5. DESCRIPCIÓN DEL ITINERARIO
5.8. Recomendaciones
“Os empresários brasileiros precisam deixar de ter medo de serem empresários multinacionais.”
Presidente Lula
Considerando que os empresários brasileiros estão atrasados do ponto de vista de participação no comércio internacional, depois de décadas de uma economia muito fechada, poucos acordaram para a necessidade de exportar, sendo que os pequenos e médios empresários parecem estar adormecidos diante da atual realidade.
No Brasil, que sofre de uma integração comercial perversa (Ricupero), o coeficiente de empresas exportadoras é muito baixo se comparado ao dos países com maior presença global. Além disso, muitas empresas, em vez de adotar o comércio exterior como parte de suas estratégias, exportam para se safar de períodos em que o mercado interno está desaquecido, e logo que este retorna à normalidade, deixam de buscar as exportações. Esses empresários contribuem com a imagem de pouca seriedade brasileira, que poucos grupos empresariais brasileiros, exportadores de fato, lutam para quebrar. Como se pode observar pela Tabela 1, o Brasil manteve estável sua reduzida participação no comércio internacional ao longo das três últimas décadas. Sabe- se também que é reduzido o número de parceiros comerciais do país11.
10 World Development Indicators database, World Bank, April 2004.
11 Por exemplo, em 2000 três países (Estados Unidos, Argentina e Alemanha) responderam por 41,57% da corrente de comércio (exportações mais importações) do Brasil, e outros 12 (Japão, Itália, França, Países Baixos, Reino Unido, México, Bélgica-Luxemburgo, China, Chile, Espanha, Venezuela e Coréia do Sul) por 31,68%, conforme dados do MDIC-SECEX.
A soma da baixa participação com o escasso número de parceiros revela a imagem clara da debilidade comercial brasileira. Outro fator importante que deve ser considerado é a alta concentração de empresas exportadoras. Conforme mostra o Gráfico 1, aproximadamente 30% das exportações brasileiras estão concentradas em 30 empresas, o que demonstra a baixa participação do empresário nacional no comércio internacional.
A baixa participação brasileira também se evidencia a partir de uma comparação com outros países e com o total de empresas nacionais. Com base na pesquisa do ITC (2000), usada pelos mesmos autores, podemos observar pela Tabela 2 o alcance da abertura econômica brasileira em relação a seis países selecionados: Ilhas Mauricio, Nova Zelândia, Chile, Finlândia, Filipinas, Irlanda, México e Argentina. O Brasil aparece com o menor índice na avaliação de sua base exportadora relativamente à do Chile.
A alternativa de estimular o pequeno e médio empresário a atuar no sistema internacional já foi percebida por diversos países e até mesmo pelo Brasil. Entre 1990 e 2001 o número de empresas exportadoras era de 8.537, passando para 16.821 (Markwald e Puga), ou seja, com a abertura comercial, a base expor tadora dobrou de tamanho. Porém, na mesma pesquisa encontra-se outra constatação importantíssima, a grande quantidade de empresas desistentes.
“O diferencial entre o número de exportadores estreantes (média de 3.350 empresas/ano) e a variação liquida da base exportadora (incremento médio de 750 empresas/ano) revela, no entanto, que a taxa de evasão (2.600 empresas/ano) é, também, significativa. As causas dessa evasão são: (I) a mortalidade – seja por desistência ou por efetivo fechamento da firma – de empresas exportadoras, fenômeno que afeta particularmente os exportadores estreantes; e (II) a presença, na base exportadora, de exportadores esporádicos ou oportunistas, ou seja, de exportadores descontínuos.”12
Mesmo 10 anos após a abertura econômica que marcou a década passada, vemos que as carências nacionais se encontram em dois pontos críticos, conformerevela a mesma tabela. O país conta com uma base exportadora estreita e empresas com baixa propensão a exportar. Isto, diferentemente do México e da Nova Zelândia, que compensam a baixa média de exportação por empresa com uma maior base exportadora. Ou como a Irlanda e Finlândia, que têm uma base mais próxima da brasileira e onde, no entanto, a exportação média por empresas é muito mais elevada.
12 MARKWALD, Ricardo; PUGA, Fernando. Promoção de exportações: O que fazer? Revista Brasileira de Comércio Exterior – RBCE. Disponível em: <www.funcex.com.br>. Acesso em: 22 nov 03.
O número relativo de empresas realmente exportadoras é muito reduzido se comparado à quantidade de empresas existentes no país, conforme revelado pela Tabela 3. “Verifica-se que a participação das empresas exportadoras no universo das empresas brasileiras é, de fato, muito reduzida, da ordem de 0,7%. É, precisamente, baseado neste tipo de informação que o alargamento da base exportadora é mencionado.”13
O país, desde seu nascimento, teve uma economia aberta e super-especializada durante todo o período do Império e da Republica Velha. Tal abertura parece ter deixado um trauma na inteligência nacional. Tanto é que, conforme afirma Mauricio Moreira, independentemente do governo ser de direita ou de esquerda, sempre tinha uma visão negativa e desconfiada do comércio exterior.
“Essencialmente uma percepção do comércio como um jogo espoliativo ... que, se deixado ao sabor do mercado, traria prejuízos a nações em desenvolvimento como o Brasil. Os prejuízos decorreriam sobretudo de déficits comerciais crescentes e, por conseguinte, de uma economia estagnada por crises periódicas de balanços de pagamentos.”14
Depois de décadas de uma economia fechada, o governo Collor, no início da década de 90, empreende um movimento de abertura pouco planejado. Ele veio depois de o país viver anos de protecionismo via industrialização substitutiva de importações, freqüentemente caracterizada por recursos mal utilizados, baixa produtividade, falta de escala, além de inúmeras oportunidades perdidas no exterior. “Se, por um lado, a substituição de importações nos permitiu fazer uma mudança estrutural importante, por outro, os seus excessos nos deixaram uma pesada herança, cujos principais sinais eram produtos defasados, baixo crescimento da produtividade, escalas pouco competitivas e queda no desempenho das exportações”15.
O empresariado nacional prosperou assim num ambiente de competição imperfeito, pois a concorrência internacional que nossos homens de negócio não enfrentaram, junto aos períodos de alta inflação que contribuíam para esconder a ineficiência nos preços, fez com que a indústria nacional, mesmo que ampla, não
13 Idem, p. 04.
14 MOREIRA, Mauricio Mesquita. Dêem uma (nova) chance ao comercio. Revista Brasileira de Comércio Exterior – RBCE. Disponível em: <www.funcex.com.br>. Acesso em: 22 nov 03. p. 1.
tivesse boas condições de competição global. Com isto, após a abertura, várias empresas não sobreviveram ou tiveram grandes dificuldades de adaptação à nova fase da economia brasileira.
A abertura comercial iniciou um movimento importantíssimo para o setor produtivo brasileiro, pois este foi obrigado a se aparelhar, a se modernizar e a conquistar qualidade e competitividade. “(...) a participação das importações no consumo doméstico de bens manufaturados, que no final da década de 80 tinha níveis soviéticos (cerca de 5%), chegou a 20% em 1998, um nível ainda inferior ao da maioria dos países industrializados.”16
A falta de coordenação da política econômica com o empresariado, ou seja, a falta de um projeto de promoção comercial concreto, de preparo para defender os interesses nacionais nos organismos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), revelou-se inadequada, pois se eliminou a política de proteção sem colocar nada no lugar. O que ficou foi um setor produtivo agora traumatizado com a concorrência internacional e temeroso de sua capacidade de competir globalmente. A principal barreira à melhoria no desempenho das exportações brasileiras é interna, pela burocracia histórica, pela falta de preparo e pelos traumas históricos sofridos pelo setor produtivo. “O sentimento dos brasileiros em relação à internacionalização ainda é mais de medo e desconfiança do que de percepção de oportunidades.”17
Algumas empresas brasileiras romperam o paradigma da internacionalização. Porém, para a maioria, os obstáculos prevalecem. São barreiras internas que impedem os brasileiros de serem verdadeiros “global players”. Essas barreiras são mencionadas em A Globalização Brasileira18 e incluem baixos níveis educacionais, ambientes de
negócio pouco internacionalizados, problemas de infra-estrutura e burocracia, altos juros, pesada carga tributária, distância geográfica dos principais mercados, percepção errada do mercado brasileiro, falta de confiança na própria capacidade competitiva, baixo conhecimento de idiomas e de mercados no exterior e, principalmente, a falta de visão de longo prazo tanto do empresariado como do governo.
A ausência de recursos humanos qualificados pode ser considerada uma das principais barreiras à internacionalização brasileira, como relembra Marcos Troyjo em seu artigo Manifesto da diplomacia empresarial. Em ar de protesto, expõe a falta de atores internacionais qualificados e a forte demanda pela qual a sociedade está passando. “Em estudo PISA de 2002 das Nações Unidas sobre o nível de educação em diferentes países, o Brasil chegou em 40.º lugar, entre 41 países que participaram. Só o Peru ficou pior. O baixo nível de educação não ajuda para tornar as empresas competitivas, e também não ajuda na abertura para fora.”19
A presença internacional brasileira, como vemos, ainda é muito tímida, mesmo após a abertura comercial, fora exceções de algumas empresas de grande porte. O empresário nacional ainda guarda cicatrizes de seu passado, não enxergando as oportunidades via comércio exterior.
16 Idem, p. 5.
17 URBASCH, Gerhard. A Globalização Brasileira: A conquista dos mercados mundiais por empresas nacionais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 18.
18 Idem. 19 Idem, p. 97.