5. KONKLUSJON OG VEIEN VIDERE
5.6. Refleksjon over eget arbeid
Na interação dos diálogos entre trabalhadores que praticam atividades extra-agrícolas nas áreas, descreveremos as condições objetivas em que se desenvolve a geração de renda, mas preocupados por marcar os pontos de convergência como diferenças de conteúdos dos atores.
Sr. Caio. Segurança-Camponês Acamp. Dois de Julho. 55. anos. Não tem como trabalhar exclusivamente em trabalho de marceneiro, carpinteiro, motorista e só viver disso mesmo que seja assentamento, aquele moço não tem como, porque vai descuidar a roça e não vai ter tanto serviço, e se tiver é absurdo ocupar a terra e não produzir. Aí tem que ir fora.
Sr. Seco. Aposentado-Camponês. Acamp.Dois de Julho. 61 anos. Eu acho que não tem condições de desenvolver trabalho urbano porque a roça é a roça. Se quere fazer uma serrareria não dá no acampamento. Não vai dar, a não ser construir uma cidade aqui. Então, a partir do momento que vira assentamento o pedreiro, eletricista, caldeireiro soldador vai ter porque quando chegue isso sempre vai ter serviço para ele, agora não imagino outras contribuições.
Sr Alberto. Camponês-Marceneiro. Assent, Ho Shi Min. 48anos. Oh, nós temos uma agroindústria de cana e beneficiamento de rapadura que funcionam meio a meio. Eu digo é um beneficio mesmo que dê para as sete famílias que trabalham, porque funciona poucas vezes por ano e pela coleta de cana que é pouca. O restante do ano as famílias tocam sua terra. No futuro vamos precisar tocar o negócio com contador, com vendedores, o assunto é que a pessoa não descuide a roça.
Carlos. Mecânico-Venda. Acamp. Dois de Julho. Betim. 21 anos. Oh! Moço, sempre falei de trabalhar em meu ofício com um grupo de pessoas com oficinas de mecânica para estar contribuindo com eles na renda. Essa pode ser minha contribuição. Se eu chego lá e não dou conta de plantar, minha contribuição é de ensinar outro ofício a quem tiver lá, dá para esse moço juntar um dinheirinho.
As informações mostram a suspeita por aqueles que desenvolvem trabalhos exclusivamente não agrícolas nas áreas consideradas inaptos para trabalho braçal. Chama a atenção que tais suspeitas provêm de camponeses pluriativos. De igual modo, entre os conteúdos dos entrevistados se destaca a dimensão temporal, enquanto a aceitação do trabalho dito urbano fica determinada pela passagem de acampamento a assentamento num processo seletivo, pois nem todas as ocupações extra- agrícolas são úteis. Já na fase de assentamento, foi identificada nas falas uma aceitação por este tipo de ofício, mas sempre condicionado à produção
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da terra. Contudo, também se comprova um auto-reconhecimento por quem exerce trabalhos extra-rurais nas áreas no que respeita à importância de suas experiências na área para geração de renda. Estas informações nos colocam na relação entre as dimensões de trabalho e o conhecimento urbano sobre geração de salário, como mostram os conteúdos selecionados que apresentamos a seguir.
Sr. Gustavo Vendedor-Camponês. Coord. Acamp. Dois de Julho, 60 anos. Se tiver um pedreiro aqui é importante porque se alguém precisar de uma construção, porque se a pessoa não sabe fazer uma casa não pode tentar, porque essa casa vai terminar caindo em cima dele. Então tem que entrar em parceria com esse pedreiro que mora aqui dentro e trocar dia, ele pode capinar a roça dele e o pedreiro vai fazer um dia sua casa. Eu entendo por esse lado o importante que esse conhecimento seja para aumentar a produção da terra.
Sr Antonio Pedreiro-Camponês. Acam. João Pedro Teixeira. 44 anos. Agora os ofícios urbanos servem na roça, motorista, eletricista. Se tem esse conhecimento de pedreiro dá, sempre que esse cara fique na roça, para o campo para o plantio. Tem que ser discutido para a terra, se não esse conhecimento não serve para nós.
Rafael setor de educação MST Acamp. Dois de Julho, 23 anos. O que tem que se discutir é o trabalho, ou seja, ele pode não ser camponês, nem trabalhar a terra, mas pode contribuir em outros espaços e experiências. Puxa, sempre bato na mesma tecla, mas para mim é o diálogo. Por exemplo, pode não ser camponês, mas pode ajudar com o que sabe, construir nossas cassa no futuro próximo nunca discutimos isso é muito novo, mas o assunto é o diálogo. Ele pode não ser camponês, mas pode dirigir o carro que vai levar nossa mobilização.
Os diálogos permitem afirmar que existe consenso entre os camponeses não- agrícolas de que o conhecimento adquirido no exercício das práticas extra-rurais é proveitoso para a comunidade. Entretanto, os conhecimentos urbanos estão restringidos à terra e adquirem validade na medida em que estejam voltados para a produção dita agrícola. Mas também se constata um auto-reconhecimento dos trabalhadores urbanos pelo saber além da terra, gerado na cidade, e não apenas condicionado à produção dita agrícola, o último entrevistado alenta a discussão argumentando a falta de diálogo.
A síntese da análise sobre o trabalho nos permite interpretar que existe consenso na opinião de trabalhadores não-agrícolas de que a ocupação urbana esteja, nas dimensões de aceitação, desconfiança e conhecimento na contribuição econômica, condicionada à produção agrícola.
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As observações apontam um perfil de trabalhador que mesmo desenvolvendo ações extra-agrícolas aproxima-se de um camponês convencional. Não entanto, outro segmento de jovens trabalhadores não- agrícolas reconhece a utilidade da sabedoria urbana em si mesma, mostrando a dificuldade de diálogo entre estas duas esferas. Outro fator que tem destaque na dimensão econômica é a adaptação à terra por parte dos setores vindos da cidade e a desconfiança dos agricultores convencionais, como mostram os seguintes entrevistados.
Chico, camponês-motorista. Acamp.2 de julho. 55 anos
Se mover daqui para a cidade, é difícil viu. Para quem tem um veículo é mais fácil acomodar-se, para quem não tem é impossível porque é pesado. O fulano tem que ter muito amor por seus antepassados, porque quando melhorar a situação, se pintar uma coisa na cidade ele vai, se não tiver tradição.
Juvenal, camponês. Coord. Acamp. Dois de Julho, 53 anos.
A pessoa criada na roça ele já sabe o que tem que fazer, é mais fácil conviver. Ser criado na capital tem mais dificuldade. Temos que fazer muita reunião diferenciada com eles, numa hora ele vai cair na real, um entende outro não.
Romildo, Pedreiro-Camponês. Acamp. João Pedro Teixeira, 39 anos. Tive que aprender de novo a ser camponês. O coordenador de Ho chi Minh está ajudando a gente a entender a cultura daqui, com oficinas para plantar e mexer com abelhas e banana. O mais difícil é a falta de infra-estrutura e acompanhamento técnico. Sem ele, a gente não avança. E muito difícil se manter mesmo que a vontade seja muito grande.
Rafael setor de educação MST Acamp. Dois de Julho, 23 anos. O eletricista que vem, tem que ter vontade de aprender mesmo. Por mais que não seja legítimo ou camponês puro, eu acho que é legal porque a profissão se apreende. Aqui teve uma moça que plantou alho errado e não deu. Meu pai bateu na tecla até agora. Enfim, se eu vou e sou pedreiro, mas quero aprender, ele vem também para não ser o que era antes na cidade. O que vem tem essa característica.
As informações nos indicam que a raiz camponesa é de vital importância para facilitar que setores urbanos se adaptem à terra, e a desconfiança para aqueles que não possuem tal vínculo, mas se observa a iniciativa de um tratamento diferenciado para esse setor. No entanto, vemos uma reafirmação por parte do setor urbano no aprendizado de se adaptar à terra, que poderia ser facilitada pela assistência técnica do estado inexistente na área de João Pedro Teixeira.
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5.2.5-Esfera da mobilidade espacial: Dimensão Trabalho e