B. Thesis
2 Technology and production practice today
2.13 Recording sessions
De acordo com Penrose (2006) para o estudo do crescimento da firma, a sua história tem bastante importância, à vista que o crescimento leva em si a um aprimoramento de sabedoria, que é agregado dentro dos propósitos de crescimento da firma. O termo crescimento é utilizado tanto no aumento da produção, quanto ao acréscimo de tamanho. Como a autora destaca:
um dos pressupostos primordiais da teoria do crescimento das firmas é o de que “a história tem importância”; esse crescimento é essencialmente um processo evolucionário e está baseado no incremento acumulativo do saber coletivo, dentro do contexto de uma firma dotada de propósitos (PENROSE, 2006, p.16).
Aqui a autora valoriza o conhecimento que a firma vai acumulando ao longo do tempo. Esse conhecimento faz com que a empresa aprimore cada vez mais suas atividades e os fundamentos da sua administração que passa a ser mais “organizacional”. Os
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[...] o que Chandler fez não foi recuperar um campo imprestável para semear, e sim fundar a história empresarial como área de estudo independente e importante (McCRAW, 1998, p.19).
administradores vão se especializando junto com o crescimento da firma, aprendendo a lidar com novidades e surpresas do mercado.
Penrose (2006) diz que nesse processo evolutivo da firma, ela atinge um novo equilíbrio a cada momento. Esse equilíbrio não pode ser “estático” como na teoria neoclássica, mas precisa ter o equilíbrio das “ações e das ideias” das firmas, que em momentos de harmonia tomam decisões sobre o seu futuro. Mesmo assim, não existe um equilíbrio duradouro, para a autora o equilíbrio econômico é considerado um “equilíbrio razoável”.
A firma5 vive no seu “entorno”, essa expressão significa que o entorno é mutável e a firma pode modificar ou ser modificada pelo meio em que está inserida, podendo procurar novos territórios e novos ambientes para a sua expansão. O “crescimento da firma”, inicialmente, é analisado pelo seu crescimento interno e subsequentemente passa a ser analisado por sua diversificação e consequentemente pelo aumento das suas instalações. Sempre que existir possibilidades de lucratividade haverá espaços para o crescimento das firmas. O papel da firma na sociedade é representado por suas atividades produtivas e comerciais.
Tratam-se de instituições complexas que influenciam a vida econômica e social de diversas maneiras, envolvendo numerosas e diferentes atividades, tomando uma ampla variedade de decisões significativas, influenciadas por caprichos humanos múltiplos e imprevisíveis, embora geralmente orientados pela luz da razão (PENROSE, 2006, p.42).
A fascinação é estudar como uma empresa consegue se manter no mercado por várias décadas. Sabe-se que no limiar da economia capitalista muitos são os exemplos de empresas de sucesso que atravessaram os tempos e também muitas firmas deixaram de crescer, não conseguindo chegar à maturidade como empresa e como empreendimento. Assim, as firmas possuem uma alta “taxa de mortalidade” na economia capitalista.
Muitas firmas deixam de crescer por uma variedade de motivos: direção pouco empreendedora, administração ineficiente, incapacidade de levantar capitais em quantidade suficiente, falta de adaptabilidade as circunstâncias mutáveis, juízos deficientes levando a erros frequentes e custosos ou simplesmente falta de sorte devida a circunstâncias fora do controle das firmas (PENROSE, 2006, p.39).
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Firmas são unidades mercantis. O sistema econômico em si, define-se pelo tipo de firmas que fazem parte da sua economia (PENROSE, 2006).
Para Penrose (2006) o conceito de empresa e de empreendedorismo é evasivo, sendo difícil de ser analisado dentro de uma “análise econômica formal”, porque esses conceitos estão diretamente ligados a indivíduos, as características desses indivíduos, como o seu temperamento, assim como suas qualidades pessoais que fazem parte do seu psicológico. Assim, a autora define uma empresa como: [...] “uma predisposição psicológica por parte de indivíduos para assumir riscos na expectativa de um ganho e, particularmente, de dedicar esforços e recursos a atividades especulativas” (PENROSE, 2006, p.72).
Já o empreendedorismo parte de uma “decisão empresarial” na qual o empreendedor não se preocupa com o tempo do investimento. Decide arriscar-se em novas oportunidades de lucro, sendo que essas novas oportunidades de lucro a empresa ainda não está plenamente informada sobre o ambiente do negócio. O empreendedorismo vai além dos cálculos que são feitos em relação ao retorno do investimento. É um “viés empresarial” a favor do crescimento (PENROSE, 2006).
A firma empreendedora se for grande, irá destinar permanentemente parte dos seus recursos para a tarefa de investigar possíveis vias de expansão lucrativa, agindo em função do pressuposto, talvez sustentado pela experiência pregressa, de que sempre pode haver oportunidades para um crescimento lucrativo, ou de que a expansão é necessária num mundo competitivo (PENROSE, 2006, p.75).
Para o tamannho ideal da firma, Penrose (2006) afirma que o mercado é quem determina o tamanho da firma e a sua expansão. E o tamanho da firma está ligado a possibilidade dessa poder vender os seus produtos, mas a firma não é uma simples tomadora de decisões quanto ao preço e ao modo de produção. A função da firma vai além desses pressupostos que são descritos pela “teoria da firma” nas ciências econômicas, a firma é diferente do mercado, existe nela algo que no mercado não há, que é o contexto interno de uma “organização administrativa”.
No âmbito temporal da firma, o seu mundo é dividido em “adaptações de curto prazo e longo prazo”. O curto prazo pode ser definido como as decisões cotidianas, que são pertinentes ao seu dia-dia ou mensalmente, decisões sobre as suas atividades rotineiras, geralmente essas decisões são tomadas por cada setor. Já o longo prazo são as adaptações de “longo alcance”, não-rotineiras, pelas quais são definidas políticas pela administração central, envolvendo os principais atores da sua administração (PENROSE, 2006). Enfim, a firma possui inúmeros caminhos a seguir ao longo da sua existência. Nas escolhas desses caminhos e na habilidade em desviar dos obstáculos é que estão as chances da empresa sobreviver num ambiente capitalista de grande competição.