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In document At the hospital (sider 188-191)

Na segunda aula a Desenhar no Espaço propôs-se aos alunos do 10º M um dos exercícios inicialmente planeados para a Unidade. A intenção da proposta era que os alunos experienciassem outra maneira de desenhar, no espaço, mas de forma mais involuntária.

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Prentendia-se, com este exercício, que os alunos percebessem como o desenho pode acontecer através do movimento do corpo no espaço, que pode ser mais ou menos controlado pelo sujeito, gerando um desenho com o valor de marca ou vestígio, que resulta do registo da ação, fazendo-se assim coincidir o processo com o resultado.

Exercício: Travessia

Sinopse: Neste exercício procura-se estabelecer uma relação estreita entre a ação de desenhar e o movimento do sujeito no espaço, de modo a que um implique necessariamente o outro. É pedido aos alunos que ocupem uma zona na extermidade da folha de papel de cenário, que cobre grande parte do chão. De seguida, é lançado o desafio de chegarem à extremidade oposta da folha, com a condição de só se poderem movimentar desenhando sobre a folha. É pedido aos participantes que respondam ao desafio de uma forma original e menos óbvia. O desenho acaba por surgir como meio para conseguir algo, neste caso atravessar a folha de uma forma inventiva.

Materiais: Papel de cenário, Grafites, Marcadores, Lápis de Cera.

Enunciado:

 Escolhe um ponto de partida e um ponto de chegada em duas das extremidades do papel de cenário.

 Escolhe um ou dois dos materiais disponibilizados.

 Começa a movimentar-te sobre o papel de cenário, escolhendo um percurso que pode ser direto ou não até ao ponto de chegada.

 Por cada passo que deres, terás de deixar uma marca no papel de cenário com o material que escolheste, para que possas avançar, até chegares à outra extremidade.

 Esforça-te para que a marca produzida pelo teu corpo seja original e distinta. Terá que ser única.

 No final, em grupo, vamos refletir: o corpo pode desenhar?

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A aula começou com a troca de impressões acerca dos resultados do exercício da aula anterior. Explicou-se mais uma vez aos alunos como se pretendia que experienciassem diferentes situações ou contextos de desenho, de modo a suscitar a compreensão da especificidade desses mesmos contextos.

Foram partilhados os conteúdos a trabalhar neste exercício e foi feita a leitura acompanhada do enunciado, para que fosse interpretado corretamente.

O entusiasmo e expetativa dos alunos levou-os a quererem iniciar o exercício, pelo que logo escolheram os materiais que queriam utilizar e se colocaram em torno da grande folha de papel de cenário que cobria uma grande área do chão da sala de aula.

Neste momento, o desejo de começarem a desenhar regrediu, pois os alunos sentiram-se intimidados e percebeu-se que isso se devia a estarem preocupados com o que poderia resultar da sua intervenção. Não entenderam, à partida, que o que era pedido era que não valotizassem tanto o resultado, mas sim o processo e o seu movimento, a ação de desenhar.

O exercício não deixou de ser interessante para os alunos, que se esforçaram por deixar a sua marca pessoal ao longo do precurso que resolveram definir, mas fizeram-no sem aproveitar o desenho que surgiria imediatamente do movimento e da ação, pelo que não se conseguiu alcançar totalmente os objetivos delineados para esta experiência, o que já não foi possível retificar, por questões de tempo, com esta turma.

No entanto, foi conseguido um desenho coletivo em que cada um deixou a sua marca, uma marca com significado em vez de um vestígio, o que acaba por ser um desenho com um sentido, mas em moldes muito diferentes do que os alunos estavam habituados. Foi uma experiência enriquecedora e viável para criar um momento de interação coletiva e criativa (Figuras 36 e 37).

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7.3.2. Aula 4: 10º L

Depois da última aula realizada com a turma M, sentiu-se a necessidade de reformular o exercício Travessia, dedicado a trabalhar o desenho produzido pelo movimento do corpo no espaço, de modo a melhorar a perceção dos conceitos e objetivos pelos alunos. Chegou-se à conclusão de que o exercício não foi proposto da forma mais adequada. Nesta aula, o título e o enunciado foram alterados, de modo a que se provocasse um desenho menos intencional, mais espontâneo, que não levasse os alunos da turma L a racionalizar tanto as suas intervenções como os seus colegas.

Insistiu-se na criação de um desenho menos intencional, mais performativo, em que processo e resultado estariam intimamente ligados.

Exercício: Estafeta

Sinopse: Neste exercício estabelece-se, novamente, uma relação estreita entre a ação de desenhar e o movimento no espaço, levando-a ainda mais longe. Propõe-se aos alunos que sejam rápidos e dinâmicos (agindo de forma espontânea) trabalhando individualmente para conseguir um desenho coletivo.

Materiais: Papel de cenário, Grafites, Marcadores, Lápis de Cera.

Enunciado:

 Escolhe em conjunto com todos os colegas, o ponto de partida, o ponto de chegada e os vários pontos onde se ‘passa o testemunho’ para a nossa ‘estafeta’.  Escolhe um dos materiais riscadores disponibilizados.

 Começa a movimentar-te sobre o papel de cenário, escolhendo um percurso que pode ser direto ou não até ao ponto de passagem do testemunho.

 Por cada passo que deres, terás de deixar uma marca no papel de cenário com o material que escolheste, para que possas avançar.

 O exercício deve ser dinâmico: não há equipas neste jogo, mas pretende-se que demores o mínimo tempo possível, a produzir o desenho mais original possível. O objetivo é produzir, assim, um desenho coletivo em que cada um dá o seu contributo individual.

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Esta aula iniciou-se com a apresentação do novo exercício, Estafeta, frisando-se as diferenças relativamente ao trabalho da Linha e Corpo como Elementos Pictóricos, realizado na aula precedente, com esta turma. Além de se trocarem impressões acerca dos resultados do exercício da aula anterior, explicou-se mais uma vez aos alunos como se pretendia que experienciassem diferentes situações ou contextos de desenho, de modo a suscitar a compreensão da especificidade desses mesmos contextos.

Foram partilhados os conteúdos a trabalhar neste exercício e foi feita a leitura acompanhada do enunciado, para que fosse interpretado corretamente. Para evitar o que tinha acontecido com a outra turma, a explicação foi mais detalhada e simulada, como que num treino para este exercício (também) físico.

O exercício foi realizado como previsto, os alunos, de forma dinâmica, um a um, foram deixando as suas marcas no papel de cenário que ocupava o chão, produzindo percursos que ora se repetiam, ora apresentavam algumas variantes, que culminavam nos pontos determinados em conjunto (Figuras 38 a 41).

No final do exercício, foi feita uma reflexão em conjunto, num momento de diálogo em que os alunos manifestaram as suas sensações em relação à experiência que tinham acabado de realizar. Abordou-se a importância da ação, do processo, da esolha de um percurso aliada à falta de controlo sobre o que era o resultado, não só pela rapidez e ritmo do exercício, mas também por, num todo, um só desenho ter sido realizado por muitos alunos.

Afinal, os alunos desta forma perceberam que, o que importava, era o processo e o modo como o corpo pode ser instrumento de desenhar, de forma mais ou menos involuntária, mais ou menos carregada de sentido (e sentimento, se assim o quisermos entender). Este desenho, que resulta do registo da ação, faz coincidir processo e resultado, não é controlado totalmente, mas cada aluno movimentou-se sobre a folha de um modo particular, e cada aluno registou o movimento, também, de um modo particular.

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