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3.2 Reformens utforming kjennetegnet i en instrumentell og institusjonell tilnærming

3.2.2 Reform som tilpasning og oversettelse – en institusjonell tilnærming

No período contemporâneo, o “o consumo cultural” parece ser o novo paradigma para o desenvolvimento urbano. As cidades são reinventadas a partir da reutilização das formas do passado, gerando uma urbanidade que se baseia, sobretudo, no consumo e na proliferação (desigual) de equipamentos culturais. Nasce a cidade da “festa-mercadoria”. Essa nova (velha cidade folcloriza e industrializa a história e a tradição dos lugares, roubando-lhes alma. É a cidade das requalificações e revitalizações urbanas, a cidade que busca vantagens comparativas no mercado globalizado das imagens turísticas e dos lugares – espetáculo. (SERPA, 2007, p. 105).

Partindo desse referencial, o estudo da gentrificação e de sua relação com a mudança no uso e no sentido do espaço público, consiste numa análise dos reais

interesses nas transformações dessas áreas, e, sobretudo do nível de interesse do âmbito privado22

Conclui-se a priori, dessa forma que o espaço assumiu um sentido relevante sob a óptica da gentrificação, pois, as propostas idealizadas junto ao seu projeto de urbanização tem estabelecido os novos parâmetros da relação capital e trabalho promovendo a construção de novos espaços sociais, requalificando e revitalizando, incorporando ao local novas construções, incentivando a uma dinâmica de atividades capaz de modificar os costumes

para formar parceria, a fim de modificar a paisagem.

23 e uma identidade antes vista,

associada a presença de residências que serviam para acomodar os trabalhadores da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA) e hoje deram lugar a empreendimentos que caracterizam um corredor cultural na cidade. Desse modo, se a gentrificação é delineada pela formação de uma identidade formatada pelos padrões culturais introduzidos nas mudanças, pode se afirmar que a Avenida Rio Branco24 passou por um processo gentrificador em sua essência.

22 A participação do setor privado no gerenciamento das políticas de patrimônio envolve uma

complexa alteração do patrimônio, de “bem simbólico” para “mercadoria cultural”. O processo implica formas de interação baseadas no consumo e pressupõe, em primeiro lugar, uma operacionalização das formas de preservação a partir das necessidades do mercado. Na prática, isso significa uma seleção de bens que sobe potencialmente possam corresponder às expectativas de retorno financeiro dos altos investimentos privados. Sob essa ótica , é bem possível que a escolha dê menos atenção aos significados propriamente históricos e arquitetônico de bens , em função de uma maior racionalidade econômica dos investimentos. (LEITE, 2004, p. 73)

23 Supõe-se, nesta mesma lógica, a possibilidade de uma memória e de patrimônios culturais “

autênticos”, uma” identidade autêntica” brasileira sendo descaracterizada pela “ revitalização” associada a cultura de massa, pela lógica do consumo nas atividades de entretenimento e de turismo nos centros históricos. Porém, não se pode pensar no processo de remomorização como sendo estático, “a tradição nunca é mantida integralmente” e não existe uma identidade autêntica, mas uma pluralidade de identidades construídas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos históricos. (SCOCUGLIA, 2006, p. 5)

24 Há alguns anos a parte central da Avenida Rio Branco em Mossoró era uma área quase deserta.

No período noturno, os transeuntes evitavam o local devido à fama de abrigar marginais e consumidores de drogas. Foi então que a Prefeitura de Mossoró resolveu dar uma nova vida ao trecho. O projeto era ousado: transformar a escuridão num dos pedaços mais iluminados da cidade e transformar o deserto em área de concentração de pessoas. (Disponível em

www.tribunadonorte.com.br acesso em 23 de setembro de 2011, matéria publicada em 24 de abril de

3.2.2 O caso da Avenida João da Escóssia

Legenda:

1 – Condominio Residencial Alfa Ville 2 - Mossoró West-Shopping

3 - Hipermercado Atacadão 4 – UnP- Universidade Potiguar 5 - Restaurante Pits-Burg

6 – Restaurante- Lanchonete Xerifes 7 - Estádio de Futebol Nogueirão

A Avenida João da Escóssia25

25 Ver comentário da Prefeita Fafá Rosado sobre as obras estrutrurantes que a cidade recebeu, Fafá

cita o investimento que o município fez nas duplicações e prolongamentos de avenidas. “Um exemplo foi o prolongamento da Avenida João da Escóssia que fizemos, e quatro anos depois, o que antes era só matagal hoje é um dos espaços mais valorizados de Mossoró”. Disponível em

consiste atualmente em um dos locais de destaque nessa fase de metamorfose urbana em Mossoró/RN. A referida Avenida situa-se num eixo considerado área nobre da cidade, sua extensão atravessa os seguintes bairros: Centro, Doze Anos e Nova Betânia. A presença de empreendimentos como um Shopping Center (Mossoró West Shopping) e uma Universidade Privada (UnP-Universidade Potiguar), tem influenciado na dinâmica local (ver figura 15 e 16). Tal eixo de transformação é hoje para Mossoró uma referência.

A chegada do empreendimento já vem provocando mudanças na sociabilidade local e regional. Poderíamos citar, por exemplo, o horário de fechamento do comércio de rua, para às 22 h, assim como passou a ser possível também aos sábados à tarde e aos domingos. O incremento da alimentação fora de casa é outro exemplo importante, com a implantação da praça de alimentação, contendo diversas opções de fast food, a maior parte de capital local ou regional. Na praça de alimentação, que conta com o serviço de internet sem fio, encontram-se lojas das redes Bebelu, Pastelândia, PittsBurg, Kibon, entre outras. Outro atrativo inerente ao lazer de grande impacto nos hábitos culturais é a instalação de salas de cinema que, quando passarem a funcionar, serão em número de cinco. O shopping conta também com um parque infantil de diversões. (ELIAS, PEQUENO, 2010, p. 231).

Já que, a valorização e a especulação imobiliária do local tem contribuído na formação de uma nova centralidade. Parafraseando Arantes (2009, p. 14), o que, aliás, não deveria surpreender, pois o seu cenário de origem vem a ser o do movimento de volta à cidade, no mais das vezes dando origem aos conhecidos processos de gentrification (ou “revitalização urbana”, conforme preferem falar seus promotores), em grande parte desencadeados pelo reencontro glamoroso entre Cultura (urbana ou não) e Capital, que pode ser visualizado na foto 34 e 35.