Chapter 3 Coming to consciousness: Seven Winters
4.4 Reality and unreality: spatial transformations
Participaram desta sessão treze mães. A sessão teve, como objetivo, propiciar às mães uma segunda oportunidade para planejar uma atividade prática, lúdica e pedagógica, com a finalidade de, novamente, vivenciarem o referido papel mediador que lhes compete enquanto sujeitos adultos em desenvolvimento de novas competências. Sendo assim, nessa sessão, as mães desenvolveram o planejamento da segunda Oficina
Pedagógica. É importante pontuar que essa sessão foi solicitada pelas próprias mães, na
sessão anterior.
Assim como ocorreu na 1ª sessão desta fase de intervenção, o procedimento adotado nessa sessão foi a formação de pequenos grupos de trabalho para o planejamento da segunda Oficina Pedagógica. Desse modo, dois grupos foram formados por quatro mães, e um grupo formado por cinco mães. Cada grupo teve, como tarefa, a elaboração de uma atividade para a referida Oficina, a ser desenvolvida com as crianças, na sessão seguinte, e a elaboração do respectivo material.
Tabela 8: Transcrição e análise dos extratos da 4ª sessão da 2ª fase de intervenção.
ATOS DA FALA ESFERAS CATEGORIAS
P: “Então gente, vamos começar nos dividindo em três grupos, Ok? E cada grupo vai planejar uma atividade para a gente desenvolver com as crianças no pátio da escola certo?”
Ra: “E, essa atividade vai ser no pátio na hora do recreio?”
P: “É! Não foi isso que vocês sugeriram no encontro anterior?”
(Todas as mães respondem ao mesmo tempo: “Foi”)
C: “Vamos começar?”
(A pesquisadora retoma, passa por cada grupo de trabalho, mas as mães não a solicitam. A pesquisadora aguarda por volta de 30 minutos, para colocar as propostas em discussão. )
P: “Agora vamos ver quais as atividades que vocês planejaram. Esse grupo... qual a atividade que vocês vão fazer?”
(dirigindo-se a um dos grupos)
C: “Nós vamos fazer um boliche”
P: “Ótimo! Mas como as crianças vão acertar o alvo?” elas não vão ter dificuldade de enxergar longe?” Acional Informação Informação Acional Acional Informação Avaliação Interação - Propor - Incitar - Confirmar. - Informar - Confirmar. - Propor - Incitar. - Incitar - Informar - Explicitar - Avaliar - Conformar
EU: “Nós vamos ajudar... a gente pode ajudar não é? Pode pegar na mão e ajudar a fazer a mira? Por que assim a gente ajuda também aqueles que são cegos.”
P: “Pode, pode sim. Vocês devem pensar em tudo pra que a atividade cumpra seu objetivo ta? Vocês vão precisar de algum material?”
C: “Não, pode deixar que a gente traz um boliche bem legal.”
P: “E vocês já pensaram no que vão fazer?”
(Dirigindo-se ao outro grupo)
S: “Já, nós escolhemos fazer uma roda e brincar de cantigas de roda. As crianças hoje em dia quase não brincam disso e isso era muito bom na nossa infância.”
P: “Muito bom! Vocês vão precisar de algum material?”
ED: “Não o nosso é só fazer uma roda, não precisa de nada.”
P: “E vocês desse grupo, o que decidiram fazer?”
(Dirigindo-se ao último grupo)
MI: “Nós vamos fazer uma brincadeira parecida com aquela da estátua, só que não precisa ficar parado, vai dançando o tempo todo conforme o que a gente for mandando fazer.”
Informação Informação Acional Informação Acional Informação Avaliação Interação Informação Acional Informação - Informar - Confirmar - Exemplificar - Confirmar - Incitar - Informar -Explicitar - Incitar - Informar - Explicitar - Avaliar - Cumprimentar - Conformar - Informar - Explicitar - Incitar - Informar - Explicitar
P: “Como assim? não entendi muito bem...”
MI: “Assim, nós vamos colocar uma música de gestos e as crianças vão ter que fazer todos os gestos.”
P: “E essa música vocês já têm?”
MI: “Já, o som também nós já combinamos quem vai trazer.”
P: “E como se chama essa atividade de vocês?”
MI: “Não sei”... (todas riem juntas)
P: “Então pensem num nome ta?”
P: “Gente, o que vocês acham se a gente realizar essas atividades em forma de circuito. Cada grupo fica num canto do pátio e as crianças vão passando em cada grupo, quer dizer, nós podemos dividir as crianças em grupos e cada grupo de crianças fica um tempo em cada uma das atividades, entenderam?”
MI: “É dá pra fazer assim e todos brincam ao mesmo tempo, mas nós vamos ter que fazer a atividade quantas vezes?”
P: “Isso depende do número de crianças, mas eu acho que no máximo três vezes, né? Dá pra gente organizar as crianças em três grupos e cada grupo de crianças fica 10 minutos em cada atividade. Vocês acham que assim vai ficar bom?”
(Todas respondem ao mesmo tempo: “Dá sim!”) Interação Informação Informação Informação Interação Informação Interação Acional Informação Interação Informação Informação Acional - Complementar - Informar - Explicitar - Confirmar - Informar - Confirmar - Complementar - Informar - Complementar - Propor - Incitar - Se engajar - Explicitar - Conformar - Complementar - Confirmar - Informar - Explicitar - Propor
2.4.2.8 - Análise da 4ª sessão da 2ª fase
Antes das interlocuções apresentadas na tabela 8 e após a proposta apresentada, pela pesquisadora, ao grupo de mães para a formação dos grupos, observou-se, pelo registro em vídeo, uma melhor desenvoltura das mães para se agruparem em relação à primeira sessão de planejamento, isto é, elas se agruparam sem a ajuda da pesquisadora e sem que fossem repetidos os mesmos membros de cada grupo. Esse aspecto ficou também evidenciado, pelo fato de uma das mães, logo no inicio da sessão, após a proposta da pesquisadora para a formação dos grupos, proferir a seguinte fala: “vamos começar?” propondo e incitando as mães a iniciarem o trabalho em grupo. Além disso, o vídeo também deixa evidente que as mães trabalharam de modo organizado, isto é, centrado no tema, com objetividade e assertividade nas suas interlocuções.
Os atos da fala da pesquisadora situaram-se nas esferas acional e de informação, no sentido de confirmar as ações que as mães estavam propondo em seu planejamento. Assim, a pesquisadora, em vários momentos, incitou, informou e confirmou, procurando evidenciar uma melhor clareza das propostas apresentadas pelas mães.
O papel de mediadora da pesquisadora, nessa sessão, foi, sobretudo, o de facilitar as informações geradas em cada grupo e o de incitar as mães a definir, categorizar e descrever suas ações e idéias no processo de planejamento.
É importante ressaltar que, em alguns momentos durante essa sessão, evidenciou-se que algumas interlocuções entre a pesquisadora e as mães localizaram-se nas esferas avaliativas da ação mediadora delas. Assim, em alguns momentos, a pesquisadora provocou as mães a avaliarem e justificarem sua ação mediadora nas atividades propostas, levando em consideração as adaptações e as formas mediacionais necessárias para o desenvolvimento das atividades, tendo em conta a deficiência visual. Com relação ao “boliche”, no que diz respeito à dificuldade que as crianças deficientes visuais encontrariam para acertar o alvo, por exemplo, uma das mães respondeu: “Nós vamos ajudar... a gente pode ajudar, não é? Pode pegar na mão e ajudar a fazer a mira? Por que, assim, a gente ajuda também aqueles que são cegos.”. Essa resposta demonstrou que as mães ainda se utilizavam de um conceito leigo de ajuda, isto é, na proposta que transcrevemos, há um indício de ajuda pobre com relação às especificidades do processo de mediação com o deficiente visual, como, por exemplo, todas as questões espaciais envolvidas no “boliche”. Neste aspecto, a pesquisadora poderia ter intervindo no sentido
de demonstrar às mães a diferença entre o que estamos chamando de “ajuda leiga” e “ajuda especializada”. Retomaremos esse aspecto na discussão geral do trabalho.
No geral, as mães demonstraram, em comparação com o planejamento anterior, mais facilidade, tanto para planejarem as atividades a serem desenvolvidas com as crianças, como para expressarem o planejamento de suas ações mediadoras.