Codi Especialitat Anys d’experiència Característiques
Categoria 9. Temporalitat: anar passa a passa
7. Orientacions i criteris per a la gestió emocional en el procés de canvi
Os livros de Paulo Coelho desde Os livros de Paulo Coelho desde
Os livros de Paulo Coelho desde Os livros de Paulo Coelho desde O diário de um magoO diário de um magoO diário de um magoO diário de um magoO diário de um mago
Ficções, relatos - Editora Rocco (RJ)
O diário de um mago 1987 O alquimista 1988 Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei 1994 Brida 1990 As valkírias 1992
Ficções - Editora Objetiva (RJ)
O monte Cinco 1996 Verônica decide morrer 1998 O demônio e a Srta. Prym 2000
Coletâneas - diversas editoras
Adaptações - Ediouro e Rocco
O dom supremo Rocco (RJ) 1997 Cartas de amor do profeta Ediouro (RJ) 1991 Manual do Guerreiro da Luz Objetiva (RJ) 1997 Maktub Rocco (RJ) 1994
Histórias para pais, filhos e netos
Globo (RJ) 2001
Palavras essenciais
Vergara & Riba (SP) 1999
Frases
Ediouro-Tecnoprint (RJ) 1994
Observa-se aqui toda a produção de Paulo Coelho, lançada no mercado local, de 1987 a 2001, num total de 15 livros. Notamos que os livros dirigidos a um público mais amplo, que podemos classificar como as “ficções” e “relatos” do autor, são editados quase sempre com um intervalo de dois anos. O índice médio de publicação do escritor, porém, chega a um livro por ano, com o acréscimo das adaptações e coletâneas (colunas de jornal, frases e histórias).
Indicamos nas legendas o ano da primeira edição, embora nem sempre as edições mostradas correspondam à original (são as existem hoje no mercado). Quanto a isto, merece destaque a tentativa da Rocco de padronizar as capas dos livros do escritor, de seu catálogo. Assim, o nome do autor aparece sempre numa tarja próxima ao meio da capa e os títulos têm a mesma tipologia.
É bastante difícil apreender os conteúdos e as formas de uma cultura popular no momento em que ela é vivida e reproduzida. Banal em sua essência, e portanto dificilmente identificável, testada e reinventada a cada dia, e portanto eminentemente fluída, somente quando está morta e embalsamada pelo folclore, ou suficiente distante para se concentrar e deixar transparecer suas linhas de força, é que ela se torna passível de suscitar interesse e reflexão. Esforçar-se para formalizar o grande número de observações triviais e pontuais que podemos fazer, nos parece todavia a melhor maneira de prestar atenção ao que se passa hoje nesses grupos.
Lafont (1985)
– Daqui para frente você vai sozinho – disse o Alquimista [...]
– Obrigado – disse o rapaz. – Você me ensinou a Linguagem do Mundo. – Eu apenas recordei o que você já sabia.
O alquimista (p. 229)
A biblioteca adulta na qual foram localizados os leitores participantes da pesquisa empírica localiza-se numa região intermediária entre o centro e a periferia da cidade de São Paulo. Em verdade, numa avenida que faz a ligação entre as duas regiões. Ela ocupa um quarteirão inteiro do Bairro, junto com o prédio de outra biblioteca, infanto-juvenil. No local há uma pequena praça, na qual se destaca, pela estranheza, uma estátua no estilo “realismo socialista”, existem também algumas árvores e dois pontos de ônibus, voltados para a avenida, e um de táxi numa rua lateral.
A praça não possui bancos, de modo que o espaço torna-se quase somente um local de passagem. O caráter pouco atrativo da praça é reforçado pela poluição da avenida, de trânsito intenso. Apesar disto, num dos dias da semana ocorre uma pequena feira de roupas artesanais, doces e outros alimentos, o que colabora para dar alguma movimentação ao lugar, além disso, alguns homens vestidos com roupas brancas, pertencentes a uma sociedade “científico- religiosa”, dão informações sobre suas crenças ligadas a discos voadores, alguns dias por semana.
O Bairro da biblioteca, que é bastante urbanizado, tem passado por mudanças em seu perfil devido a um contínuo adensamento, com a construção de muitos edifícios de apartamentos residenciais, para o qual colabora o fato de ser servido pelo metrô. A estação fica
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a poucos quarteirões da biblioteca. Assim, o local atrai também usuários de bairros afastados. São estes outros bairros da região, mais distantes do centro, que possuirão, geralmente, as características mais típicas do que associamos à idéia de “periferia” da cidade: ruas sem asfaltamento, poucos serviços e comércio. Isto não ocorre no Bairro da biblioteca que, ademais, localiza-se próxima a algumas escolas públicas e privadas e isto acaba garantindo-lhe um público estudantil cativo.
As bibliotecas adulta e infanto-juvenil não possuem exteriormente, do ponto de vista arquitetônico, características marcantes, próprias de um centro de cultura. A cor dos prédios, por exemplo, segue um padrão cinza e, sem as placas identificatórias, seria possível imaginar que no local funcionasse algum outro tipo de repartição, como um posto de saúde. É comum que usuários inexperientes procurem a biblioteca adulta, buscando livros de pesquisa ou de literatura voltados para o público juvenil. Nesse caso, são encaminhados para a biblioteca ao lado.
No caso da biblioteca adulta, o espaço interno do térreo, a área utilizada pelos freqüentadores, consiste num amplo saguão, logo após uma portaria e guarda-volumes, que divide duas salas Uma delas é fechada, e nela fica o acervo de obras gerais, com a maioria dos livros, e, no lado oposto, separado pelo saguão, uma sala grande, com várias mesas para estudo e leitura. E neste local que ficam várias obras e periódicos consultados com frequência pelos estudantes e outros usuários (como as enciclopédias, jornais e revistas), bem como os arquivos com as fichas catalográficas dos livros.
O segundo andar, ao qual se tem acesso por uma escada no saguão, é utilizado basicamente pelos funcionários, para serviços internos. Entretanto, por vezes, alguma das salas deste pavimento poderá ser usada para reuniões ou encontros. Eventos desse tipo, porém, não são constantes. Não há um circuito contínuo de eventos, como conferências e palestras, que movimente a biblioteca. No saguão, entretanto, são divulgados eventos públicos ocorridos em outros espaços culturais, em painéis de acrílico preparados para tanto. Outros tipos de serviços, como os ligados à consulta à internet ou microfilme, não são oferecidos. Por sinal, a própria informatização da biblioteca necessária para o cadastro dos sócios tem, por vezes, problemas.
Assim, o atrativo principal da biblioteca são os próprios livros do acervo – diga-se, bastante bem organizados – e o ambiente propício para o estudo ou leitura. Um ambiente, porém, estruturado sobre regras de conduta bastante claras: silêncio, pouca movimentação, autocontrole. É claro que este ambiente poderá ser um convite ao tédio e à “rebeldia” do
jovem, que é o principal freqüentador do local, não só em termos numéricos, mas também quanto ao volume de tempo passado no ambiente. As atitudes hostis dos jovens em relação à biblioteca podem manifestar-se, tanto num tom de voz deliberadamente mais alto, em determinado situação em que isso é indesejável, quanto no arrastar do tênis pelo piso de cerâmica, a fim de produzir um barulho estridente.
Como vemos no Anexo 6, o público freqüentador é majoritariamente estudantil (74%), com destaque para os alunos do segundo grau (47%)106. Com efeito, visualiza-se claramente como o acesso ao impresso, também via bibliotecas, correlaciona-se em grande medida à educação deste nível, pelo menos. Este aspecto dá à biblioteca um forte caráter estudantil, assim são notáveis as alterações de fluxo de visitas, conforme o calendário escolar: maior e mais “agitado” durante os períodos correspondentes à feitura de trabalhos e provas escolares, e menor durante as férias de início e meio de ano, quando é normal – conforme observamos – que a biblioteca seja pouco visitada. Tal aspecto também é evidenciado pelos dados estatísticos referentes a 1999, de modo que em janeiro e dezembro deste ano a biblioteca recebeu cerca de 2 mil usuários, contra pouco mais de 6 mil em junho e quase 5 mil em novembro.
Cabe notar que utilizar a biblioteca não implica sempre na retirada ou leitura de livros, dessa forma, são comuns os usuários interessados em consulta a jornais, como o Diário
Oficial, ou que acompanhem àqueles que irão retirar livros ou fazer “pesquisas” escolares. Além disso, observamos várias outras situações: na época da pesquisa estruturava-se uma sociedade de amigos da biblioteca, que costumava reunir-se na mesma; algumas pessoas podem pedir para usar uma máquina de escrever do local, ler um volume próprio ou simplesmente utilizar o banheiro.
Estes fatores dão relativa heterogeneidade ao público: o indivíduo pode não ir ao local fazer um trabalho escolar, estudar, mas sim consultar um livro jurídico (ação para o qual pedirá auxílio a um dos bibliotecários, situação, aliás, bastante comum), em função de alguma pendência pessoal nessa área, por exemplo. Esta heterogeneidade do conjunto de usuários foi bastante clara nas próprias modalidades de consumo do impresso observadas num mesmo momento. Assim, notamos durante uma de nossas estadas no local que, na mesa que ficava à nossa esquerda, um casal de estudantes tinha um modo de apropriação ligado à cópia de trecho do livro, enquanto conversavam em voz baixa – eles provavelmente realizavam um trabalho
106 A totalização da tabela refere-se ao ano de 1999, mas isto é pouco relevante, pois trabalhamos
principalmente com dados relativos. E não houve, desde esta data até o momento, nenhum fator que possa ter alterado substancialmente a tendência mostrada.
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escolar; à esquerda um homem de meia idade fazia, em pé, uma leitura semi-oralizada do jornal, enquanto em outra mesa um jovem, que constantemente vinha à biblioteca, lia um livro em silêncio, com concentração. Estes exemplos mostram, de modo simples, o quanto as práticas de leitura podem ser variadas, conforme os interesses e costumes dos indivíduos.
O fato de que alguém não freqüente ou não seja sócio da biblioteca (requisito para o empréstimo de livros ou revistas), como veremos, não impedirá que tenha acesso aos livros e impressos do espaço. Isto ocorre pois o indivíduo pode ler os livros na própria biblioteca ou contar com o auxílio de outro usuário, que tenha pego um exemplar e disponha-se a emprestá- lo ao não-sócio.
As categorias de empréstimos feitas pelos usuários são diversificadas, conforme mostra a tabela no Anexo 6, em virtude do próprio catálogo assim o ser. Os quase 47 mil volumes pertencentes à biblioteca abrangem várias áreas, e a despeito da defasagem entre os lançamentos do mercado editorial e o acervo – decorrentes da política de investimentos governamental – o mesmo possui bons e variados títulos (pelo menos na área que podemos melhor avaliar, ou seja, a de Ciências Humanas). Algumas das edições são relativamente recentes, adquiridas alguns anos após a publicação do livro.
Por outro lado, é muito fácil notar o estado de desgaste a que chegam os livros muito emprestados, principalmente os que, por um motivo ou outro, tendem a serem muito procurados. Isto ocorre também pelo fato de que o número de exemplares de cada um dificilmente ultrapassa dois volumes; caso de parte dos livros de Paulo Coelho, no local. Esta situação implicará certa paciência por parte do leitor, interessado em ler um livro muito procurado. E isto poderá mostrar, por vezes, o quanto um livro pode ser desejado. Acompanhamos, por exemplo, a situação de uma usuária que, informada da data de devolução de Estação Carandiru, de Dráuzio Varela, fez a reserva do mesmo; porém o atraso na devolução obrigou-a a voltar no dia seguinte. Entretanto, neste outro dia, o livro não foi devolvido para a frustração da leitora.
Tivemos a oportunidade também de observar doações de livros por moradores de regiões próximas. Se por um lado isso parece positivo, por outro, causa o risco de tornar o local um depósito de muitos livros “obsoletos” – por exemplo, códigos jurídicos, gramáticas e livros escolares sem validade nos dias de hoje.
A respeito propriamente das preferências para empréstimo, vemos que a categoria “literatura” (25%) é a mais procurada, seguida pela de “obras gerais” (livros de referência)
(17%) e, em terceiro, “ciências exatas” (13%). É possível pensar que o índice relativo à “literatura” é majorado pela forte procura – várias vezes observada por nós e confirmada pelas funcionárias – de estudantes interessados em ler os livros indicados para os exames vestibulares.
Este conjunto de informações aqui descrito caracteriza o espaço que serviu para dar o que chamamos anteriormente de “nível de identidade” básico do grupo de leitores de Paulo Coelho, ou seja, um espaço público no qual os livros são retirados sem ônus para o leitor. Por conseguinte, poderemos comparar o perfil geral dos usuários, aqui mostrado, com o dos leitores participantes da pesquisa, descrevendo e analisando os dados da pesquisa.
Antes disso, porém, duas observações devem ser feitas: sobre o caráter da análise e sobre a busca dos traços de uma leitura “popular” nas apropriações do grupo.
É inevitável que em uma pesquisa qualitativa cheguemos a um grande volume de dados, o que sempre coloca em questão o modo como é feita sua descrição e análise, com os objetivos de esclarecer determinada problemática. Apesar da complexidade deste ponto, no nosso entender, esta tarefa foi facilitada em muito pela clareza que buscamos dar aos protocolos metodológicos com os quais fomos a campo.
Assim, acreditamos ter conseguido atingir, na descrição e análise que se segue, um bom nível de formalização relativa aos relatos e outros dados obtidos. Este nível será suficiente para discutirmos os aspectos a que nos propormos, de início, ou seja, conforme os dois últimos objetivos secundários do trabalho: 1) caracterizar o espaço ocupado pela recepção de Paulo Coelho, no grupo de leitores estudados, em relação a outras atividades de consumo cultural realizadas pelos mesmos; 2) descrever os sentidos correntes dados pelos indivíduos a esta atividade.
Estas questões serão equacionadas nos termos propostos pelos protocolos metodológicos, isto é, a partir do que chamamos índices de apropriação/mediação, ligados a formas de utilização e interpretação e elementos do quadro de referência sociocultural dos sujeitos.
Vemos, hoje, que os objetivos ligados à pesquisa empírica eram relativamente modestos e, portanto, realizáveis. No entanto, é difícil não sentir certa frustração, face à riqueza (e volume) dos dados e de questões para os quais eles apontam. Porém, limitar a análise a algumas poucas dimensões, de acordo com os objetivos expostos, obedece a razões práticas – algumas das quais serão abordadas e discutidas em nossas Considerações Finais.
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Dessa forma, foi a partir da lógica da estrutura da pesquisa que procuramos manter o caminho que tinha sido traçado inicialmente.
A segunda observação que faremos diz respeito ao próprio objetivo principal da pesquisa, isto é, analisar as formas de apropriação de Paulo Coelho por um grupo de leitores, com vistas à compreensão de uma leitura “popular” do autor. Como já dissemos os objetivos secundários expostos acima se relacionam a este objetivo maior. Porém, de um lado, ressaltamos o quanto pensar sobre a leitura/recepção de Paulo Coelho, sob o ponto vista adotado, conduziu-nos a enxergar diversos ângulos da questão. (Ponto ao qual retornaremos nas Considerações Finais.)
Por fim, devemos observar também que a reflexão sobre uma dimensão do “popular” vinculada a práticas de leitura de Paulo Coelho preocupa-se principalmente com a caracterização modalidades de uso – as quais poderão ser vistas tanto sob o ponto de vista de sua autonomia, quanto a sua dependência frente a um sistema dominante (Chartier, 1995).
Nossa perspectiva concentra-se mais no primeiro plano, ou seja, naquilo que demarca uma diferença vinculado ao próprio grupo, frente a um sistema dominante de valores sociais (entre os quais a definição de “literatura legítima”, que exclui Paulo Coelho), de estruturas textuais dos livros lidos, nos termos discutidos no Capítulo 1.
Não ignoramos a existência de dependências e subordinações na prática de recepção realizada pelos leitores, porém, é mais forte nossa tendência em entender esta leitura, por assim dizer, internamente. Assim, tendemos a basear nossa interpretação na análise da perspectiva adotada pelos sujeitos. Acreditamos que análises posteriores do material, por outro lado, poderão visualizar de modo mais acurado também as dependências evidenciadas pelos dados.
E também importante dizer, ainda sobre o caráter “popular” da leitura, que se há um viés socioeconômico no critério básico de amostragem (usuários de biblioteca lêem, mas não compram os livros), procuramos não absolutizá-lo. Como nota Hall, a categoria “popular”, aplicada a grupos sociais, deve ter um sentido menos restrito do quando se refere somente à “classe trabalhadora”. De modo que as
“classes populares” incluem estratos de outra classe que não a classe trabalhadora no seu sentido moderno: assim inclui grupos sociais ou categorias que não tem uma moderna designação de classe clara (por exemplo, as classes baixa-média, pequeno burguesa ou camponesa, ou categorias como mulheres). (Hall apud Ramos, 1993, 167)
Dessa forma Hall aproxima de um autor como Certeau (1980) ao valorizar as práticas “comuns” das pessoas “comuns”, sem poder, não dominantes. O que é o caso da leitura de
Paulo Coelho, pelos leitores de nossa pesquisa. Assim, estamos no âmbito do pensamento relacional sobre o popular, que deve tanto a Gramsci, como vimos.
Como descrito no Capítulo 2, inicialmente sondamos os leitores de Paulo Coelho, sem salientar o fato dos mesmos consumirem este autor, por meio de um breve questionário, de modo que chegamos a um universo de 18 leitores (subconjunto de outro maior ainda, como notaremos). A partir daí localizamos os possíveis participantes da pesquisa, ou então, já no momento em que o leitor tinha o primeiro contato com a pesquisa através do Formulário, o convidávamos a colaborar com o trabalho.
A partir deste processo, feito de uma série de recusas, por falta de tempo ou vontade – talvez receio por parte de certos leitores, principalmente mulheres, chegamos às seis pessoas, as primeiras da lista, adiante, com o nome (fictício), que aceitaram passar por todo o processo da pesquisa.
Inicialmente tínhamos pensado num contato mais intenso com os leitores, no entanto, dificuldades relativas ao tempo dos mesmos e à própria organização da pesquisa, limitaram o relacionamento a praticamente o tempo de obtenção das informações relativas aos protocolos da pesquisa. Dessa forma, os contatos ocorreram em no máximo dois encontros. Embora isso tenha sido suficiente para nossos objetivos, sem dúvida, haveria um maior aprofundamento se tivéssemos tido um convívio mais prolongado e espaçado no tempo com os indivíduos.
Diríamos que isto não reduz a validade que dos dados, nem da análise, o ponto principal aqui é sobre a dificuldade de uma “etnografia de leitura” – sobretudo quando feita por um único pesquisador –, nos termos em que são realizadas, por exemplo, as etnografias do consumo de televisão. Nestas, há o acompanhamento não só do ato de consumo, mas também do cotidiano de uma família ou grupo. A natureza da recepção do impresso é diferente, o que já elimina ou dificulta esta situação de interação entre pesquisador e indivíduos, por outro lado, a maior convivência com um grupo geograficamente disperso, em termos de moradias, foi inviável.
A solução mais apropriada para a efetiva realização de uma etnografia deste tipo deve passar, segundo nos parece hoje, por estratégias próximas às utilizadas por Miranda (1991), que situa o âmbito de organização da pesquisa num bairro. Dessa forma, a pesquisadora pôde
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conviver com os moradores e, depois de algum tempo, ser aceita pelo grupo. A partir de uma convivência intensa com o mesmo, irá realizar o método etnográfico em sua essência. A utilização de grupos de pesquisadores, permitindo o fracionamento das tarefas, tanto de coleta, quanto de descrição e análise dos dados, é igualmente indicada.
Feita esta breve digressão, apresentamos, abaixo, o quadro com o universo e a amostra de leitores pesquisados.
Quadro Descritivo VII - Universo de leitores de Paulo Coelho da biblioteca
Nome/ sexo Idade Escolaridade Profissão Freq. Bibl. Reside Leu Comprou
Bernardo 16 colegial estudante – de 1 ano Na região – de 3 – de 3
Joana 40 colegial secutritária + de 2 anos Na região 10-5 nenhum
Maria 33 colegial entrevistadora + de 3 anos Na região 5-3 – de 3
Rubens 31 Sup. incompl. contador – de 1 ano Na região – de 3 5-3
Ricardo 16 colegial estudante + de 1 ano Na região + de 10 + de 10
Wladimir 23 colegial desempregado – de 1 ano Na região 5-3 nenhum
E (fem.) 22 colegial ourives + de 3 anos Na região 5-3 – de 3
G (fem.) 15 colegial estudante + de 3 anos Bairro 5-3 nenhum
H (masc.) 17 colegial estudante – de 1 ano Na região – de 3 – de 3
J (masc.) 21 colegial ag. segurança + de 1 ano Bairro 10-5 – de 3
L (fem.) 33 colegial comerciante – de 1 ano Bairro 10-5 – de 3
M (fem.) 31 colegial dona de casa – de 1 ano Na região 5-3 nenhum