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Raudsand er ikke et egnet sted for lagring av farlig av fall

Arne Bjørlykke

3. Raudsand er ikke et egnet sted for lagring av farlig av fall

Estando as obras in situ seleccionadas para o nosso estudo localizadas em espaços públicos ou de fácil acesso, como referimos no capítulo anterior, não podemos deixar de reflectir sobre a produção artística do azulejo como uma das dimensões da categoria de Arte Pública.

A designação de Arte Pública carece hoje em dia de consenso entre os especialistas. Fernando Gómez Aguillera refere: “Por arte publico se entenden obras e comportamentos estéticos muy distintos. El término arte público carece de una definición concreta. Es vago e impreciso”58. Por isso, é frequente ver a aplicação desta

termo a toda a arte integrada em espaço público, podendo aqui englobar-se um diversificado número de objectos artísticos de carácter comemorativo que, pelo menos desde a Antiguidade Clássica, imortalizam episódios ou personagens importantes para a vida da comunidade. Estes monumentos são normalmente implantados sem qualquer preocupação com a envolvente, sendo indiferente a sua implantação, não sendo por isso concebidos tendo em conta as especificidades do ambiente urbano em que foram colocados. Esta falta de atenção ao contexto arquitectónico e urbano do monumento deve-se, provavelmente, ao facto do conceito de Arte Pública ser relativamente recente. Remonta às décadas de 1950 e 1960, quando a maior parte dos países ocidentais, e sobretudo os Estados Unidos da América, começaram a preocupar-se com a promoção de uma arte de carácter público especialmente dirigida à criação artística contemporânea e tendo em vista o usufruto do cidadão59

58 GÓMEZ AGUILERA - Arte Ciudadania y Espacio Público. On the w@terfront. Barcelona: Universidad de

Barcelona. nº 5 Março 2004, p. 45 [disponível em http://www.edu/water/N05/W05_3.pdf, consulta em

05.10.2009]

. Neste sentido, tendemos a concordar com o pensamento do escultor

59 Sobre a problematização do conceito de “Arte Pública” ver FERNÁNDEZ QUESADA, Blanca – Nuevos

Lugares de inténción: Intervenciones Artísticas em el Espacio Urbano como una de las Salidas a los Circuitos Convencionales Estados Unidos 1965-1995. Madrid: Facultad de Bellas Artes, Universidad

iraniano Siah Armajani (1939): “ El arte público no es arte em espacios públicos. Hay quien desea colocar arte ‘allí’ u ‘aqui’. Otros pretenden construir, hacer el ‘aqui’ y el ‘alli’. Lo primero se llama ‘arte en espacio público’. A lo segundo se le llama ‘arte publico’”60

É esta precisamente a forma desejável de abordagem à arte para o espaço público e que atravessa a maior parte dos conjuntos e elementos que iremos apresentar nesta dissertação. Assim, a Arte Pública será “algo distinto de la dudosa decoración urbana concretada a través de esculturas autónomas emplazadas, más ou menos azarosamente, en lugares públicos, obras que surgem espontaneamente, como de la nada (esculturas cataplún /plop sculpture) o, al contrario, de na explicita voluntad de celebracion de poder

.

Devemos, de facto, distinguir arte em espaço público de Arte Pública. A diferença está entre arte especificamente elaborada para um determinado local e aquela que, no seu processo de concepção, não foi especificamente concebida para um determinado espaço. Desta forma “construir o aqui e o ali”, e não “colocar aqui e ali”, faz com que o meio ambiente melhore através das artes, onde as obras são concebidas especificamente para um determinado local e onde os artistas são envolvidos desde o início, desenvolvendo em parceria com outros actores –arquitectos, planeadores, etc - a construção e ou requalificação desse mesmo espaço.

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Deste modo, embora o azulejo se encontre inscrito no imaginário urbano português desde o século XIX, quando a industrialização permitiu uma maior produção e o aplicou no revestimento das fachadas dos edifícios, fazendo com que passasse do espaço privado para a esfera pública, só pode ser considerado dentro da categoria /

”.

Universidad de Barcelona, nº 2, 2004 [disponível em http://www.ub.es/escult/epolis/bfdez/blanca.fde

201.pdf, consulta em 04.10.2009].

60 Citado por GÓMEZ AGUILERA - Arte Ciudadania y Espacio Público. On the w@terfront. Barcelona:

Universidad de Barcelona. nº 5 Março 2004, p. 49 [disponível em http://www.edu/water/N05/W05_3.pdf, consulta em 05.10.2009].

61 GÓMEZ AGUILERA - Arte Ciudadania y Espacio Público. On the w@terfront. Barcelona: Universidad

de Barcelona. nº 5 Março 2004, p. 46 [disponível em http://www.edu/water/N05/W05_3.pdf, consulta

conceito de arte pública a partir da década de 1950, quando passa a ser feito pelos artistas para um local ou edifício específicos e tendo em conta o usufruto que o cidadão vai ter dele. Ou seja, não se limita a enriquecer plasticamente/ornamentar a superfície de uma edificação, contribui para a criação de uma nova/outra vivência urbana. O anonimato dos revestimentos das novas construções ou de estruturas pré- existentes – a chamada azulejaria de fachada62

A afirmação da cerâmica de autor em Portugal, no final da década de 1950, possibilitou ao artista deixar a sua esfera individual para se adaptar à esfera pública e ao usufruto do cidadão. Esta marcação cronológica coincide precisamente com o Movimento Moderno Internacional que se afirmou na Arquitectura sobre as premissas da Carta de Atenas (1933), com o desenvolvimento da cidade através de novas construções, - coincide precisamente com o que pode ser considerado como “decoração” urbana.

Tal como as fachadas da segunda metade do século XIX e inícios do século XX, as obras que iremos tratar nesta dissertação, assim como a maioria da produção cerâmica da segunda metade do século XX, encontra-se inscrita em espaço público, no exterior e no interior, de fácil acesso ao cidadão. No entanto, o que as torna elementos de Arte Pública, tal como a entendemos atrás, é precisamente a ideia subjacente à sua concepção de construção ou requalificação de lugares através do uso da técnica da cerâmica em que a responsabilidade do artista é partilhada com outros intervenientes, nomeadamente os arquitectos. Há ainda a referir o papel importante das entidades públicas que reconhecem os benefícios da Arte Pública na requalificação dos espaços que gerem, sendo a encomenda pública fundamental para o seu desenvolvimento. É, em simultâneo, um símbolo de prestígio e um meio de melhoria do ambiente urbano.

62 Sobre este assunto ver ARRUDA, Luísa – Azulejaria nos Séculos XIX e XX IN PEREIRA, Paulo – História

da Arte Portuguesa. 1ª ed. Barcelona: Círculo de Leitores, 1995. vol. 3, p. 407-436 e ALMEIDA, Ana –

XIXe Siécle, La Scénographie des Rues IN Un Art des Sens: L’Azulejo au Portugal. Paris: Hôtel de Ville de Paris, 2002, p. 51.

estruturas viárias e equipamentos urbanos63

Também não podemos deixar de referir que esta tipologia de arte teve um grande desenvolvimento a par da expansão das cidades no pós II Guerra Mundial. A cidade é ainda hoje o palco privilegiado para intervenções de Arte Pública e Lisboa, tal como outras cidades europeias e norte-americanas, não fugiu à regra

. Um exemplo deste novo entendimento da arquitectura e da cidade é o Conjunto Habitacional da Avenida Infante Santo (1955- 60).

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O uso do azulejo enquanto Arte Pública no século XX, como elemento qualificador de espaços, prende-se, quanto a nós, com dois factores que resultam precisamente da sua especificidade. Por um lado, uma utilização por parte dos artistas de um material com cinco séculos de uso ininterrupto, considerado um elemento de identidade nacional portuguesa, recuperado na década de 1950 pela comunidade artística, que, assim, confere a esta forma de arte uma identidade também geográfica. Por outro lado, enquanto material cerâmico, permite uma aplicação mais fácil, uma maior longevidade e higienização, qualidade que fizeram com que fosse utilizado em lugares da cidade construídos de raiz ou pré-existentes, como viadutos rodoviários ou estações . A especificidade do caso das cidades portuguesas, sob influência da Movimento Moderno Brasileiro, está no facto de terem incorporado o uso do azulejo como suporte de imaginário de autor como veremos no capítulo seguinte.

63 Sobre a relação da Arte Pública com a cidade ver. MADERUELO, Javier – El Arte de Hacer Ciudad IN

MADERUELO, Javier – Arte Público: Naturaleza e Ciudad. Teguise: Fundación César Manrique, 2001, p.15 – 52.

64 Do ponto de vista da encomenda, sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos da América, existe

a figura das comissões de arte governamentais nacionais, regionais ou municipais, cujo principal objectivo é o de assessorar qualquer entidade que queira encomendar a implantação de uma obra de arte de carácter público ou na regeneração e requalificação de determinado espaço. Esta ajuda traduz- se na elaboração do programa de concurso, se existir, à escolha dos artistas, inquéritos às populações, produção, etc, sendo constituída por equipas pluridisciplinares. Em Portugal a figura do concurso público de ideias para espaços públicos é ainda diminuta, optando-se na maioria dos casos por convite directo da entidade encomendante. Sobre este assunto ver . MADERUELO, Javier – El Arte de Hacer Ciudad IN MADERUELO, Javier – Arte Público: Naturaleza e Ciudad. Teguise: Fundación César Manrique, 2001 e FERNÁNDEZ QUESADA, Blanca – Nuevos Lugares de inténción: Intervenciones Artísticas em el

Espacio Urbano como una de las Salidas a los Circuitos Convencionales Estados Unidos 1965-1995.

Madrid: Facultad de Bellas Artes, Universidad Complutense de Madrid, 1999, p 33-36. Publicado também linha na revista em linha E-Polis. Barcelona: Universidad de Barcelona, nº 2, 2004 [disponível em http://www.ub.es/escult/epolis/bfdez/blanca.fde 201.pdf, consulta em 04.10.2009].

de metropolitano. Desta forma qualifica os “não lugares”, enquanto espaços de anonimato e despersonalizados, para usar o termo de Marc Augé65, e atribui, através

da arte contemporânea, significado a espaços anónimos e despersonalizados. Este facto dá origem a um outro proveito que podemos obter da Arte Pública, e neste caso mais concreto do azulejo: a obtenção da cumplicidade do observador para a arte contemporânea, por estar inscrita no espaço comum do habitante. A Arte Pública, neste caso através do azulejo, reconcilia o espectador com a produção artística contemporânea, a qual normalmente cria resistências quando observada num contexto mais restrito e privado como as galerias ou os museus66

65 AUGÉ, Marc – Não-Lugares: Introdução a uma Antropologia da sobremodernidade. Venda Nova:

Bertrand Editora, 1998.

66 Sobre este assunto ver CASARES, Nilo – La Cor.Poració IN LORENTE LORENTE, Jesus-Pedro [coord.] -

Espacios de Arte Contemporâneo Generadores de Revitalización Urbana. Zaragoza: Universidad de

Zaragoza, 1997, p.167-180.

4.

E

STUDOS

-

CASO DA AZULEJARIA DE AUTOR EM