5 Empiri
5.2.5 Regelhåndtering, dokumentasjon og enkeltvedtak
Em V. 9 [5] 11, 15, Plotino define as artes nomeada nesta dissertação como ofícios. Essas artes possuem aspectos inteligíveis – quando se valem da proporção e dos princípios presentes no Intelecto – e sensíveis, quando mesclam esses princípios com a realidade sensível.
Nota-se ademais que os ofícios atuam na manutenção da natureza. Isto é, como auxiliares ou como produtoras de coisas artificiais, que possuem a tarefa de ajudar a
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natureza a permanecer como tal (IV. 4 [28] 31, 17-20). Dentre essas artes é possível enumerar pelo menos quatro: Medicina, Construção, Arquitetura34 e o Artesanato. É importante ressaltar que a figura do artesão aparece, também como demiourgos.
Se por um lado a retórica e a dialética se preocupam com a saúde da alma, conforme veremos no próximo tópico, por outro a medicina preserva a saúde do corpo (FEDRO, 270b). Considerando uma relação de causa e consequência, é sabido que os inteligíveis são a causa dos objetos sensíveis. Além de serem ontologicamente mais perfeitos pela proximidade do Um. Nesse sentido, Plotino diz que:
E algumas causas devem ser referidas às artes: a da cura são a medicina e o médico. E a de enriquecer é um tesouro encontrado, ou uma doação de alguém, ou lucrar de trabalhos ou de arte (III. 1 [3] 1, 30 – 33).
Não é segredo que o objeto da medicina é o corpo. Compreende-se que a arte da cura presente na alma do médico, tal como os ensinamentos para realizar o feito, participam da arte inteligível que é anterior à medicina em sua prática com os corpos. Sem esse conhecimento certamente o corpo não conseguiria se curar de doenças. No tratado VI. 4 [22] 5, 15, Plotino afirma não poder reduzir a medicina ao corpo do médico, levando a acreditar que essas artes não existem apenas no sensível, mas sua existência a
priori no Intelecto garante a parcela inteligível presente nas realidades inferiores.
Ele afirma “Julgo que o consideraria louco por se julgar médico, só porque estudou aquelas coisas num livro, ou porque descobriu, por mero acaso, alguns remédios, embora nada perceba da arte da medicina” (FEDRO, 268c). Portanto, em Platão não basta conhecer as práticas da medicina, mas para entender a verdadeira arte é preciso que esse médico consiga se preparar para tal. Essa preparação consiste em:
Tanto em uma como em outra cumpre efetuar a análise de uma natureza: na primeira, a análise da natureza do corpo e na segunda, a análise da natureza da alma. Tem de se levar isto em conta se, de acordo com a arte, e não só pela prática empírica e pela rotina, quiseres dar saúde e vigor a um e à outra (FEDRO. 270 a-c).
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Em Platão a retórica se diferencia da medicina, pois ambas possuem objetos de estudos distintos. A retórica estuda a arte dos discursos, enquanto a medicina estuda os corpos. Em Plotino essa distância é acentuada ao passo que a medicina, em conjunto com os outros ofícios, atua somente em corpos sensíveis e visíveis.
Platão, ao pensar a cidade ideal na República, insere a classe dos artistas manuais como necessários para a manutenção da vida em sociedade. A cidade depende da atividade agrícola e artesanal, em que cada qual “tem uma natureza própria e é dotado para o cumprimento de uma tarefa específica (370 a-b)”, deste modo, o artesão simboliza ao mesmo tempo “a natureza (physis) e a tarefa (ergon), isto é, ele produz a sua obra segundo sua própria natureza, e não por um ato criativo”. Em Plotino, percebe-se que até os ofícios não realizam a mimese da natureza, mas o artista busca por meio do lógos realizar a contemplação, seja da arte da cura, seja da arte de criar objetos manuais.
Curiosamente, a arte da construção é indicada por Plotino no Sobre o belo, em que a figura do artista aparece construindo uma casa sensível de acordo com o modelo de casa que existe em sua alma.
Mas como o que diz respeito ao corpo consoa ao que é anterior ao corpo? Como o construtor diz ser bela a casa exterior, tendo-a ajustado à forma interior de casa? É porque a forma exterior, se abstrais as pedras, é a interior dividida pela massa exterior da matéria, sendo indivisível ainda que se manifeste na multiplicidade (I. 6 [1] 3, 7 -10 modificada).
Plotino parte do pressuposto da casa já existir na alma do artista e que, de algum modo ele consegue comparar a beleza da casa sensível com a que se encontra no inteligível. O movimento indicado é referente ao trabalho deste artista ao analisar a casa exterior, possuindo como cânone de correção o modelo que existe em sua alma. Pode-se ler essa passagem como uma das metáforas utilizadas por Plotino para exemplificar a relação entre o inteligível e o sensível.
Outra arte semelhante à da construção é a da arquitetura, mencionada por Plotino apenas na passagem V. 9 [5] 5, 39, onde as artes são descritas. Nota-se em Platão, que essas atividades artísticas aparecem, por vezes, associadas ao exercício de cuidado do corpo para que não prejudique a obrigação, a prática dessas artes, que contribuíam para o bom funcionamento da cidade, pois “se a mania de cultivar as doenças é um entrave para
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uma pessoa se concentrar no ofício de carpinteiro e nas demais artes” (REPÚBLICA. 407 a – c) é preferível que os indivíduos cuidem do corpo. Outrossim, Plotino reforça a ideia de que ofícios advém do aprendizado do corpo, como pode ser observado na passagem em que se refere ao artesão ao dizer que o Intelecto produz a Alma por necessidade e não por procurar produzir outra coisa, caso contrário “seria como o artesão, que não possui seu produzir por si mesmo, mas como algo adventício, pois o adquiriu a partir do aprendizado” (III. 2 [47] 2, 10-15).
Admitindo que essas artes produtoras possuam aspectos inteligíveis quando se recorre aos princípios e às formas para a confecção do objeto, percebe-se que em relação às artes dos ofícios, elas de fato seguem possuindo, como finalidade, a modificação e criação dos objetos sensíveis. Deste modo, conjectura-se que essas artes criam objetos sensíveis, com o intuito de auxiliar a manutenção da natureza sensível, já que mesclam o inteligível que existe em si com a matéria (V.9 [5] 11, 17).