5 TEORI
5.5 G RAD AV MEDVIRKNING
O teste 2 foi aplicado na turma, pela professora Cecília, que estudou o conjunto de instrumentos e, com o auxílio da Supervisora, corrigiu os resultados no dia sete de março, procedendo às análises conforme as orientações do Guia de Correção e Interpretação dos Resultados. No dia acordado para a realização da Provinha Brasil, a turma da professora Cecília obteve 100% de frequência. Seu desempenho na compreensão da leitura está ilustrado no Gráfico 1:
GRÁFICO 1 - Desempenho da turma na Leitura
Fonte: Resultados da Provinha Brasil da turma do 3º Ano (2009).
53 Disponível em:
<http://provinhabrasil.inep.gov.br/images/stories/downloads/2_kit_2008/guia_de_corr ecao_2-2008.pdf>
54A Matriz de Referência pode ser consultada no documento Passo a Passo disponível em <http://provinhabrasil.inep.gov.br/images/stories/downloads/2_kit_2008/passo_a_passo_2- 2008.pdf> pág.17. Ela apresenta descritores que avaliam as habilidades de apropriação do sistema da escrita; Leitura e Escrita.
Como já foi dito, os níveis indicam as habilidades desenvolvidas na compreensão da leitura e servem para mostrar o ponto do processo de aprendizagem em que as crianças se encontram quando da aplicação da Provinha Brasil. Sendo assim, dos 15 alunos investigados:
Somente dois se encontravam no nível 2. Essa indicação demonstra, portanto, que desenvolveram as seguintes habilidades: reconheciam as letras do alfabeto, diferenciando-as de desenhos e outros sinais gráficos; estabeleciam relação entre (grafemas) e sons (fonemas); liam palavras compostas por sílabas formadas por consoante e vogal (sílabas canônicas);
liam algumas palavras compostas por sílabas formadas por
consoante/vogal/consoante ou por consoante/consoante/vogal (sílabas não canônicas); identificavam palavras como unidades gráficas num texto e compreendiam o valor da ordem alfabética, bem como seu uso funcional. Um aluno estava no nível 3, o que demonstra que consolidou a capacidade de
ler palavras de diferentes tamanhos e padrões silábicos, conseguia ler frases com sintaxe simples (sujeito+ verbo +objeto) e utilizava algumas estratégias que permitem ler textos de curta extensão.
Cinco alunos se encontravam no nível 4, sendo capazes de ler textos de aproximadamente 8 a 10 linhas, na ordem direta (início, meio e fim), de estrutura sintática simples (sujeito+verbo+objeto) e de vocabulário explorado na escola. Localizavam, ainda, nos textos, a informação pedida, realizavam inferências e compreendiam qual era o assunto tratado.
Seis alunos demonstravam ter alcançado o domínio do sistema de escrita e a compreensão do princípio alfabético, apresentando um excelente desempenho nas habilidades desejadas para o fim do segundo ano de escolarização.
Com base nos resultados obtidos, nove alunos não atingiram o nível 5 na leitura, que seria a expectativa desejável para o fim do segundo ano de escolarização. Como a turma de Cecília estava no início do terceiro ano, os alunos que sinalizaram uma atenção especial pertenciam ao Nível 2 e 3, necessitando, consequentemente, de ações pontuais para que pudessem avançar para os níveis 4
e 5, respectivamente. Em consulta aos relatórios da CPAI (2009, p.3-4), 55a partir da
descrição das habilidades de desempenho na Provinha Brasil, entende-se que:
[...] para vencer os níveis 1 e 2 (os mais elementares no processo de alfabetização) e chegar-se pelo menos ao nível 4, é preciso expor o aluno – por meio da valorização da variedade textual – a atividades que o ajudem a compreender o valor funcional das letras na composição das palavras; que lhe possibilitem reconhecer que as unidades menores da fala são representadas por letras; que o façam dominar progressivamente as regularidades e irregularidades ortográficas da língua portuguesa e, ao mesmo tempo, interagir com os diferenciados gêneros. Daí se avança para o domínio de estratégias de leitura diversificadas, o que só é possível com a intensificação do trabalho com textos de diferentes gêneros.
Com base nas orientações prescritas tanto no Relatório da CPAI quanto no do MEC pelo uso de diferentes textos e pela exposição aos diferentes gêneros, alguns conhecimentos centrais podem vir a ser adquiridos, a saber: a relação entre o som e a letra das palavras; as sílabas canônicas e não canônicas; a palavra; a ortografia das palavras, tal como a de textos curtos e simples e, inclusive, daqueles menos familiares. Esse trabalho deve ser empreendido junto aos alunos dos níveis 2 e 3, para que conquistem o nível 4. As questões de escrita complementam a correção das questões de múltipla escolha e, juntas, definem os níveis de alfabetização. O resultado obtido na compreensão da escrita, ilustrado no Gráfico 2, mostra que dez crianças escreveram corretamente, recebendo “A ou B”, e cinco receberam “C ou D”, porque suas respostas na proposta de escrita foram consideradas incorretas:
55 O relatório da CPAI é um dos documentos consultados na caracterização da escola e seu entorno e não constará nas referências para preservar a identidade da escola investigada.
GRÁFICO 2 - Desempenho da turma na Língua Escrita.
Fonte: Resultados da Provinha Brasil da turma do 3º Ano (2009).
Das cinco crianças que escreveram as palavras incorretas, tendo recebido “C” e “D”, pode-se dizer que:
Questão 25:
Cinco crianças escreveram de forma incorreta a palavra BANANA, recebendo conceito “D”, que se caracteriza pelo uso de letras sem relação com a escrita da palavra.
Questão 26:
Três crianças receberam conceito “C” porque escreveram a palavra
TATARTARUGA com omissões, acréscimos ou troca de sílabas ou de letras, dificultando sua identificação na palavra escrita.
Quatro crianças receberam conceito “D”, porque utilizaram uma forma de registro que emprega letras que não mantêm relação com a palavra.
Questão 27:
Quatro crianças escreveram a frase “A GAROTA PERDEU O SEU GATO” com escrita silábica (GT PD GO) ou silábico-alfabética (PDEO, ATO).
Os resultados da Provinha Brasil também foram comparados com o desempenho dos alunos no I Bimestre em Língua Portuguesa, recorrendo ao sistema de dados informatizados [I - Educar] da Secretaria Municipal de Educação. Observei que, dos seis alunos com a média abaixo de 5,0, quatro deles são as mesmas crianças que atingiram níveis inferiores (nível 2 e 3) na compreensão da leitura na Provinha Brasil. A exceção foi um único aluno (Juliano), que alcançou o nível 5 na leitura e, no entanto, na compreensão da escrita escreveu de forma incorreta a palavra mais simples (Banana). Veja a Tabela 2:
TABELA 2: Posição dos alunos com média abaixo de cinco no I Bimestre, 2009 e seus resultados na Provinha Brasil.
Fonte: Programa I-Educar, 2009. Provinha Brasil (2009).
Ao analisar os dados obtidos na Provinha Brasil, verifiquei que quatro alunos se posicionaram em seus níveis mais baixos (níveis 2 e 3) em relação à leitura e cinco obtiveram conceito “D” na escrita. Por outro lado, na Educar I, seis alunos obtiveram medias abaixo de 5,0. De imediato, cabe esclarecer que os seis alunos de Cecília que obtiveram médias abaixo de 5,0 eram justamente as cinco crianças que apresentavam também mais dificuldades na escrita. Na leitura, não foram identificados dois alunos. Quem eram eles?Conhecendo melhor as crianças, fiquei sabendo que elas eram Juliano e Kamily. Ambos sabiam ler, mas escreviam com bastante dificuldade. Essa informação permitiu identificar que Cecília valorizava mais a escrita do que a leitura, tendo em vista que a avaliação desses dois alunos se pautou notadamente pela escrita, desconsiderando sua relativa fluência na leitura (nível 4 e 5). Se os alunos alcançaram o perfil desejável, segundo os critérios do MEC, mas erravam a escrita de palavras simples, foi porque a língua escrita em sala
Desempenho dos Alunos I Bimestre
Provinha Brasil - Teste 2
Alunos abaixo da Média 5,0
em Língua Portuguesa Compreensão da Leitura Nível 2 e 3 Escrita: Questão 25 Compreensão da (D - Incorreta)
de aula não se articulava à oralidade, colocando-se a serviço da primeira. Esse fato remete-nos às discussões de Soares (2004), para quem o conceito de letramento refere-se ao processo em que vive o indivíduo em sociedades letradas, que fazem uso de práticas sociais de leitura e de escrita. De acordo com esse conceito, na escola, o aluno que sabe ler deveria ler jornais e livros; se sabe escrever, deveria redigir cartas, bilhetes, receitas, etc. sem dificuldade. Alfabetização deveria, assim, ser entendida como uma prática escolar das sociedades letradas, que têm por meta promover o domínio do código e de sua função social e não, como parece ser o caso, como um componente do letramento. Nessa situação, pode-se ponderar que os professores continuam a alfabetizar dando ênfase ao domínio do código e negligenciando sua função social: permitir a comunicação com interlocutores não presentes, atuar como extensão da memória, estabelecer a mediação entre dois ou mais sujeitos.