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A continuidade de um planejamento depende da conduta adotada pelos gestores e da aceitabilidade perante aos demais. Além disso, é necessário ter claro que um planejamento deve conter, conforme Amato (1971), os princípios da inerência, universalidade, unidade e previsão. Vêem-se como cada um deles está inserido no ato de planejar e quais são seus impactos para uma economia e/ou governo.

Analisa-se o princípio da inerência, o qual afirma que todos os sistemas de governo precisam realizar um planejamento. O papel do administrador não é somente seguir normas

e leis, pelo contrário, ele deve ter discrição e tato para dar vida às normas, complementando e concretizando as diretrizes em face das situações reais. Portanto, cada ação administrativa requer um planejamento prévio (pensamento racional que conduza suas ações futuras), ou seja, é inviável ter uma administração sem planejamento dos organismos e processos, muito menos limita-lo a altos escalões da hierarquia. Alguns casos podem elucidar esse princípio. Um governo baseado no laissez-faire, por exemplo, pode ter o desenvolvimento de monopólios e outras contradições, caso se apegue somente a essência vital do mercado livre. Contudo, não se pode deixar de mencionar a existência de planejamento democrático que com a ausência suficiente de amplitude e clarividência na criação dos objetivos governamentais, obtém resultados que superam as expectativas dos governantes (AMATO, 1971).

Outro princípio existente é o que se chama da universalidade. Ele defende que “o planejamento deve abranger todas as etapas da administração e prever, até onde seja possível, todas as suas conseqüências” (AMATO, 1971, p. 103). Acredita-se portanto que quaisquer que sejam os órgãos, setores ou até mesmo decisões a serem tomadas a realização de um planejamento prévio é fundamental. Para este princípio ele pode se enquadrar em qualquer parte da administração, afinal uma decisão planejada pode provocar conseqüências em diversas áreas de forma mais positiva que uma simples decisão isolada. Alem disso, não se deve cometer o ato falho de confundir a presença do planejamento governamental estendido como uma forma de controle governamental excessivo sobre as atividades privadas (AMATO, 1971).

O princípio da universalidade leva-nos à conclusão de que o governo deve incluir todas as suas atividades em um plano geral. Sem uma visão de conjunto, sem um programa global, é impossível calibrar devidamente as gestões particulares no que diz respeito à justificação, prioridade, tempo e outras questões. As normas mais específicas têm que derivar sua validade e efetividade das mais gerais. (AMATO, 1971, p. 105)

No tocante ao princípio da unidade, destaca-se a importância da integração das partes de um planejamento num conjunto. Tal fato é importante porque a sua ausência reflete na má execução e consequentemente extinção (AMATO, 1971). Além de um princípio essencial, sua integração refletirá no grau de abrangência e o nível de agregação. Ou seja, um plano global com elevado nível de integração permitirá um grau de abrangência elevado,

contudo o nível de agregação tenderá a ser baixo. Tal plano deve ser utilizado principalmente em economias em desenvolvimento quando se pretende mudar o rumo econômico do país. Alguns exemplos de falta de unidade são citados abaixo:

Em países que se encontram nas etapas iniciais de programas de industrialização, é fácil de ver-se a desarticulação, a que nos referimos, nas contradições entre o sistema tributário, de um lado, e as ajudas governamentais à iniciativa privada, de outro. Além dos dilemas sempre presentes na imposição de contribuições, causados pelos conflitos entre o propósito de maior equidade na distribuição do patrimônio coletivo e o de estimular a produtividade, vemos amiúde contradições desnecessárias. A incidência de impostos, desencorajando as economias e investimentos, não se adapta aos planos de fomento econômico. Similarmente, no que concerne a facilidades para formação de capitais, as oportunidades de crédito revelam-se completamente inoperantes. As medidas para controlar certos aspectos dos processos econômicos – tais como o câmbio, o comércio exterior, os preços e os salários – freqüentemente são tomadas à revelia de suas relações com os esforços pra desenvolver a industrialização. (AMATO, 1971, p. 106)

Por fim, o princípio da previsão. Formular racional e conscientemente um conjunto de decisões para orientar decisões futuras fazem parte do objetivo principal do planejamento. Esta definição faz com que as ações improvisadas sejam reduzidas ao máximo, dando lugar as ações pré-estabelecidas. A validade deste princípio será dada ao fixar prazos bem determinados que possibilitem realizar uma perspectiva de futuro com constante revisão. Será essa revisão e análise que permitirá a constatação de sucesso para alcançar seus objetivos (AMATO, 1971). A previsibilidade é constantemente utilizada como um dos elementos para revisão do plano, pois possibilita traçar cenários futuros para confrontar com os objetivos traçados. Por isso, é fundamental para um bom planejamento ter uma ampla flexibilidade, pois as mudanças podem ocorrer em diversas esferas (econômicas, sociais, tecnológicas, etc.).

Além dos princípios é interessante ressaltar brevemente algumas das condições que viabilizam a execução do plano, são elas: políticas, técnicas e econômicas. Quando o se condiciona politicamente, quer-se dizer que ele deve corresponder de forma social e cultural para o meio em que se insere, bem como ter o apoio da maioria dos seus líderes. A condição técnica trata de estabelecer um nível de exeqüibilidade no plano material, ou seja ter às condições geográficas, topográficas, demográficas de progresso técnico utilizável e pessoal habilitado. A parte econômica serve como um limitador de possibilidades, ou seja, todos os planejadores gostariam de dispor dos melhores recursos técnicos possíveis para a solução

dos problemas, entretanto há de se verificar a viabilidade econômica de tal operação (SOMBRA, 1963).