3.1 En reforms programidé
3.1.2 Masterideer
Há um aumento de valor – criação de valor –, que é fruto do trabalho socialmente necessário dispendido na construção da via e na produção de todos os pontos que a ela possam ser contatados – todos os pontos do espaço construído. O valor da terra que passa a ser determinado por uma via é em geral maior que o da própria via. Como vimos, o valor específico do espaço urbano – a localização – não se confundem com o valor das estruturas - edifícios, redes ou estradas – que o constituem. (VILLAÇA, 2001, p. 80)
É relevante destacar que a viabilização da implementação de um processo de reestruturação no espaço urbano, requer o estabelecimento de alguns elementos estruturadores entre os quais vale citar: economia local, espaço público, além de manutenção e valorização do patrimônio ambiental e cultural. Estudos mostram que várias estratégias recentes Jacobs (2001, p. 21) procuraram atrair atividades econômicas em antigas áreas industriais, em terrenos vagos ou até mesmo em locais decadentes dos centros urbanos, deram lugar a empreendimentos imobiliários de uso misto e reverteram um processo de decadência econômica, num enfoque de reformulação capaz de compor melhorias sociais, econômicas, políticas e ambientais.
O desenvolvimento sócio-espacial deve ser visto, assim, como um infindável processo que busca do justo e do melhor em matéria de instituições e relações sociais. Nenhuma instituição, nenhum regime, nenhuma relação social será jamais tão sólida que não seja passível de implosão, conhecendo a sociedade, assim, “retrocessos” que exigirão o recomeçar em bases novas do esforço e da busca pelas instituições justas. (SOUZA, 2008, p. 186)
Assim, a gentrificação é fruto dos processos de transformação do capital, o qual influencia na aplicação de esforços e investimentos com a finalidade de se estabelecer e atingir ideais de crescimento econômico, tendo como foco uma localidade centrada no espaço urbano sócio-culturalmente. Haja vista, a estrutura social urbana desenvolve-se à luz de alguns questionamentos que relacionam não só o crescimento das cidades,mas também as condições ambientais que a mesma proporciona.
Observando o Brasil atual, encontramos cidades denominadas como médias que tiveram seus papéis ampliados e suas redes de relações se tornaram supra-regionais (entendida aqui a pequena região composta pelas cidades pequenas que ela polarizava e ainda polariza). Esse tipo de redefinição pode ser exemplificado por cidades como Uberlândia (MG), cuja força do comércio atacadista expandiu os vetores de suas relações e colocou, para este ramo da atividade econômica, esta cidade no centro do sistema; Ribeirão Preto (SP), cuja centralidade no que concerne aos agronegócios é impar; por Petrolina (PE), em cuja região o desenvolvimento
da fruticultura, é a explicação da redefinição e ampliação dos fluxos que interligam essa cidade a outras; ou mesmo Barreiras (BA), que há vinte anos atrás, nem seria considerada uma cidade média de papéis regionais bem definidos. De propósito, os exemplos são de cidades de diferentes grandes regiões brasileiras, para se alocar em xeque também as relações entre centro e periferia nesta escala. (SPOSITO, In: SPOSITO (org), 2007, p. 242).
Frúgoli (2000) mostra que estas transformações têm provocado uma significativa mudança nas formas de uso e de usuários dos espaços centrais degradados, fazendo com que os assuntos referentes à centralidade ganhem cada vez complexidade e vultuosidade. Nesse sentido, vale destacarmos o que se esta entendendo por centralidade, podendo concebê-la enquanto espaço de prestígio, o qual converge diversos grupos sociais capazes de catalisar uma gama de novos serviços, negócios e lojas, os quais estão marjoritariamente voltados para as camadas mais abastadas da população.
Com o processo de redefinição da centralidade, há uma modificação na estruturação da cidade, que vai alterar a convivência entre as pessoas que nela habitam ou a freqüentam. Há uma separação sócio-espacial considerável de acordo com o poder aquisitivo, que se mostra decisivo nas escolhas das áreas a serem freqüentadas e evidencia a segmentação existente no espaço urbano. Essas diferenças se sobressaem quando analisadas a partir das novas lógicas da produção do espaço urbano, que criam novas áreas centrais e modificam a noção de complementaridade e concorrência das diversas áreas do espaço urbano, redefinindo as formas, funções e estruturas segundo a ótica da reprodução capitalista. (SILVA In: SPOSITO (org), 2006, p. 217).
Essas modificações no eixo urbano têm provocado não só a expansão da cidade por meio da abertura de vias, mas tem direcionado a especulação imobiliária e a mudança nos fluxos das pessoas num determinado local, conforme Villaça (2001). Ou seja, os espaços revitalizados acabam sendo também espaços de segregação, já que a dinâmica no local é envolvida por um grupo de pessoas e de atividades que segregam. Com isso, numa nova estrutura a crise de valores se faz presente em função da desigualdade de renda e do afastamento para as periferias daqueles menos favorecidos economicamente.
3.2 A dinâmica intra-urbana
As vias de acesso representam um canal de crescimento e desenvolvimento para uma cidade. Pois, são por meio dessas vias e de suas possibilidades que permitem à população o deslocamento, o uso e a ocupação do mesmo. É através do deslocamento que os fluxos acontecem e que se criam as dinâmicas que provocam a consolidação dos espaços e, sobretudo, aliam à construção de dinâmicas sociais e econômicas.
Conforme Maricato (2001), as cidades de médio porte, ou seja, que possuem uma população entre 100 e 500 mil habitantes, assim como Mossoró, apresentaram uma taxa de crescimento maior do que as das metrópoles nos anos 80 e 90. Entretanto, para manter esse crescimento de forma ordenada, se faz necessário a adoção de regras e planos, em que tanto o governo como a sociedade civil venham contribuir para o fortalecimento dessas ações no espaço intra-urbano das cidades.
De acordo com Silveira, Lapa e Ribeiro (2007) o espaço intra-urbano é formado por uma dinâmica particular, onde se relacionam acessibilidade, mobilidade e segregação, sendo considerado heterogêneo nos dois primeiros aspectos.
No espaço intra-urbano, também se percebe a presença de duas dimensões distintas e persistentes sendo elas o espaço e os seus percursos, que por sua vez influenciam na cultura urbana e se articulam na dinâmica estrutural e nas práticas sóciais urbanas. Outra caracteristica encontrada nas cidades é a segregação espacial nos bairros residenciais, se observarmos conseguimos visualizar que as diferentes classes sociais tendem a estarem concentradas em uma mesma área, e que se essas forem as de alta renda, esse deslocamento dar-se normalmente no mesmo sentido dos eixos de principal acesso. (SILVEIRA, LAPA E RIBEIRO, 2007)
Já Villaça (2001, p. 24) define o espaço intra-urbano como sendo aquele que:
[...] é estruturado fundamentalmente pelas condições de deslocamento do ser humano, seja enquanto portador da mercadoria força de trabalho – como no deslocamento casa/ trabalho –, seja enquanto consumidor – reprodução da força de trabalho, deslocamento casa – compras, casa – lazer, escola, etc. Exatamente daí vem, por exemplo, o enorme poder estruturador intra-urbano das áreas comerciais e de serviços, a começar pelo próprio centro urbano.
Foto 16: Avenida Felipe Camarão – Centro – Mossoró. Crédito: Start Pesquisa e Consultoria Técnica