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Regionale forskjeller i helsetjenestebruk

A Igreja tem suas bases no duplo aspecto - visível e o invisível, ou seja, a instituição, o organismo da Igreja está fundamentado na unidade sobrenatural, onde todos partilham da vida divina e do modo humano como esta vida se exprime na Terra. Isto Brantl nos explica:

Como instituição, a Igreja é a forma humana da vida interior do corpo místico. É uma instituição legal, uma estrutura social que está nitidamente hierarquizada e funcionalizada. Seu chefe visível é o Papa, sucessor de São Pedro como Vigário de Cristo. O Papa não é o sucessor de Cristo, mas Seu Vigário; Cristo é o eterno chefe da Igreja, servindo do Papa como Seu representante visível (BRANTL, 1964, 120).

63 Os sacramentos são sete: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e

Matrimônio.

64 Referência ao texto bíblico (I Cor 11, 23-26) que Jesus pronunciou, na quinta-feira santa, em sua última ceia

com seus apóstolos.

65 Na instituição oficial as formas de culto são mais reduzidas, enquanto que, no catolicismo popular há uma

Conforme acabamos de ver, a Igreja é uma instituição social e cultural com estrutura hierárquica objetivada. O catecismo (1993, 896) explica que “os fiéis

devem estar unidos a seu Bispo, como a Igreja a Jesus Cristo, e Jesus Cristo ao Pai”. Na estrutura hierárquica da Igreja não há lugar para a mulher nos cargos de

administração, isto é, nas instâncias hierárquicas de poder a mulher não é vista. Quanto à estrutura funcional da Igreja Católica, Brandão (1992, 46) enfatiza que o catolicismo é a grande Igreja hierárquica e hegemônica, subdividida em Igrejas particulares, suas dioceses, e está pulverizada em uma miríade de Igrejas locais, suas paróquias.

Na estrutura hierárquica dos cargos e funções, o primeiro lugar, conforme afirma Brantl (1964, 121-2), é ocupado pelo Papado sob o argumento de que isso foi estabelecido por Jesus na ordem a Pedro para “apascentar o seu rebanho66”. Diante disso, afirma-se que com o Espírito Santo falando através do Vigário de Cristo, não poderia este ensinar erro, daí a condição de infalibilidade nas questões de fé e moral de que goza o papado na Igreja Católica.

Lembramos que a participação de leigos e leigas na Igreja Católica tem uma característica bem peculiar, a partir da leitura do catecismo, conforme mencionamos anteriormente.

Outra contribuição para visualizar a participação dos leigos na Igreja vem de Brandão. Ele nos chama atenção para a forma unitária de participação dos leigos. Segundo esse autor:

No caso católico, existe uma possibilidade de se viver a Igreja, participar dela e controlar algumas de suas mediações: é o pertencer a ela, associar-se de algum modo às unidades hierárquicas de produção e distribuição do seu trabalho religioso e afirmar com ênfase, apesar das diferenças, a sua inquestionável vocação unitária. Mais do que salvação, fora da Igreja não há Igrejas (BRANDÃO, 1992, 32).

Com isso, o autor ressalta o fechamento da Igreja em torno de si mesma. É importante destacar que ele está se referindo à Igreja institucional. O próprio autor mostra sinais de frentes de abertura aos leigos (as), além simplesmente de se colocarem sob o poder hierárquico oficial.

Brandão relata que:

Ao lado de uma Igreja oficial única, as frentes progressistas procuram abrir ao povo através de comunidades de base – cujo controle canônico e simbólico permanece em mãos da hierarquia sacerdotal – a outra alternativa de experiência da religião dá-se apenas através de sistemas comunitários de trabalho agenciado do catolicismo popular (BRANDÃO, 1992, 32).

Conforme citamos anteriormente, o próprio Brandão (1992) chama atenção para as formas de participação dos leigos (as) e para o fato de nem sempre seus trabalhos serem legitimados pela instituição. Isto se dá exatamente pelo controle imposto pela instituição aos leigos.

As formas de participação ou de relacionamento entre os leigos e leigas para com a instituição são bastante diversificadas. Brandão explica que:

Os lugares legítimos da prática e da participação na vida religiosa são as instituições de controle eclesiástico abertas ao laicato: da paróquia tradicional à comunidade de base, de um antigo apostolado da oração, ou de uma mais antiga confraria de Nossa Senhora do Rosário, a um moderno e não contestador grupo de renovação carismática (BRANDÃO, 1992, 33).

Brandão (1992, 47) destaca ainda outras formas de participação dos leigos (as) na Igreja Católica: fala das confrarias e irmandades, provenientes do período colonial, Congregação Mariana, Pia União das Filhas de Maria, Legião de Maria, Apostolado da Oração, Cursilhos de Cristandade, Casais com Cristo, Comunidade Eclesial de Base, Círculos Bíblicos, Grupos de Jovens, Grupos do Evangelho,

Comissão Pastoral da Terra, Conselho Missionário Indigenista; estes últimos, criados pela própria CNBB, são bem característicos do Brasil.

De certa forma, pode-se afirmar que na relação dos leigos (as) com a Igreja Oficial os lugares comunitários e populares de vivência da crença e prática católica oscilam entre a proibição ativa por parte desta (muito freqüente no passado), o desconhecimento intencional, a tolerância consentida e, em certos casos, a aproximação dos lugares comunitários e populares aos grupos litúrgicos e cultos oficiais da Igreja. Tudo isso marca o contexto de diversidade que forma a Igreja Católica.

Frente a uma identidade baseada na diversidade, Brandão (1992, 47) relaciona o papel desempenhado pela Igreja Católica na sociedade com as teorias weberianas67 da religião. Afirma o autor que Igreja, seita, agência de serviços e sistema difuso de ação comunitária caracterizam a Igreja no Brasil, sempre e agora, realizando todas as possibilidades weberianas de existência social da religião na sociedade.