Codi Especialitat Anys d’experiència Característiques
Categoria 7. Reflexió i avaluació personal: dues eines per arribar a ser el mestre que un vol ser
A parceria com Raul SeixasA parceria com Raul Seixas
A parceria com Raul SeixasA parceria com Raul Seixas
Paulo Coelho e Raul Seixas, em 1972 (o escritor está à esquerda) e, abaixo, no palco, no último show do cantor, em 1989
Manifesto da Sociedade Alternativa
Prefácio e Saudação
Nós vos saudamos, Maria. Nós Vos Saudamos José. E nós saudamos os artistas brasileiros que tiveram o silêncio do resto do mundo quando seus trabalhos e seus corpos foram censurados, mutilados
desaparecidos. Manifesto
1- O espaço é livre. Todos têm direito de ocupar seu espaço.
2- O tempo é livre. Todos têm que viver em seu tempo, e fazer jus as promessas, esperanças e armadilhas.
3- A colheita é livre. Todos têm direito de colher e se alimentar do trigo da criação.
4- A semente é livre. Todos têm o direito de semear suas idéias sem qualquer coerção da INTELEGENZIA ou da BURRICIA.
5- Não existe mais a classe dos artistas. Todos nós somos capazes de plantar e de colher. Todos nós vamos mostrar ao mundo e ao Mundo a nossa capacidade de criação.
6- “Todos nós” somos escritores, donas-de-casa, patrões e empregados, clandestinos e careta, sábios e loucos.
7- E o grande milagre não será mais ser capaz de andar nas nuvens ou caminhar sobre as águas. O grande milagre será o fato de que todo dia, de manhã até a noite, seremos capazes de caminhar sobre a Terra. Saudação final do 11º manifesto.
Sucesso a quem ler e guardar este manifesto. Porque nós somos capazes. Todos nós, todos nós somos capazes. Raul Seixas Paulo Coelho Sylvio Passos Toninho Buda Ed Cavalcanti Christina Oiticica Logotipo da Sociedade Alternativa Tela do site do Fã-clube oficial de Raul Seixas www.raulrockclub.com.br
Acervo Raul Rock Club
Gita, disco de Raul Seixas
Polygran - 1974 À esquerda o “imprimatur” da SA
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
Rio de Janeiro: Shogun Art - 1983 Capas das duas edições
Raul Book
Livro organizado por Kika Seixas e com prefácio de Paulo Coelho Rio de Janeiro: Gryphus - 1994
A parceria de Paulo Coelho com Raul Seixas produziu alguns dos maiores sucessos do músico. Ambos idealizaram a “sociedade alternativa”, do qual restam hoje vestígios, como o seu Manifesto, redigido originalmente em 1985 e divulgado até hoje — vários sites dedicados a Raul Seixas expõem-no. O gibi-manifesto A fundação de krig-ha, escrito por Paulo Coelho e Raul Seixas também é um manifesto do grupo.
Por outro lado, o tipo de comunicabilidade com grandes audiências resultado desta parceria parece refletir-se no trabalho de Paulo Coelho. Uma comunicação fácil e relativamente aberta a diferentes significados. Entretanto, Raul Seixas tem hoje, sem dúvida, no imaginário dos fãs, uma imagem consolidada de contestador e rebelde; assim, não por acaso, o grafismo do músico no site do fâ-clube, acima, faz lembrar Che Guevara.
Outro documento da trajetória de Paulo Coelho junto com Raul Seixas e o livro As aventu-
As edições dos sucessos inciais de Paulo Coelho, por sua primeira editora, a ECO, e a posterior, a Rocco, não apresentam diferenças significativas, nas capas, acima, ou entre textos e paratextos. A Rocco só mudou a cor de fundo das contracapas, tornando-as bran- cas. Os textos permanecem os mesmos. No caso de O diário de um mago, há um trecho do livro e uma biografia sucinta do autor, e em O alquimista, só um fragmento do livro. Nota-se que a ECO, pelo menos desde a 5ª edição de O alquimista, qualifica Paulo Coelho, na capa, como o “autor de O DIÁRIO DE UM MAGO”. Na 7ª edição, ao lado, a ECO ainda não cita o segundo livro do autor, mas destaca o número da edição, expediente também utilizado pela Rocco. Por outro lado, em O diário de um mago já há menção ao livro ser do “AUTOR DE O ALQUIMISTA”.
Apesar destas similaridades, é possível pressupor que algo essencial modifica-se,
ao menos parcialmente, devido à mudança de editora: o público. O Diário de um MagoRio de Janeiro: ECO 7ª ed. - S.d.- 14 x 21cm
O Diário de um Mago (capa e contracapa)
Rio de Janeiro: ECO 1ª ed. [?] - S.d.- 14 x 21cm
Todas as capas desta página são de Christina Oiticica
O Diário de um Mago (capa e contracapa)
Rio de Janeiro: Rocco 45ª ed. - 1990 - 14 x 21cm
O Alquimista (capa e contracapa)
Rio de Janeiro: ECO 5ª ed. - S.d. - 14 x 21cm
O Alquimista (capa e contracapa)
Rio de Janeiro: Rocco 11ª ed. - 1989 - 14 x 21cm
Quadro Ilustrativo 8
Os primeiros sucessos editoriais de Paulo Coelho
Os primeiros sucessos editoriais de Paulo CoelhoOs primeiros sucessos editoriais de Paulo Coelho
Os primeiros sucessos editoriais de Paulo CoelhoOs primeiros sucessos editoriais de Paulo Coelho
Logotipo da Editora Rocco Logotipo da Editora Eco
Construir um público, a história da literatura ensina, é uma das operações mais complicadas da cultura moderna.
Sarlo (1985, 155)
Iremos neste capítulo contextualizar a produção de Paulo Coelho em relação ao mercado editorial brasileiro e à situação da leitura no país, ao mesmo tempo em que aprofundaremos aspectos da profissionalização do escritor, relativos ao caso específico de Paulo Coelho. Por fim, analisamos os três livros do escritor, que foram responsáveis pelo início da construção do público do mesmo, isto é, as obras que inauguraram suas grandes vendagens: O diário de um mago, O alquimista e Brida.
Em relação ao primeiro ponto, utilizamos dados gerais produzidos por entidades da área sobre o mercado editorial, numa perspectiva histórica, bem como informações que mostram elementos que limitam sua expansão. É inevitável, aqui, discutir a validade relativa destes dados, por fatores internos (modo de organização do dado) e externos (não cobertura de determinadas práticas) inter-relacionados, o que recomenda vigilância nas interpretações feitas a partir destes índices.
Já na discussão da situação da leitura no país, fomos beneficiados pela obtenção dos dados da pesquisa Retrato da leitura no Brasil, feita por entidades ligadas à área do livro e divulgada em 2001. Após descrever alguns dos pontos e conclusões principais desta pesquisa, apontamos para o modo como representações sobre o ato de ler do brasileiro puderam projetar-se na divulgação e análise dos dados realizada por órgãos de imprensa – o que se relaciona com modos de “exclusão” do leitor e formas de ler.
Depois, cruzando os dados apresentados, bem como discutindo aspectos do desempenho “profissional” de Paulo Coelho e suas editoras, apontamos para possíveis fatores explicativos da forte penetração mercadológica do autor. Dessa forma, elaboramos a hipótese de que entre os elementos responsáveis pela popularização de Paulo Coelho está o fato de sua produção ter conseguido atingir, por meio de expedientes próprios, faixas de público até certo ponto previsíveis, quanto ao crescimento tendencial do mercado local.
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Ao fim do capítulo, após a análise do conjunto de obras do autor escolhidas, elencamos aspectos que foram abordados na etapa da pesquisa empírica, descrita no Capítulo 5, devido a esta aproximação aos textos de Paulo Coelho. Como discutiremos, é a partir de um conjunto de marcos textuais que o leitor produz interpretações – porém, as leituras são mediadas por uma série de fatores contextuais. Dessa forma, o ponto principal da análise foi, menos do que sugerir que a interpretação realizada por nós concorda totalmente com a produzida pelos leitores, elaborar hipóteses a respeito do consumo do escritor, que fossem retomadas, tanto durante a coleta de dados, quanto na fase de análise dos mesmos.
A análise da série histórica de dados sobre o mercado editorial brasileiro indica – sobretudo numa comparação temporal – um crescimento contínuo, demonstra também grandes possibilidades de aumento do mercado. Conforme dados da Câmara Brasileira do Livro (ver Anexo 8), no ano de 2000 foram vendidos 332 milhões de livros, contra 212 milhões em 1990, ou seja, o setor, nesse quesito, cresceu cerca de 57%. Neste mesmo período, o faturamento em dólares do setor aumentou quase 130%, passando de 906 milhões para 2 bilhões.
Os dados quanto à produção de livros também mostram uma continuada progressão: em 1966 foram produzidos 43,6 milhões de livros, contra 245,4 e 329 milhões em 1980 e 2000, respectivamente. Da mesma forma, a relação livros (publicados) por habitante também apresenta melhoria: era de 0,5 em 1960; 1,3 em 1983 (IBGE apud Reimão, 2001) e, em 2000, alcança cerca de 2 livros. De acordo com a Associação Nacional das Livrarias, cada brasileiro lê (ou melhor, compra), em média, 2,3 livros por ano (apud Scolese, 2001)84. Isso certamente respalda-se numa profissionalização do setor editorial, que, segundo autores como Hallewell (1985), tem impulso a partir dos anos 60.
Outro indicador relativamente positivo para a área é a diminuição do número de analfabetos e o crescimento do nível educacional. Assim, se o índice de analfabetismo em 1940 era de 57%, em 1999 foi de 13,3%. O percentual do “analfabetismo funcional”
84 A Alemanha tem o melhor índice, com uma média de 18 volumes per capta/ano, seguida pelo Japão com
(maiores de 15 anos com escolaridade inferior a quatro anos) é superior: 29,4% (IBGE
apud Folha de S.Paulo, 2001).
Entretanto, uma série de problemas afeta o consumo do livro: o baixo nível de renda de grande parte da população, a insuficiente rede de livrarias (em todo o país há 2008, o que corresponde a uma média de uma para cada 84,4 mil habitantes, segundo o Anuário Editorial Brasileiro; a Argentina, por sua vez, possui uma para cada seis mil habitantes) e o número igualmente baixo de bibliotecas públicas (de acordo com o Ministério da Cultura elas eram 4665, em 1999, apud Pavão, 1999, vide Anexo 8).
A distribuição geográfica das bibliotecas apresenta contrastes regionais similares a das livrarias. O estado de São Paulo possui mais bibliotecas públicas (652) do que toda a região Norte (272). Esta região apresenta uma livraria para cada grupo de 215,3 mil pessoas; no Sudeste, essa relação é de uma para cada grupo de 64,3 mil pessoas e, no Sul, a média é de uma para cada 56,7 mil, de acordo com o Anuário Editorial Brasileiro (apud Scolese, 2001).
Apesar dos ganhos evidenciados numa perspectiva histórica ampla (a década de noventa praticamente não apresenta um crescimento considerável, sendo melhor caracterizada pela recuperação de mercado), uma análise mais cuidadosa dos dados da Câmara Brasileira do Livro mostra que fatores conjunturais (por exemplo, aumento em determinada matéria-prima do livro e/ou determinadas realidades econômicas vividas pelo país) afetam de modo acentuado o consumo do impresso. Assim, houve um reflexo da crise cambial no ano de 1999, com uma queda de faturamento no setor de 12,7%, em relação ao ano anterior85.
Cabe também notar que existem fatores que devem relativizar os índices globais arrolados acima: a metade corresponde a livros escolares (Wassermam, 2001), de outro lado, há uma leitura que não é contabilizada por estatísticas ou é subrepresentada, de acordo com a Associação Brasileira de Difusão do Livro e das Coleções existem 22 mil vendedores de livro de porta-a-porta,
85 A atenção às condições materiais nas quais se desenvolvem as formas literárias é estratégica para prevenir
interpretações errôneas. Um bom exemplo é a análise de Arantes (1982) sobre a literatura de cordel, na qual o autor mostra que a diminuição do consumo desta literatura esteve mais ligada ao aumento do preço do papel (e consequentemente dos folhetos, dirigidos a um público de poucos recursos) do que à concorrência com outras formas de obtenção de informação e entretenimento.
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vendendo a prazo coleções e enciclopédias para leitores ávidos, mas menos abonados. Além disso, há no Brasil cerca de 22 mil bancas de jornal, que ajudam a colocar nas mãos de leitores um número impreciso de livros. Para se ter uma idéia da importância desses dois, basta analisar uma pesquisa realizada pelos alunos da Universidade Estadual do Mato Grosso na pequena cidade mato-grossense de Colider. Segundo o estudo, 25% dos moradores da cidade, que possui uma única biblioteca pública e nenhuma livraria, adquirem livros de ambulantes ou bancas de jornal. (Pavão, 1999, § 6)
Dessa forma, colocam-se para o pesquisador problemas de várias ordens que fazem com que os índices numéricos devam ser utilizados com cautela e lidos com atenção ao contexto social – inclusive o da própria produção do dado (quem produziu e como) um dos fatores que dificultam o trabalho com os índices usuais da área (principalmente a totalização realizada pela Câmara Brasileira do Livro), é a ausência de dados oficiais sobre os autores. As totalizações dividem-se em diversas categorias, mas o modo como elas são conformadas e consolidadas não favorece a clareza na legibilidade de seu significado86. Não conseguimos, nesse sentido, apurar em qual categoria a produção de Paulo Coelho é incluída (enviamos pedidos de informações aos editores, mas eles não foram respondidos, e o próprio autor não sabe a resposta a esta questão).
Desse modo, se pode ser válido perceber uma correlação entre o consumo da produção de Coelho e o aumento significativo na produção de livros “esotéricos” (46 títulos e 79.296 exemplares em 1996, contra 184 títulos e 518.392 exemplares em 1998) e de “auto-ajuda” (107 e 527 títulos e 411.902 exemplares e 2.177.009 exemplares em 1994 e 1998, respectivamente) (vide Anexo 8), este não é ponto seguro, porque, ademais, são pouco claros os critérios que fazem com que um livro esteja em uma categoria (são as próprias editoras que enviam os livros nas categorias para a totalização final). Além disso, há a questão da produção que não é eventualmente informada, ou sequer alvo de consulta, e portanto não recoberta por este levantamento.
Retornando ao caso específico de Paulo Coelho, o número mais atual que localizamos sobre a venda de seus livros, divulgado pela revista Época, menciona 32 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, até março de 2001. E também informa-se que o autor foi editado em 120 países e traduzido em 45 línguas (Época, 2001; note-se que tais índices são os mesmo constantes na página oficial na internet do autor e em site da agência literária ao qual ele está vinculado).
86 Uma crítica aos dados estatísticos sobre a leitura no Brasil em termos similares aos nossos é desenvolvida
Admitindo a hipotética relação de que 1/3 do total tenha sido vendido no Brasil87, teríamos mais de 10 milhões de exemplares em circulação no mercado local desde 1987 (data de lançamento de O diário de um mago). Tem-se, pois, uma razão aproximada de 700 mil exemplares vendidos ao ano, em média, número dos mais expressivos face à realidade editorial exposta anteriormente. De modo que, um único autor, fora do setor didático, teria sido responsável por cerca de 0,2% do movimento de venda de livros no país durante a década de 9088.
Outras informações mostram a força mercadológica do escritor: o último livro de Paulo Coelho, Histórias para pais, filhos e netos vendeu 46 mil exemplares na primeira semana que chegou às livrarias e bancas de jornal (canal de distribuição que não é tão comum) do país (Nunes, 2001) e a tiragem inicial do livro O demônio e a srta. Prym foi de 210 mil exemplares (Sereza, 2000), quando dificilmente uma primeira edição ficcional, nos dias de hoje, ultrapassa dois mil exemplares.
No entanto, menos do que significar somente o poder de atração do autor sobre os leitores, estes dados colocam em destaque, mais uma vez, o papel da “mediação editorial”. Paulo Coelho escreve textos que são manufaturados em livros, processados com determinadas características (inclusive de preço, não casuais) por editores. Estes operam ainda na distribuição do livro (questão central como já vimos e conforme será reforçado pela argumentação adiante) e na sua divulgação. Nesta última instância, os editores contam com a decidida colaboração do escritor.
Além disso, embora não pretendamos nos voltar diretamente para o contexto mundial de circulação do escritor, é interessante notar que seus números são, nesse âmbito, também expressivos, o que faz com que a obra de Paulo Coelho possa ser vista como uma expressão da “mundialização cultural” (Moraes, 2001, Ribeiro, 2001). Moraes (2001) nota que se o the big four – o quarteto formado pelos escritores best-sellers Stephen King, Michael Crichton, John Grisham e Tom Clancy – admitir um novo sócio, Paulo Coelho certamente será um candidato. Cada autor do grupo citado possui um faturamento anual entre US$ 30 e US$ 60 milhões (Moraes, 2001, § 35-36).
87 Que é a situação que ocorreria em 1998, quando dos 20 milhões de livros vendidos pelo autor, 7 milhões
teriam sido no mercado brasileiro (Camacho, 1998, 95). Entretanto, mostrando o quanto se deve desconfiar dos dados, em outra reportagem sobre o autor, posterior, quando ele teria atingido 27 milhões de exemplares, o número de exemplares vendidos no mercado local “diminui” para 6 milhões (Época, 2000, 103).
88 Nestes cálculos, utilizamos os dados constantes na tabela sobre produção e venda de exemplares no Brasil,
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Retornaremos a alguns dos pontos da discussão sobre Paulo Coelho e o mercado editorial brasileiro na conclusão deste tópico; agora, nos voltaremos à importante pesquisa
Retrato da leitura no Brasil.
Esta pesquisa foi feita sob encomenda e financiada pelas seguintes entidades ligadas à área do livro: CBL - Câmara Brasileira do Livro, Bracelpa - Associação Brasileira de Celulose e Papel, Snel - Sindicato Nacional dos Editores de Livros e Abrelivros - Associação Brasileira de Editores de Livros; a empresa que executo-a, coletando dados entre dezembro de 2000 e janeiro de 2001, foi a A. Franceschini Análises de Mercado. Pioneira no estudo da leitura no Brasil, sob uma amostragem que visou a representatividade total da população brasileira com mais de 14 anos e pelo menos três anos de estudo escolar (um universo estimado de 86 milhões de pessoas), o trabalho teve como objetivo principal “identificar a penetração da leitura de livros no Brasil e o acesso a livros” (CBL/Bracelpa/Snel/Abrelivros, 2001, 189).
Naturalmente, por ser a primeira pesquisa nacional do gênero (projeta-se que ela passe a ser repetida a cada dois anos), a interpretação dos dados não contou com o auxílio de série histórica. Porém, o levantamento identificou características importantes das práticas da leitura no Brasil, de modo que iremos correlacionar alguns de seus dados e conclusões para discutir certos aspectos do êxito mercadológico de Paulo Coelho.
A pesquisa construiu/identificou quatro “tipos empíricos” de leitor:
- O leitor corrente, 14% da população com mais de 14 anos e 3 anos de escolaridade, conjunto estimado em 12 milhões de leitores – liam um livro no dia da entrevista;
- Os compradores, que seriam 20%, cerca de 17,2 milhões de pessoas – o critério de identificação foi a compra de pelo menos um livro no ano de 2000;
- O leitor efetivo, 30% da população pesquisada, cerca de 26 milhões de leitores – haviam lido pelo menos um livro nos últimos três meses;
89 Tivemos acesso a um conjunto de slides com os dados da pesquisa, assim, as citações referem-se ao
número de slide do documento. Vale notar que inserimos algumas tabelas desta pesquisa, aos quais fazemos referência na continuidade do texto, no Anexo 8.
- Os que costumam ler, 62%, grupo estimado em 53 milhões de leitores – brasileiros alfabetizados maiores de 14 anos que declararam que “costumam ler” livros.
Trabalhando com as variáveis sexo, idade, escolaridade e classe econômica (A = faixa de renda maior que R$ 2994; B = renda entre R$ 1065 e 2943; C = R$ 497 a R$ 1064; D = R$ 263 a 496,00 e E = até R$ 262) a pesquisa indica que o comprador típico pertence aos grupos B e C, que somam 12 milhões de leitores, e o comprador típico possui ou cursa o ensino médio. A compra média declarada é de 5,92 livros por ano, do que resultam 1,21 livros por adulto alfabetizado (nos termos da pesquisa: maior de 14 anos, com 3 anos de escolaridade).
Outra informação importante é relativa aos locais de compra, a pesquisa demonstra que, embora as livrarias sejam o principal local (57%), na medida em que diminui a faixa de renda aumentam os índices de outras alternativas (banca de jornal, igreja, vendedor de porta em porta, entre outros). Relação parecida ocorre quanto ao tamanho das cidades: quanto menor, maior o peso de canais alternativos às livrarias.
As motivações principais para a compra de livros são a “obtenção de conhecimento” (30%), ter momentos de “distração e lazer” (22%), “evoluir espiritualmente” (17%) e “dar de presente” (14%). Os homens citam mais a primeira motivação do que as mulheres, e o contrário ocorre com as seguintes. Daí que a pesquisa diga que o “homem busca informação e ascensão profissional e a mulher busca mais ‘paz interior’ e presentear” (CBL et al., 2001, 32).
O principal bloqueio à compra do livro é econômico (57%), devido ao custo do livro ou falta de recursos para comprá-lo. A “falta de estimulação” (“informação”, “indicação” e “solicitação formal da escola/empresa”) vem a seguir com 31%. Já a posse do livro é desigual, refletindo a distribuição de renda do país, assim, 18% da população possui 73% dos livros (de qualquer natureza).
Os principais gêneros de leitura citados pelo leitor corrente (os 12 milhões que liam um livro na época) foram: “literatura adulta” (29%), “religião” (20%), a Bíblia (18%) e livros de “filosofia e psicologia” (que incluía o gênero auto-ajuda) (19%). De modo que a leitura religiosa é bastante presente, ao todo, 38% dos leitores consumiam-na, sendo mais característica das mulheres, com 45%, contra 31% dos homens. Os grupos com menores rendas, maior idade e menor escolaridade lêem mais livros religiosos, enquanto a
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“literatura adulta” tem mais público nas faixas de leitores com menor idade, maior