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Intervju Frode Urke skipssjef KV Barentshav

9. Vedlegg:

9.1. Intervju Frode Urke skipssjef KV Barentshav

O entendimento de “paisagem cultural” é concebido como um dos conceitos mediadores da nossa análise, oriundo de um conceito mais abrangente. O conceito de paisagem. Este último, por sua vez, funciona como um conceito estruturante e uma categoria dominante e articuladora entre a descrição e a análise do objeto de pesquisa. Portanto, os conceitos aqui citados também funcionam como categorias de análise.

O uso da categoria “paisagem” funciona como articuladora da relação teórico/empírica, por considerarmos que é na paisagem onde se encontram os resultados dos processos da relação entre sociedade e espaço no âmbito do objeto da pesquisa, concebido enquanto forma-objeto, a qual revela conteúdos sociais pretéritos.

Ou seja, estamos considerando que a paisagem é a matriz de uma possível narrativa espacial que é interativa sob o ponto de vista local e regional. No caso do nosso objeto de pesquisa, as escalas locais e regionais alinham-se numa dimensão de análise da totalidade desde a formação do fato urbano ao fato regional na consolidação da rede urbana, nas suas

peculiaridades, similaridades de formas e conteúdos; concomitância temporal e complementaridade nas suas funções.

Em sintonia com a perspectiva acima apontada é que analisamos a paisagem das cidades pesquisadas. Nela se incluem os elementos que darão subsídios ao estudo, como por exemplo, os bens culturais, aí incluídos o patrimônio edificado.

A paisagem cultural para Almeida (2013) pode contemplar símbolos, significados e tornar-se patrimônio, chegando até a institucionalizar-se. Para essa autora, analisando o sentido da paisagem na Constituição Brasileira de 1988, quando trata no seu artigo 216, define-se o patrimônio cultural brasileiro e, no inciso V, são definidos “os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico”, revela que:

[...] a paisagem é percebida como um dos elementos centrais na cultura; um conjunto ordenado de objetos passível de ser interpretado, repetimos, como um texto e que atua como uma criadora de signos pelos quais um sistema social é transmitido, reproduzido, vivenciado e explorado (ALMEIDA, 2013, p. 189).

Para nós está evidente na assertiva acima que os conceitos de cultura, paisagem e patrimônio estão intimamente imbricados e quase que se fundem, quando da perspectiva de uma análise geohistórica da paisagem urbana, com foco na materialidade construída no território.

Para essa autora,

O patrimônio e o território têm, assim, o duplo papel de mediadores interpessoais e de cimentos identitários na sociedade. Os elementos materiais como construções, vegetação, propriedades, por exemplo, e os bens imateriais como imagens, cultura, símbolos, etc. são valores patrimoniais (ALMEIDA, 2013, p. 190).

Para Almeida (2013, p. 188), “[...] o fato de a paisagem cultural ser uma maneira de demonstrar a identidade territorial evidencia outro viés de como ‘ler’ a paisagem”. Neste sentido entendemos que a leitura do território pelo território é feita pela mediação da imagem concreta nele instalada.

Estamos concebendo o território, metaforicamente, como um “corpo” que fala, através da paisagem cultural nele inserida. Seus “gestos”, suas “vestes”, sua “dança”, sua simbologia instalada na materialidade, expressão e reflexo da sociedade que o produziu e o organizou,

através do trabalho, do lazer, da religião, da filosofia de vida e da arte. Enfim, da dialética da existência, produzindo cultura em forma de patrimônio material e imaterial. Finalmente, produzindo cultura e identidades.

No sentido apontado anteriormente, corroboramos com o que afirma Costa (2014), para o qual:

A paisagem enquanto suporte material das lembranças assenta afetividades e efetiva acontecimentos, grupos sociais e saberes-fazeres, guarda as marcas do tempo, o movimento da história. Identidade é enraizamento, é sobreposição de objetos e ações e identificação com estes mesmos elementos; a paisagem-memória cumpre esse papel de enraizar para afagar a alma humana [...] Por um lado, se a paisagem é material, por outro, sua função é a de alimentar o subjetivo. Ela indica as correntezas das relações do passado e preserva as tradições técnicas no presente para, sobretudo, dar corpo a um imaginário sobre objetos, lugares e grupos a serem mantidas nas lembranças do futuro [...] (COSTA, 2014, p. 82).

A assertiva acima indica a polissemia do conceito de paisagem, ainda mais quando o associamos à identidade e à cultura, no processo histórico de produção e organização do espaço geográfico, suas territorialidades e memórias. Nesse sentido, para Brito (2008):

[...] a territorialidade humana e seu substrato material, com todas as características naturais e as socialmente criadas são termos que encerram uma única assertiva – resultam de relações sociais desenvolvidas entre os diferentes agentes, mediadas pelo poder e projetadas numa dada porção do espaço geográfico que se torna território (BRITO, 2008, p. 20).

Entendemos que a paisagem também é reveladora de relações de poder. Neste sentido podemos perceber a imbricada e complexa relação inerente ao conceito de paisagem cultural e território, quando se busca compreender a diversidade das relações entre sociedade e espaço. Especialmente quando se trata de pesquisa cujo objeto analisado encontra-se na escala do lugar e da região, simultaneamente, como é o caso das cidades históricas portuárias do Recôncavo Baiano, como veremos mais adiante.

Nas duas assertivas acima citadas, entendemos que duas possibilidades filosóficas de entendimento do espaço geográfico e suas categorias se fundem: a fenomenologia da paisagem e o materialismo histórico. Tal fusão só enriquece as análises aqui propostas e a tese propriamente dita.

A abordagem sobre o patrimônio cultural pede um recorte espacial. O conceito de paisagem cultural tem sido uma ferramenta importante nos processos de tombamento, haja

vista o Rio de Janeiro em 20123. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mesmo ao inventariar patrimônios imateriais, vai selecionar seus territórios, ou seja, é no espaço que se materializa a ideia do tombamento. E a geografia, que lida com esses conceitos espaciais, não pode ficar fora do processo (PAES, 2010).

Percebe-se na assertiva acima que o conceito de paisagem remete ao estudo do território na perspectiva das políticas de preservação, que por sua vez se incluem nas políticas de planejamento urbano e regional. Ou seja, espaço, território e paisagem se complementam no processo de análise.

A seguir tratamos do conceito de “paisagem urbana”, aqui também utilizado no âmbito dos conceitos mediadores.