Uredínios hipófilos, esparsos, às vezes gregários, paráfises longas e espessas, hialinas ou levement e pigment adas. Urediniósporos 34 – 42
m × 21 – 27
m, hialinos a marrom muito claros, clavados, em pedicelos curt os, equinulados; equinulações em t orno de 1
m de alt ura (Figuras 15 – D e E). Télios colunares, capiliformes, cilíndricos, ext remament e longos, podendo chegar at é 4 mm de comprimento, hipófilos, formados a part ir de uredínios senescent es (Figuras 15 – A e B). Teliósporos 35 – 66
m × 20 – 26
m, unicelulares, lisos, solidament e cat enulados formando colunas t ridimensionais, geralment e oblongo-cilindricos, ápice obtuso, germinação lat eral (Figuras 15 – C).M aterial examinado: em folhas de Byrsonima pachyphylla Griseb
(Bignoniaceae); Brasil, Dist rit o Federal, Planalt ina, Est ação Ecológica das Águas Emendadas; 27/ 02/ 1997; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 13572. 29/ 08/ 1997; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 15225. 22/ 12/ 1997; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 15729; 06/ 01/ 1998; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 15897. Goiás, M ineiros, Parque Nacional das Emas, KM 44 da rodovia M ineiros; 12/ 04/ 1997; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 14343.
Comentários: O gênero Crossopsora pert ence à família Phakopsoraceae e t em como espécie t ipo Crossopsora zizyphi (Syd. & E. J. Butler) H. & P. Syd. em Ziziphus
oenopolia M ill. (Rhamnaceae). Caract eriza-se por apresent ar espermagônio subcut icular do grupo VI sensu Hirat suka & Hirat suka (1980); écio subepidérmico, irromppent e, aperidiado, tipo Caeoma, eciósporos cat enados, equinulados; uredínios t ipo M alupa sensu Burit icá (1990), subepidérmico t ornando-se irrompent e, usualment e com paráfises sept adas e unidas pela base, urediniósporos solit ários, equinulados, poros obscuros ou dispersos; t élio subepidérmico t ornando-se irrompent e, colunar, cast anho, mais de 2 mm de compriment o; t eliósporos cilíndricos,
51 fort ement e aderidos uns aos out ros formando coluna erect a ou recurvada, com um poro germinativo lat eral.
Burit icá (1999) report ou 11 espécies para os t rópicos, incluindo quat ro novas espécies e dois anamorfos que provavelment e pert ecem ao gênero Crossopsora.
Há apenas duas espécies de Crossopsora descrit as para a família Bignoniaceae:
Crossopsora notat a e Crossopsora byrsonimatis, ambas em plant as do gênero
Byrsonima. As espécies são diferenciadas por (Hennen et al., 2005; Buriticá, 1999): 1. Crossopsora notat a: apresenta uredínios com paráfises curt as, paredes verrugosas irregulares e com áreas lisas.
2. Crossopsora byrsonimat is: apresent a uredínios com paráfises longas e espessas, parede do esporo uniformement e equinulada.
Dodge (1925) relat ou que os t élios colunares de Crossopsora são semelhant es aos de Cronart ium t ant o na est rut ura quanto na ont ogenia, principalment e nas células que ficam ao redor do ápice da coluna. As paredes do ápice das células adjacent es são fundidas com out ra célula em um arranjo vert ical e incorporadas em uma mat riz gelat inosa que lhes dão coesão lat eral. Em Crossopsora essa coluna t em origem em uredínios que já liberaram os urediniósporos, fat o não demonst rado em Cronartium.
Crossopsora byrsonimatis foi relat ada em Byrsonima sericea e Byrsonima
crassifolia (Hennen et al., 2005) na Bolívia, Cost a Rica, Cuba, Guat emala, Honduras, M éxico, Panamá, Port o Rico, Venezuela e em várias regiões do Brasil, como Goiás, M aranhão, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro e São Paulo (Farr et al., 2009).
52 Figuras 15 (A-E): Crossopsora byrsonimat is em folhas de Byrsonima pachyphylla (UB 13572; 15225; 15729; 15897; 14343): A– Télio colunar capiliforme, hipófilo, amarronzado. B– Det alhe de um pedaço de t élio senescent e sobre t ricomas, em M EV. C– Teliósporos adensados em M EV. D– Urediniósporos hialinos em vist a mediana. E– Urediniósporos equinulados em vist a superficial.
53 16. Provável espécie nova de Crossopsora em Blepharodon pictum (Vahl) N. D. St evens
Espermagônio e écio não observados. Uredínios com paráfises pigment adas e curvadas, com 50
m – 75
m de diâmet ro. Urediniósporos não observados.Teliossoros hipófilos, agrupados, part e adaxial com lesões enegrecidas, circulares, com áreas cloróticas (Figuras 16 – A e B). Télios nascem de uredínios velhos, colunares, longos, podendo chegar at é 2 cm de comprimento, capiliformes, marrom - avermelhados, numerosos (Figuras 16 – C). Paráfises 35 – 68
m x 6 – 11
m, periféricas, lisas, marrons, eret as e abundant es (Figura 16 – D, E e F). Teliósporos 33 – 39
m x 12 – 16
m, cilíndricos, unicelulares, fort ement e adensados, cat enulados, marrons quando maduros, com cadeias de até mais de 50 esporos (Figuras 16 – E e G).M et abasídios 28
m x 7
m, hialinos, lat erais, lisos e cilíndricos.M aterial examinado: em folhas de Blepharodon pict um (Vahl) N. D. St evens (Asclepiadaceae). Brasil, M aranhão, Carolina, BR 230 – a 19 km de Riachão; 07/ 04/ 1995; leg. M arcos August o de Freit as; UB (Col. M icol.) 8093.
Comentários: Duas espécies de Crossopsora são conhecidas para a família Asclepiadaceae, Crossopsora Asclepiadaceae Burit icá & Hennen e Crossopsora
mat eleae Dale.
Crossopsora asclepiadaceae, segundo Buriticá (1999) é caract erizado por apresent ar t élios abaxiais, filiformes, marrons, com paráfises 30 – 50
m x 6 – 8
m, periféricas, curvadas, com parede de at é 4
m de espessura e amareladas, os t eliósporos 30 – 36 x 8 – 12
m são oblongos, em fileiras vert icais com at é oit o esporos, hialinos a amarelos. Já os t élios de C. mat eleae apresent am paráfises menores (21 – 35
m x 6 – 9
m) e t eliósporos maiores (40 – 55
m x 6 – 9
m), com cadeias de at é set e esporos.O espécime est udado se difere de C. asclepiadaceae e de C. mat eleae por apresent ar t anto paráfises quanto t eliósporos pigment ados e t ambém por possuir grandes cadeias de t eliósporos. Porém, é necessária a const at ação e descrição da fase
54 uredínica para uma melhor precisão morfológica e t axonômica da espécie. Est udos est ão sendo realizado para t al confirmação. Apesar de não ser um crit ério t axonômico, a fase de met abasídio foi encont rada no espécim e est udado, onde est es são cilíndricos e hialinos.
Est e é o primeiro relat o de um fungo causador de ferrugem para o gênero
55 Figuras 16 (A-G): Provável espécie nova de Crossospora em Blepharodon pictum (UB 8093). A– Télios na part e abaxial da folha. B– Det alhe do t élio capiliforme. C– Télio colunar em M EV. D– Paráfises perif éricas lisas e eret as ao M EV. E– Cort e t ranversal do fungo, most rando crescim ent o do t élio e paráfises periféricas. F– Det alhe das paráfises dos uredínios, pigment adas e curvadas ao M L. G– Teliósporos lisos, pigment ados e cilíndricos, most rando met abasídios hialinos lat erais (set as).
56
CAPÍTULO 2 – DESCRIÇÃO DA FASE UREDÍNICA DE ESPÉCIES DE
PUCCINIALES
A descrição da fase uredínica dos espécimes de Pucciniales foram feitas com base na chave para gêneros anamórficos elaborada por Cummins & Hirat suka (2003), modificada por Hennen et al. (2005), e na chave elaborada por Burit icá & Hennen (1994). Foram encont rados os seguint es gêneros anamorfos:
1. Uredo: soros subepidérmicos ou subcuticulares, produzidos em pedicelos ou sésseis, sem paráfises periféricas.
2. Caeoma: soros com perídio pouco desenvolvido, esporos em fileiras e verrugosos;
3. M acabuna: soros com paráfises periféricas e esporos pedicelados;
4. Physopella: soros com paráfises periféricas curvadas, esporos sésseis e equinulados.
57 1. Uredo sp. 1 (fase uredínica de Puccinia hypt idis-mut abilis M ayor)
Uredínios at é 200
m de diâmet ro, hipófilos, circulares a irregulares, marrom escuros, pulverulent os (Figuras 17 – A, B e C), parafisados; paráfises himeniais clavadas, lisas, hialinas (Figuras 17 – B). Urediniósporos 21 – 26
m × 18 – 24
m, circulares; paredes marrom-escuras a amareladas, equinuladas, at é 3
m de espessura, com dois poros germinat ivos equatoriais. Podem ser encont rados anfiosporos, similares a t eliósporos de Uromyces, elipsóides a globóides, com parede levement e equinulada (Figuras 17 – D, E e F).M aterial examinado: em folhas vivas de Hypt is suaveolens (L.) Poit . (Labiat ae); Brasil, M inas Gerais, Paracat u, Fazenda Bot elho Punt el; 06/ 06/ 1993; leg. José Carmine Dianese; UB (Col. M icol.) 4852
Comentários: São conhecidas oit o espécies de Puccinia parasit ando Hypt is spp. Dent re elas apenas t rês produzem urediniósporos com dois poros equat oriais: P.
hypt idis-mut abilis M ayor, P. neohypt idis Laundon e P. medellinensis M ayor (Baxt er, 1962).
É possível concluir que o mat erial est udado pert ence a P. hypt idis-mut abilis, pois
P. neohypt idis forma urediniósporos cat enulados do t ipo Caeoma e não há relat os de
P. medellinensis parasit ando Hypt is suaveolens, uma espécie com urediniósporos globosos, 18 – 21
m de diâmet ro, parede com 1,5
m de espessura, com pequenas e densas equinulações. Assim, P. medellinsensis pode ser separada de P. hyptidis-mut abilis, com base apenas nas diferenças em t ermos de format o dos urediniósporos, onde P. hypt idis-mut abilis apresent a esporos maiores e com parede mais grossa.
As caract eríst icas da fase uredínica indicam t rat ar-se de uma espécie anamórfica pert ence ao gênero Uredo, por apresent ar esporos produzidos em pedicelos e soros subepidérmicos (Hennen et al., 2005) e possivelment e seu t eleomorfo é Puccinia
58 Figuras 17 (A-F): Uredo sp. 1 em folhas de Hypt is suaveolens (UB 4852). A– Uredínio circular e urediniósporos pedicelados equinulados, vistos em M EV. B– Uredínio most rando paráfises himeniais lisas em M EV. C– Cort e t ransversal do uredínio com urediniósporos pedicelados. D– Urediniósporo em M EV, most rando poro germinat ivo (set a) e equinulações. E– Poros dos urediniósporos (set as). F– Det alhe do pedicelo (set a).
59 2. Uredo sp 2 (fase uredínica de Puccinia sp.)
Uredínios at é 300
m de diâmet ro, hipófilos, pulverulent os, amarelados a amarronzados (Figuras - 18 A e B). Urediniósporos 24 – 33
m × 19– 23
m elipsóides a obovóides, parede amarronzada, com at é 1
m de espessura, equinulações proeminent es e agregadas, com t amanho em média de 1
m, possui 2 ou 3 poros germinat ivos equatoriais (Figuras 18 - C, D, E, F e G).M aterial examinado: em folhas vivas de Hypt is sp. (Labiat ae); Brasil, M ato Grosso do Sul, Campo Grande, Reserva Ecológica da Embrapa, at rás do Depat e/ Empaer; 16/ 08/ 1996; leg. José Carmine Dianese; UB (Col. M icol.) 12062.
Comentários: Esse espécime apresent a uredínios e urediniósporos com
caract eríst icas bast ant e diferenciadas da espécie de Uredo descrit a ant eriorment e. Dent re as diferenças, Uredo sp. 1 possui uredínios com at é 200
m de diâmet ro e marrom escuros, enquant o que em Uredo sp. 2 são amarelados a amarronzados e com at é 300
m. Os urediniósporos em Uredo sp. 1 são circulares e com equinulações menores, enquanto que em Uredo sp. 2 são elipsóides a obovóides, com equinulações proeminent es e agregadas. Porém, ambas as espécies possuem poros germinativos equatoriais, o que as t ornam muito próximas. Não foram encont rados anfiosporos no mat erial est udado.60 Figuras 18 (A-G): Uredo sp. 2 em folhas de Hyptis sp. (UB 12062) A– Soro uredínico hipófilo, pulverulent o, marrom dourado. B e C– Cort e t ransversal de uredínio, com paráfises himeniais e urediniósporos pedicelados. D– Urediniósporo de parede equinulada, vist o em M EV. E– Poro germinat ivo (set a). F– Urediniósporo em foco profundo most rando poro germinat ivo equat orial (set a). G– Urediniósporo com foco na superfície ext erna da parede most rando equinulações.
61 3. Uredo sp. 3 (fase uredínica de Puccinia inrect a H. S. Jackson & Holway)
Uredínios numerosos, anfígenos, principalment e hipófilos, 0,4 mm de diâmet ro, amarronzados, pulverulent os e com perídio (Figuras 19 – A, B e C). Urediniósporos 20 – 26
m × 27 – 32
m elipsóides a obovóides, parede com 2
m de espessura, com equinulações esparsas, com at é 4 poros germ inat ivos equatoriais ou espalhados (Figuras 19 – D, E, F e G).M aterial examinado: em folhas vivas de Peixot oa goiana C. E. Anderson (Bignoniaceae); Brasil, M ato Grosso, Parque Nacional Chapada dos Guimarães; 14/ 04/ 1996; leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 11674.
Comentários: Várias espécies do gênero Puccinia parasit am plant as da família Bignoniaceae, porém apenas Puccinia inrect a já foi relat ada no gênero Peixot oa. As espécies de Peixot oa não foram identificadas.
Como apenas a fase uredínica foi encont rada, uma identificação mais precisa ficou prejudicada. Porém, as descrições do est ádio II de P. inrect a por Jackson (1931) suport am a idéia de que o espécime est udado pert ence ao mesmo t áxon: uredínios com at é 0,5
m de diâmet ro, pulverulent os, irrompent es, formando urediniósporos 20 – 24
m × 28 – 34
m, elipsóides ou obovóides, equinulados e com at é quat ro poros germinat ivos. Esse fungo pert ence ao gênero anamorfo Uredo por apresent ar esporos produzidos em pedicelos e soros subepidérmicos (Hennen et al., 2005) e possivelment e seu t eleomorfo é Puccinia inrect a. Est e é o primeiro relat o do fungo parasit ando P. goiana no Brasil.62 Figuras 19 (A-G): Fase uredínica de Puccinia inrect a em folhas de Peixot oa goiana (UB 11674). A– Dist ribuição de uredínios dispersos em área hipófila da hospedeira. B– Uredínio vist o em M EV. C– Cort e t ransversal do fungo, most rando a ruptura da epiderme. D– Urediniósporos elipsóides a ovóides em M EV. E e F– Det alhe da espessura da parede ao M L. G– Poros germinativos (set as) e equinulações do urediniósporo em M EV.
63 4. Uredo sp. 4 (fase uredínica de Puccinia palicoureae M ains)
Uredínios hipófilos, amarelados a amarronzados, numerosos, pulverulent os, com t amanhos variados, podendo chegar a 600
m de diâmet ro, na part e abaxial das folhas, irrompent es (Figuras 20 - A, B, C e D). Urediniósporos 18 – 28
m × 15 – 21
m em format o de raquet e ou elipsóides a obovóides, hialinos, poros germinat ivos não visualizados; parede at é 2
m de espessura, equinulada, algumas áreas lisas, equinulações proeminent es e esparsas, 1,5 a 2
m de comprimento (Figuras 20 - E e F).M aterial examinado: em folhas vivas de Palicourea coriaceae (Cham.) K. Schum. (Rubiaceae); Brasil, Dist rito Federal, Brasília, Parque Nacional de Brasília; 24/ 02/ 1996;
leg. M ariza Sanchez; UB (Col. M icol.) 10912. Goiás, M ineiros, Km 44 da rodovia M ineiros ao Parque Nacional das Emas, margem direit a junto a placa EM AUS; 12/ 04/ 1997; leg. Ludwing Plening; UB (Col. M icol.) 14332.
Comentários: Parasit am os gêneros Palicourea e Psychot ria, ambos da família Rubiaceae (Farr et al., 2009). Espécie relat ada em Belize e em vários est ados do Brasil (Hennen et al., 2005) .
Espécie bast ant e comum, sobret udo nas regiões de Cerrado de Goiás e do Dist rit o Federal. Puccinia palicoureae se assemelha a Puccinia fallax Arthur, que t ambém parasit a espécies do gênero Palicourea pelo fato de ambas possuírem urediniósporos equinulados, porém o primeiro possui equinulações mais pronunciadas. Apesar da fase III não ser facilment e encont rada, essa espécie pode ser facilment e ident ificada pelos urediniósporos fortem ent e equinulados, com at é 2
m de t amanho. Pert ence ao gênero anamorfo Uredo e t em como t eleomorfo Puccinia64 Figuras 20 (A-E): Uredo sp. 4 em folhas de Palicourea coriaceae (UB 10912; 14332): A– Soros uredínicos hipófilos. B– Uredínio pulverulent o em det alhe (set a). C– Cort e do fungo com esporos pedicelados. D– Uredínio subepidérmico irrompent e em M EV. E– M EV dos urediniósporos most rando equinulação. F– Região lisa da parede do urediniósporo em M L.
65 5. Uredo sp. 5 (fase uredínica de Uromyces euphorbiae Cooke & Peck)
= Uromyces euphorbiicola (Berk. & Curt is) Tranzschel = Uromyces t ordillensis Speg.
Uredínios 180 – 330
m de diâmet ro, subepidérmicos, hipófilos, tornando-se irrompent es, pulverulentos, isolados ou agrupados, marrons (Figuras 21 – A e B).Urediniósporos 20 – 23
m × 13 – 18
m, globóides a elipsóides, parede equinulada esparsadament e, com at é 2
m de espessura, pigment adas, com vários poros germinat ivos dispersos (Figuras 21 – C, D e E).M aterial examinado: em folhas de Chamaesyce hirt a (Linnaeus) M illspaugh
(Euphorbiaceae). Brasil, Brasília, Lago Nort e, Quadra Int erna 04; 03/ 05/ 2002; leg. José
Carmine Dianese; UB (Col. M icol.) 19140
Comentários: Esse fungo infect a espécies do gênero Euphorbia e Chamaesyce, est e últ imo t rat ado muit as vezes como sinônimo de Euphorbia (Hennen et al., 2005), e ocorre prat icament e em todos os Est ados do Brasil (Farr et al., 2009).
A hospedeira Chamaesyce hirt a, conhecido vulgarment e como erva-de-sant a- maria, é uma plant a invasora facilment e encont rada no Cerrado, em áreas cult ivadas e em t errenos baldios. U. euphorbiae é um fungo bast ant e comum associado a espécie, sendo facilment e encontrado.
Recent em ent e foi encont rada uma int eração ent re Collet ot richum t runcatum e
U. euphorbiae, onde, de 77 lesões analisadas, 74 % delas continham os dois fungos associados, 26% continham apenas púst ulas e não foi encont rada nenhuma lesão soment e com acérvulos de Collet rot richum sp. Em decorrência de processos fisiológicos alt erados no t ecido da hospedeira oriundos do parasitismo da ferrugem, que o Collet ot richum se comport aria como oportunist a, drenando e absorvendo nut rient es dos locais próximos da púst ula. Est udos mais detalhados devem ser realizados para comprovação de t al fat o.
66 Figuras 21 (A-E): Fase uredínica de Uromyces euphorbiae em folha de Chamaesyce
hirt a (UB 19140): A– Púst ulas urediniais hipófilas. B– Uredínio irrompent e vist o em M EV. C– Urediniósporos globóides a elipsóides, com poro germinat ivo (set a). D– Det alhe dos urediniósporos pigment ados, com poro germinat ivo (set a). E– Urediniósporo em M EV most rando o poro germinat ivo (set a).
67 Fase uredínica de duas espécies do gênero Coleosporium Lév.
O gênero Coleosporium (Coleosporiaceae), espécie-t ipo Coleosporium
rinant hacearum Kick, foi originalment e descrit o sobre Rhinant us serotinus (Scrophulariaceae) na Bélgica (Cummins & Hirat suka, 2003).
Coleosporium é caract erizado por apresent ar uredínios com perídio e em format o de bolha, irrompent es, não cupulados e, caract erist icament e com urediniósporos cat enulados. As pústulas t eliais são subepidérmicas, irrompent es e gelat inosas quando molhadas. Os t eliósporos são sésseis, unicelulares, pseudocat enulados ou cat enulados (Léveillé, 1847), tornando-se t rissept ados ant es de germinar, quando ent ão funciona como um met abasídio originando, cada uma das quat ro células, um est erigma com um basidiósporo.
As espécies do gênero são het eroécios e as fases de espermagônio e écio são encont radas em Pinus spp., nunca relat adas na América do Sul. É um gênero com várias espécies, aproximadament e oit enta, sendo que apenas seis foram reladas no Brasil: t rês em gêneros da família Compost iae (Elephant opus sp., Calendula sp., Emilia sp. e Senecio sp.), uma em Plumeria sp. (Apocynaceae), uma em Ipomoea sp. (Convolvulaceae) e uma em Clemat is sp. (Ranunculaceae), t odas most rando t élios e uredínios (Hennen et al., 2005).
Nest e t rabalho, relat ou-se a fase uredínica de dois mat eriais de duas espécies de
68 6. Caeoma sp. 1 (fase uredínica de Coleosporium vernoniae Berkeley & Curt is)
= Coleosporium elephantopodis Thuemen
Télios ausent es no espécime est udado. Uredínios 90 – 130
m de diâmet ro, arredondados, anfígenos, mais comument e na part e abaxial da folha, em grupos, colônias esbranquiçadas a amarelo claras, cobrindo grande part e da folha, aparafisados e com perídios redondos após a liberação dos urediniósporos (Figuras 22 – A, B, C e D). Urediniósporos 18 – 27
m × 15 – 20
m, cat enulados, elipsóides, amarelo claros, fortement e verrugosos, poros germinat ivos obscuros (Figuras 22 – E e F).M aterial examinado: em folhas vivas de Elephant opus mollis Humboldt , Bonpland & Kunt h (Compost iae). Brasil, São Paulo, Piracicaba. 18/ 02/ 1997, leg. Elliot W. Kit ajima; UB (Col. M icol.) 13351
Comentários: Est a espécie de Coleosporium é a única relat ada em hospedeiras do gênero Elephant opus. As fases de espermagônio e écio ocorrem em Pinus spp (Carvalho Jr et al., 2002).
Berkeley & Curt is (1874) descreveram a fase uredínica com urediniósporos cat enulados, de 17 – 30
m × 16 – 22
m, elipsóides, uniformement e verrugosos e hialinos, medidas morfomét ricas bast ant e parecidas com o espécime aqui est udado. Uma caract eríst ica não relat ada na descrição é que após a liberação dos urediniósporos é possível visualizar perídios uredínicos, com paredes lisas e de format o arredondado.69 Figuras 22 (A-F): Fase uredínica de Coleosporium vernoniae em folha de Elephantopus
mollis (UB 13351): A– Uredínios arredondados (set a). B– Uredínio vist o em M EV. C– Perídios dos uredínios após liberação dos urediniósporos. D– Cort e t ransversal de dois uredínios peridiados (set a), anfígenos most rando urediniósporos cat enulados (set a) ao M L. E– Det alhe da superfície dos urediniósporos em M L. F– Urediniósporo visto em M EV, most rando det alhes de sua ornament ação.
70 7. Caeoma sp. 2 (fase uredínica de Coleosporium t ussilaginis (Persoon) Léveillé) = Uredo t ussilaginis Persoon, Coleosporium senecionis Kickx
Uredínios 180 – 250
m de diâmet ro, normalment e abaxiais, gregários, esbranquiçados a alaranjados, pulverulent os, irrompent es, sem paráfises, formando halos necrót icos (Figuras 23 – A, B, C e D). Urediniósporos 17 – 29
m × 15 – 26
m, cat enulados, cadeias curt as, elipsóides a ovóides ou irregulares, hialinos, verrugosos a t uberculados, com ornament ações de at é 2
m de alt ura, poros germinat ivos obscuros (Figuras 23 – E, F e G).M aterial examinado: em folhas vivas de Senecio brasiliensis Less. (Compost iae). Brasil, Rio Grande do Sul, Pelot as; 29/ 10/ 1994; leg. G. C. Luzzardi / César Sperandio; UB (Col. M icol.) 6803.
Comentários: O fungo infect a espécies do gênero Calendula, Emilia e várias espécies de Senecio (S. bonariensis Hooker & Arnot t, S. brasiliensis Lessing, S.
crassiflorus DeCandolle, S. grandis Gardner, S. hast at us Bongard, S. pulicaris Baker e S.
selloi (Sprengel) DeCandolle, conforme Hennen et al. (2005).
Fungo de ocorrência no Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e M inas Gerais (Hennen et al., 2005); América do Nort e, Europa, Argent ina e Paraguai (Lindquist , 1982).
Espermagônios e écios desse fungo ocorrem em Pinus spp., nos países do hemisfério nort e. Lindquist (1982) descreveu os soros t eliais como sendo hipófilos, subepidérmicos, arredondados, cerosos, pequenos, irrompent es, alaranjado- brilhant es, com t eliósporos oblongo-clavados a clavados, com 60 – 90 × 16-23
m, hialinos, com paredes delgadas abaixo e espessadas no ápice, at é 20
m de espessura. No ent anto no espécime em est udo t élios e écios não foram encont rados.Coleosporium t ussilanaginis é uma espécie facilmente encont rada em várias regiões do Brasil, sobret udo em áreas da M at a Atlântica (Carvalho Jr et al., 2002).
71 Figuras 23 (A-F): Fase uredínica de Coleosporium t ussilaginis em folha de Senecio
brasiliensis (UB 6803): A– Uredínios de ferrugem na part e abaxial da folha, com sintomas de clorose em volt a. B– Det alhe do uredínio. C– Cort e t ransversal do fungo, most rando perídio (set a) e urediniósporos em pequenas cadeias. D– Urediniósporos verrugosos a t uberculados em M EV. E e F– Urediniósporos hialinos e de format os variados ao M L.
72 8. M acabuna qualeae Butit icá & Hennen (fase uredínica de Aplopsora hennenii J. Dianese & L. T. P. Sant os)
= Aplopsora qualeae Burit icá & Hennen
Uredínios hipófilos, 75 – 150