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Regional  planlegging  som  lim  og  prosessens  betydning  for  videre  gjennomføring  av  planen

6.   Diskusjon

6.4.   Regional  planlegging  som  lim  og  prosessens  betydning  for  videre  gjennomføring  av  planen

Podemos considerar como extremamente complexa a relação que foi construída entre a cultura e o consumo e entre os sujeitos e seus artefatos, da forma que se apresentam no contemporâneo. O consumo como um processo cultural tornou-se o elemento central na trama de construção da modernidade pautada na condição de “livre” decisão das escolhas de um novo consumidor, que foi desenvolvida no decorrer da civilização ocidental(BARBOSA,2004;

FEATHERSTONE, 1995;MCCRACKEN,2003;SLATER,2002). Esta cultura foi ao longo do tempo

sendo re-criada,afirmada e possibilitada através da oferta múltipla de objetos, que sendo uma fonte de poder, tiveram nesta sociedade opulência, valor e importância crescente (BAUDRILLARD,2007;BELK,2001;MILLER,2002;TILLEY,2006).

Antes da Idade Moderna considerava-se que os objetos eram consumidos por sua funcionalidade e marcação na estratificação social, a sociedade era conservadora, valorizava o legado ancestral e assumia os modelos herdados do passado (BARBOSA, 2004; LIPOVETSKY,

2002;SLATER,2002). A produção era, então, dirigida pelo valor de uso dos produtos frutos do

trabalho, que tinham por finalidade suprir algumas necessidades humanas (CALLINICOS,2004).

Com o movimento renascentista no século XVI e o fortalecimento da burguesia, ampliou-se o desejo de promoção social e a imitação das maneiras de ser e de parecer com a classe aristocrática (LIPOVETSKY, 2002; MCCRACKEN, 2003; SLATER, 2002). Neste período,

sobretudo na Inglaterra, com o aumento considerável do consumo estimulado pela corte Elisabetana e uma maior oferta de mercadorias, os nobres se tornaram escravos do consumo competitivo e o comércio transformou-se em uma metáfora para a vida em sociedade. Através da livre troca de bens, serviços e idéias na esfera pública, o consumo assumiu também um sentido de intercâmbio social e de comunicação (MCCRACKEN,2003;SLATER,2002).

Nesse contexto, a posição social foi determinante do estilo de vida, mas independe da condição de renda, uma vez que os nobres sobreviveram dos favores reais. Tais relações entre status, estilo de vida e renda foram rompidas no decorrer da modernidade, diminuindo gradativamente a força de grupos aristocratas de referência (BARBOSA, 2004; LIPOVETSKY,

2002). Esse período foi alvo de muitas outras mudanças paralelas e inter-relacionadas com a nova postura do indivíduo consumidor, tais como a crescente ideologia individualista, a valorização do amor romântico e os novos processos de consumo (BARBOSA, 2004;

LIPOVETSKY,2002;MCCRACKEN,2003;SLATER,2002).

A revolução explosiva de consumo no século XVIII, ainda conduzida pela natureza viciosa hierárquica e competitiva inglesa, foi acentuada pela expansão ainda maior do mundo dos bens e inclusão de novas oportunidades de compras advindas da ampliação dos mercados (MCCRACKEN,2003). Os bens de consumo deixaram de ser privilégio de alguns para se tornar

o anseio de todos, e o consumo ampliou-se como sistema de significação suprindo necessidades principalmente simbólicas, tornando-se a forma pela qual a sociedade passou a assimilar a cultura (D’ANGELO, 2003; 2004; DOUGLAS; ISHERWOOD, 2006; MCCRACKEN,

2003;SLATER,2002).

Dessa forma, novos padrões de consumo foram conduzidos por pessoas e essas pessoas por eles, transformando o mundo dos bens num mundo social e os referenciais de princípios da sociedade civil em cultura de consumo (MCCRACKEN, 2003; SLATER, 2002). Essas

modificações desembocaram no movimento da Revolução Industrial e compuseram a tessitura do capitalismo, construindo o indivíduo contemporâneo “livre” e igual (BARBOSA,2004).

Assim, a revolução ocorrida no consumo e nos mercados e a Revolução Industrial atingiram o século XX e proclamaram uma ideologia de riqueza e de multiplicidade, que foi ampliada pelo relacionamento com os meios de comunicação, pelo aprimoramento tecnológico, pelas indústrias de informação e as maneiras de ser e ter do indivíduo [pós- ]moderno (BARBOSA,2004; D’ANGELO,2003;FEATHERSTONE, 1995; SLATER,2002).

Porém, esse fenômeno de revolução que encontrou morada no consumo estava apenas iniciando um processo de extrema complexidade. As mudanças em curso desde os anos 1950 e 1960, buscaram na lógica democrática da multiplicação, um consumidor que não só tem a oportunidade de exercer a escolha, como também se dá ao prazer mais freqüentemente: esta possibilidade de preferir é cada vez mais um instrumento de distinção individual, estética, instrumento de sedução, de juventude, e de modernidade (LIPOVETSKY, 2002). Através da

conquista do poder de decidir livre e democrático do consumidor, os bens de consumo assumiram uma das formas fundamentais de construção das identidades e dos processos de significação na sociedade capitalista (BAUDRILLARD, 2007; DOUGLAS; ISHERWOOD, 2006;

MCCRACKEN,2003;SLATER,2002). A nova estrutura social tornou-se importante mediante a

Tudo que se considerava modernidade como o rompimento com a tradição, o culto à novidade e a reinvenção do sujeito em si mesmo, se transformou em experiências, emoções e espetáculo da mercadoria (DEBORD,1997; BAUDRILLARD,2007;SLATER,2002). O consumo

passou a ser considerado uma prática imaterial de manipulação de signos (BAUDRILLARD,

2007). Os sujeitos usaram os bens para o serviço de marcação, para ser, ter e permitir acesso a informações (BARBOSA, 2004; DOUGLAS; ISHERWOOD,2006; HOSKINS,2006; KEANE, 2006;

MILLER, 2005). Os artefatos expressaram, criaram e transformaram o ego dos sujeitos,

contribuindo para seus projetos de identidade (BORGESON, 2005; MILLER, 2006) na

possibilidade de meio poderoso de materialização do self (BELK,2001;TILLEY,et al.,2006).

Neste sentido, os bens formaram uma categoria abstrata e abrangente intermediando a própria compreensão humana (KEANE,2006) através da ampla capacidade de agir sócio-culturalmente

mediada, de modo que a vida social das pessoas encontrou seu paralelo na vida social das coisas (HOSKINS,2006).

Diante de tais condições e possibilidades, na re-descoberta do consumismo da sociedade [pós]moderna da década de 1980 os consumidores viraram “heróis”, sendo este um papel compulsório por ser a única forma para interagir socialmente (SLATER,2002). Libertos

das falsas certezas oferecidas pela modernidade como o descrédito das grandes narrativas6,

cada indivíduo comemorou o direito de criar o seu próprio sonho nas experiências cada vez mais imateriais (SEMPRINI, 2006). Slater (2002) os define como sujeitos irracionais e

descentralizados que buscam estratégias de sobrevivência num mundo construído pelo

6Para Lyotar (2006) o fim das narrativas históricas caracterizaria a pós-modernidade como ponto culminante de

um processo de crise da racionalidade. No projeto (assim denominado por ser expectativa de organização do futuro) de modernidade a história, como progresso e a evolução, tenderiam a congelar categorias e universalizar conceitos produzindo legitimação em torno de verdades absolutas. O autor afirma que a partir do sistema capitalista se desconstrói as narrativas universalizantes e assegura-se a multiplicidade de discursos: há racionalidades (já que a idéia de razão como unidade é negada), linguagens e, portanto, discursos. Deve prevalecer, portanto, a pluralidade.

consumo, onde os artefatos carregados de significados culturais constituem o meio possível de construção, manutenção e materialização da cultura, e de sua própria existência que se dá na presença do outro (DOUGLAS; ISHERWOOD, 2006; HOSKINS, 2006; KEANE, 2006; LAYTON,

2006;MCCRACKEN,2003;MILLER,2005;OLSEN,2006;SLATER,2002;TILLEY et al.,2006).