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6. Datainnsamling

6.2. Rapporter om kriser

Todo texto é absorção e transformação de outros textos” Julia Kristeva

Discussões relacionadas à preservação do meio ambiente são frequentes na sociedade contemporânea. Muitos são os que individualmente ou com sua coletividade promovem ações objetivando a transformação de ambientes degradados (ar poluído, lixo expostos, florestas devastadas, etc.) em ambientes sadios, sustentáveis. Sabe-se que o avanço das tecnologias tem influenciado diretamente os processos de apreensão e difusão de informações e pode contribuir enormemente com projetos que envolvam a sensibilização de crianças em relação ao ambiente que as cerca. Como disse Paulo Freire, “A leitura do mundo precede a leitura da palavra”. E os recursos tecnológicos dos quais dispomos podem contribuir com essa leitura incipiente. Tendo em conta que oficina pedagógica é uma forma de construir conhecimento, com ênfase na ação, sem perder de vista a base teórica, a oficina de Narrativas Urbanas pretendeu aproximar as crianças do prazer pela escrita, assim como por diferentes formas de linguagens expressivas, tendo como tema gerador de todos os trabalhos a construção de ambientes sustentáveis.

Pode-se construir a identidade a partir da construção do texto.

O texto deriva aqui proposto de interação, de prática discursiva. O texto é produto e processo, produto por ser resultado de um contexto, de situação e de cultura particulares, é um processo por exigir contínua escolha semântica, ou seja, de significado. O sentido do texto estabelece-se, assim, pela relação do leitor com a intencionalidade do autor, gerando, dessa relação, a coerência. O que é dito tem que fazer sentido. Sendo o texto produto do discurso, é instrumento de análise, agente esclarecedor da prática social. Além disso, o texto é o instrumento contextualizado, tornando imprescindível para seu completo entendimento o estudo do contexto cultural e de situação.

O texto então não é somente um texto, pode ser também contexto para outros textos. Isso faz pensar em diálogo. No dicionário, texto é uma fala em que há a interação entre dois ou mais indivíduos. É também sinônimo de conversa, contato entre duas pessoas em busca de um acordo (Houaiss, 2001). Também podemos pensar em dialogicidade entre os sujeitos, suas vivências e suas emoções; entre os textos da mesma cultura, que se instalam no interior de cada texto e os definem entre os leitores. Portanto, pode-se admitir que um texto circunscreva diversas significações.

Na tentativa de nos afastarmos deste ensino descontextualizado da língua, fala a professora Nivea Mascarenhas109, “e, por desdobramento, das linguagens que pouca ligação têm com as necessidades práticas diárias de nossas crianças, desejamos, com esta oficina, facilitar a aproximação do aluno às linguagens artística e literária, como um processo de interação”, como elemento fundamental às práticas cotidianas, trazendo transformações às paisagens enfermas que os cercam a partir desta imersão no ambiente. “Durante meus trinta anos de magistério, vivenciei uma operacionalização da prática pedagógica totalmente distanciada da realidade do aluno, do seu contexto e, consequentemente, dos seus interesses”. No primeiro dia da oficina de Arte & Narrativas Urbanas aconteceu com as crianças da 5ª série H que, no dia marcado, estavam disponíveis, já que os alunos da educação Integral tinham sido dispensados das aulas, por falta de coordenador e professores. O planejamento prévio destas oficinas caracteriza-se por ser flexível, portanto, ajustamo-nos às situações- problema apresentadas pelos alunos e demais envolvidos no processo, a partir de seus contextos reais de trabalho, como por exemplo, ausência de sala de artes, falta de lugar para guardarmos os trabalhos produzidos e recursos materiais do projeto.

Nossos objetivos foram: Imergir no processo criativo, através da produção de roteiros, fotos e filmagens, oferecendo, assim, recursos voltados ao desenvolvimento de habilidades essenciais à transformação de paisagens enfermas em ambientes sustentáveis. Objetivos específicos: promover a inclusão de todos os alunos, respeitando a capacidade individual de ir superando os desafios ou respondendo aos estímulos; iniciar leitura crítica de textos variados; fazer uso de técnicas de linguagem artísticas e criativas (cartazes, entrevistas, textos narrativos, etc.); aprimorar uso da linguagem verbal, escrita e visual; vivenciar e executar tarefas em equipe para a construção coletiva de saberes; estimular a imaginação e a criatividade a partir dos caminhos trilhados para a construção de textos (visuais, escritos ou produzidos por outros recursos tecnológicos); construir conhecimento através da ação e da reflexão sobre questões que envolvem sua cidade.

Iniciamos o primeiro encontro com a distribuição de crachás para que todos os envolvidos diretamente no trabalho pudessem se comunicar reconhecendo-se mutuamente. Esta prática tem se repetido em todas as oficinas realizadas.

Sensibilização – Ilha Das Flores110 – curta-metragem, de Jorge Furtado, que aborda questões relacionadas aos catadores de lixo e à indignidade à qual pessoas carentes se submetem

109 MASCARENHAS, Nívea. Pós graduada em língua portuguesa, professora de português na Secretaria de Estado

de Educação do Distrito Federal – SSEDF.

para sobreviver, em função da mercantilização do espaço público e do trabalho. Breve discussão – debate sobre semelhanças e diferenças entre o ambiente físico do curta-metragem apresentado e o da Estrutural.

Proposta para a produção escrita - Motivação para a produção de texto de apresentação do aluno. É proposto, então, que, segundo modelo apresentado, as crianças desenvolvam texto apresentando-se, assim como ao local onde vivem. Nesta atividade, foram produzidos desenhos e cartazes retratando contexto ambiental, também foram realizadas entrevistas com as crianças sobre a situação ambiental da Estrutural, colocando-as como protagonistas no processo de leitura de seus espaços de convivência. As entrevistas foram gravadas em vídeo.

No segundo encontro, com uso da data show, fizemos uma introdução sobre arte ambiental e análise de obras e artistas que participaram dos movimentos da Eath Art. Utilizamos o laboratório de informática para a pesquisa e visualização das obras e projetos ambientais111 nos computadores. Com a utilização de pequenos recortes de papel (tamanho 10x10 cm), os estudantes deveriam escrever palavras, expressões ou desenhar com abordagem na temática ambiental e, após a criação destas “figurinhas”, fizeram uma excursão pelas imediações da escola, onde estas figurinhas foram anexadas para chamar a atenção da população aos cuidados ambientais. Também fizeram e, juntos, anexamos pequenos cartazes, com a mesma temática e eles escolheram expor nas dependências da escola. Mais tarde, serão expostos na finalização do projeto, na escola, numa exposição.

O terceiro encontro, iniciou-se com a divisão da turma em grupos: No primeiro momento, um grupo se ocupou de desenvolver, com uso do computador, um roteiro para criação de um filme – documentário sobre seu espaço comunitário. Os alunos desenvolveram seus roteiros, em grupos, onde escolheram recortes da paisagem que melhor representassem seu território.

Nos grupos, orientamos sobre a divisão das tarefas para a realização das filmagens. Reorganizamos a turma para que cada grupo fosse subdivido. Uns iriam fazer as filmagens, enquanto os outros se ocupariam da criação dos créditos, com uso do paint, software disponível no sistema operacional Windows, para compor o filme. Os grupos de filmagem realizaram nas imediações da escola, algumas entrevistas com pessoas da comunidade e entre eles. Nesta atividade foi possível gravar alguns depoimentos sobre a questão ambiental.

111 Sites e artistas relacionados. Disponíveis em: Alan Sonfist,

( http://www.alansonfist.com/art/sculpture/index.html ) ; Bonnie Ora Sherk

(http://www.alivinglibrary.org/treeentrance.html ) ; Jackie Brookner ( http://jackiebrookner.com/project- cat/projects/ ); Museu Verde (http://greenmuseum.org/).

Finalizamos a oficina com a organização do material filmado para montagem do vídeo/documentário e avaliação oral dos estudantes do material filmado.