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Edward Lawber (HSM, Management, 2006) afirma que os modelos de organização são de cem anos atrás, época em que o ambiente de negócios era estável e baseado em dimensões de produtividade. Na visão do autor, sempre se deve projetar empresas, sendo que processos de mudança a elas referentes surgem a partir da premissa de que devem ser previsíveis e equilibrados e, portanto, seria preciso pensar-se em “construir uma organização mutável em torno de uma identidade relativamente estável” (Lawber, 2006:38). Mediante tais premissas, para conseguir tais exigências, seria realmente preciso considerar a capacidade de reflexão, traduzida e expressa pela argumentação é condição essencial para a produção de agentes organizacionais competentes.

Ao se pontuar que a capacidade empreendedora pode ser vista como uma função social, encontrada em qualquer sociedade altamente industrializada, devendo ser enfocada como processo de extração criativa baseado em valores do ambiente, indaga-se sobre sua efetividade. Em contrapartida, constata-se atualmente que são atualizados mecanismos passivos, apoiados em visão naturalizada de ciência e técnica, geradores de fragilidade quanto ao padrão de concepção e efetivação, oferecendo, assim, espaço para discussão sobre a questão da cultura, como suporte de formação deste perfil do empreendedor, como fios de uma tessitura que, dessa forma, se entrelaçam de forma mais harmoniosa e humanística. Essas produções ou construções das formas simbólicas, envolvendo a interpretação, que seriam processos decodificadores de normas, regras, códigos, constituem toda essa arquitetura que denominamos cultura.

Desta forma, partindo-se do pressuposto de que, mediante a economia global, se faz necessário repensar novas possibilidades, dentre elas a constituição de novos agentes de mudança social, é preciso se considerar a questão da formação do empreendedor como um fator de transformação tanto no que tange às esferas econômicas, quanto ao processo de

desenvolvimento - este considerado como decorrente do capital humano por excelência, aplicado na constituição elaborativa, estratégica e criativa, de onde a influência dos fatores intuitivos também neste manejo auto-organizativo. Entretanto, uma questão se coloca: a lógica do empreendedorismo não se constituiria em seu aprendizado, mas na construção de uma “cultura” que se configura e desconfigura na ação cotidiana e no confronto de seus agentes, com suas expectativas, anseios devaneios, projeções e visões.

Desta forma, nas palavras de Dolabela em entrevista à Revista Gerencias (2005:16): “O campus por excelência do aluno empreendedor é a rua, e não o campus universitário”, de onde a “metáfora da derrubada dos muros”, despertando o seguinte questionamento: de que forma será possível a canalização destes saberes intuitivos, informais? Como poderão ser apreendidos e levados à conquista do domínio da legitimidade científica? Segundo o autor, empreendorismo não é ciência; então, como trabalhar com os riscos e as incertezas sem um arcabouço que os incorpore? Pois a diferença entre gerenciar e ser empreendedor tem como limite a capacidade criativa e inovadora, uma postura auto- organizativa.

Seria possível, também, pensar esta cultura como a própria “construção textual”, a partir do momento em que seja dimensionada como “constructo” imaginário da realidade material que se mostra ao olhar. Por isso, todo o contexto socioambiental, no qual se inserem as ações dos atores na composição destes cenários, é passível de leitura e interpretações. Disso emerge a constituição de uma cultura, enquanto natureza estruturante da relação pessoa/ambiente, como também se faz presente a imersão do sujeito narrativo, como ator social, que constitui essa cultura local em suas interfaces com o pensamento e ação social, cultura então compreendida como formas interpretativas de significados contextualizados. Dessa forma, tornar-se-ia necessário “desocultarem” os sentidos ainda abafados pela sociedade tecnocrata, que considera a técnica como uma forma de pensamento utilitarista- pragmático, e assim revelar a condição de torpor a eles inerentes.

O desafio para o momento se constitui na tentativa de se vir a constituir esta matriz cultural, ou seja, conduzir a formação da cultura empreendedora, que requer, essencialmente, uma postura, ou melhor, uma atitude, na qual se vive, se experiencia, conseqüentemente acarretando-se exigências elaborativas em processos internalizadores.

A reflexão sobre ferramentas, métodos, técnicas e abordagens utilizados nos níveis estratégico, tático e operacional, surgida em décadas passadas, não consegue dar conta

e nem resolver os problemas contemporâneos das organizações, marcados por componentes de alta variabilidade, incerteza e pressão. A postura inovadora e empreendedora, no sentido de exercitar o caráter reflexivo, além de propor novas alternativas de formatos e modelos organizacionais, tem se mostrado uma grande aliada do desenvolvimento econômico, pois oferece um segmento mais sólido à maioria das inovações voltadas para este desenvolvimento (Dornelas, 2003).

Em continuidade ao posicionamento do autor, estudos têm trazido resultados interessantes; no entanto, um dos fatores preocupantes refere-se ao fato de que a maioria dos negócios é informal, sem planejamento, sem identificação com as oportunidades do próprio mercado. Ou seja, sem o compromisso com o fator crescimento e desenvolvimento econômico, em contrapartida à identificação de oportunidades de negócios diferenciados à busca de inovação.

Um possível modelo para análise de elementos de uma competência subjacentes às narrativas, discursos e argumentos sobre o mundo cotidiano de atuação profissional.

Com base em todas as considerações teóricas apresentadas nesta primeira parte da presente tese e a finalizando, apresenta-se o seguinte quadro sinóptico considerado representativo do universo temático que compõe a presente investigação. Tal modelo norteou a estruturação do método de análise que a fundamenta, cujos critérios, processos e produtos serão expostos em sua segunda parte cuja descrição se seguirá.

4. Método