Na segunda aula a Desenhar no Espaço propôs-se aos alunos do 10º M um dos exercícios inicialmente planeados para a Unidade. A intenção da proposta era que os alunos experienciassem outra maneira de desenhar, no espaço, mas de forma mais involuntária.
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Prentendia-se, com este exercício, que os alunos percebessem como o desenho pode acontecer através do movimento do corpo no espaço, que pode ser mais ou menos controlado pelo sujeito, gerando um desenho com o valor de marca ou vestígio, que resulta do registo da ação, fazendo-se assim coincidir o processo com o resultado.
Exercício: Travessia
Sinopse: Neste exercício procura-se estabelecer uma relação estreita entre a ação de desenhar e o movimento do sujeito no espaço, de modo a que um implique necessariamente o outro. É pedido aos alunos que ocupem uma zona na extermidade da folha de papel de cenário, que cobre grande parte do chão. De seguida, é lançado o desafio de chegarem à extremidade oposta da folha, com a condição de só se poderem movimentar desenhando sobre a folha. É pedido aos participantes que respondam ao desafio de uma forma original e menos óbvia. O desenho acaba por surgir como meio para conseguir algo, neste caso atravessar a folha de uma forma inventiva.
Materiais: Papel de cenário, Grafites, Marcadores, Lápis de Cera.
Enunciado:
Escolhe um ponto de partida e um ponto de chegada em duas das extremidades do papel de cenário.
Escolhe um ou dois dos materiais disponibilizados.
Começa a movimentar-te sobre o papel de cenário, escolhendo um percurso que pode ser direto ou não até ao ponto de chegada.
Por cada passo que deres, terás de deixar uma marca no papel de cenário com o material que escolheste, para que possas avançar, até chegares à outra extremidade.
Esforça-te para que a marca produzida pelo teu corpo seja original e distinta. Terá que ser única.
No final, em grupo, vamos refletir: o corpo pode desenhar?
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A aula começou com a troca de impressões acerca dos resultados do exercício da aula anterior. Explicou-se mais uma vez aos alunos como se pretendia que experienciassem diferentes situações ou contextos de desenho, de modo a suscitar a compreensão da especificidade desses mesmos contextos.
Foram partilhados os conteúdos a trabalhar neste exercício e foi feita a leitura acompanhada do enunciado, para que fosse interpretado corretamente.
O entusiasmo e expetativa dos alunos levou-os a quererem iniciar o exercício, pelo que logo escolheram os materiais que queriam utilizar e se colocaram em torno da grande folha de papel de cenário que cobria uma grande área do chão da sala de aula.
Neste momento, o desejo de começarem a desenhar regrediu, pois os alunos sentiram-se intimidados e percebeu-se que isso se devia a estarem preocupados com o que poderia resultar da sua intervenção. Não entenderam, à partida, que o que era pedido era que não valotizassem tanto o resultado, mas sim o processo e o seu movimento, a ação de desenhar.
O exercício não deixou de ser interessante para os alunos, que se esforçaram por deixar a sua marca pessoal ao longo do precurso que resolveram definir, mas fizeram-no sem aproveitar o desenho que surgiria imediatamente do movimento e da ação, pelo que não se conseguiu alcançar totalmente os objetivos delineados para esta experiência, o que já não foi possível retificar, por questões de tempo, com esta turma.
No entanto, foi conseguido um desenho coletivo em que cada um deixou a sua marca, uma marca com significado em vez de um vestígio, o que acaba por ser um desenho com um sentido, mas em moldes muito diferentes do que os alunos estavam habituados. Foi uma experiência enriquecedora e viável para criar um momento de interação coletiva e criativa (Figuras 36 e 37).
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7.3.2. Aula 4: 10º L
Depois da última aula realizada com a turma M, sentiu-se a necessidade de reformular o exercício Travessia, dedicado a trabalhar o desenho produzido pelo movimento do corpo no espaço, de modo a melhorar a perceção dos conceitos e objetivos pelos alunos. Chegou-se à conclusão de que o exercício não foi proposto da forma mais adequada. Nesta aula, o título e o enunciado foram alterados, de modo a que se provocasse um desenho menos intencional, mais espontâneo, que não levasse os alunos da turma L a racionalizar tanto as suas intervenções como os seus colegas.
Insistiu-se na criação de um desenho menos intencional, mais performativo, em que processo e resultado estariam intimamente ligados.
Exercício: Estafeta
Sinopse: Neste exercício estabelece-se, novamente, uma relação estreita entre a ação de desenhar e o movimento no espaço, levando-a ainda mais longe. Propõe-se aos alunos que sejam rápidos e dinâmicos (agindo de forma espontânea) trabalhando individualmente para conseguir um desenho coletivo.
Materiais: Papel de cenário, Grafites, Marcadores, Lápis de Cera.
Enunciado:
Escolhe em conjunto com todos os colegas, o ponto de partida, o ponto de chegada e os vários pontos onde se ‘passa o testemunho’ para a nossa ‘estafeta’. Escolhe um dos materiais riscadores disponibilizados.
Começa a movimentar-te sobre o papel de cenário, escolhendo um percurso que pode ser direto ou não até ao ponto de passagem do testemunho.
Por cada passo que deres, terás de deixar uma marca no papel de cenário com o material que escolheste, para que possas avançar.
O exercício deve ser dinâmico: não há equipas neste jogo, mas pretende-se que demores o mínimo tempo possível, a produzir o desenho mais original possível. O objetivo é produzir, assim, um desenho coletivo em que cada um dá o seu contributo individual.
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Esta aula iniciou-se com a apresentação do novo exercício, Estafeta, frisando-se as diferenças relativamente ao trabalho da Linha e Corpo como Elementos Pictóricos, realizado na aula precedente, com esta turma. Além de se trocarem impressões acerca dos resultados do exercício da aula anterior, explicou-se mais uma vez aos alunos como se pretendia que experienciassem diferentes situações ou contextos de desenho, de modo a suscitar a compreensão da especificidade desses mesmos contextos.
Foram partilhados os conteúdos a trabalhar neste exercício e foi feita a leitura acompanhada do enunciado, para que fosse interpretado corretamente. Para evitar o que tinha acontecido com a outra turma, a explicação foi mais detalhada e simulada, como que num treino para este exercício (também) físico.
O exercício foi realizado como previsto, os alunos, de forma dinâmica, um a um, foram deixando as suas marcas no papel de cenário que ocupava o chão, produzindo percursos que ora se repetiam, ora apresentavam algumas variantes, que culminavam nos pontos determinados em conjunto (Figuras 38 a 41).
No final do exercício, foi feita uma reflexão em conjunto, num momento de diálogo em que os alunos manifestaram as suas sensações em relação à experiência que tinham acabado de realizar. Abordou-se a importância da ação, do processo, da esolha de um percurso aliada à falta de controlo sobre o que era o resultado, não só pela rapidez e ritmo do exercício, mas também por, num todo, um só desenho ter sido realizado por muitos alunos.
Afinal, os alunos desta forma perceberam que, o que importava, era o processo e o modo como o corpo pode ser instrumento de desenhar, de forma mais ou menos involuntária, mais ou menos carregada de sentido (e sentimento, se assim o quisermos entender). Este desenho, que resulta do registo da ação, faz coincidir processo e resultado, não é controlado totalmente, mas cada aluno movimentou-se sobre a folha de um modo particular, e cada aluno registou o movimento, também, de um modo particular.
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