Acto de Ser e Ética
Assim, do nosso acto de pensamento finito nasce propriamente o ser. Este deixa de ser algo de já dado ou abscôndito a descobrir, mas sempre já feito, para passar a ser algo que há que criar, participando ontologica- mente do infinito actual de possibilidade metafísica, num simplíssimo gesto de abrir os olhos, num acto de aceitação que, só ele, é verdadei- ramente criador, mas criador de uma criação que não é imposta, antes, é partilhada e fruto de uma abertura de amor, entre um acto que se dá, mas que ainda não é ser, e um acto que se pode dar, apenas como acei- tação, e, nesta aceitação, criar-se como acto de ser e, no mesmo acto, criar o seu próprio mundo e o mundo, não de todos, mas com todos,166e
é neste acto que radica ontologicamente a ética:esta é a própria cria- ção do mundo em e por meio de cada acto do acto de ser humano; do ponto de vista da ontologia semântica do acto de ser humano, o mundo é uma criação ética.167
166Um mundo de todos é algo que releva da ordem do poder, da posse, um mundo
comtodos é algo que necessariamente promana de uma dinâmica e de uma cinética do amor, dado que só no seio desta pode haver espaço, – espaço semântico (e o ódio é uma questão semântica, pois é a impossibilidade do sentido alheio como possí- vel, isto é, a não aceitação da possibilidade de um sentido diferente do meu ou por mim não controlável) –, para todos, o que não se pode passar numa ordem de poder, necessariamente exclusivista.
167T.V.I, pp. 424-425: “Ainsi on peut dire que le monde est dépourvu pour nous
d’intelligibilité et de signification si l’existence n’est pas le chemin de la valeur. Et on abolirait cette intelligibilité et cette signification si l’on voulait qu’il y eût d’emblée identité entre l’existence et la valeur. Le monde n’a pas de sens par lui-même: c’est nous qui lui en donnons un.” (Deste modo, pode dizer-se que o mundo é para nós destituído de inteligibilidade e de significação, se a existência não é o caminho do va-
O ser é a actualização do pensável. O ser não é pensável, mas fruto pensante do acto de consciência: o ser não é uma coisa ou mesmo algo, que se pense, depois de já ser, algo independente do pensamento, que já esteja aí, algures, à espera de um pensamento independente que o pense, mas é o próprio pensamento em acto, a concretização disso. Não há um ser a pensar, a ser pensado. O ser é o acto de pensar. Não é, pois, o ser algo de comparável a uma coisa, o que quer que este equívoco termo queira dizer, mas o acto mesmo do pensamento. O pensamento não se dirige ao ser: o ser habita o pensamento. Mas habita-o, não como quem vem de fora, mas como quem se revela e se presentifica no seio de algo que está para si como o ventre da mãe está para o filho. Assim como a mãe não cria o filho, a partir de um ab- soluto nada, assim o pensamento não cria o ser, a partir de um nada absoluto, mas colabora na sua criação, a partir da abertura metafísica que é o seu puro acto de ser, acto de ser que coincide exactamente com esta mesma colaboração na emergência do ser. O que o acto de ser é, o que é na sua totalidade, na sua relação, na sua riqueza própria pre- sente, revelada, participada, pensada, consciente, o que é como sentido é o produto desta criação matricial, que permite que o possível meta- físico que lhe é oferecido se patenteie. Mas se patenteie, não só para ele isoladamente, mas para o todo da relação que o constitui, pois, no
lor. E abolir-se-ia esta inteligibilidade e esta significação, se se quisesse que houvesse de imediato identidade entre a existência e o valor. O mundo não tem sentido em si mesmo: somos nós que lhe damos um.); M.S., p. 20: “C’est au fond même de la conscience qu’on a essayé de saisir cette ambiguïté entre le bien et le mal qui, en nous obligeant à réaliser l’un et à triompher de l’autre, donne à notre vie elle-même son intensité et sa profondeur. Là réside aussi l’épreuve de notre liberté : et, bien qu’il n’y ait de mal dans le monde que pour qu’il soit supprimé, s’il l’était en effet autrement que par notre effort, le bien le serait aussi et le monde retournerait vers l’indifférence d’un spectacle pur.” (É no próprio fundo da consciência que se tenta apreender esta ambiguidade entre o bem e o mal que, obrigando-nos a realizar um e a triunfar sobre o outro, dá à nossa própria vida a sua intensidade e a sua profundidade. Aí reside também a prova da nossa liberdade: e, se bem que não haja mal no mundo senão a fim de ser suprimido, se, com efeito, o fosse por outro meio que não o nosso esforço, o bem sê-lo-ia também e o mundo regressaria à indiferença de um espectáculo puro.).
que é a sua presença própria, presentifica-se também o que é o todo da presença humanamente mediada, isto é, o universo dos homens e dos seus mundos como presenças reais e como presenças possíveis, comu- nicando sentido, no interior mesmo desta presença mútua de todos a cada um, na interioridade de cada um,168 implicando que cada recusa
de cada homem à plenitude da sua participação própria resulte em res- trição à plenitude da presença de todos os outros.
Compreende-se a consequência ética profunda de cada acto con- sentido ou recusado por parte de cada acto de ser humano: havendo uma inamissível relação entre todos os actos de ser humanos, relação ontológica, pois cada acto de ser humano tem presente, na sua onto-
168M.S., pp 109-110: “L’homme qui vit isolé au milieu des autres hommes pour-
suit une existence secrète qui échappe aux regards de tous et qui n’est qu’un rêve subjectif : dès lors, puisqu’il n’y a que lui qui puisse y pénétrer, il s’habitue natu- rellement à regarder le monde des choses que l’on peut voir et toucher comme le seul monde réel, bien que ce monde, qui est également donné à tous, soit pourtant étranger à chacun. [. . . ] Aussi, aucune communication vraie, si timide soit-elle, n’est insuffisante. Elle abolit la possibilité même de ce mépris qui, dès qu’il naît et si im- perceptible qu’il puisse être, nous refoule déjà dans la solitude. Car elle est toujours une ouverture sur un infini actuel que la conscience déjà pressent et qui ne cesse de nourrir son espérance et de renouveler son mouvement. Si elle est sincère, si elle se produit par le dedans et qu’elle ébranle le cœur même de la personne, elle est déjà un don total, un accès dans le seul monde qui soit réel et qui est un monde intérieur que les apparences manifestent, et non pas un monde extérieur qu’elles dissimulent.” (O homem que vive isolado no meio dos outros homens vive uma existência secreta que escapa aos olhares de todos e que não é mais do que um sonho subjectivo: as- sim sendo, dado que apenas ele aí pode penetrar, habitua-se naturalmente a olhar o mundo das coisas que se podem ver e tocar como o único mundo real, se bem que este mundo, que é igualmente dado a todos, seja, no entanto, estranho a cada um. [. . . ] Do mesmo modo, qualquer comunicação verdadeira, por mais tímida que seja, não é insuficiente. Abole a própria possibilidade de um desprezo que, desde que nasce e por mais imperceptível que possa ser, já nos repele para a solidão. Pois ela é sempre uma abertura para um infinito actual que a consciência já pressente e que não cessa de nutrir a sua esperança e de renovar o seu movimento. Se é sincera, se se produz por dentro e faz estremecer o próprio coração da pessoa, é já um dom total, um acesso ao único mundo que é real e que é um mundo interior, que as aparências manifestam, não um mundo exterior que dissimulam.).
logia própria, a presença dos outros, e, assim, universalmente, não há acto algum que não tenha repercussão universal no universo dos actos de ser humanos. E esta repercussão não é essencialmente nem política nem sociológica, mas ontológica: o engrandecimento de cada acto de ser humano é um engrandecimento de todos os actos de ser humanos, ontologicamente; o seu envilecimento implica o envilecimento de to- dos, ontologicamente. A contaminação é interior ao próprio acto de cada um, pois, a este nível de mútua referência e presença, todos co- municam ontologicamente indirectamente com todos, por meio de um mesmo acto de que todos participam.169
169 M.S., pp. 135-137: “Ce n’est pas non plus en rapprochant leurs corps dans
une sorte d’existence commune et publique où leurs âmes dépaysées ne savent que se taire. C’est en reconnaissant le caractère non pas seulement privilégié, mais uni- que, de leur situation et de leur vocation, qui leur permet d’entrer en contact avec l’Absolu, là même où ils sont appelés à agir ; c’est en découvrant que tous les autres êtres autour d’eux, uniques eux aussi, à la fois par l’originalité de leur nature et par la liberté qui en dispose, sont comme eux les missionnaires de l’Absolu. Ainsi, ce n’est point assez de dire qui ce qui les unit au cœur même de la solitude, c’est la conscience qu’ils ont de coopérer à une œuvre qui est la même. Aucun effort d’un individu laissé à lui-même ne lui permettra de franchir l’intervalle qui le sépare d’un autre individu : dans une tâche commune, chacun d’eux, comme il arrive, pourrait rester éternellement enfermé à l’intérieur de la besogne qui lui est propre ; car la communion ne peut se produire entre eux que si elle se produit d’abord au-dessus d’eux. Elle ne résulte pas, bien qu’on l’ait dit souvent, d’une convergence des volon- tés. Et même elle se refuse souvent à une volonté qui la cherche. C’est qu’elle réside dans un domaine plus haut, où la volonté s’étonne de la trouver réalisée avant qu’elle même ait commencé à agir : elle n’a plus alors qu’à s’incliner et à consentir. [. . . ] Toute amitié humaine commence avec le sentiment non pas seulement d’une double présence de deux êtres l’un à l’autre, mais avec le sentiment d’une autre Présence qui la fonde, qui est la même pour tous les deux, à laquelle ils peuvent se refuser, bien qu’elle ne se refuse jamais, dans laquelle ils ne cessent de puiser, mais qui est elle-même inépuisable, dont ils ne cessent d’être l’un pour l’autre des témoins et des instruments et dans laquelle ils se découvrent à la fois séparés et unis.” (Também não é aproximando os seus corpos numa espécie de existência comum e pública, em que as suas almas deslocadas não sabem senão emudecer. É reconhecendo o carácter não apenas privilegiado, mas único da sua situação e da sua vocação, que lhes permite en- trar em contacto com o Absoluto, aí mesmo onde são chamados a agir; é descobrindo
Esta conclusão parece colidir com a afirmação da incomunicabi- lidade ontológica da pessoa.170 Pelo contrário, afirma exactamente o
mesmo. A incomunicabilidade radica na própria individualidade de cada acto de ser humano. Esta individualidade é dada. É um dado. Cada acto de ser humano é o acto que é. Não se dilui no meio, isso implicaria a anulação do seu acto, com as consequências conhecidas. Também não é absorvível por outro, dado que a consequência seria idêntica. Também não se confunde com as suas manifestações, estas são sempre manifestações de um mesmo acto, que se diferencia, mas que não deixa de ser o mesmo acto, embora, como ser, esteja em cons- tante mudança. A possibilidade de actualização do acto em ser é infinita e infinitos são os estados de ser pelos quais o acto passa. Mas, neste perpassar, o acto permanece o mesmo acto, enquanto acto. É este acto
que todos os outros seres em seu redor, também eles únicos quer pela originalidade da sua natureza quer pela liberdade que dela dispõe, são como eles missionários do Absoluto. Deste modo, não basta dizer que o que os une, no coração mesmo da solidão, é a consciência que têm de cooperar numa obra que é a mesma. Nenhum esforço de um indivíduo deixado a si próprio lhe permitirá vadear o intervalo que o separa de um outro indivíduo: numa tarefa comum, cada um deles, como é possível, poderia permanecer eternamente encerrado no interior da tarefa que lhe é própria, pois a comunhão não se pode produzir entre eles se não se produzir primeiramente acima deles. Não resulta, se bem que tal tenha sido afirmado muitas vezes, de uma convergência das vontades. E chega mesmo a recusar-se a uma vontade que a busca. É que reside num domínio mais alto, em que a vontade se surpreende ao encontrá-la realizada antes mesmo de ter começado a agir: nada mais tem a fazer do que inclinar- se e consentir. [. . . ] Toda a amizade humana começa com o sentimento não apenas de uma dupla presença de dois seres um ao outro, mas com o sentimento de uma outra Presença que a funda, que é a mesma para ambos, à qual podem recusar-se, se bem que ela jamais se recuse, na qual não cessam de se dessedentar, mas que é, em si mesma, inesgotável, de que não deixam de ser um para o outro testemunhas e instrumentos e na qual se descobrem ao mesmo tempo separados e unidos.).
170Como é óbvio, não convém confundir a incomunicabilidade ontológica da pes-
soa, que diz o que é único e irrepetível e irredutível de cada pessoa enquanto o ser que é, o acto de ser que é, bem como o que, assim, evita o seu derramamento ontoló- gico e consequente aniquilação como pessoa, com a comunicabilidade política, que só é possível precisa e exactamente porque as pessoas são irredutíveis umas às outras. Mas tudo isto se encontra abundantemente explicitado no corpo deste texto.
que é irredutível, mesmo ao acto puro de que participa, a qualquer ou- tro acto, sob pena de colapso de tudo no nada. Não há, pois, qualquer comunicação a este nível e, a este nível, o acto de ser humano é inco- municável, intangível. A este nível, o acto é o dado absoluto do acto puro. A única comunicação que há é a sua relação com o acto puro, mas esta não o põe em causa negativamente, antes, positivamente, o põe como absoluto, o ergue absolutamente a partir do absoluto do acto puro e do nada relativo da sua ausência, anterior a esta relação absoluta que o ergue.
Mas cada acto de ser humano é, deste modo, um acto absoluto em si mesmo, enquanto acto. A sua comunicação é, dá-se, ao nível da comum participação no acto puro, presente a todos e a todos erguendo, num mesmo acto, acto este que é absolutamente o mesmo do lado do acto puro, mas diferente do lado de cada acto de ser, ou seriam o mesmo. Mas o que cada um é, na diferença que ergue cada um e a todos como diferentes, é fruto de um mesmo acto que a todos ergue e que os ergue como presentes uns aos outros: no acto de presença próprio de cada um está já presente a presença do outro como acto e, deste modo, todos os actos de ser estão presentes a todos os actos de ser, não porque comu- niquem a sua ontologia própria uns aos outros, o que os entre-diluiria, mas porque a ontologia própria de cada um e de todos já tem em si a possibilidade das ontologias dos outros. Estão todas potencialmente no acto puro que a todos ergue, mas a todos ergue como actos de ser in- ter-presentificáveis. Não comunicam entre si, ao nível do acto próprio de cada um, ou, simplesmente, não haveria actos de ser humanos, pois o acto de ser humano é exactamente definido pela sua incomunicabili- dade ontológica: o acto que um é o outro não pode ser. Mas o mesmo já não se passa ao nível da sua raiz metafísica, isto é, ao nível em que cada acto se apropria, como sentido próprio, das infinitas possibilidades do acto puro e que é o tesouro comum da possibilidade.
Nesta apropriação, emerge a referência a outros actos de ser huma- nos. E isto é também um dado: nenhum acto de ser humano escolheu propriamente o ter no seio da sua ontologia própria referência aos ou-
tros actos de ser humanos, esta referência aparece com o seu mesmo aparecimento actual. Assim sendo, cada acto de ser humano é, para todos os outros, uma possibilidade metafísica, pois, como possível da sua referência de sentido, faz parte do tesouro metafísico que o acto puro põe à disposição de todos os actos de ser humanos. Verdadei- ramente, a comunicação ontológica não se faz directamente, de acto de ser humano a acto de ser humano, o que arruinaria a incomunica- bilidade e a diferença própria que a cada um ergue, mas por meio da participação de todos, não em todos directamente, mas no acto puro. É no e por meio do acto puro que os actos de ser humanos comunicam. E aqui radica profundamente a nossa liberdade metafisicamente enten- dida: há uma garantia de inviolabilidade do acto de cada um, pois este acto nunca é directamente acessível, passa por Deus o acesso a cada um. Não fora assim, e poderia haver acesso ao interior mais profundo de cada homem (aliás, sonho frustrado de todos os tiranos), a sua pes- soalidade poderia ser atingida. Mas o mais que se consegue é eliminar a presença semântica-ontológica externa do homem, ao tentar penetrar naquilo que nele é propriamente metafísico e a que nada pode fazer obstáculo. A liberdade radica nesta essência metafísica do acto de ser de cada homem. Essência intangível.171
O ser também pode dizer-se como uma possibilidade universal,172
desde que esta possibilidade não seja entendida do mesmo modo que se entende o acto puro como possibilidade universal: este é uma possibili- dade em acto, tem em acto os possíveis, não é possível dizê-lo de outro modo; aqui encontramo-nos, mesmo, no limite da dicibilidade, porque no limite da nossa própria realidade, tal como agora a vivemos: é a
171 M.S., p. 100: “Chaque être est un premier commencement : il possède une
initiative qui lui est propre, qui a une valeur absolue et qui le met directement en rapport avec Dieu.” (Cada ser é um primeiro começo: possui uma iniciativa que lhe é própria, que tem um valor absoluto e que o põe directamente em relação com Deus.).
172I.O., p. 13 : “[. . . ] l’être est naturellement assimilé à une possibilité universelle
que ne s’actualise que dans l’existence manifestée.” ([. . . ] o ser é naturalmente assimilado a uma possibilidade universal que não se actualiza senão na existência manifestada.).
medida da nossa consciência; para já, é onde estamos. Se evoluirmos, a nossa linguagem também evoluirá, à medida que a nossa consciência for criando mais ser; é por esta razão que ser e linguagem habitam na mesma casa, sem prioridades. O ser como possibilidade universal sig- nifica que há um domínio infinito em acto que pode advir à consciência como ser. E é esta tensão que, de algum modo, constitui a universali- dade do ser. É uma universalidade prospectiva, a fazer-se. Não se trata de um substante universal, posto algures, nimbado de mistério, expec- tante de descoberta, num infantil “jogo das escondidas” metafísico, com o qual tantas e tantas vezes se caricaturou o chamado domínio do ser.
Não há, pois, um ser feito e escondido a descobrir, há um infinito de possibilidades a actualizar, a actualizar em ser. A descoberta do ser é a sua mesma criação. O ser não é coisa, é acto. A substância não é posição hirta, é actividade criadora, infinita e infinitesimal corrente de actividade que se dá ao amor contemplativo da consciência, como acto que só vem ao ser pela ternura de um olhar que não fixa, mas afaga, que não prende porque não pode, mas caminha ao lado, num universo que é de amor criador, não de posse destruidora.
O ser aparece como fruto da cópula amorosa do acto puro com a consciência finita, como se o acto puro se experimentasse em infinitos actos, cuja não pureza ainda é pura porque acrescenta, por dentro, ao infinito, desenrolando-o em si mesmo, como se a essência mais pro- funda de tudo fosse aquilo a que poderemos chamar de consciência,