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MIDLER OG RESSURSER

O principal objetivo da presente investigação é averiguar o efeito que a certificação de qualidade poderá ter ao nível do desempenho das empresas portuguesas. O segundo objetivo é analisar o efeito que outras variáveis, como a idade, dimensão, setor de atividade e localização, exercem no desempenho das empresas portuguesas. Desta forma, foi colocada como questão principal de investigação: “Qual o impacto que a certificação de qualidade tem no desempenho das empresas portuguesas, segundo as normas internacionais da qualidade ISO 9000?” e como questão secundária: “ Quais as variáveis que tem mais impacto no desempenho das empresas portuguesas?”.

Apesar de existir um número elevado de estudos que analisam o impacto que a certificação de qualidade poderá ter ao nível do desempenho das empresas, é notória a escassez de estudos a nível português que incluam uma amostra significativa de empresas. Assim sendo, a presente investigação é uma das primeiras a incluir um número significativo de empresas portuguesas na amostra. Para obtenção dos dados recorreu-se a Amadeus assim como a base de dados fornecida pela IPAC que indicava as empresas certificadas pela norma ISO 9001:2015, sendo esta a mais recente e atual norma que as empresas implementam.

Relativamente à certificação de qualidade, as empresas portuguesas adotam cada vez mais a certificação devido sobretudo à concorrência cada vez mais notória nos dias de hoje. Através das estatísticas descritivas às variáveis é possível observar que, o número de empresas certificadas é ainda pouco elevado, representando apenas 8% da amostra, quando comparado com as empresas não certificadas que representam 92% da amostra, o que poderá ser justificado pelo facto da amostra conter, maioritariamente, micro e pequenas empresas, que encaram a certificação ainda como um desafio. Através do teste t, realizado posteriormente às estatísticas descritivas das variáveis, verificou-se que as empresas certificadas, apresentam maior volume de negócios, bem como maior rentabilidade dos ativos, quando comparadas com as empresas que não implementam certificação de qualidade.

De forma a responder à primeira questão de investigação, a partir dos resultados obtidos nos dois modelos de regressão, bem como no teste t, verifica-se um impacto positivo e significativo entre a certificação da qualidade e o desempenho das empresas. Este efeito positivo resultará numa melhoria significativa no volume de negócios bem como uma melhoria na rentabilidade, nomeadamente na rentabilidade dos ativos, refletindo-se no desempenho das empresas que implementam a certificação de qualidade. Esta conclusão está de acordo com a literatura relevante para este estudo podendo afirmar que a certificação da qualidade tende a originar um melhor desempenho nas empresas portuguesas.

Relativamente à segunda questão de investigação, os resultados dos modelos sugerem que outras variáveis explicativas como a idade, dimensão, setor de atividade e localização apresentam diferentes impactos no desempenho das empresas portuguesas dependendo da variável utilizada para medir esse mesmo desempenho. No modelo (1) salienta-se o efeito estatisticamente significativo quer positivamente quer negativamente das variáveis explicativas no desempenho. Entre as variáveis explicativas é de destacar o efeito estatisticamente significativo e positivo no desempenho da dimensão da empresa, sugerindo que as empresas maiores tem um melhor desempenho face às pequenas empresas. Também é possível destacar o efeito significativo e positivo do setor de produção de madeira e cortiça, exceto móveis e da região do Centro no desempenho das empresas, sugerindo que a localização em que a empresa se encontra, bem como, a estrutura de mercado que está inserida tem repercussões nos resultados obtidos e por isso no seu desempenho . É possível ainda destacar variáveis que tem um efeito estatisticamente significativo e negativo no desempenho das empresas. Sendo elas a idade, sugerindo que as empresas mais novas tem maior desempenho do que as empresas mais antigas, também a dimensão das empresas certificadas, ou seja, as grandes empresas certificadas apresentam um pior desempenho comparativamente às empresas não certificadas, e ainda o setor alimentar e o setor têxtil. No modelo (2) salienta-se igualmente efeitos significativos quer negativamente quer positivamente das variáveis explicativas do desempenho. Entre as variáveis tanto a idade das empresas, bem como, a dimensão, o setor informático, setor de produção de madeira e cortiça, exceto móveis e as regiões do Centro, Algarve, Alentejo e Lisboa tem um efeito estatisticamente significativo e positivo no desempenho das empresas portuguesas. Sugerindo que as empresas mais antigas e de maior dimensão apresentam um melhor desempenho face às empresas mais recentes e de menor dimensão, em termos de volume de negócios. A idade e dimensão das empresas certificadas, bem como, o setor têxtil e o setor alimentar apresentam um efeito estatisticamente

mais velhas e de grande dimensão certificadas, apresentam um pior desempenho, comparativamente às empresas não certificadas. Igualmente, os diferentes setores e localizações das empresas influenciam significativamente o desempenho das mesmas.

Posto isto, podemos afirmar que variáveis como a idade, dimensão, setor de atividade e localização apresentam diferentes impactos no desempenho em termos de volume de negócios e rentabilidade dos ativos. Estas diferenças devem-se ao facto de nos modelos apresentados existirem duas diferentes variáveis utilizadas para medir esse desempenho. O volume de negócios e o rentabilidade do ativo são variáveis muito diferentes. A rentabilidade dos ativos é uma variável financeira que depende muito de politicas fiscais, por outro lado o volume de negócios é uma variável económica. Por isso, sendo variáveis diferentes, dependem igualmente de diferentes variáveis que as influenciam.

Em conclusão, a presente investigação identifica a importância da certificação de qualidade nas empresas, pois permite um melhor desempenho para aquelas que implementam a certificação. Cada empresa deve procurar certificar-se, pois apesar de no inicio poder ser um desafio, futuramente encontram-se vantagens significativas que o presente estudo vem comprovar. Apesar da certificação ser uma realidade nos dias de hoje e ter crescido em Portugal, as micro e pequenas empresas portuguesas ainda vem a certificação como um desafio. Estas devem encontrar mecanismos para obter a certificação, uma vez que são essas mesmas empresas que em Portugal são o motor da economia. A importância dada à qualidade deve partir das empresas mas irá ter repercussões no país, pois as empresas apresentando melhores resultados também o país beneficia.