) ao se referir sobre a direção do tratamento na clínica da adolescência traz uma questão interessante. Para a autora cabe ao analista refletir e considerar que o adolescente deve passar por experiências no laço social e a analise não deve substituir tal empreendimento. Nas palavras da autora:
“Parece-nos que o analista deve ficar atento para que não passe a ocupar um