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Ao longo do ano letivo 2012/2013, as turmas L e M do 10º ano, do curso de Artes Visuais, foram acompanhadas por três professoras estagiárias, na disciplina de Desenho A. A professora Conceição Ramos era quem lecionava Desenho em ambas as turmas e tinha ao seu cargo a direção da turma L. Era também a professora cooperante nesta Prática de Ensino Supervisionada.

Num trabalho conjunto entre as professoras estagiárias, realizou-se a análise das fichas individuais dos alunos da turma L e da turma M, fornecidas pela professora Conceição Ramos e pelo professor João Santos, diretor de turma do 10º M. Essa análise permitiu realizar quadros de referência para a apreciação geral e comparada das especificidades de cada turma (Apêndices 1 e 2).

Nas fichas analisadas, à pergunta “porquê o curso de artes visuais”, muitos alunos responderam querer seguir o curso de arquitetura ou cursos da área do design, nalguns casos, o de artes do espectáculo; outros referiram a área da comunicação social, ou cursos mais específicos como o de cineasta ou de programação de jogos de vídeo. Um dos alunos, curiosamente, mostrou a vontade de “querer fazer uma casa com as próprias mãos”. Na turma L, a maioria dos alunos já tinha repetido um ou dois anos, mas apenas uma das alunas tinha repetido o 10º ano de Desenho. Na turma M, a maioria dos alunos frequentava o 10º ano pela primeira vez. Também se verificou a presença de dois alunos que tinham mudado de curso, usufruindo portanto de equivalências a algumas disciplinas.

As fichas individuais dos alunos pertencem ao Dossier de Turma, onde ficam registados também os contatos com os encarregados de educação, as justificações de faltas, atas e outros documentos.

A média de escolaridade dos encarregados de educação (EE) de ambas as turmas não chegava ao 12º ano de escolaridade. Como podemos observar nas figuras 9 e 10, era bastante maior a quantidade de EE que apenas tinham concluído o Ensino Básico ou Secundário, relativamente aos que tinham frequentado o Ensino Superior. Revela-se assim a tendência apresentada na Figura 5, que demonstra como o nível de escolaridade dos pais e encarregados de educação tem vindo a diminuir, havendo cada vez menos licenciados. Estes dados apontam também como, com o passar dos anos, apesar do legado histórico e da localização da escola numa zona nobre da cidade, tem

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vindo a diminuir a quantidade de alunos com uma situação socioeconómica mais favorável. O nível socioeconómico das famílias é atualmente heterogéneo, pelo que concluímos a partir do nível de escolaridade dos EE e também a partir dos diversos agregados familiares dos alunos.

Quanto à área de residência, na maioria era relativamente próxima, conseguindo os alunos chegar à escola em 30 minutos, usando transportes públicos.

A turma M foi desdobrada devido ao elevado número de alunos, sendo que no horário de quarta-feira de manhã, os dois turnos tinham aulas em conjunto, o que determinou, por exemplo, que as aulas fossem reservadas para esses dias.

A turma L, com dezanove alunos, incluía um aluno com baixa visão e outros problemas, além de outros alunos com vários problemas físicos, alguns graves como a hemofilia, e dois alunos com dislexia, o que, pelo menos num caso trazia consequências

Figura 9 . Nível de Habilitações dos Encarregados de Educação dos Alunos da Turma L. Fonte: Própria.

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a nível cognitivo. Embora a presença de pelo menos um aluno com NEE (Necessidades Educativas Especiais) na turma determinasse que o seu número não deveria exceder 22, a verdade é que em relação à turma M, acabaram desfavorecidos, já que não houve desdobramento de turnos.

Observou-se ainda que os alunos da turma L tinham idades superiores aos da turma M (Figuras 11 e 12) e que, relativamente ao género, as turmas eram equlilibradas, apesar de o número de raparigas ser ligeiramente superior na turma M.

Figura 11 . Nível de Idades dos Alunos da Turma L no dia 31 de Outubro de 2012. Fonte: Própria.

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Outra diferença entre as turmas verificava-se a nível curricular: na turma M, os alunos tinham Matemática B, na L tinham História da Cultura e das Artes.

Os horários das turmas (Anexos 2 e 3) completavam-se com o Atelier de Expressão Plástica. Com a coordenação da professora Cristina Matias, estes ateliers de cerâmica, num contexto extracurricular, estavam abertos a toda a comunidade educativa e contaram com o empenho da professora Conceição às quintas-feiras à tarde, e a participação de alguns alunos do 10º ano, possibilitando ainda a experimentação plástica a alunos do ensino especial, sobretudo alunos invisuais, proporcionando assim momentos de grande satisfação e boas surpresas ao nível das concretizações, por parte destes alunos.

Foi possível acompanhar mais de perto a turma L, no que respeita as questões relacionadas com a direção de turma, nomeadamente no acompanhamento de reuniões. Durante o mês de Outubro, reuniu-se o Conselho de Turma, onde foram apresentadas as informações específicas recolhidas, permitindo a todos os professores da turma conhecer melhor os seus alunos e definir as estratégias mais adequadas. Na altura foi referido, com preocupação, o facto de uma aluna ter dado entrada nas urgências hospitalares com problemas de anorexia, tendo sido apresentado o relatório hospitalar levado pela Directora de Turma. Também nessa reunião, o professor coordenador do Gabinete de Educação Especial apresentou um extenso relatório referente ao aluno com baixa visão. A professora Conceição, como todos os docentes com alunos com NEE no domínio da deficiência visual, tem mais uma hora da componente não letiva destinada à preparação de materiais didáticos destinados a estes alunos, como por exemplo os enunciados em letra aumentada; e ainda, como Diretora de Turma, para o atendimento e cooperação com os EE.

No âmbito da Direção de Turma, foi também convocada uma reunião com os encarregados de educação, à qual compareceram menos de metade, na qual participei. A professora Conceição apresentou-se como Diretora de Turma, como um elo importante entre pais, encarregados de educação e a escola, apelando à ajuda no acompanhamento dos alunos, ao diálogo e conhecimento dos hábitos e rotinas dos seus educandos e à insistência na sua responsabilização no que respeita à assiduidade e participação em todas as atividades letivas, aos hábitos de trabalho e ao estabelecimento de regras e horários de descanso, de alimentação e de trabalho em casa. Referiu também que não existiam casos graves de indisciplina, que era uma turma simpática, mas que em geral os alunos deveriam ser mais aplicados e trabalhadores.

Foram também apresentados os critérios de avaliação definidos por Lei para a disciplina de Desenho A, bem como os níveis de aproveitamento e comportamento da

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turma. Apontaram-se ainda os aspetos fundamentais dos quais depende o sucesso educativo, como a organização, a autonomia, a responsabilidade individual e coletiva e a prevenção. No final da reunião, foram eleitos o Representante dos Encarregados de Educação e o seu substituto em caso de necessidade, seguindo-se uma conversa mais individualizada com alguns dos EE, cujos educandos tinham questões mais específicas a que era necessário dar atenção.

Ainda no início do ano, procedeu-se também à eleição, em aula, do Delegado e Subdelegado de turma, representantes dos alunos no Conselho de Turma.

Todos estes momentos, presenciais e de análise, permitiram a recolha de informações concretas e úteis acerca dos alunos da turma L, mais do que na turma M; no entanto, pelo facto de esta turma à partida não apresentar alunos com necessidades especiais, diluíu-se a importância de estar presente nas mesmas reuniões, principalmente porque foi feito um acompanhamento da evolução de todos os alunos das duas turmas, desde o início do ano, ao longo de várias aulas.

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4. Enquadramento e Encadeamento de Ação

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