Chapter 1: Background
1.4 The rationale for the PhD
O desenvolvimento de carreira como área do conhecimento psicológico pode ser compreendido através dos modelos teóricos da psicologia diferencial, psicologia do desenvolvimento, psicologia social e do trabalho e psicologia da personalidade. Trata-se de uma área do conhecimento caracterizada pela interdisciplinaridade (Super, 1990; Balbinotti, 2003).
Desenvolvimento de carreira pode ser definido como um processo de autoconsciência ocupacional, planejamento e desejo de explorar o mundo do trabalho, bem como conhecimento das tarefas do desenvolvimento de carreira que o indivíduo irá enfrentar como conseqüência do seu desenvolvimento biológico e social (Thompson, Lindeman, Super, Jordaan & Myers, 1981). Já orientação de carreira é uma área de atuação profissional, fundamentada nas teorias de desenvolvimento de carreira, que visa orientar os indivíduos no seu desenvolvimento de carreira através da aquisição de competências importantes para a construção da carreira. Historicamente, observa-se que os fundamentos da Orientação Profissional e de Carreira se resumem, basicamente, em ajudar os indivíduos a se adaptar às expectativas sociais e às transições que ocorrem em sua vida profissional (Savickas, 2003).
Entre as teorias mais utilizadas na contextualização de questões referentes à carreira e às intervenções práticas, destacam-se: teoria dos Traços e Fatores de Parsons, teoria Desenvolvimentista de Donald Super, teoria das Personalidades Vocacionais e Ambientes de Trabalho de Holland, teoria de Aprendizagem Social de Krumboltz e teoria do Planejamento Integrado de Vida de Hansen (Balbinotti, 2003; Savickas, 2003; Colozzi, 2004).
Nos primórdios da prática em Orientação de Carreira, a teoria dos Traços e Fatores de Parsons (1909) era a fundamentação teórica utilizada. Naquela época, no início da Revolução Industrial, concebia-se a escolha profissional como um fato único e estático na vida de um indivíduo. Esta teoria privilegiava o enfoque dos psicólogos diferenciais, preocupados apenas em adequar o indivíduo às características exigidas para o desempenho de determinada função, através da utilização de testes de inteligência e aptidão. Neste período, a preocupação era diminuir o número de acidentes de trabalho e aumentar a produção, utilizando o simples método de combinação - matching models (Super, 1990; Super, Osborne, Walsh, Brown & Niles, 1992).
A partir da década de 1950 observa-se uma mudança de enfoque nas teorias do desenvolvimento de carreira e esta renovação ocorreu após a introdução de teorias do desenvolvimento aplicadas às questões de carreira. Donald Super influenciado pelo trabalho de Buehler (1933) foi o pioneiro a relacionar carreira às tarefas típicas de cada estágio do desenvolvimento humano. A partir desta época, as questões referentes à carreira começaram a ser abordadas sobre um enfoque evolutivo. Super (1957) define desenvolvimento de carreira como um processo de crescimento e aprendizagem que resulta no amadurecimento e modificação do repertório de comportamentos de carreira. Basicamente, para a teoria Desenvolvimentista de Donald Super, em cada estágio do desenvolvimento humano, determinados tipos de comportamento de carreira (tarefas evolutivas) são requeridos para avançar com sucesso ao estágio seguinte do desenvolvimento de carreira (Lobato, 2001).
O modelo teórico de Holland (1992) é um modelo que mistura a teoria dos Traços e Fatores de Parsons e as teorias da Personalidade. É uma forma contemporânea de assegurar o “homem certo no lugar certo”. Nesta perspectiva teórica, procura-se combinar os traços da personalidade aos diferentes tipos de ambientes de trabalho. A maioria das pessoas pode ser categorizada em seis tipos diferentes de personalidade: Realista, Investigativa, Artística, Social, Empreendedora e Convencional. Esta mesma categorização pode ser aplicada aos ambientes de trabalho. Acredita-se que as pessoas procuram por um ambiente de trabalho que lhes permita exercitar suas habilidades e competências, assim como expressar seus valores e atitudes (Balbinotti, 2003; Colozzi, 2004).
Krumboltz (1996, citado por Collozzi, 2004) baseia-se nos pressupostos da Aprendizagem Social (auto-eficácia) de Bandura, para desenvolver a teoria de Aprendizagem Social na Escolha Profissional. O objetivo desta abordagem é facilitar o aprendizado de competências e a clarificação de interesses, valores, hábitos de trabalho e qualidades pessoais,
que possibilitem ao indivíduo criar uma vida pessoal e profissional satisfatória num mundo em constantes transformações.
A teoria do Planejamento Integrado de Vida (Hansen, 1997) é um modelo holístico de planejamento pessoal e profissional. A autora prefere nomear sua teoria, relacionando-a ao planejamento para a vida ao invés de limitá-la, unicamente, ao planejamento profissional. Para Hansen (2002), a palavra chave é integrar mente, corpo e espírito, criando um sentido de conexão e completude. Planejamento para a vida inclui o papel do trabalho, assim como os múltiplos setores da vida (família, lazer, espiritualidade, entre outros).
Savickas (2003) ressalta que a maioria das teorias que fundamentam a prática e a pesquisa em Orientação de Carreira ainda estão vinculadas às noções tradicionais de carreira. Assim como o conceito de carreira se transformou, as teorias do Desenvolvimento de Carreira também devem ser redefinidas. O autor sugere que tais teorias devem superar o foco tradicional de orientação à classe média e expandir-se a questões de raça, sexo e cultura. Além disso, ele destaca a importância de se concentrar mais atenção às transições cada vez mais comuns no decorrer da vida profissional ao invés de dar a tradicional atenção às questões da escolha profissional dos adolescentes.
Visto isso, alguns autores ressaltam que as teorias citadas compõem as orientações teóricas mais relevantes nas quais se baseia a maioria dos trabalhos teóricos e práticos da Psicologia da Escolha e do Desenvolvimento de Carreira. Apesar da importância de todas as teorias, a teoria de Donald Super destaca-se entre todas, pelo menos no que se refere ao grande número de pesquisas e publicações em revistas especializadas (Balbinotti, 2003; Colozzi, 2004).