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Institusjonalisering på bakken: utmarkslag og grunneierlag

8   Institusjoner i utmark. Hardangervidda

8.2   Institusjonalisering på bakken: utmarkslag og grunneierlag

Visto que esses dois componentes estão fora do componente gramatical e, conseqüentemente, servem como ponte para o mundo externo e mental, assim como para a comunicação, é de grande importância especificar seu papel em relação aos componentes lingüísticos. A devida consideração destes no processo lingüístico intenta esclarecer fatores da gramática e do processo de comunicação, ao mesmo tempo em que estes são influenciados em maior ou menor grau. Surgem, pois, várias reflexões: já que são componentes extralingüísticos e, por isso, existem ‘fora da linguagem’, sua exata definição e caracterização exige estudos interdisciplinares e compete, em parte, a especialistas de outras áreas, por exigir conhecimentos específicos na área de cognição, psicologia, neurologia, ontologia, sociologia, entre outros. O que interessa, para a FDG, é o papel que desempenham na explicação dos fenômenos lingüísticos observados, uma vez que a abordagem funcionalista não pode prescindir dos fatores que estão associados ao uso. Com as mesmas razões, e de acordo com a discussão nas seções 1.2 e 1.3 do primeiro capítulo, postula-se que, no estudo de uma LEsp, haja determinadas condições complexas de produção e interpretação que codependem dos componentes ‘extralingüísticos’, mas que estejam subordinadas à lingua de análise.

Um outro desdobramento do problema se apresenta ligado ao fato de que os fatores provenientes dos componentes conceituais e contextuais, que se materializam na linguagem e se expressam, de alguma forma, por meio da linguagem. Esse fato, às vezes, dificulta uma separação nítida entre o conteúdo extralingüístico e sua tradução para uma expressão lingüística. As diversas atitudes para enfrentar essa realidade já foram, de certa forma, antecipadas pela FDG, justificando plenamente sua denominação ‘funcionalista’. Os diversos fatores de influência integram-se por meio da adoção de variáveis que representam abstratamente as unidades lingüísticas em termos de sua função na comunicação (Hengeveld, 2004b) e se atualizam nas formas lingüísticas. Os componentes conceitual e contextual, de

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As funções, assim como outros parâmetros e constantes nos níveis do modelo de gramática, aparecem com iniciais maiúsculas.

fato, têm escopo sobre o componente gramatical e agem e interagem nos diversos níveis. Tenta-se ver, para tanto, aspectos de cada componente e seu possível âmbito de influência.

O componente conceitual é uma importante força propulsora do processo de formulação. Abrange, além das capacidades cognitivas gerais, o conhecimento de longa duração (long term knowledge - LTK), o conhecimento de mundo e das ontologias, a intenção e a competência comunicativa e, por último, a competência lingüística. É o componente responsável pela operação de formulação, que representa a conversão de representações pré- lingüísticas conceituais em representações semânticas e pragmáticas que são lingüisticamente relevantes e que são permitidas pela gramática da língua em questão. Postulam-se, segundo Hengeveld & Mackenzie (2006), representações mentais que correspondem a intenções comunicativas e suas conceitualizações associadas que são relevantes para os eventos no mundo externo e mental. Estas representações expressam os diversos tipos de entidades e são chamadas ‘categorias semânticas’.

Além disso, competem ao componente conceitual a conceitualização e a categorização dos diversos tipos de entidade, pois a formulação converte as representações mentais, e também os diversos tipos de entidade, em representações interpessoais e representacionais, as quais são, em seguida, traduzidas pela codificação em representações morfossintáticas e fonológicas. Assim, as categorias ontológicas só contam, nessa abordagem, se forem relevantes e possíveis para a língua de análise. Conforme já introduzido, as categorias ontológicas são vistas como categorias semânticas, pois se atualizam no nível semântico, ou representacional, por meio de unidades representacionais e podem ser representadas por variáveis nos níveis do modelo de FDG. Supõe-se um papel essencial desse componente não só na configuração do léxico, na mudança categorial e na perspectiva, mas também na estruturação do conteúdo comunicado. Desse modo, é importante nos processos lingüísticos de adscrição, de referenciação, assim como na passagem de um processo para outro, mesmo se essas mudanças são determinadas por preceitos contextuais e comunicacionais. No entanto, de acordo com a discussão anterior, a presente pesquisa pretende concentrar-se mais na atualização das unidades lingüísticas e somente analisar os fatores provenientes do componente conceitual quando dão indicações claras de estarem determinados pela área especializada em questão.

O componente contextual faz igualmente parte do contexto lingüístico mais amplo e, freqüentemente, sobrepõe-se ao componente conceitual. Contém a descrição do domínio do discurso de acordo com sua elaboração durante o discurso e é parcialmente representado pelos interlocutores. Além disso, é responsável pela expressão da categoria gramatical Pessoa e, também, pelas referências dêiticas feitas por pronomes e demonstrativos, que podem ter influência nos atos do discurso subseqüentes. De fato, o conhecimento da situação e dos contextos de uso da língua que os participantes da interação verbal possuem, ou compartilham, pode passar para o nível conceitual e fixar determinadas categorizações. Alguns aspectos da interface entre os componentes conceitual e contextual que dizem respeito ao tema dessa tese são tratados, de forma revisada, em 2.6.3.

Além da interação entre os componentes extralingüísticos, a FDG descreve a interface entre as diferentes camadas e a geração das estruturas subjacentes em termos de decisões comunicativas do falante, que se fazem necessárias ao longo do processo de formação e explicam sua dinamicidade e, na Figura II, as setas que saem do componente gramatical e ‘retornam’ ao contextual. Este nível é também responsável pela informação situacional e contextual da produção lingüística, da situação de fala, do discurso prévio, dos fatores textuais e do gênero, das convenções, entre outros. Podem-se, sem hesitação, incluir nesse módulo o contexto de uma linguagem de especialidade, o de informações específicas de uma área, o de comunicação entre especialistas e o de características de base para criação e uso de itens e estruturas terminológicas, por exemplo.

De acordo com a proposta da FDG, o componente contextual determina a expressão de certas categorias gramaticais, como número, pessoa, gênero etc. nas expressões, as quais se atualizam de forma variada e em níveis diferentes, conforme a tipologia da língua (Hengeveld, 2005a e b), uma vez que é esse o componente que promove a introdução de participantes e possibilita a referência anafórica a eles, por meio de pronominalizações, ou ainda a referência dêitica local, temporal ou situacional. Outras características lingüísticas e textuais de abrangência maior também exigem interação com o componente contextual, como determinadas construções narrativas, reduções e elipses. Alguns desses fatores, muitos em combinação com os componentes conceitual e contextual, serão tratados e discutidos no

componente gramatical das próximas seções, em todos os seus níveis: os níveis interpessoal, representacional, estrutural e fonológico.9