STATISTIKK OG DATAANALYSE
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O principal objetivo da presente investigação é analisar o impacto da certificação da qualidade poderá ter no desempenho das empresas Portuguesas. Para isso, foram realizados dois modelos de regressão onde as variáveis de desempenho (ou também variáveis dependentes) são a rentabilidade dos ativos e o logaritmo do volume de negócios e as variáveis de controlo e ainda a
variável de interesse, nomeadamente a variável ISO, sendo esta uma variável dummy. Para além
destas considerou-se pertinente medir o impacto da idade e também da dimensão das empresas certificadas no desempenho comparativamente às empresas não certificadas.
Na tabela 5 são apresentados os resultados dos dois modelos de regressão, assim como o número de observações e ainda o R quadrado. Relativamente ao primeiro modelo (1) foi considerado como variável de desempenho a rentabilidade dos ativos sendo que este é confrontado com as variáveis de controlo, nomeadamente a idade, dimensão, localização e setor de atividade, assim como com a variável de interesse ISO . No segundo modelo (2) foi considerada como variável de desempenho o volume de negócios sendo confrontado com as mesmas variáveis que no modelo 1. Assim, em ambos os modelos mantem se as mesmas variáveis de controlo assim como a variável de interesse ISO, o que varia de modelo para modelo são as variáveis dependentes ou também chamadas as variáveis de desempenho.
Tabela 6: Modelos de regressão
(1)
RENTABILIDADE DOS ATIVOS(ROA)
(2) VOLUME DE NEGÓCIOS(VN) ISO 2,808*** (3,051) 0,830*** (10,280) IDAD.EMP -0,023*** (-3,038) 0,003*** (7,360) LOG(DIM.EMP) 1,299*** (14,451) 1,172*** (192,199) ISOX IDAD.EMP -0,021 (-1,413) -0,005*** (-3,851) ISOXLOG(DIM.EMP) -0,473** (-1,967) -0,053** (-2,537) SETOR.EMP INFORMÁTICO -0,098 (-0,062) 0,176** (2,133) PRODUÇÃO DE MADEIRA E CORTIÇA, EXCETO MÓVEIS 1,107*** (2,915) 0,185*** (7,995) TEXTIL -3,095*** (-8,067) -0,684*** (-34,850) ALIMENTAR -3,311*** (-9,192) -0,231*** (-12,561) LOC.EMP CENTRO 1,018*** (4,371) 0,177*** (12,621) ALGARVE 0,542 (0,579) 0,073* (1,799) ALENTEJO 0,202 (0,386) 0,275*** (8,953) R.A.AÇORES 0,853 (0,793) 0,032 (0,446) R.A.MADEIRA -0,836 (-0,699) 0,049 (0,858) LISBOA 0,295 (0,827) 0,202*** (10,486) R QUADRADO 0,014 0,714 Nº OBSERVAÇÕES 30982 31371
Fonte: Elaboração própria com recurso ao Eviews.
Legenda: Os valores entre parêntesis representam as estatísticas t. *,**,*** representam os coeficientes que são estatisticamente significativos ao nível
A partir da análise ao número de observações é possível verificar que em ambos os modelos de regressão apresentados o número de observações é de menor dimensão face à amostra inicial que era de 35985 empresas. Esta diferença, deve-se à falta de informação na plataforma Amadeus, relativamente a algumas variáveis.
Na análise dos resultados obtidos, salienta-se os valores de R quadrado que se apresenta mais elevado no modelo (2) quando comparado com o modelo (1), 71% e 1% respetivamente. Esta diferença, deve-se ao facto do modelo se ajustar muito mais à explicação do volume de negócios das empresas do que para explicar a sua capacidade de gerar rentabilidade. Assim, variação do volume de negócios é explicada numa maior proporção pelo conjunto das variáveis independentes no modelo estimado.
Relativamente à nossa variável de interesse ISO, no modelo (1) os resultados obtidos sugerem uma relação positiva e significativa no desempenho das empresas. Ou seja, a certificação da qualidade tem um impacto positivo no desempenho das empresas. No modelo (2) igualmente a variável ISO apresenta um efeito positivo e significativo no desempenho das empresas. A partir da analise à tabela 5, facilmente se conclui que as empresas que implementam a certificação de qualidade tendem a ter melhores resultados quando comparadas com as que não implementam certificação de qualidade. Esta conclusão, à semelhança do que foi concluído no teste t vai ao encontro do resultado esperado, demonstrando a importância que a certificação de qualidade poderá ter no desempenho das empresas. Desta forma o resultado está de acordo com os estudos
de Heras et al. (2002), Furtado(2003), Corbett et al.(2003), Mokhtar e Aslam (2012), Psomas e
Kafetzopoulos (2014), Candido et al. (2016) entre outros.
A idade da empresa, variável IDAD.EMP, no modelo (1) apresenta um efeito estatisticamente significativo e negativo no desempenho. Ou seja, à medida que as empresas se tornam mais antigas o seu desempenho em termos de rentabilidade dos ativos, diminui, em média. Este resultado está de acordo com as conclusões de Serrasqueiro et al. (2010) e Coad et al. (2013) que concordam existir uma relação negativa entre as variáveis. Uma possível explicação para este resultado, poderá derivar das empresas mais antigas tenderem a apresentar uma estrutura organizacional mais pesada, originando uma estrutura de custos mais rígida e com influencia negativa na rentabilidade dos ativos da empresa. É possível ainda observar que a variável ISOxIDAD.EMP tem um efeito estatisticamente negativo e não significativo no desempenho, ou seja, não existe impacto significativo da idade das empresas certificadas no desempenho,
significativo contraria aquilo que seria esperado, pois segundo Ullah et al. (2014), a idade das empresas certificadas influencia de forma significativa o seu desempenho. No modelo (2) a variável IDAD.EMP apresenta um efeito significativamente positivo no desempenho, o que contraria a conclusão do modelo (1). Este resultado está de acordo com as conclusões de Glancey (1998) e Barbosa e Louri (2015) que concordam que as empresas mais antigas beneficiam de conhecimentos e aprendizagens que lhes permitem obter um melhor desempenho. Observando a
variável ISOxIDAD.EMP percebemos que a idade das empresas certificadas tem um efeito
estatisticamente significativo e negativo no desempenho, comparativamente às empresas não certificadas. Desta forma, os resultados do modelo não estão de acordo com o estudo de Ullah et al. (2014) que utilizando a variável ISOxIDAD.EMP, conclui existir um efeito estatisticamente positivo e significativo da idade das empresas certificadas no seu desempenho.
A dimensão da empresa, variável LOG(DIM.EMP), tanto no modelo (1) como no modelo (2) apresenta um efeito positivo e estatisticamente significativo no desempenho da empresa, sugerindo que as maiores empresas apresentam melhor desempenho face às pequenas, tanto em termos de volume de negócios como na rentabilidade dos ativos. Este resultado é análogo ao de Serrasqueiro e Nunes (2008), Eickelpash e Vogel (2011) e Hunjra et al. (2014) . Deste modo, o resultado obtido sugere que a vantagem das grandes empresas, comparativamente às pequenas empresas, pode derivar da facilidade destas em entrar em mercados internacionais, maior capacidade para investir e incorporar tecnologia. Por outro lado, quando observamos a variável ISOXLOG(DIM.EMP) é possível concluir que tanto no modelo (1) como no modelo (2) a dimensão das empresas certificadas tem um efeito negativo e estatisticamente significativo no desempenho das mesmas, comparativamente às empresas não certificadas. Assim as empresas de maior dimensão que adotam certificação de qualidade apresentam piores resultados em termos de desempenho. Esta conclusão é semelhante à obtida por Ullah et al. (2014), que utilizando esta mesma variável concluíram que o efeito da dimensão das empresas certificadas no desempenho é negativo. Uma possível justificação poderá ser o facto das empresas certificadas de menor dimensão adquirirem mais melhorias no seu desempenho a partir da redução de custos de produção, conclusão análoga à de Ragothaman e Korte (1999).
Relativamente ao setor de atividade, variável SETOR.EMP no modelo (1) e no modelo (2) o setor da madeira tem um efeito estatisticamente significativo e positivo no desempenho e o setor têxtil, bem como, o alimentar tem um efeito estatisticamente significativo mas negativo no desempenho quando comparados com os outros setores de atividade. No modelo (1) o setor
informático apresenta um efeito negativo, embora estatisticamente não significativo, no desempenho. Por outro lado, no modelo (2) o setor informático apresenta um efeito positivo e estatisticamente significativo no desempenho, em termos de volume de negócios. Estas diferenças de desempenho nos diferentes setores demonstram que efetivamente a estrutura de mercado onde a empresa está inserida afeta o seu desempenho. Outra justificação poderá advir do facto da procura em Portugal ser maior nestes setores, e por isso as empresas tendem a aumentar os seus preços e por isso os seus lucros. Estas conclusões vão de encontro com as conclusões do estudo de Barbosa e Louri (2005), Datta et al. (2005) e Ochieng et al. (2015).
A localização, variável LOC.EMP, no modelo (1) a região do Centro tem um efeito positivo e estatisticamente significativo no desempenho, quando comparado com a região Norte. Sendo que as restantes regiões, Algarve, Alentejo, Região Autónoma dos Açores e da Madeira e Lisboa, apresentam um efeito estatisticamente não significativo e por isso o Norte apresenta maior desempenho face a estas. No modelo (2) a região do Centro, Lisboa e Alentejo apresentam um efeito positivo e estatisticamente significativo no desempenho, quando comparadas com a região Norte. As restantes regiões, Algarve, Região Autónoma dos Açores da e Madeira apresentam um efeito estatisticamente não significativo no desempenho. E por isso, as empresas localizadas na região Norte tem maior desempenho face a estas regiões. Tal como refere Giner et al. (2017), uma possível justificação para estes resultado poderá ser pelo facto de algumas regiões como por exemplo o Centro ou o Norte, terem maior aglomeração e tecnologia quando comparadas com as restantes. Outra justificação, poderá ser por existir maior capital humano nessas regiões, conclusão análoga a de Acs e Armington (2004) e Audretsch e Dohse (2007).