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Em seguida à execução das entrevistas, ocorreu a fase de tratamento dos dados coletados em campo por meio da transcrição; organização dos dados transcritos; análise e interpretação. Nesse ponto, o auxílio do computador se revelou importante para armazenar o conjunto dos depoimentos e facilitou a organização e a fase de análises do material coletado em função das categorias estabelecidas.

Pesquisas qualitativas tipicamente geram um enorme volume de dados que precisam ser organizados e compreendidos. Isso se faz através de um processo continuado [...] Este é um processo complexo, não-linear, que implica um trabalho [...] organização e interpretação dos dados que se inicia já na fase exploratória e acompanha toda a investigação. (ALVES-MAZZOTTI; GEWANDSZNAJDER, 1998, p. 170).

A transcrição é a passagem da entrevista da forma oral para a escrita, constitui a primeira versão escrita do depoimento (ALBERTI, 2005) e serviu de base para as demais etapas de análise e interpretação. Os dados obtidos foram separados e registrados em relatório de pesquisa para facilitar o seu entendimento.

Após esses procedimentos, as informações da transcrição foram analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo, uma ferramenta de tratamento de dados que surgiu nos Estados Unidos da América, em meio ao campo jornalístico, a partir dos anos de 1930 (BARDIN, 2009). Em verdade, a denominação técnica deveria ser utilizada no plural, pois se trata de um conjunto de instrumentos metodológicos aplicados a discursos:

[...] a análise de conteúdo aparece como um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. [...] O analista é como um arqueólogo. Trabalha com vestígios. [...] Mas os vestígios são a manifestação de estados, de dados e de fenômenos. (BARDIN, 2009, p. 41-42).

A escolha desse método justifica-se pela profundidade de leitura que sua execução proporciona ao material adquirido em campo. É um procedimento logicamente ordenado de descrição, inferência e interpretação da fala, da comunicação dos entrevistados. Trabalha as significações, tem a intenção de buscar aquilo que está por trás das palavras.

Assim, de forma resumida, este estudo utilizou-se da pesquisa de natureza qualitativa de caráter exploratório, da pesquisa bibliográfica e documental para o delineamento do tema, as quais foram desenvolvidas por meio da análise bibliográfica e da análise documental, bem como da técnica de entrevista semi-estruturada e da análise de conteúdo para a elaboração dos resultados e discussões.

4 CONTEXTUALIZAÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA

Em meio às práticas de monitoria surgiu o intuito de elaborar um projeto de pesquisa a respeito das observações efetuadas em campo. Dessa forma, foi possível desenvolver uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, junto a mestrandos em Educação, participantes do processo de monitoria, com o objetivo de conhecer suas opiniões, para assim, detectar as características da dinâmica relacional existente nesse meio de práticas docentes supervisionadas.

Os problemas identificados pelos mestrandos, a respeito do estágio docente supervisionado, por meio de conversas informais em momentos anteriores ao desenvolvimento da pesquisa, também se constituíram em fortes elementos que chamaram a atenção da pesquisadora para a realização do trabalho.

O estágio docente supervisionado foi desenvolvido em uma Instituição de Ensino Superior particular localizada no Distrito Federal, a qual possui uma vasta estrutura física distribuída por três campi. Os espaços estão equipados com sistema de bibliotecas, áreas de esporte, centro educacional, laboratórios, salas de aula, lanchonetes, áreas verdes, estacionamentos, entre outros.

As salas de aula além de possuírem o antigo quadro negro, estão equipadas com computadores e data show, o que demonstra a preocupação da Instituição em adequar-se às novas tecnologias. As salas estão localizadas em edifícios bem sinalizados e demarcados de acordo com cada curso. O ambiente de forma geral é limpo e organizado, se constitui em excelente espaço para o desenvolvimento dos processos de ensino e de aprendizagem.

A IES está entre as dez melhores13 Universidades privadas do Brasil. Possui

atualmente 39 cursos de Graduação Presencial, 15 programas de Pós-Graduação Stricto Sensu sendo que 10 são de Mestrados e 5 de Mestrados e Doutorados. Além de 26 cursos de Pós- Graduação Lato Sensu. O campus, onde às práticas de monitoria são desenvolvidas, não é o mesmo em que os mestrandos-monitores estão matriculados e frequentam as aulas do Mestrado em Educação.

A estrutura física da Universidade está dividida em campi diferentes e os monitores devem se locomover do campus da pós-graduação para o campus da graduação para que possam realizar suas práticas de estágio docente no curso de Pedagogia presencial. Os professores da pós-graduação também fazem esse percurso e encontram seus monitores na pós-graduação ou diretamente na graduação, em dia e hora determinados, uma vez por mês, para orientá-los.

A abertura das inscrições para uma vaga na monitoria ou estágio docente supervisionado é comunicada via internet, por meio de edital afixado no mural da Universidade, em sala de aula por alguns professores ou mesmo via conversa informal entre alunos do curso de Mestrado. Os alunos mestrandos, desde que sejam regulares14, podem

participar do processo de monitoria de duas formas: a voluntária e a obrigatória.

A primeira pode ser solicitada diretamente pelo aluno à secretária da coordenação do curso Stricto Sensu Mestrado em Educação. A segunda será comunicada aos mestrandos bolsistas da Capes no momento em que assinarem os papéis referentes à bolsa. Eles são informados da obrigação de realizar a monitoria pelo tempo de dois semestres. Os monitores podem escolher entre dois processos de monitoria: o Grupo de Aprendizagem – GA e o Grupo de Pesquisa – GP.

Os procedimentos do GA são administrados e orientados diretamente pela coordenação do curso de Pedagogia, na graduação e não fazem parte dos objetivos desta pesquisa. O GP fica a cargo da coordenação do Mestrado em Educação, situada no campus da pós-graduação e consiste em uma oportunidade para que o aluno mestrando possa entrar em contato direto com diversos projetos de pesquisa, os quais são apresentados por seus autores, aos alunos da graduação em Pedagogia, em sala de aula.

Oportuniza também, aos alunos da graduação, o contato direto com os autores para que realizem perguntas sobre cada tema apresentado e se sintam motivados a pesquisar. O objetivo maior é o incentivo ao desenvolvimento da pesquisa de forma prazerosa, ética e consciente.

O processo de solicitação para a participação da monitoria é simples e não requer o pagamento de taxas de inscrição. Os participantes voluntários ou bolsistas, ao final de suas práticas, têm direito ao Certificado15 de participação como monitores em Experiência Docente

14 A IES pesquisada possui dois tipos de alunos que frequentam o curso de Mestrado em Educação: os regulares

e os especiais. Os especiais são aqueles que estão matriculados, porém ainda não foram aprovados no processo seletivo do mestrado. Os regulares já constam do quadro de alunos aprovados.

15 Ver Anexos A.a, A.b, A.c e A.d. Os documentos apresentados foram gentilmente cedidos pelos entrevistados.

O primeiro refere-se ao certificado de monitoria de um aluno bolsista da Capes. O segundo refere-se ao certificado de monitoria de um aluno voluntário.

no curso de Pedagogia. Além disso, em seu Histórico Acadêmico virá o registro da disciplina: Estágio em Docência e a respectiva nota.

Após a regulamentação na coordenação do curso de Mestrado em Educação, os monitores entram em contato com os professores doutores para as devidas orientações referentes ao desempenho das práticas em campo. Cada professor doutor é livre para orientar o seu monitor de acordo com a sua disciplina na graduação. Porém, nem todos os professores do curso de Mestrado, que lecionam na graduação da IES, no curso de Pedagogia, terão monitores. Os docentes que trabalham com monitores são os titulares de cada disciplina. Os discentes da graduação também são informados da presença dos monitores para auxiliar as práticas que serão desenvolvidas em sala de aula durante o semestre. A coordenação do curso de graduação em Pedagogia está ciente da presença deles nas salas de aula ou em orientação aos alunos da graduação, em momentos extra sala de aula.

A coordenação da Pedagogia está diretamente ligada aos alunos da graduação e, muitas vezes, é a mediadora de conflitos existentes entre monitores, alunos da graduação e professores. Os pontos de conflitos são diversos, entre eles: o não entendimento dos alunos, em sala de aula, de trabalhos a ser realizados com data certa para entregar; o recebimento desses trabalhos; as orientações a respeito das notas; a ausência dos monitores; a ausência dos alunos; o contato dos monitores com os alunos; o contato dos professores titulares das disciplinas tanto com monitores quanto com alunos.

Em alguns casos, a coordenação do curso de Mestrado em Educação também é envolvida nessa mediação de conflitos, como: reclamações de professores titulares; reclamações de monitores; reclamações dos alunos da graduação em relação às notas; tratamento não adequado dos monitores com alunos, ou dos alunos da graduação com os monitores, ou dos professores com ambos; entre outros. A monitoria não é um campo passivo, ao contrário, é um espaço de atividades intensas e dinâmicas desenvolvidas em meio a um ambiente estruturado.

5 ORGANIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO

A organização para a realização do trabalho de campo ocorreu primeiramente com o requerimento da lista com o nome dos alunos do Mestrado em Educação que realizaram as atividades práticas da monitoria na secretaria do curso. Em seguida, foi solicitada, à coordenação do curso de Mestrado em Educação, uma autorização específica para a realização do trabalho de campo nas dependências da IES pesquisada. Esses procedimentos trouxeram o respaldo legal para o desenvolvimento ético e consciente da pesquisa e proporcionaram transparência nas ações da pesquisadora e segurança para os entrevistados.

Confirmada a permissão para o desenvolvimento da parte prática, o trabalho de campo, propriamente dito, ocorreu com a realização das entrevistas, as quais foram realizadas com um monitor de cada vez. Após o agendamento de dia, hora e local, de acordo com a disponibilidade dos entrevistados, foram repassadas todas as informações a respeito dos procedimentos e intenções da pesquisa como: objetivos, título da dissertação, dados de contato, entre outros.

Depois das devidas explicações e esclarecimentos aos entrevistados foi efetuada a leitura do respectivo termo de consentimento livre e esclarecido16 ao final da qual, a

pesquisadora solicitou que cada entrevistado assinasse o termo para firmar sua concordância voluntária em participar do projeto de pesquisa. Esse documento foi confeccionado em duas vias, uma foi entregue no ato da assinatura ao signatário. A outra via faz parte do material de pesquisa o qual permanece sob a guarda e responsabilidade da pesquisadora.

Em seguida, foi aplicado o roteiro de questões17 com o auxílio do gravador portátil

para a coleta dos dados. A técnica de entrevista semi-estruturada foi escolhida com a intenção de colaborar com a Análise de Conteúdo. Essa técnica, em uma pesquisa qualitativa, torna-se indispensável e proporciona ao pesquisador a chance de adquirir um material rico e fértil para desenvolver análises aprofundadas a respeito do tema pesquisado (BARDIN, 2009). As entrevistas geraram um enorme volume de dados, os quais foram transcritos, tornando-se fonte primária de pesquisa.

16 Ver Apêndice B. 17 Ver Apêndice A.