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Apesar de pouco tempo como professora, diversos questionamentos acerca do atual ensino fizeram-me refletir qual é o papel do professor na vida dos educandos. Em sala de aula, é constante a observação da insatisfação dos alunos frente ao ensino de Ciências atual.
15 Garrido, E.; Castro, R. S.; Carvalho, A. M. P. El papel de las actividades en la construcción del conocimiento en clase. Investigación en la Escuela, 25, p. 61-70, 1995.
Ensinar os conteúdos ditos puros não tem incentivado nossos alunos, pelo contrário, existe uma cobrança por parte deles para que os conhecimentos científicos façam sentido e seja aproveitado na sua vida diária.
Se por um lado alunos cobram que os conhecimentos científicos tenham uma significação social, por outro lado, outros assustam-se diante de aulas diferenciadas. Pelas vivências em salas de aulas, esses alunos estão presos ao ensino acrítico e pautado em processos de memorização. Eles incorporaram o discurso “aprender para obter aprovação no vestibular”, perpetuado por grande parte dos professores. Posso dizer que vivenciei essa dualidade durante a aplicação da PAPD, isto é, alunos que se mostravam motivados em entender e discutir as aplicações da Ciência no seu dia a dia ao mesmo tempo em que estavam preocupados em aprofundar-se nos conteúdos, principalmente aqueles voltados para o exames e provas de vestibular.
Essa situação levou-me a refletir e a buscar esclarecimentos nos documentos oficiais. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, em seu artigo 22 estabelece as finalidades da educação básica, como: “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho e nos estudos posteriores”. Isso é reforçado em seu artigo 35, que estabelece como objetivo geral da educação básica: “proporcionar aos educandos a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto realização, preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania” (BRASIL, 1996). Já os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000) indica como os conteúdos devem ser trabalhados:
A aprendizagem de conteúdos deve necessariamente favorecer a inserção do aluno no dia-a-dia das questões sociais marcantes e em um universo cultural maior. A formação escolar deve propiciar o desenvolvimento de capacidades, de modo a favorecer a compreensão e a intervenção nos fenômenos sociais e culturais, assim como possibilitar aos alunos usufruir das manifestações culturais nacionais e universais.
Ambos documentos indicam que o ensino deve se inter-relacionar a realidade em que o aluno está inserido, oportunizando um olhar crítico acerca dessa realidade e promovendo a formação cidadã. Ainda, procuramos verificar se as provas de acesso ao ensino superior estão em consonância com os documentos oficias. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos
de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), a avaliação dos estudantes por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) busca:
[...] avaliar os alunos concluintes do ensino médio no sentido da formação do cidadão crítico e ativo, convidando o jovem a assumir a atitude de questionamento, dúvida e curiosidade, para encontrar respostas às questões nucleadoras que envolvem a vida social e o patrimônio cultural que nos foi legado. Para tal, utiliza-se de três eixos organizadores na elaboração dos itens da prova: a contextualização, a situação-problema e a interdisciplinaridade. (2005, p. 67)
Depois de analisar criteriosamente esses documentos, podemos dizer que a Proposição de Ação Docente Profissional que desenvolvemos para esse trabalho atendia ao que se encontra estabelecido para o ensino médio e, que ao nosso ver, é pouco compreendido e até ignorado por professores, pais e alunos.
Outro ponto que me trouxe reflexões durante o processo de preparação e aplicação do PAPD foi a necessidade de avaliação docente constante. Percebi a relevância do professor avaliar sua prática em cada aula, pois os objetivos pensados por aula não se concretizam igualmente em diferentes turmas. Isso está de acordo com Rezende (2012), quando diz que: “Todo sujeito necessita refletir sobre sua prática, perceber-se e perceber se aquilo que desenvolve para os outros atende às expectativas e ansiedades daqueles que usufruem do seu trabalho” (p. 24).
Ainda destaco a importância de conhecer o perfil dos nossos alunos, explorar as principais necessidades e considerar sua realidade. A profissão docente requer uma minuciosa pesquisa referente ao conteúdo a ser trabalhado, estudo de estratégias, uso de recursos, exploração dos conceitos prévios dos alunos, estudo dos principais questionamentos feitos em sala de aula entre outros muitos aspectos.
Em sala de aula ainda temos o papel de motivar os alunos e, para isso é preciso que o mesmo se envolva com sua prática pedagógica, propiciando um clima encorajador, despertando habilidades, promovendo reflexões e situações favoráveis para que haja aprendizagem. Para que esse estado seja alcançado são necessários muitos cuidados, pois:
A falta de uma boa administração do tempo, planejamentos deficientes, a sobrecarga de trabalho, a falta de envolvimento com os alunos, entre outras variáveis a que estão sujeitos, conduzem à apresentação de respostas de manutenção da situação atual, a falta de iniciativa, de interesse pela mudança e não engajamento efetivo em qualquer inovação (LIMA, 2000, p. 41).
Diante disso, defendemos que o professor tenha tempo para se envolver com a prática pedagógica, para conhecer seus alunos, dedicar-se a produção das suas aulas, fazer a integração dos saberes das diferentes áreas, avaliar-se e busque inovar os recursos e as estratégias de ensino. A revisão dos planejamentos de aulas é muitas vezes necessária, em função do andamento das aulas, do acompanhamento dos alunos de seus questionamentos, dos resultados das avaliações entre muitos outros aspectos. Cunha (2004) resume bem aspectos do caminho trilhado pelo profissional professor.
A formação do educador é um processo, acontecendo no interior das condições histórica que ele mesmo vive. Faz parte de uma realidade concreta determinada, que não é estática e definitiva. É uma realidade que se faz no cotidiano. Por isso, é importante que este cotidiano seja desvendado. O retorno permanente da reflexão sobre a sua caminhada como educando e como educador é que pode fazer avançar o seu fazer pedagógico. (p.169)
Destaco aqui, a importância do mestrado profissional para a minha formação docente. Este trabalho impeliu-me a pesquisar para elaboração de uma Proposição de Ação Profissional Docente, que permitisse um processo ensino-aprendizagem problematizador, atendendo a formação de indivíduos mais conscientes das possibilidades e limitações da Ciência. Isso demandou muita dedicação, trabalho e reflexões profundas, contribuindo com meu amadurecimento profissional e o preenchimento de lacunas deixadas pela formação inicial.