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Summary, conclusions, and outlook

5.2 Recommendations for further work

A cada dia, a sociedade precisa de pessoas criativas que encontrem soluções para os mais variados problemas. A criatividade é uma característica do homem. Todos detêm essa capacidade, sendo necessário apenas desenvolvê-la, tornando-a presente de forma significativa no dia a dia. Essa afirmação pode ser corroborada pelo pensamento da autora:

A função criativa da imaginação pertence ao homem comum, ao cientista, ao técnico; é essencial para descobertas científicas bem como para o nascimento da obra de arte; é realmente condição necessária da vida cotidiana... (RODARI, 1982, p. 139)

Hoje, a escola recebe um aluno vivo, inquieto e participante, assim sendo, é necessário repensar o processo educacional. Infelizmente, a postura da maioria dos professores quase não garante mobilidade à agilidade do aluno e torna-se necessário trabalhar o aluno como uma pessoa inteira, que tem afetividade, tem percepções de mundo, se expressa, sente, é capaz de criticar e ser altamente criativo. Nesse sentido, os educadores têm a incumbência de preparar os alunos para a vida e não apenas para o mero acúmulo de informações.

O que se percebe muitas vezes é que os setores mais poderosos da sociedade não têm muita intenção de incentivar a imaginação e a criatividade, pois, não seria interessante que as pessoas aprendessem a pensar, uma vez que, o pensamento criativo pode se tornar a arma mais eficaz de transformação do mundo, representando uma verdadeira ameaça a uma ordem social conhecida e vantajosa para eles.

Em contrapartida a essa percepção, a função do verdadeiro educador deve ser tão somente uma: a de educar pessoas que possam mudar esse mundo, tão voltado para coisas insignificantes, tão distante da felicidade de todos, tão cheio de injustiças. Formar pessoas conscientes que lutem por seus direitos e não sejam alheios àquilo que se passa ao seu redor; pessoas que usem do raciocínio lógico, da imaginação e da criatividade para mudar circunstâncias.

Criatividade é sinônimo de “pensamento divergente”, isto é, de capacidade de romper continuamente os esquemas da experiência. É “criativa” uma mente que trabalha, que sempre faz perguntas, que descobre problemas onde os outros encontram respostas satisfatórias, que é capaz de juízos autônomos e independentes, que recusa o codificado, que remanuseia objetos e conceitos sem se deixar inibir pelo conformismo. Todas essas qualidades manifestam-se no processo criativo. (RODARI, 1982, p. 140)

Observa-se que o posicionamento de muitos professores em sala de aula vai de encontro ao pensamento da autora, pois, ao recriminar alunos participativos que indagam, que propõem mudanças nas aulas, que pensam independente e diferentemente da opinião do professor e que não ficam apáticos ao que acontece na aula, eles inibem o potencial criativo desses alunos. Atitudes assim, por parte dos alunos, muitas vezes incomodam o professor em sala de aula, e este não percebe que está, lamentavelmente, sucumbindo a criatividade de seus alunos.

O problema é que o ensino é visto, tradicionalmente, como a transmissão de informações, cabendo ao professor, com o auxílio do livro-texto, transmitir os conhecimentos que constituem algo de grande importância que precisa ser assinalado e aprendido pelo aluno. Este, por sua vez, aprende desde cedo, que existe apenas uma resposta correta para qualquer questão ou problema e precisa sempre reproduzir o conhecimento.

Acostumados com essa realidade escolar, os professores acomodam-se a cada dia em suas práticas pedagógicas de exposição do conhecimento, em que eles são vistos como detentores absolutos desse conhecimento. Aos alunos, cabe a tarefa de aprender cada vez mais a decorar aquilo que o professor transmite. Nesse sentido, observa-se um ensino passivo, sem a participação do aluno na construção de seu conhecimento e, tampouco, na exploração de sua criatividade.

O professor criativo, de espírito transformador, está sempre buscando inovar sua prática e um dos caminhos para tal fim seria dinamizar as atividades desenvolvidas em sala de aula. Uma alternativa para a dinamização seria a variação das técnicas de ensino utilizadas; outra seria a introdução de inovações nas técnicas já amplamente conhecidas e empregadas. (VEIGA, 1996, p. 35)

Sob esse enfoque, admite-se que, para o professor estimular a criatividade em seus alunos, ele também precisa ser criativo. Utilizar recursos em sala de aula que venham a motivar o aluno, já tornaria a aula um tanto mais dinâmica e, certamente, muito mais participativa.

Outra sugestão da autora seria inovar técnicas já conhecidas e empregadas. Acredita-se que uma das técnicas mais utilizadas pela maioria dos professores é a aula expositiva. Mas, nesse sentido, indaga-se: Como inovar a aula expositiva, de maneira que ela contribua com um ensino mais criativo?

Assumindo como fundamento uma concepção pedagógica que busque a vinculação contínua e permanente entre educação e meio social, é possível transformar a aula expositiva numa técnica de ensino dinâmica e capaz de desenvolver o pensamento crítico do aluno, dando-lhe oportunidade para o desenvolvimento da reflexão crítica, da criatividade e da curiosidade científica, atributos essenciais numa educação transformadora. (VEIGA, 1996, p. 42)

Quando se dá ao aluno a oportunidade de fazer o intercâmbio entre a escola e o seu convívio social, a motivação pelo estudo ocorre naturalmente. Ele certamente começará a ver significado naquilo que estuda. Nesse momento, cabe ao professor, favorecer um diálogo entre ele e os alunos e também, dos alunos entre si, tomando-se como partida a experiência destes e relacioná-la com o assunto em estudo.

Nessa perspectiva descrita, os alunos são despertados para observar melhor a realidade à sua volta e também, para estarem atentos aos acontecimentos fora dos limites da escola, tornando-se pesquisadores ativos do conteúdo junto com o professor e, com certeza, desenvolvendo de forma brilhante, sua criatividade ao relatar sua experiência diária.

Em relação à motivação do ensino, concorda-se com Barros (2000b, p. 113), quando reforça que: “Motivar o ensino é relacionar o trabalho escolar aos desejos e necessidades do aluno. É representar “incentivos” que despertem, na criança, certos motivos que a levarão a estudar”.

Com base nestas constatações, recomenda-se aos professores que procurem transformar o próprio trabalho escolar em incentivo, despertando nos alunos, o motivo de desejar novas experiências, de expressar o melhor que eles podem dar na realização de uma tarefa, de atingir a tão almejada aprovação social em seu grupo.

Observa-se que aulas ministradas dando espaço a brincadeiras, contos, música, dramatização, experimentação e prática motivam de forma positiva o aluno, e o professor consegue atingir a atenção espontânea deste, ao trabalho escolar.

A busca de inovação na escola, talvez signifique sair do tradicionalismo e introduzir novas metodologias que motivem o aluno, beneficiando o processo de aprendizagem escolar. Esses recursos utilizados em sala de aula tornam os trabalhos escolares mais atrativos, potencialmente inovadores e conduzem os alunos a uma reflexão crítica de mundo.

Quanto ao posicionamento da atuação crítica e criativa do aluno, concorda-se com Alencar (1990, p. 14), quando expõe sobre “[...] a importância de se cultivar a imaginação e a atividade criadora na escola, através de um ensino orientado para a solução de problemas novos e para a preparação do aluno para a produção do conhecimento”.

Estimular o aluno a buscar soluções para os problemas vivenciados nas atividades escolares, na própria escola, no bairro em que mora, na sociedade em geral, usando a imaginação e a criatividade, desperta uma curiosidade que o conduz e o prepara para chegar a uma conclusão e, assim, produzir o seu conhecimento. Nisso, reside a importância de se colocar o aluno para fazer, para vivenciar situações reais e chegar a soluções cabíveis, pois, muitas vezes, ele está acostumado a receber informações prontas e problemas, aparentemente, resolvidos.

É importante retratar que, no documento da UNESCO (Delors, 1996), citado por Mercado (1999), identificam-se as aprendizagens fundamentais que deverão constituir os pilares do conhecimento: aprender a conhecer; aprender a fazer, aprender a viver junto com as outras pessoas e aprender a ser.

Estas aprendizagens caracterizam um novo paradigma para a educação, em que o aprender passa a ocupar o centro das preocupações e a aprendizagem ganha novo significado, deixando de ser vista como a simples aquisição e acumulação de conhecimentos, passando a ser concebida como um processo de apropriação individual que, embora utilize as informações, o faz de forma totalmente diferente, pois supõe que o próprio educando vá buscá-las, saiba selecioná-las de acordo com suas próprias necessidades de conhecimento. (MERCADO, 1999, p. 37)

Atingir um ensino centrado nessas aprendizagens seria o ideal para o desenvolvimento escolar do aluno. Mas, infelizmente, a maioria dos professores é pressionada a transmitir tão somente o conteúdo curricular, não encontrando tempo necessário para ouvir as indagações do aluno, aproveitar suas ideias, valorizar seus pontos de vista e utilizar os recursos de sua imaginação. Essa prática ajudaria o aluno a construir seu próprio conhecimento.

Assim, observa-se, na realidade escolar, que o potencial do ser humano, apesar de ser imenso, tem sido utilizado de forma muito limitada, permanecendo as capacidades inibidas e bloqueadas por falta de estímulo e de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento.

Por fim, baseando-se nessas considerações abordadas, torna-se necessário citar as ideias errôneas e desfazer esses mitos relativos à criatividade, que segundo Alencar (1990, p. 25) são:

a) A criatividade é um “dom” presente em alguns poucos indivíduos; b) A criatividade consiste em um lampejo de inspiração, que ocorre sem uma razão explicável; c) A criatividade depende apenas de características do próprio indivíduo; d) A criatividade é uma questão de tudo ou nada. Alguns indivíduos são criativos e outros não; e) A criatividade manifesta-se apenas nos trabalhos e produções dos grandes talentos artísticos e nas novas propostas de inventores e cientistas.

Esses cinco pontos abordados pela autora, considerados como mitos, precisam ser retirados do imaginário humano, por entender-se que, a criatividade é um processo mental e emocional, potencialmente presente em todo ser humano, bastando apenas ser estimulado para se tornar desenvolvido. Ao longo do texto apontou-se a criatividade como algo importante e essencial a ser desenvolvida em sala de aula, objetivando uma aprendizagem significativa aos discentes, em qualquer nível de estudo.

Encerra-se este tópico, com uma citação de Cury (2003, p. 17): “Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender”. É sob este aspecto, que o professor, em suas práticas pedagógicas, sente necessidades de informação e usará a informação, por ser um eterno aprendiz. A cada dia surgem situações novas em sala de aula e, como educador, ele precisa aprender a lidar com essas inusitadas situações, através da busca e do uso de informação.

Tendo-se esclarecido os capítulos que embasam os temas voltados à pesquisa realizada, parte-se agora, para a exposição dos resultados obtidos nessa investigação científica, através da análise dos dados informacionais, que compõem o capítulo oito, a seguir.

8 NECESSIDADES E USO DE INFORMAÇÃO DOS PROFESSORES: UM OLHAR