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Raising to object in PPs

In document The nanosyntax of case (sider 186-194)

4.7 Case and word order

4.7.4 Raising to object in PPs

Em um artigo que procura sintetizar e organizar os aspectos qualitativos e quantitativos da pesquisa na área educacional em três grandes grupos, conforme os objetivos de descrição, avaliação e reconstrução, Thiollent observa que “a metodologia não consiste num pequeno número de regras”, ao contrário “é um amplo conjunto de conhecimentos com o qual o pesquisador procurar encontrar subsídios para nortear suas pesquisas”, sendo que “as escolhas são efetuadas em função dos objetivos das pesquisas e das características das instituições” (Thiollent, 1984, p. 46). Em nosso caso, levando em consideração a ponderação do autor, a opção por uma abordagem de ordem qualitativa deveu-se tanto ao objetivo – realizar uma leitura aprofundada –, quanto ao

58 Conforme página oficial do Mestrado Profissional em Poder Legislativo, essa linha de pesquisa é assim definida: “Partindo do pressuposto de que o Poder Legislativo é uma instituição cujos objetivos maiores são a promoção da democracia e o fortalecimento do parlamento enquanto instrumento essencial para a existência de um estado democrático, esta área de concentração tem como campo de estudo os saberes e as práticas que as casas legislativas elaboram e disseminam sobre o Legislativo. Estratégias de ampliação e/ou melhoria da participação e da representação políticas merecem destaque, bem como as ações pedagógicas realizadas pelo parlamento, em suas vertentes informativas e comunicativas. Tais saberes e práticas podem ser analisados em ações, programas e atividades institucionalizados nas casas legislativas ou inferidos a partir do próprio funcionamento político dessas casas enquanto locus privilegiado de exercício da democracia” ((http://www2.camara.leg.br/responsabilidade-social/edulegislativa/educacao- legislativa-1/posgraduacao/mestrado/linhas-de-pesquisa).

objeto da pesquisa – uma experiência concreta de letramento político, ou seja, um programa de educação legislativa oferecido por uma casa legislativa59.

Naturalmente, não estamos supondo que uma pesquisa de ordem quantitativa não seja capaz de promover leituras aprofundadas de uma experiência concreta de letramento político, mas sim que a abordagem escolhida oferece melhores condições para atingir esse objetivo justamente porque “pesquisadores qualitativos estudam coisas em seus ambientes naturais, tentando fazer sentido de, ou interpretar, fenômenos em termos dos significados que as pessoas dão a eles” (Denzin e Lincoln, 2005, p. 3). Trata-se, portanto, de uma metodologia mais adequada para quem pretende mergulhar no cotidiano do programa EV, buscando surpreender as idiossincrasias que constituem o letramento político formalmente realizado no âmbito de uma casa legislativa, uma vez que a pesquisa qualitativa “enfatiza as características das entidades e os processos e sentidos que não são experimentalmente examinados ou medidos (se medidos de alguma forma) em termos de quantidade, grandeza, intensidade ou frequência” (idem, p. 10).

Sabemos que tal delimitação tem implicações quanto ao alcance dos resultados da pesquisa, assim como pressupostos e lógicas amplamente discutidos no campo científico (Chizzotti, 2005). Uma dessas implicações é a validade dos resultados quanto a generalizações, uma vez que essa pesquisa trata do letramento político no parlamento, mas se restringe a uma casa legislativa e, dentro dela, a um único programa. A literatura da pesquisa qualitativa tem respondido a essa questão de diversas maneiras. Tratando de estratégias de pesquisa específicas, Alves-Mazzoti, por exemplo, destaca duas propostas de generalização nos estudos qualitativos, seguindo dois renomados estudiosos do estudo de caso. A primeira delas, defendida por Robert Yin, é a “generalização analítica”, isto é, “o pesquisador não procura casos representativos de uma população para a qual pretende generalizar os resultados, mas a partir de um conjunto particular de resultados, ele pode gerar proposições teóricas que seriam aplicáveis a outros contextos” (Alves-Mazzoti, 2006, p. 646). A segunda, defendida por Robert Stake, é a “generalização naturalística”, que é aquela em que o estudo aprofundado de um caso

59 A decisão sobre a abordagem pode também ser localizada em um ponto anterior, na posição filosófica a do pesquisador quanto ao conhecimento, ou posterior, pela adoção de determinado paradigma metodológico dentro da pesquisa qualitativa. No primeiro caso, a pesquisa pode ser positivista, pós- positivista, interpretativa ou humanista, conforme classificação de Corbetta (2003). No segundo, uma pesquisa pode visar buscar a ‘verdade’, descrições densas, ser desenvolvimentista, um ensaio pessoal e revelar práticas sociais, segundo classificação de Cho e Trent (2006). Também pode-se adotar paradigmas ou teorias como construtivista, feminista, étnico, marxista, estudos culturais e teoria queer (Denzin e Lincoln, 2005).

permite que sejam estabelecidas comparações e associações com outros contextos. Uma corrente dentro dos estudos qualitativos, porém, considera ser esta uma discussão improdutiva, argumentando que a exigência de generalização pertence ao paradigma quantitativo, uma vez que é baseada na lógica da amostragem estatística. É nessa direção que se posiciona Martins ao afirmar que:

não cabe, a meu ver, no uso da metodologia qualitativa, a preocupação com a generalização, pois o que a caracteriza é o estudo em amplitude e em profundidade, visando a elaboração de uma explicação válida para o caso (ou casos) em estudo, reconhecendo que o resultado das observações são sempre parciais (Martins, 2004, p. 295).

Em nosso estudo, reconhecendo que a parcialidade dos resultados é caraterística da abordagem adotada, compreendemos que a análise do letramento político proposto no âmbito da Câmara dos Deputados proporciona aos leitores e, em especial, àqueles ligados ao sistema de educação legislativa, “uma experiência vicária” dos aspectos mais relevantes do EV, levando a uma interpretação mais aprofundada e mais ampla dele, assim como, por associação e comparação, de programas e ações similares (Stake, 2005; 2013). Também como realizamos aqui uma pesquisa de avaliação de programas, conforme explicitaremos mais adiante, o estudo permite um “uso conceitual dos resultados”, ou seja, trata-se do uso da avaliação “para influenciar o modo de pensar e aprofundar a compreensão através do aumento do conhecimento” que é tanto, em termos específicos, uma maior clareza em relação aos diversos aspectos do programa selecionado no que tange ao letramento político e lições que podem ser aprendidas sobre esse e outros tipos de programas educacionais do legislativo; quanto, de maneira mais ampla, a possibilidade de “reduzir a incerteza, oferecer iluminação, iluminar os financiadores e a equipe sobre o que os participantes realmente experienciam, melhorar a comunicação e facilitar o compartilhamento de percepções” (Patton, 2001, p. 332, grifo nosso).

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