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Quando nos referimos à validação, não estamos tratando de verificação, de comprovação. Antes, trata-se da busca de legitimar com outros pesquisadores e com os profissionais participantes do processo de obtenção das informações várias interpretações possíveis na análise das informações. Acreditamos serem possíveis diversas visões sobre a realidade vivida. Nenhuma interpretação é definitiva, detentora de uma suposta verdade única e absoluta. A complexidade dos fenômenos sociais permite a coexistência de diversas formas de interpretações, mesmo contraditórias. Isto possibilitou ampliar as percepções sobre os fenômenos trabalhados, tendo sido feita, para efeito didático, em quatro fases, conforme esquematizada na Figura 12.

a) A verificação do rigor do processo (VAN DER MAREN, 1996): analisamos todo o percurso metodológico por nós desenvolvido, onde fizemos um diário da pesquisa, registrando suas etapas sucessivas, desde a obtenção das informações, as modificações feitas no quadro conceitual até a fase de interpretação. Verificamos se havia uma coerência entre a problematização, o

referencial teórico, os objetivos da pesquisa, as escolhas metodológicas e os resultados, buscando responder a questões como: as técnicas utilizadas permitem alcançar os objetivos previstos? Os resultados respondem aos objetivos propostos?

b) Controle do material residual – material que não foi utilizado na seleção inicial. Quando íamos retirando extratos das entrevistas feitas, fomos marcando nos textos as partes retiradas das entrevistas e registro das anotações, de forma a percebermos o que não foi aproveitado. Assim, após a primeira finalização da sistematização do conhecimento produzido, voltamos ao material residual, não utilizado, examinando se precisaríamos selecionar outros extratos, que ilustrassem as hipóteses do trabalho. As citações devem ser representativas do conjunto das informações obtidas e não somente da parte extraordinária.

Figura 12 - Processo de validação do conhecimento produzido

Fonte: Autora

c) A validação pelos atores sociais, como sujeitos informantes da pesquisa. Van der Maren (1996) entende que os pesquisadores devem avaliar seus resultados, suas hipóteses com os informantes, para verificar se elas são ou não consistentes; isto é, controlar a pertinência das interpretações pelos

atores do campo empírico. A preocupação da validação dos resultados da pesquisa com os componentes sociais dela se ancora na concepção de não ser suficiente, e até mesmo ético, o pesquisador obter informações e depois socializar o conhecimento produzido somente mediante publicações cientificas. A transformação das práticas é facilitada quando os atores sociais participantes da pesquisa entram em contato com as informações obtidas. Em nossa pesquisa, fizemos a validação pelos atores sociais, enquanto sujeitos informantes da pesquisa e, portanto, coprodutores do conhecimento, em dois momentos: c.1. O primeiro foi quando da elaboração e sistematização do campo comum de atuação dos profissionais da ESF. Após a fase de análise e sistematização das informações obtidas nas entrevistas e nas duas primeiras oficinas de produção de conhecimento, outra oficina foi realizada com os sujeitos participantes da pesquisa, para apresentação da síntese preliminar das informações sistematizadas. O objetivo foi tanto dar um retorno do conhecimento produzido aos atores sociais que podem se beneficiar desta pesquisa, como também validar os resultados preliminares das duas primeiras oficinas de produção de conhecimento realizadas, das entrevistas eobservações. Na terceira oficina, após a leitura do material por nós consolidado, novas reflexões emergiram, até o consenso sobre saberes e práticas que compõem o campo comum de atuação dos profissionais da atenção primária à saúde. c.2. O segundo momento de validação do conhecimento produzido pelos sujeitos informantes ocorreu quando da primeira apresentação dos resultados dos estudos feitos no CSF, no dia 10 de fevereiro de 2012. Tratou-se de uma socialização das nossas interpretações junto aos sujeitos da pesquisa, que compartilharam a experiência de vivenciar, explicar e interpretar os fenômenos trabalhados. A validação foi também um momento rico de retorno para os sujeitos do conhecimento produzido, tendo contado com a participação de 15 dos 23 informantes. Participaram também, como ouvintes, internos do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará, coordenador e alunos do Pet-Saúde, num total de 38 pessoas.

d) O controle por outros pesquisadores. A validação contou, por fim, com uma etapa de excelência, qual seja, a validação por outros pesquisadores. A

orientação, a defesa do objeto de estudo, a qualificação, a pré-defesa e a defesa da tese, para uma banca constituida de cinco pesquisadores, são estes momentos de controle da pesquisa por outros pesquisadores. A publicação de artigos cientificos e apresentação de trabalhos em congressos e eventos similares, onde a produção acadêmica da tese passou pela avaliação de vários examinadores, também foram momentos de validação do conhecimento produzido.

4.8 Elaboração de mapas conceituais

Uma importante ferramenta por nós utilizada para organizar e visualizar a tese foi a elaboração de “Mapa Conceitual”. O mesmo foi constituído por meio do software “CmapTools Versão 3.x”, desenvolvido pelo Institute for Human Machine Cognition, da University of West Florida. Trata-se de ferramenta que permite ao usuário fazer, navegar, compartilhar e criticar modelos de conhecimento representados com mapas conceituais (CABRAL, 2003). Referido software é distribuído gratuitamente pelo IHMC.

A Teoria do Mapa Conceitual foi desenvolvida por Joseph D. Novak (1995), da Cornell University, em 1984, como uma forma de organizar e representar o conhecimento (LIMA, 2004). O mapa conceitual se apoia fortemente na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, que considera organizar o ser humano o seu conhecimento mediante uma hierarquização dos conceitos (TAVARES, 2007).

O mapa conceitual é uma estrutura esquemática (Figura 13) para representar um conjunto de conceitos imersos numa rede de proposições, sendo considerado como um estruturador do conhecimento, na medida em que permite mostrar como as formulações teóricas sobre determinado assunto estão sendo organizadas na estrutura cognitiva de seu autor, possibilitando sua visualização e análise das inter relações dos conceitos, bem como sua profundidade e extensão. Desta forma, o mapa conceitual pode ser definido como representação visual utilizada para partilhar significados, explicitando como o autor entende as relações entre os conceitos enunciados (TAVARES, 2007).

A utilização desta ferramenta nos permitiu acompanhar graficamente e de forma sucinta, durante os dois últimos anos do nosso percurso no doutorado, a elaboração da tese, ajudando-nos na organização e sistematização do conhecimento. Dada a quantidade de conceitos envolvidos, produzimos quatro mapas conceituais, quais sejam: problematização e