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Regionalplan for Setesdal Vesthei, Ryfylkeheiene og Setesdal Austhei - bruk, vern og

5   Regional plan for Hardangervidda

5.5   Regionalplan for Setesdal Vesthei, Ryfylkeheiene og Setesdal Austhei - bruk, vern og

Entre os fatores distintivos entre LEsp e língua comum, citam-se geralmente os itens lexicais especializados, ou termos, que são vistos como expressão da ontologia da área, assim como o uso especializado e a alta freqüência de determinadas estruturas colocacionais e convencionalizadas. Nota-se, no entanto, que a chamada ‘linguagem da economia’ não se constitui apenas de termos especializados, mas também de determinadas estruturas complexas, do uso especial de formas nominais e nominalizadas e baseadas na mudança categorial em geral e de estratégias marcantes em relação à apresentação da informação e de fatos da área. O presente trabalho trata esses fatores com seriedade, mas não se centra em um estudo descritivo e quantitativo para caracterizar a terminologia da linguagem de especialidade da economia. Objetiva, antes, levantar a variedade das ocorrências e extrair delas regularidades gerais e específicas, estabelecer critérios básicos para uma teoria de formação e distribuição de UTs em diversos tipos de categorias e buscar as bases semânticas e ontológicas para analisar a codificação morfossintática observada. Uma das conseqüências dessa proposta é também uma melhor caracterização da LEsp da economia.

Constata-se o quadro heterogênico da LEsp da economia nos textos e, a partir daí, tenta- se caracterizar os processos responsáveis pela a formação e variação das UTs na linguagem de especialidade investigada, sem se restringir às unidades lingüísticas ‘palavra’, para, desta maneira, tirar conclusões em relação à ocorrência desses fenômenos, ou outros relacionados, na língua comum. Além disso, procura-se esclarecer diversos processos lingüísticos envolvidos e tratar de tópicos relevantes para a formação de unidades lexicais simples e complexas. Igualmente, reflete-se sobre a relação entre as funções específicas da classe de N e V, assim como de ADJ e de alguns tipos de ADVs, sobre léxico e gramática, sobre derivação

e flexão e, além disso, sobre as configurações semânticas e funcionais na formação de estruturas complexas em torno das funções gramaticais de núcleo e modificador. Reflexões sobre as bases semânticas e ontológicas, sobre conceitualização e categorização e, em menor grau, sobre fatores comunicativos completam as explicações da distribuição e do mapeamento categorial observado.

Para a discussão da relação entre ‘conceito’ e ‘codificação’ em unidades terminológicas, complexas ou não, há tradicionalmente dois caminhos metodológicos a serem seguidos: a abordagem onomasiológica e a abordagem semasiológica. Os estudos terminológicos – e os estudos ontológicos – geralmente privilegiam a metodologia onomasiológica, isto é, partem do conceito e verificam sua ocorrência e articulação na língua, ou seja, enxergam a unidade terminológica como realização lingüística do conceito. Já os estudos lexicais tradicionalmente postulam uma certa autonomia das unidades lingüísticas em relação aos conceitos e têm maior interesse em investigar sua expressão formal na língua, privilegiando a abordagem semasiológica. De fato, fazer a distinção entre as duas abordagens implica a separação do conceito de base da sua expressão lingüística e é contraprodutivo, pois os dois fatores se entrelaçam e são inseparáveis na investigação lingüística, tanto na da língua comum quanto nos estudos terminológicos.

De acordo com Depecker (1999), importam os conceitos e a ontologia eventualmente para uma perspectiva interlingüística, uma vez que diferentes línguas e culturas categorizam as realidades mentais e do mundo de forma diferente. Por outro lado, também a perspectiva intralingüística, como a da língua portuguesa e da variação interna, deve tanto considerar os conceitos de base quanto a expressão formal, além da interação funcional no uso. Observa-se, na língua comum e nos dados da LEsp da economia, que a língua dá forma ao conceito e, ao mesmo tempo, que o conceito dá forma à língua (Depecker, 1999). Esse fato exige, portanto, uma metodologia de pesquisa que considere o fato de que o objetivo é uma análise lingüística, e não conceitual, ao mesmo tempo que a base semântica, funcional e categorial, assim como o conteúdo comunicado da AE, argumentam a favor da inclusão da metodologia onomasiológica. De fato, a abordagem funcionalista justifica tanto o interesse pelas palavras- ocorrências, a forma, quanto o interesse pelos lexemas, o conteúdo semântico, mas principalmente a investigação das regularidades dos fenômenos lingüísticos no uso em contextos especializados.

A base de dados de LEsp da economia é constituída por textos jornalísticos (em versâo eletrônica e em papel) dos jornais diários da área econômica Gazeta Mercantil (GM) e Valor Econômico (VE), basicamente dos anos 2000, 2001 e 2002, com alguns exemplares posteriores para confirmação de dados. Foram selecionados dados das diversas subáreas e seções dos dois jornais, com a temática geral ‘economia’ e, em seguida, marcados, com seus contextos sintagmáticos, oracionais e, muitas vezes, unidades ainda maiores. Os textos completos foram organizados em arquivos individuais de acordo com a data de coleta, no total de 62 megabytes. A busca foi semi-automática por lexemas, com os recursos de busca no Microsoft Word. Ainda durante a coleta, os textos foram agrupados em dois tipos, um grupo com seções mais subjetivas e de maior posicionamento do redator-especialista (editorial, opinião, guias para consumo, investimento e suplementos de fim de semana), e o segundo com as reportagens propriamente ditas, identificadas como mais objetivas. Entre o primeiro tipo constam textos de colunas (COL), de cadernos suplementares com dicas e textos em linguagem mais coloquial (EI = Eu Investimento, com dicas de como investir; EC = Eu Consumo, sobre produtos e consumo).

O maior grupo é o de dados mais objetivos. Este abrange, em distribuição variada nos dois jornais, as seguintes seções (em ordem alfabética): administração, agronegócios, bolsa de valores, comércio, commodities, consumo, empresas, energia, finanças e investimentos, governança corporativa, indústria, internacional, investimentos, legislação, negócios, política, tecnologia, transporte, tributos. Escolheu-se as subáreas ‘Finanças e Investimentos’ e ‘investimentos’ como exemplos de subáreas mais estruturadas para a retirada de dados referentes à oposição ‘genérico’ e ‘específico’, no entanto, sem deixar de considerar dados das outras subáreas. As seções mais subjetivas dos jornais especializados serviram de base para dados em relação ao maior posicionamento do redator. Como a pesquisa é qualitativa e visa a conclusões teóricas e qualitativas, não houve uso de extratores de dados específicos, embora o valor quantitativo tenha pesado indiretamente: maior recorrência e freqüência de determinadas UTs implica maior relevância para a àrea e maior ‘terminologicidade’.

O estatuto das unidades lingüísticas entre mais ou menos especializado, dependendo das seções, serviu para tratar a heterogeneidade e a variabilidade das unidades terminológicas. Pela própria definição da LEsp da economia e seu uso em contextos de especialização variada, não se esperava encontrar termos absolutos e invariáveis, mas, antes, possibilidades de articulação de UTs em uso. O estatuto mais ou menos especializado foi verificado em

material de consultas e glossários, mas, em primeiro lugar, pelas expressões lingüísticas, suas ocorrências em trechos textuais inteiros, suas variantes e suas definições.

Essa metodologia está apoiada na problemática do estatuto de disciplinas fora das ciências naturais tradicionais, levantada por Nirenburg & Raskin (2004). Afirmam os autores (2004:48) que essas ciências (por exemplo, sociologia, economia, lingüística, entre outras) são construtos não-observáveis e menos estruturados e estão fora do estereótipo estreito do método experimental. Por esse motivo, exigem uma aproximação por observação pré-teórica, ou seja, uma primeira aproximação dos conceitos abstratos e a posterior confirmação empírica. Assim, houve um trabalho intenso de levantamento e análise de dados e a confirmação dos postulados teóricos nos próprios dados depois, o que permitiu uma caracterização melhor da LEsp da economia.