• No results found

5. DISCUSSION

5.5 C ONTROLLING FACTORS AND DRIVING FORCES FOR RSF

5.5.7 Regional fracture systems and neotectonic activity

O presente capítulo visa a apresentar um panorama das modificações ocorridas no mundo do trabalho, exigindo uma nova configuração profissional, mostrando os reflexos dessas transformações para a formação do professor. Verifica o papel atribuído aos professores nos principais documentos oficiais em vigência. Apresenta algumas propostas de qualificação profissional para o uso das mídias, seguindo um panorama nacional e local. Mostra as atribuições dirigidas ao professorado em relação ao uso da mídia televisiva com intenção educativa.

Para começar, pode-se dizer que nas últimas décadas, o trabalho do professor vem sendo redefinido, atribuindo-lhe novas habilidades profissionais: funções redirecionadaspara atender às recentes demandas sociais, culturais e econômicas, impulsionadas, principalmente, pelo desenvolvimento científico e tecnológico.

Diante desse novo contexto, o perfil do aluno também sofreu algumas modificações, reforçando a necessidade de o educador compreender com maior propriedade esses sujeitos. O estudante da atualidade é entendido como ser ativo, participativo e questionador, características desconsideradas outrora. A partir do quadro apresentado, convém refletir sobre as mudanças que se engendram nos saberes contemporâneos, percebendo as suas origens e as possíveis conseqüências para o significado da ação docente na atualidade.

As transformações econômicas, sociais e culturais ocorridas principalmente a partir da segunda metade do Século XX provocaram profundos impactos, alterando verdades consideradas absolutas e incitando indagações sobre o rumo tomado pela ciência. O questionamento e a instabilidade tornaram-se palavras constantes, entrando permanentemente nas agendas de discussão. Um clima de incerteza paira no ar, trazendo consigo tempos em que a instabilidade, aliada à dinâmica dos acontecimentos, dita as novas relações travadas no interior do tecido social.

As novas relações são pautadas por contradições, nas quais o revolucionário e o conservador se manifestam simultaneamente. Ao mesmo tempo em que as incertezas geram temor pelas proposições vindouras, é visível

a abertura de novas portas anunciando um mundo de ilimitadas possibilidades. Sobre o sentimento de transformação e das suas possíveis conseqüências, Marshall Berman elucida este entendimento com o seguinte comentário:

São todos movidos, ao mesmo tempo, pelo desejo de mudança - de autotransformação e de transformação do mundo em redor – e pelo terror da desorientação e da desintegração, o terror da vida que se desfaz em pedaços. Todos conhecem a vertigem e o terror de um mundo no qual “tudo que é sólido se desmancha no ar” (BERMAN, 2000, p. 13).

A frase que intitula a obra de Berman expressa acima, é retirada dos escritos de Marx, que vislumbrou um mundo em constante transformação. Como propõe Berman, essa situação gera medo, angústia e, muitas vezes, desesperança, pois as mudanças ocorridas ou em curso podem alcançar várias facetas, algumas nem sempre positivas para o tecido social.

Todas essas modificações por que passa a contemporaneidade trazem consigo algumas características, tais como a mundialização da economia, a reestruturação e divisão do trabalho, a perda de autonomia do Estado. Com isso, emerge um “novo mundo” baseado em paradigmas, que rompem com antigos padrões de organização social. Esses acontecimentos não emergiram naturalmente, sendo construído histórica e socialmente pelo homem.

O mundo do trabalho não se encontra indene a esse processo e também recebe análoga carga de modificações. O modo de produção capitalista gerou - especialmente nas últimas décadas - um processo de transformação na organização e na produção, ocasionando mudanças nas relações trabalhistas de negociação e contratação. Existe um novo modelo produtivo em vigor, acompanhando o processo de internalização da economia, de globalização e de intelectualização do processo de produção. Um modelo de tal natureza propôs significativa modificação no processo de produção e principalmente no perfil dos trabalhadores. Cria-se, com isso, as bases mínimas de escolarização diante das necessidades de elevada qualificação e, também, de requalificação (LIBÂNEO, 2001, p. 59).

Por tal razão, é preciso refletir sobre as modificações ocorridas no mundo do trabalho, analisando os reflexos dessas alterações no desempenho

do professor e de como elas agregam novas atribuições para o exercício da profissão.

Seguindo o processo de reestruturação das atividades produtivas, iniciadas na década de 1970, assistiu-se a chegada de diversas inovações tecnológicas, ocasionando um redimensionamento nas formas de organização da força de trabalho. Ao contrário de outros modelos precedentes de organização (taylorista/fordista), que primavam pela dicotomia entre trabalho intelectual versus trabalho manual, o trabalho atual dirige-se ao trabalhador exigindo-lhe múltiplas atividades, englobando as capacidades de pensar, executar, decidir, criar, ter iniciativa.

Nesse processo, Castro enfatiza que o conhecimento torna-se central, constituindo-se em condição essencial para a inserção do trabalhador no sistema produtivo. Assim, as novas práticas produtivas enfatizam a participação do trabalhador nas tomadas de decisão, no controle de qualidade, substituindo a dicotomia trabalho manual e intelectual pela cooperação, flexibilização e participação (CASTRO, 2001).

Desse modo, a qualificação dos trabalhadores é considerada exigência central. O termo “qualificação” passou a designar um requisito necessário ao trabalhador que se quer inserido no mercado. Demanda, assim, a imposição de um profissional multifacetado e habilitado para atuar nas mais variadas atividades do sistema produtivo. O trabalhador deve direcionar suas ações para o desenvolvimento de um trabalho multifuncional, a ser desempenhado com desenvoltura, criatividade, agilidade e competência. Essa visão acarretou uma quebra na idéia do trabalhador fragmentado, ampliando-se o campo de atuação desse profissional e, em contrapartida, exigindo dele maior preparação.

Cabe ao trabalhador, portanto, buscar formas de inserção nesse novo contexto. Num mundo em constante processo de reorganização, as exigências do universo trabalhista a cada dia mais se sofisticam. São requeridas novas atribuições aos trabalhadores, ancorando-se no princípio da polivalência1 e da

flexibilidade. A qualificação profissional torna-se um ingrediente indispensável para a inserção dos profissionais no mundo do trabalho, provocando uma

1 Por polivalência entende-se a capacidade de acumular algumas atribuições dentro das

responsabilidades de um trabalhador. Ser polivalente implica em um alargamento da atuação do profissional na sua atividade preestabelecida, requerendo desenvoltura e domínio de uma gama maior de áreas do conhecimento.

verdadeira corrida desses sujeitos em busca de atualização frente às demandas exigidas.

O perfil do trabalhador vem sofrendo alterações e, em pouco tempo, a sobrevivência no mercado de trabalho dependerá da aquisição de novas qualificações profissionais. Cada vez mais torna-se necessário que o trabalhador tenha conhecimentos atualizados, iniciativa, flexibilidade mental, atitude crítica, competência técnica, capacidade para criar novas soluções e lidar com a quantidade crescente de novas informações, em novos formatos e com novas formas de acesso (BRASIL, 1996, p. 138).

Acompanhando tais modificações, surgem necessidades e os diversos ramos de atuação se complexificam ainda mais, acarretando o aparecimento de outras atividades a serem desenvolvidas, o que exige domínio de habilidades especiais. Por esse motivo, os que ingressam no mercado de trabalho recorrem aos bancos escolares e universitários, com vistas a adquirir novos saberes e competências. Quem não consegue se enquadrar neste perfil é automaticamente excluído e agregado ao contingente de desempregados, ou cai no mercado informal. Confirmando tal pensamento, Bueno Silva comenta sobre as características desse novo trabalhador em relação à formação: acentuada formação geral, habilidades cognitivas, flexibilidade de raciocínio, capacidade de resolução de problemas. A educação é posta como decisiva para a efetivação da sua formação profissional (BUENO SILVA, 2002).

Entretanto, a qualificação do trabalhador para o mercado não implica na garantia da sua absorção nesse universo. Preparar-se com boa formação não é suficiente, pois a demanda por uma ocupação profissional gera acirrada concorrência. Além disso, precisa-se contar, ainda, com a construção de uma rede de relações, a fim de assegurar contatos com pessoas influentes que possam projetar o trabalhador. Apoiando essa assertiva, Ramalho e Santana a complementam discorrendo sobre o problema de se depositar sobre o trabalhador a responsabilidade por sua situação de desemprego, pois acaba-se por justificar a exclusão do mercado de trabalho pelo fato de ele ser inadequado às demandas de qualificação exigidas (RAMALHO, SANTANA, 2000).

Ainda quanto ao panorama histórico, a doutrina neoliberal adquire maior notoriedade nas décadas de 1980 e 1990, apontando para o movimento de internacionalização da economia. A conhecida expressão “Estado Mínimo” passa a determinar o papel assumido pelos governos, que se desobrigam dos seus compromissos, atribuindo-os aos setores privados. Nesse contexto, as relações na organização e negociação do trabalho aparecem atreladas à política de racionalização do tempo, na ênfase da automação, na ampliação dos setores de serviços, nas contratações temporárias e na busca pela qualidade da produção (BUENO SILVA, 2002) e na conseqüente exploração do trabalhador.

Portanto, conseguir um emprego dentro do atual contexto não é uma tarefa simples, especialmente no setor privado. A corrida pelos empregos públicos tem sido intensa, sendo atrativa devido à estabilidade proporcionada aos servidores, além do auferimento de benefícios obtidos pelo tempo de serviço.

Tais mudanças atingiram também o campo da educação, assim como as demais áreas de atuação humana. A adoção de novas abordagens de ensino requeria conhecimentos específicos, ocasionando uma busca pela atualização, seja pela formação inicial e/ou continuada. As pesquisas surgidas ensejavam a reorganização curricular dos cursos de licenciaturas, visando atender às demandas do atual contexto. Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 1996), essas determinações tornaram- se mais incisivas, provocando uma verdadeira corrida em busca da qualificação, especialmente devido à exigência de formação em nível superior, como requisito obrigatório para o exercício da docência no ensino fundamental. Se de um lado, encontra-se grande contingente de professores graduados, com perspectivas de cursar a pós-graduação (notadamente a especialização), por outro lado, a formação oferecida ao professorado apresenta lacunas, deixando de discutir assuntos importantes para a formação desses profissionais. Temas de relevância são secundarizados, tais como diversidade cultural, meio ambiente, mídia e educação, para citar alguns exemplos.

Diante dessa formação limitada, os professores têm encontrado entraves para desempenharem as atribuições exigidas, pois não dispõem dos

conhecimentos necessários para o desenvolvimento de tais ações educativas. E quando se trata do uso das novas tecnologias na escola, as dificuldades são ainda maiores, porque eles não dominam o aparato técnico e pedagógico dessas ferramentas. Além disso, não dispõem de conhecimentos específicos para a inserção contextualizada dessas tecnologias, encaradas não somente como meros instrumentos, mas objetos de discussão e debate na educação. Assim, reconhece-se que “os professores têm dificuldade de se adaptar aos novos desafios do mundo do trabalho, provocados pela evolução dos meios tecnológicos e das exigências do novo processo produtivo” (CASTRO, 2005, p. 37). Há, portanto, um descompasso entre as exigências destinadas ao professor e a formação a este oferecida.

A criação da tecnologia de base microeletrônica necessita que o trabalhador desenvolva outras habilidades até então não exigidas, sejam elas cognitivas e/ou comportamentais. Castro nos mostra algumas das novas habilidades, que precisam ser estimuladas no interior da escola: “análise, síntese, criatividade, raciocínio lógico, interpretação e uso de diferentes formas de linguagens [...]” (CASTRO, 2005, p.38).

A partir dessas constatações, percebe-se o delineamento de um novo perfil docente, comprometido não apenas com o espaço da sala de aula, mas com toda a comunidade escolar e, por extensão, com a sociedade. Portanto, é preciso propiciar espaços adequados de formação para esses professores, seja na graduação, pós-graduação, ou mesmo em cursos de atualização de formação continuada em serviço, tendo como centro das discussões a inserção das mídias na educação, sob um viés crítico e emancipatório. Essa tarefa é facilitada quando se procura analisar os meios de comunicação enquanto objeto de investigação.