3. Resultater
3.1. Studiekarakteristikk
3.1.1. Randomiserte kontrollstudier - intervensjon
Se para Vigotski (2001) a psicologia não faculta nenhuma conclusão pedagógica, e compreendendo que “o processo educacional é [também] um processo psicológico, o conhecimento de alguns fundamentos gerais da psicologia ajuda a levantar cientificamente o assunto” (VIGOTSKI, 2001, p.10). Permitimo-nos então, neste trabalho, estabelecer interlocuções com a Psicologia Cultural29 de Jerome Bruner, especialmente com suas ideias em torno da narrativa como fenômeno humano sócio-histórico-cultural.
De acordo com Bruner (1998) as ciências sociais na década de setenta abandonaram o positivismo e começaram a buscar uma postura interpretativa, colocando o significado no foco central, defendendo a necessidade de se buscar um novo modo de interpretação da realidade. Com efeito, para Bruner (1998, p.115) “conhecemos o mundo de maneiras diferentes, a partir de posicionamentos diferentes [...] o que produz realidades diferentes”.
Bruner (1998) se refere a dois tipos de pensamento: um paradigmático (lógico - científico) e outro narrativo; esses dois modos de pensamento, embora complementares possuem características distintas e se prestam a objetivos diferentes. O paradigmático é mais adequado para a construção de explicações não contraditórias, causais, mecânicas, generalizáveis e, por conseguinte, descontextualizadas. O narrativo é mais adequado para a construção de significações pessoais que se caracterizam pela intencionalidade, contextualização e ambiguidade Em relação à verdade, o modo de pensamento paradigmático se apoia em procedimentos para estabelecer provas formais e empíricas, enquanto no pensamento narrativo a busca é pela verossimilhança.
29 A Psicologia Cultural é um ramo da psicologia que se preocupa em analisar os
comportamentos humanos em toda sua complexidade e globalidade, considerando-os como fenômenos culturais e rejeitando a ideia de sua redução a componentes meramente biológicos. Nessa perspectiva, a mente, o pensamento e a consciência não são visto como fenômenos internos do individuo, mas como eventos interindividuais, coletivos e sociais. (JERVIS, 2004, p. 40).
O modo de pensamento paradigmático busca um sistema lógico-formal e matemático de descrição e explicação, no domínio daquilo que é observável, transcendendo o particular e buscando o universal; enquanto o pensamento narrativo se interessa pelas intenções humanas, pelas “epifanias do comum”, surge do interesse particular, do inesperado, do anômalo, do irregular, o pensamento paradigmático é mais apropriado para tratar de coisas físicas e o pensamento narrativo se presta a tratar de pessoas.
Sabe-se que as histórias são sobres sujeitos humanos e não sobre o mundo da natureza [...] o que marca os seres humanos é que seus atos não são produzidos por “forças” físicas como a gravidade, mas por estados intencionais: desejos, crenças, conhecimento, intenções, comprometimentos. (BRUNER, 2002, p. 120)
A narrativa autobiográfica para Bruner, permite um acesso ao si mesmo em termos dos significados construídos pelo indivíduo e pela cultura, tanto em sentido contemporâneo como histórico, uma vez que a cultura é uma construção histórica coletiva e, também, porque nela se pode transitar em vários sentidos, no tempo e no espaço, por meio do social e de suas instituições. Segundo Bruner (2002, p.140) “vivemos num mar de histórias e, tal como os peixes que (de acordo com o provérbio) são os últimos a descobrir a água, temos nossas próprias dificuldades em compreender o que significa nadar em histórias.”
Um si-mesmo [self] transacional nos é apresentado por Bruner e esse si- mesmo é projetado externamente nos nossos discursos, mas também é construído internamente. A descoberta deste si-mesmo implica na existência de dois universais que orientam os homens nas suas relações com a cultura e com a história. O primeiro seria a reflexividade humana, que nos permite alterar o passado a luz do presente, e o segundo é a capacidade de buscar alternativas, buscar outros modos de ser, agir, engajar-se. Bruner propõe duas exigências para o estudo do si-mesmo: a primeira é focalizar como o si-mesmo é definido pelo indivíduo e pela cultura na qual ele toma parte; a segunda
exigência é ter em conta as práticas sociais nas quais estes indivíduos estão engendrados.
Conforme esclarece Bruner (1997, p.102) devemos buscar a interpretação dos significados dentro de contextos “esses contextos são contextos práticos, é sempre necessário perguntar o que as pessoas estão fazendo ou tentando fazer num certo contexto”. Mas qual o modo de ter acesso a este si-mesmo? Como esta dupla condição aluna-professora, implica na construção de um si- mesmo?
Assumindo as proposições de Bruner (1997, p.107) um modo possível seria “fazer uma investigação retrospectiva, através de autobiografias”, trazer para o corpus da investigação “um relato do que se fez, em que cenário, de que modo e por que razão”, ou seja, devemos nos interessar pelo relato “do que a pessoa pensou que fez, para que ela pensou que fazia alguma coisa, em que tipo de situação ela pensou que estava e assim por diante”.
Bruner (1997, p.46-52) aponta algumas propriedades das narrativas: “ela difere de outros modos de organizar a experiência e de outras formas de discurso”; “pode ser real ou imaginária”; “é especializada em forjar relações entre o excepcional e o comum”; “têm uma sequencialidade emergente”; “organiza as experiências dos indivíduos”; “têm um estatuto moral e epistêmico”. Em modo mais geral:
Uma história, em suma, é uma experiência vicária, e o tesouro de narrativas no qual podemos entrar inclui, ambiguamente, tanto “relatos de experiências reais”, como produto de uma imaginação modelada [...] uma história é sempre uma história de alguém. (BRUNER, 1997, p.53) [aspas no original]
Bruner, tal como Bakhtin (1999), vê uma dupla função para a linguagem uma forma de comunicação e um meio para representação do mundo em suas palavras “a linguagem não apenas transmite, ela cria ou constitui conhecimento ou realidade” (BRUNER, 1998, p.139). Em relação à linguagem das narrativas
Bruner (1997) define quatro constituintes gramaticais [propriedades] para que ela seja efetivada: primeiro é a de ser um meio para enfatizar a ação humana; o segundo é a capacidade de trazer para o primeiro plano aquilo que é incomum; o terceiro é a sensibilidade ao canônico; e um quarto, mas não menos importante, é que a narrativa deve ter uma voz.
Neste trabalho, a narrativa constitui-se como procedimento para a coleta de dados e método de investigação, tendo em vista que as histórias narradas estão submetidas a um “círculo hermenêutico” e concordando com Bruner (2002, p.119), “você não pode explicar uma história; tudo que você pode fazer é dar a ela várias interpretações”, mas o que significa dizer isso?
Antes de mais nada, isto implica que nenhuma história possui uma única interpretação exclusiva. Seus supostos significados são, a princípio, múltiplos [...] o objetivo da análise hermenêutica é dar uma explicação convincente e não contraditória do que significa uma história. (BRUNER, 2002, p.132)
* * *
Apresentadas as referências desta investigação, propomos então compreender a formação docente, a partir das narrativas das alunas-professoras, tomando como referência o tripé proposto por Nóvoa (1997, p. 15): desenvolvimento pessoal (produzir a vida do professor), desenvolvimento profissional (produzir a profissão docente) e desenvolvimento institucional (produzir a escola). Deste modo nos predispomos a elaborar “uma teoria da pessoalidade que se inscreve no interior de uma teoria da profissionalidade” (NÓVOA, 2008, p. 25).