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Inicialmente, para a aplicação dos 191 itens que compunham a versão III, eram necessários dois tempos letivos de 40 minutos. A redução do instrumento de modo a ser aplicado em 60 minutos era necessária e resultou de uma análise fatorial dos itens, numa amostra de estudantes do 11o ano escolar.

Os resultados da análise fatorial permitiram combinar, numa única escala, os melhores itens da escala 4 - Informação sobre o Desenvolvimento de Carreira e escala 5 - Informação sobre o Mundo do Trabalho. Além disso, houve a redução da extensão das outras escalas sem afetar significativamente a precisão das mesmas (Thompson et al., 1984).

Neste sentido, a versão final (publicada) é composta por 120 itens, divididos em cinco escalas, que medem atitudes e cognições relacionadas à maturidade de carreira (Thompson et al., 1984).

Tabela 3 - Características das Escalas do Inventário de Desenvolvimento de Carreira – CDI

(1981)

Escalas Números de itens, dimensão, correção

Dimensões da Maturidade de Carreira

1. PC: Planejamento de Carreira 20 itens, dimensão atitudinal, tipo likert de cinco pontos 2. EC: Exploração de Carreira 20 itens, dimensão atitudinal, tipo likert de quatro pontos 3. TM: Tomada de Decisão 20 itens, dimensão cognitiva, entre as alternativas só uma está

correta

4. MT: Informação sobre o mundo do trabalho 20 itens, dimensão cognitiva, entre as alternativas só uma está correta

5. OP: Informação sobre o grupo das ocupações preferidas

40 itens, dimensão cognitiva, entre as alternativas só uma está correta

Combinadas

6. CDA: Desenvolvimento de Carreira: Atitudes Escalas PC e EC combinadas 7. CDK: Desenvolvimento da Carreira:

Conhecimentos e Competências

Escalas DM e WW combinadas

8. COT: Orientação total da Carreira Escalas PC, EC, DM, WW combinadas

Fonte: Thompson et al., 1984.

Apenas a escala OP não foi incluída nas escalas combinadas por ser uma escala muito específica e direcionada a estudantes mais decididos sobre a área ocupacional de interesse.

Destaca-se a possibilidade de se utilizar, em conjunto ou separadamente, três escalas combinadas (escalas de atitudes, escalas cognitivas e escore total)

A versão publicada foi desenvolvida em duas formas: CDI School Form, para estudantes do ensino médio, e CDI College and University Form, para estudantes do ensino superior. As duas formas do instrumento são similares na sua fundamentação, validação, estrutura, número de itens e tempo de aplicação, sendo diferentes apenas o conteúdo dos itens, devido aos diferentes níveis de ensino em que são utilizadas (Thompson et al, 1984).

PC: Planejamento de Carreira (CP - Career Planning): Esta escala é dividida em duas sub-escalas. A primeira mede o grau de engajamento (pensamento e preparação) em atividades de planejamento de carreira. A outra sub-escala avalia as informações que o universitário julga ter sobre a profissão que está considerando atuar quando completar seus estudos. Os itens desta sub-escala que dizem respeito às informações ocupacionais são medidas auto-avaliativas, por isso refletem mais atitudes do que conhecimento real.

EC: Exploração de Carreira (CE - Career Exploration): Esta escala também é dividida em duas sub-escalas. A primeira avalia a percepção do universitário sobre a utilidade de diversas fontes de informação (parentes, amigos, professores, psicólogos, etc.) para elaboração dos planos de carreira. A segunda sub-escala avalia a quantidade de informação útil o universitário já recebeu de cada uma das fontes.

TD: Tomada de Decisão (DM - Decision Making): É composta por um conjunto de problemas envolvendo decisão de carreira em diversos contextos. Avalia a capacidade para utilizar os conhecimentos de planejamento de carreira e aplicação de métodos de tomada de decisão.

MT: Informação sobre o Mundo do Trabalho (WW- World of Work Information): Avalia as tarefas de desenvolvimento do estágio da “exploração” e início do estágio do “estabelecimento”, além de medir os conhecimentos da estrutura das profissões, conhecimentos específicos sobre profissões de diferentes níveis e técnicas para procurar e manter um emprego.

OP: Informação sobre o grupo das ocupações preferidas - 40 itens (PO –

Knowledge of Preferred Ocupational Group): Inclui questões aplicáveis a diversas profissões

classificadas em 20 grupos, avaliando a informação que se têm referentes ao grupo de profissões preferidas.

CDA: Desenvolvimento de Carreira – atitudes (Career Development – Attitudes): resultado da combinação das escalas PC e EC com elevadas correlações entre si, aumentando a precisão da avaliação da dimensão atitudinal da maturidade de carreira.

CDK: Desenvolvimento de Carreira – conhecimentos e habilidades (Career

Development- Knowledge and Skills): Resultado da combinação das escalas TD e MT, com

elevadas correlações entre si, aumentando a precisão da avaliação da dimensão cognitiva da maturidade de carreira.

COT: Orientação de Carreira Total (Career Orientation Total): Resultado total da combinação de quatro importantes aspectos da Maturidade de Carreira – PC, EC, TM e MT.

O modelo a seguir ilustra a relação entre as escalas do CDI (Thompson et al.,1981, p.2).

CP CE DM WW PO

CDA CDK

COT

Da mesma forma como ocorreu nas versões anteriores, foram feitas diversas análises para verificar a confiabilidade e validade do instrumento.

A confiabilidade das duas formas do CDI (1981) foi baseada no cálculo dos coeficientes de consistência interna (alfa de Cronbach) e na análise das correlações teste- reteste, com intervalo de aplicação de duas semanas. A consistência interna das escalas combinadas (CDK) e (CDA) variou de 0,79 a 0,86. Estas escalas estão psicometricamente

adequadas e indicadas para uso em orientação individual e análises de diferenças entre grupos. Conclusões semelhantes podem ser feitas sobre as escalas PC (0,89), EC (0,78) e MT (0,84). Já as escalas TD (0,67) e OP (0,60) apresentaram coeficientes significativamente mais baixos, indicando cautela no uso dos resultados em orientação individual, mas adequados para a avaliação entre grupos (Thompson et al., 1981).

Os resultados das correlações teste-reteste de ambas as versões foram satisfatórios, variando entre 0,70 e 0,80 para as escalas combinadas e escala PC. Já para o restante das escalas os coeficientes variaram entre 0,60 e 0,70. A versão para estudantes universitários apresentou coeficientes de confiabilidade significativamente mais baixos nas escalas MT (0,43) e CDK (0,57) (Thompson et al., 1984).

A validade de conteúdo dos itens e das escalas do instrumento foi constatada através da análise de juízes especialistas em desenvolvimento de carreira, bem como pelo acúmulo de evidências empíricas obtidas em estudos anteriores. Os resultados da análise fatorial dos itens também foram utilizados para confirmar a estrutura bifatorial do instrumento. Os resultados obtidos mostraram que as duas primeiras escalas PC e EC tiveram cargas elevadas no fator 1 (atitudinal) e as escalas TD, MT e OP tiveram cargas altas no fator 2 (cognitivo). Como esperado, é possível perceber claramente que a estrutura de dois fatores existe e comprova a validade de conteúdo do CDI (Thompson et al., 1981, 1984).

Como mencionado anteriormente, a validade de constructo refere-se à capacidade do instrumento para medir um constructo psicológico, ou seja, se o instrumento é realmente capaz de mensurar aquele determinado conceito. Por exemplo: o constructo maturidade de carreira, de acordo com a teoria, aumenta de acordo com a idade e série escolar; sendo assim, é esperado um aumento de escore de acordo com o aumento da idade e série escolar. O instrumento deve ser capaz de medir esta característica do constructo. Além disso, para verificar a validade de constructo, utiliza-se a comparação com outras medidas relacionadas

ao constructo. Se o instrumento, de acordo com o postulado na teoria, deve apresentar correlações positivas ou negativas com as variáveis, então isso deve ser comprovado através de análises estatísticas (Thompson et al., 1981).

A validade de constructo do CDI (1981) foi obtida através da análise da diferença entre os grupos, análise fatorial e análise das correlações entre as escalas do instrumento e outras medidas relacionadas à maturidade de carreira (Thompson et al., 1984).

Análises discriminantes foram feitas para verificar as diferenças entre série escolar, programas curriculares e sexo. Os resultados obtidos para os diferentes níveis são consistentes com as expectativas teóricas, indicando pequena diferença entre os sexos e programas curriculares, sendo estas diferenças mais nítidas nas escalas cognitivas e favoráveis ao sexo feminino. Verificou-se, também, o aumento das médias entre as séries mais elevadas. Comparando-se as duas formas, a versão para estudantes universitários apresentou escores mais altos, evidenciando o aspecto do desenvolvimento postulado na teoria. A validade concorrente também foi constatada, sendo que as escalas cognitivas apresentaram altas correlações com medidas cognitivas (habilidades verbal e numérica), enquanto as escalas de atitudes correlacionaram-se positivamente com medidas afetivas (saliência do trabalho). Os resultados obtidos, mais uma vez, foram consistentes com a teoria, evidenciando a validade de constructo nas várias escalas, indicando que os itens das escalas contribuem efetivamente para avaliar as dimensões postuladas no modelo teórico da maturidade de carreira (Thompson et al., 1984; Lima, 1998).

Savickas e Hartung (1996) sugerem algumas maneiras para interpretar os resultados do CDI. De acordo com os autores, é aconselhado iniciar a interpretação pela escala PC (Planejamento de Carreira), para verificar como está a orientação para o futuro e o envolvimento do estudante em atividades de planejamento profissional. Resultados baixos nesta escala indicam que o papel do trabalho ainda não é tão central para o estudante. Por

outro lado, se os escores da escala PC são altos e baixos na escala EC (Exploração de Carreira), o estudante precisará melhorar suas atitudes em relação à busca por informações e seus comportamentos exploratórios. A escala MT (Informação sobre o Mundo do Trabalho) mostra o conhecimento do estudante em relação às características das ocupações e tarefas do desenvolvimento de carreira. Escores baixos nesta escala indicam que o estudante precisará informar-se melhor, especialmente sobre as estruturas ocupacionais e as tarefas do desenvolvimento, bem como identificar suas áreas de interesse. A escala TD (Tomada de Decisão) indica o conhecimento do estudante em relação aos princípios de tomada de decisão. Baixos escores nesta escala sugerem que o estudante deve aprender mais sobre os métodos para adequar seus interesses às suas escolhas ocupacionais. Quando os resultados obtidos nas quatro escalas são altos, indicam que o estudante está pronto para fazer escolhas e que possui as atitudes e competências necessárias para utilizar com eficiência as informações obtidas nos inventários de interesses e habilidades. Os índices normativos das escalas para amostra norte- americana constam no manual do usuário (Thompson et al., 1981).

Em conjunto, os resultados estatísticos evidenciam a validade de constructo do CDI, em suas duas formas, conferindo-lhe utilidade prática em vários contextos, tais como: orientação individual, enquanto instrumento de medida da maturidade de carreira; no planejamento de programas, a partir da análise dos resultados dos grupos, auxiliando a identificar suas necessidades e delinear planos de intervenção, bem como avaliar programas de orientação de carreira. Além disso, as escalas podem ser utilizadas separadamente como instrumentos de pesquisa sobre desenvolvimento e maturidade de carreira (Thompson et al., 1981; 1984).

Em relação à validade preditiva do instrumento, no que se refere ao sucesso e satisfação na carreira, Thompson et al., (1984) argumentam que mais estudos e pesquisas de caráter longitudinal precisam ser desenvolvidos para a obtenção destes resultados.