8. Resultater
8.5. Realiserte fordeler og ulemper ved medlemskap
Um aspecto muito valorizado em determinadas abordagens da EA (ver LOUREIRO, 2004a, p.74) é a transmissão de conhecimentos relacionados à temática ambiental. Em alguns momentos integrantes do grupo expressam essa perspectiva de EA e isto está expresso também no projeto do grupo (quadro 5.1.; Anexo B):
EA não sei explicar, a palavra já diz né, educar... educar nesse sentido ambiental, que é o sentido que mais hoje em dia tá faltando, eu acho bastante essa área... passar... passar o conhecimento dessa área ambiental, o conhecimento básico, porque assim... criança né... mas acho que tem que ser desde pequeno, não sei, é difícil. (...) Ah, eu acho que é [suficiente passar os conhecimentos] , porque desde pequeno é difícil, criança é difícil lidar com criança, você tem que ir evoluindo, tem que ser uma coisa contínua, primeira série, faz atividade para a primeira serie, segunda série faz atividade, mas tem que ser uma coisa contínua, não pode fazer até a quarta serie e depois na quinta serie não tem mais. Acho que tem que ser uma matéria, ser desde pequeno porque assim a pessoa vai criando, né, porque muitas vezes você faz uma coisa, eu nem lembro de coisas que fiz na segunda série, na terceira série, tem que ser uma coisa meio contínua né, como se fosse uma matéria eu acho mesmo, matemática, uma coisa assim... (SV2)
Nota-se aqui a importância dada por SV2 a um conhecimento da área ambiental, que poderia ser expresso numa “matéria” no currículo escolar, porém não fica claro qual conhecimento seria esse, mas tradicionalmente em algumas abordagens, que Loureiro (2006b, p.133) denomina conservadoras ou comportamentalistas, se relaciona o conhecimento da área ambiental com os conhecimentos de biologia, ecologia e geografia. Embora não estejam transcritas aqui todas as falas, outros membros do grupo (SV3, SV12, SV9) indicam a importância de haver uma disciplina na escola chamada Educação Ambiental.
SV9 fala de um conhecimento a ser construído que inclua os humanos, do que podemos entender que os humanos são considerados à parte do que geralmente se classificaria como meio ambiente, e que a EA tem como função “inserir os humanos”:
Construir uma consciência, um conhecimento, é... do ambiente, dos elementos, eu vejo EA feito com humanos, então como a gente
insere os humanos, no caso as crianças que a gente trabalha nesse ambiente. E construir um pensamento em cima disso. (SV9)
Tristão (2004, p.49) aponta que a EA deve superar a fragmentação do conhecimento através de uma abordagem transdisciplinar que integre as várias formas de conhecimento, pois o quadro atual de crise do pensamento em que nos encontramos necessita de uma visão complexa para que possa ser transformado.
Guimarães identifica como conservadora a EA que tende
refletindo os paradigmas da sociedade moderna, privilegiar ou promover: o aspecto cognitivo do processo pedagógico, acreditando que transmitindo o conhecimento correto fará com que o indivíduo compreenda a problemática ambiental e que isso vá transformar seu comportamento e a sociedade; (...). (GUIMARÃES, 2004, p.27)
Dentro do grupo existe ainda quem aponte a transmissão de conhecimentos como algo insuficiente, porque em geral as crianças se tornam receptores passivos, sem reflexão. SV2 identifica a educação como algo profundo na esfera dos valores entrando em contradição com a fala anterior onde identifica “educar” como “passar conhecimentos”:
Educar é uma coisa bem profunda, não é uma coisa tão básica, é mais de valores eu acho, educar assim, passar valores, não só conhecimento, valores, caráter, dá exemplo, uma coisa mais profunda, mais na cabeça do que conhecimento básico. (SV2)
É possível identificar nas falas de SV7 e SV5 o problema de se fazer uma EA onde haja a transmissão de conhecimentos sem a participação ativa dos educandos, onde predomine a memorização:
Acho que sim, que tem bastante dificuldade, acho que esse é o problema de hoje em dia da educação, que fica muito como agente passivo, as crianças só ouvem, recebem informação, não processa informação, então acaba que fica meio decoreba, você precisa saber ciência, precisa saber matemática pra prova, mas fica só nisso assim... (SV5)
Porque aí elas entendem, elas vão aprendendo aos poucos, tipo elas raciocinando e não alguém dando informação pronta pra elas, elas vão raciocinando e aos poucos chegando na conclusão delas, não é certo ou errado, elas vão chegando na conclusão própria de cada um, e tem uma consciência dos cuidados que ele tem que ter. (SV7)
SV6 em uma das reuniões expressou seu “medo de deixar o projeto biológico demais”, uma vez que essa abordagem “acaba sendo a prioridade do grupo”. Os valores e a afetividade foram frisados como sendo muito importantes, mas estes temas “ficam num plano secundário”. Durante a entrevista SV6 voltou a falar deste aspecto:
... e aí a gente tá tentando fugir um pouco da biologia tradicional, porque eu acho que era uma das coisas que a gente tava pecando. (...) Ah, eu acho que a gente tava passando muito conceito de biologia, sabe, tava muito ‘aula’ de biologia, na minha opinião, não sei o que as outras pessoas pensam sobre isso, mais tanto que um dia eu falei isso na reunião, eu até me senti mal por isso, porque não é o objetivo da EA, né, EA é muito mais que isso. Tava tendo muita aula expositiva, passando muita dinâmica relacionada ‘como é o ciclo da água’, lógico que é importante, mas também não tiro a importância de atividades para as pessoas se relacionarem, porque elas também estão relacionadas ao MA. (SV6)
Loureiro (2004a, p.80) identifica como convencional a EA que supervaloriza aspectos da biologia. Sobre essa EA ele aponta uma característica de biologização de uma realidade que é ao mesmo tempo “biológica e social na totalidade natural”.
Sobre isso Lima (2004, p.87) problematiza: “(...) o determinismo ecológico tende a reduzir a questão ambiental a um problema estritamente ecológico, sem incorporar as demais dimensões sociais, éticas, políticas e culturais que atravessam e condicionam o fenômeno ambiental.”
Entende-se assim que uma Educação Ambiental que esteja de fato comprometida em superar os conflitos ambientais de nossa sociedade deve compreender e problematizar os processos que levaram a eles como fatores historicamente construídos dentro de um contexto social e político, sendo insuficiente uma abordagem que apenas apresente conhecimentos técnicos acerca destes problemas.
No grupo, embora haja alguns integrantes que compreendam a biologização e a mera transmissão de conhecimentos como uma forma incompleta de educação, existe também aqueles que ainda dão muita importância à transmissão dos conhecimentos ligados à área.